Resumo:
Este artigo objetiva realizar uma breve discussão do processo de
iniciação científica no âmbito do ensino superior. Apresenta o
contexto atual da política educacional brasileira, ilustrando com o
caso de uma universidade pública localizada na região norte do
Brasil. Reconhece-se o impacto que a iniciação científica tem na
pós-graduação e uma das constatações feitas é a de que a experiência
vivida junto a atividades de pesquisa tem influência positiva no
estudante que segue para o mercado de trabalho.
Palavras-chaves:
Ensino superior. Iniciação científica.
Pesquisa. Universidade.
Abstract:
This article present a brief discussion of the process of scientific
research in higher education. Displays the current context of
Brazilian education policy, illustrating with the case of a public
university located in northern Brazil. It recognizes the impact that
scientific research have in pos-graduate and one of the findings is
that the experience with the research activities has a positive
influence on the student that goes to the labor market.
Keywords:
Scientific Initiation. Education high.
Investigate. University.
Introdução
A política educacional brasileira, no final do século passado,
voltou-se para a formação de indivíduos dentro do ideário
capitalista, nos princípios da flexibilidade, produtividade e
eficiência (MARTINS et al., 2004; NOGUEIRA, 2003). Neste
contexto, as instituições de ensino superior desempenham a função de
formar profissionais graduados e pós-graduados através da
viabilização de ações integradoras, articulando o ensino, a pesquisa
e a extensão, por meio do envolvimento do seu corpo docente,
discente e técnico-administrativo.
Os acadêmicos envolvem-se na pesquisa por meio de uma iniciação
científica que se dá em aulas teóricas e práticas, palestras,
colaboração em projetos experimentais e de pesquisa, monitorias,
elaboração de trabalhos de conclusão de curso e monográficos,
estudos individuais e em grupos e participação em eventos
científicos.
1 Iniciação científica no ensino superior
Ponte (1998) descreve o papel decisivo da atividade investigativa
sobre a formação inicial e contínua de professores, tendo em conta
as perspectivas atuais da didática. Durante a iniciação científica,
desenvolvem-se capacidades mais diferenciadas nas expressões escrita
e oral, e a aprendizagem de conhecimentos que marcam a vida escolar
dos indivíduos. Por exemplo, os estudantes passam a ler
bibliografias de forma crítica, tornando-se referencial para os
outros alunos.
A iniciação científica não existe somente a partir do ensino
superior, nem apenas em um tipo de atividade que é a pesquisa
científica, da qual se participa sob orientação de um
professor-pesquisador. Ela está vinculada a todas as atividades
acadêmicas e começa, em todas as áreas das ciências, muito antes do
ensino superior. A ação educativa não se faz apenas na transmissão
de conhecimentos, mas, e principalmente, na interação entre
aluno-professor, de modo que o resultado seja a formação de
indivíduos conscientes de seus papéis sociais, como agentes ativos
de transformação da sociedade.
A iniciação científica está presente na vida das universidades,
principalmente públicas, fato discorrido por Fava-de-Moraes e Fava
(2000) em um artigo em que demonstra a importância do programa de
iniciação científica para o estudante do ensino superior,
enfatizando o papel complementar de melhoria da sua análise crítica,
maturidade intelectual, compreensão da ciência e possibilidades
futuras tanto acadêmicas como profissionais. É destacada a
necessidade de formação de gente capacitada nas áreas técnicas e
científicas como premissa para o desenvolvimento social e econômico.
2 Uma universidade no Norte do Brasil
Na Universidade Federal do Amapá – UNIFAP –, a iniciação científica
é um processo que vem se firmando de forma gradativa, à medida que o
desenvolvimento da pesquisa começa a se consolidar na instituição –
uma das últimas instituições de ensino superior implantadas na
Amazônia, pelo Governo Federal, em 1990, voltada à formação de
recursos humanos para exercerem suas atividades profissionais no
processo de desenvolvimento da região.
Em um momento ímpar de sua história, o ensino superior da UNIFAP
passa por grandes avanços, nesta década, decorrentes da formulação e
implantação de novas estratégias de planejamento e execução das suas
atividades, o que implicou no desencadeamento de mudanças e
desenvolvimento institucional, como a ampliação física e estrutural,
capacitação profissional e estabelecimento de novas prioridades para
o futuro, que é o caso, por exemplo, do fortalecimento do processo
de pesquisa.
Em 2005, a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação lançou o
primeiro edital para bolsas de iniciação científica, o qual
contemplou 17 alunos. O programa de iniciação científica da UNIFAP
ganhou contorno mais sólido a partir de janeiro de 2006, com a
Resolução nº 001/06-CONSU/UNIFAP, que dispõe sobre a criação e
regulamentação do Programa de Iniciação Científica na UNIFAP –
PROBIC. Inicialmente, o PROBIC ofereceu 15 bolsas. Naquele mesmo
ano, a UNIFAP foi contemplada pelo CNPq com uma quota de 10 bolsas
do Programa de Bolsa de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq.
No final de 2008, a UNIFAP implantou o “Programa Integrado de Bolsas
de Iniciação Científica” da Rede Integrada de Pesquisa do Estado do
Amapá, objetivando fortalecer o processo de pesquisa na UNIFAP e na
região amazônica, auxiliando a perceber, discutir e desenvolver
potencialidades do saber local. Esta Rede é composta por outras
instituições amapaenses de pesquisa, tais como a EMBRAPA/AP, o IEPA
e a UEAP. Por meio deste Programa, a UNIFAP também oferece bolsas de
iniciação científica com recursos pagos pelo Governo do Estado do
Amapá.
Atualmente, encontra-se em tramitação, no Conselho Superior
Universitário da instituição, uma proposta de criação do Programa de
Iniciação Científica Voluntária – PROVIC –, o qual se destina a
regularizar a situação dos alunos que desenvolvem atividades de
pesquisa. A aprovação beneficiará muitos acadêmicos que já estão
participando do processo de iniciação científica voluntariamente,
mas que não têm como comprovarem institucionalmente o seu
envolvimento e participação nas atividades de pesquisa.
A Universidade Federal do Amapá está inserida num macro-sistema
social, sendo deste uma representação parcial, e pautada nos
objetivos nacionais de alocação dos recursos disponíveis, a partir
das possibilidades tecnológicas, culturais e educacionais do país. A
realização de planejamentos é um tópico essencial à sua confirmação
institucional e afirmação de seu funcionamento, a partir da
definição adequada de objetivos e metas, propiciando decisões de
onde serão aplicados os recursos que lhe forem destinados pelos
órgãos devidos.
A inserção da iniciação científica em seu rol de afazeres propiciou
valorizar a autonomia intelectual, na medida em que os primeiros
resultados já estão sendo obtidos, como a produção bibliográfica de
discentes e docentes vinculados à iniciação científica, verificada
em artigos científicos, resumos e nas comunicações em eventos
acadêmicos, e a busca da qualificação acadêmica e profissional em
nível mais especializado dos alunos e professores.
Considerações finais
Conforme exposto, a postura neoliberal implantada no país também
apresentou impactos no solo amapaense, com reflexos no âmbito da
educação superior. Leve-se, em consideração, que a UNIFAP possui a
estrutura de um sistema complexo e multifacetado, e que adaptações
de cunho individual são requeridas no processo em construção. Não é
apenas o modo de produção que se transforma (FERREIRA, 2000), dadas
as estruturas sociais e políticas vigentes, mas, e é isso o mais
interessante, conforme exposto por Pires e Reis (1999) e Nova
(2004), o modo de pensar também passa por essa modificação no
aspecto ideológico e de relação de poder.
As áreas de aplicação da pesquisa científica são polivalentes, além
de interdisciplinares. Podem ser observados localmente, e na região
amazônica, diversos rumos de pesquisa, mas sempre será preciso
garantir a defesa do meio ambiente e o crescimento local,
objetivando fortalecer espaços econômicos já em funcionamento e,
evidentemente, propiciar bem-estar a toda a sua população. Contudo,
conforme Bezerra e Grazziotin (1997), o desenvolvimento do Norte do
país só será efetivo se os povos da região também forem beneficiados
pela extraordinária riqueza da Amazônia brasileira.
Referências bibliográficas
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