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ISSN 1678-8419         última atualização em: domingo, 04 de julho de 2010 21:19:22                                               

 
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EDUCAÇÃO

Iniciação à pesquisa no ensino superior

   

Fernando Castro Amoras[*]

publicado em 04/07/2010

         Resumo: Este artigo objetiva realizar uma breve discussão do processo de iniciação científica no âmbito do ensino superior. Apresenta o contexto atual da política educacional brasileira, ilustrando com o caso de uma universidade pública localizada na região norte do Brasil. Reconhece-se o impacto que a iniciação científica tem na pós-graduação e uma das constatações feitas é a de que a experiência vivida junto a atividades de pesquisa tem influência positiva no estudante que segue para o mercado de trabalho.

Palavras-chaves: Ensino superior. Iniciação científica. Pesquisa. Universidade.

 

Abstract: This article present a brief discussion of the process of scientific research in higher education. Displays the current context of Brazilian education policy, illustrating with the case of a public university located in northern Brazil. It recognizes the impact that scientific research have in pos-graduate and one of the findings is that the experience with the research activities has a positive influence on the student that goes to the labor market.

Keywords: Scientific Initiation. Education high. Investigate. University.

 

Introdução

 

A política educacional brasileira, no final do século passado, voltou-se para a formação de indivíduos dentro do ideário capitalista, nos princípios da flexibilidade, produtividade e eficiência (MARTINS et al., 2004; NOGUEIRA, 2003). Neste contexto, as instituições de ensino superior desempenham a função de formar profissionais graduados e pós-graduados através da viabilização de ações integradoras, articulando o ensino, a pesquisa e a extensão, por meio do envolvimento do seu corpo docente, discente e técnico-administrativo.

Os acadêmicos envolvem-se na pesquisa por meio de uma iniciação científica que se dá em aulas teóricas e práticas, palestras, colaboração em projetos experimentais e de pesquisa, monitorias, elaboração de trabalhos de conclusão de curso e monográficos, estudos individuais e em grupos e participação em eventos científicos.

 

1 Iniciação científica no ensino superior

 

Ponte (1998) descreve o papel decisivo da atividade investigativa sobre a formação inicial e contínua de professores, tendo em conta as perspectivas atuais da didática. Durante a iniciação científica, desenvolvem-se capacidades mais diferenciadas nas expressões escrita e oral, e a aprendizagem de conhecimentos que marcam a vida escolar dos indivíduos. Por exemplo, os estudantes passam a ler bibliografias de forma crítica, tornando-se referencial para os outros alunos.

A iniciação científica não existe somente a partir do ensino superior, nem apenas em um tipo de atividade que é a pesquisa científica, da qual se participa sob orientação de um professor-pesquisador. Ela está vinculada a todas as atividades acadêmicas e começa, em todas as áreas das ciências, muito antes do ensino superior. A ação educativa não se faz apenas na transmissão de conhecimentos, mas, e principalmente, na interação entre aluno-professor, de modo que o resultado seja a formação de indivíduos conscientes de seus papéis sociais, como agentes ativos de transformação da sociedade.

A iniciação científica está presente na vida das universidades, principalmente públicas, fato discorrido por Fava-de-Moraes e Fava (2000) em um artigo em que demonstra a importância do programa de iniciação científica para o estudante do ensino superior, enfatizando o papel complementar de melhoria da sua análise crítica, maturidade intelectual, compreensão da ciência e possibilidades futuras tanto acadêmicas como profissionais. É destacada a necessidade de formação de gente capacitada nas áreas técnicas e científicas como premissa para o desenvolvimento social e econômico.

 

2 Uma universidade no Norte do Brasil

 

Na Universidade Federal do Amapá – UNIFAP –, a iniciação científica é um processo que vem se firmando de forma gradativa, à medida que o desenvolvimento da pesquisa começa a se consolidar na instituição – uma das últimas instituições de ensino superior implantadas na Amazônia, pelo Governo Federal, em 1990, voltada à formação de recursos humanos para exercerem suas atividades profissionais no processo de desenvolvimento da região.

Em um momento ímpar de sua história, o ensino superior da UNIFAP passa por grandes avanços, nesta década, decorrentes da formulação e implantação de novas estratégias de planejamento e execução das suas atividades, o que implicou no desencadeamento de mudanças e desenvolvimento institucional, como a ampliação física e estrutural, capacitação profissional e estabelecimento de novas prioridades para o futuro, que é o caso, por exemplo, do fortalecimento do processo de pesquisa. 

Em 2005, a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação lançou o primeiro edital para bolsas de iniciação científica, o qual contemplou 17 alunos. O programa de iniciação científica da UNIFAP ganhou contorno mais sólido a partir de janeiro de 2006, com a Resolução nº 001/06-CONSU/UNIFAP, que dispõe sobre a criação e regulamentação do Programa de Iniciação Científica na UNIFAP – PROBIC. Inicialmente, o PROBIC ofereceu 15 bolsas. Naquele mesmo ano, a UNIFAP foi contemplada pelo CNPq com uma quota de 10 bolsas do Programa de Bolsa de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq.

No final de 2008, a UNIFAP implantou o “Programa Integrado de Bolsas de Iniciação Científica” da Rede Integrada de Pesquisa do Estado do Amapá, objetivando fortalecer o processo de pesquisa na UNIFAP e na região amazônica, auxiliando a perceber, discutir e desenvolver potencialidades do saber local. Esta Rede é composta por outras instituições amapaenses de pesquisa, tais como a EMBRAPA/AP, o IEPA e a UEAP. Por meio deste Programa, a UNIFAP também oferece bolsas de iniciação científica com recursos pagos pelo Governo do Estado do Amapá.

Atualmente, encontra-se em tramitação, no Conselho Superior Universitário da instituição, uma proposta de criação do Programa de Iniciação Científica Voluntária – PROVIC –, o qual se destina a regularizar a situação dos alunos que desenvolvem atividades de pesquisa. A aprovação beneficiará muitos acadêmicos que já estão participando do processo de iniciação científica voluntariamente, mas que não têm como comprovarem institucionalmente o seu envolvimento e participação nas atividades de pesquisa.

A Universidade Federal do Amapá está inserida num macro-sistema social, sendo deste uma representação parcial, e pautada nos objetivos nacionais de alocação dos recursos disponíveis, a partir das possibilidades tecnológicas, culturais e educacionais do país. A realização de planejamentos é um tópico essencial à sua confirmação institucional e afirmação de seu funcionamento, a partir da definição adequada de objetivos e metas, propiciando decisões de onde serão aplicados os recursos que lhe forem destinados pelos órgãos devidos.

A inserção da iniciação científica em seu rol de afazeres propiciou valorizar a autonomia intelectual, na medida em que os primeiros resultados já estão sendo obtidos, como a produção bibliográfica de discentes e docentes vinculados à iniciação científica, verificada em artigos científicos, resumos e nas comunicações em eventos acadêmicos, e a busca da qualificação acadêmica e profissional em nível mais especializado dos alunos e professores.

 

Considerações finais

 

Conforme exposto, a postura neoliberal implantada no país também apresentou impactos no solo amapaense, com reflexos no âmbito da educação superior. Leve-se, em consideração, que a UNIFAP possui a estrutura de um sistema complexo e multifacetado, e que adaptações de cunho individual são requeridas no processo em construção. Não é apenas o modo de produção que se transforma (FERREIRA, 2000), dadas as estruturas sociais e políticas vigentes, mas, e é isso o mais interessante, conforme exposto por Pires e Reis (1999) e Nova (2004), o modo de pensar também passa por essa modificação no aspecto ideológico e de relação de poder.

As áreas de aplicação da pesquisa científica são polivalentes, além de interdisciplinares. Podem ser observados localmente, e na região amazônica, diversos rumos de pesquisa, mas sempre será preciso garantir a defesa do meio ambiente e o crescimento local, objetivando fortalecer espaços econômicos já em funcionamento e, evidentemente, propiciar bem-estar a toda a sua população. Contudo, conforme Bezerra e Grazziotin (1997), o desenvolvimento do Norte do país só será efetivo se os povos da região também forem beneficiados pela extraordinária riqueza da Amazônia brasileira.

 

Referências bibliográficas

FAVA-DE-MORAES, Flavio; FAVA, Marcelo. A iniciação científica: muitas vantagens e poucos riscos. São Paulo em Perspectiva, São Paulo,  v. 14,  n. 1, mar.  2000.

BEZERRA, E.; GRAZZIOTIN, V. Amazônia: uma região estratégica que a política oficial teima em desconhecer. Revista Princípios, São Paulo, n. 60, p. 49-59, fev.-abr. 1997.

FERREIRA, Paulo Roberto. Política e sociedade: as formas do Estado. In: TOMAZZI, Nelson Dacio (coord.). Iniciação à Sociologia. 2. ed. São Paulo: Atual, 2000.

MARTINS, Ângela Maria Souza et al. Fundamentos da educação 2. 2. ed. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2004.

NOGUEIRA, Claudia Mazzei. A feminização no mundo do trabalho: entre a emancipação e a precarização. Campinas: Autores Associados, 2003.

NOVA, Sebastião Villa. Introdução à sociologia. São Paulo: Atlas, 2004.

PIRES, Marília Freitas de Campos; REIS, José Roberto Tozoni. Globalização, neoliberalismo e universidade: algumas considerações. Interface – Comunicação, Saúde, Educação. Vol. 3, nº 4, p. 29-39, 1999.

PONTE, João Pedro da. Didácticas específicas e construção do conhecimento profissional. In: TAVARES, A. Pereira, A. P. Pedro; SÁ, H. A. (ed.). Investigar e formar em educação: Actas do IV Congresso da SPCE (pp. 59-72). Porto: SPCE, 1998.

 

 

 

 


 

[*] Mestrando em Desenvolvimento Regional e Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amapá, onde trabalha como Técnico em Assuntos Educacionais. E-mail: fernandogentry@hotmail.com

 

Como citar este artigo:

AMORAS, Fernando Castro. Iniciação na pesquisa no ensino superior. P@rtes, São Paulo, julho de 2010. Disponível em:
<http://www.partes.com.br/educacao/iniciacaocientifica.asp>. Acesso em:

 

 

 
  

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AMORAS, Fernando Castro. A entrevista reflexiva na pesquisa em educação. P@rtes, São Paulo, 03 de maio de 2010.

 

AMORAS, Fernando Castro. A interferência estatal no desenvolvimento do sistema educacional. P@rtes, São Paulo, 07 out. 2009.

 

AMORAS, Fernando Castro; BANDEIRA, Gracimara Miranda. Trabalho Voluntário do CPV-Negros é uma atividade assistencialista ou solidária?. P@rtes, São Paulo, 02 jun. 2009.

 

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