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1.
Novas Dinâmicas do Aparelho Ideológico
A
escola não é a única instituição social que abre seu espaço para as
práticas pedagógicas dos docentes em ação. É sabido que com o advento
das novas tecnologias e a educação a distância, as novas ferramentas
educacionais contribuíram para novas práticas e resignificação de
conceitos que, a priori, eram exclusivos para um único espaço social: a
escola.
Dessa forma, o mecanismo de controle e socialização resignificaram-se
nos modos de conduta tanto pela parte do educador tanto quanto do outro
sujeito que também faz parte do processo em ação. Neste ambiente
bilateral, educadores e educandos formam-se a partir de teias e redes
que se completam e se constroem a partir das novas tecnologias da
educação.
A
esse processo de socialização – não tão simples e nem passível de
aplicação mecânica – pode ser denominado, como assim sugere o tema desta
obra como o “ repensar na prática pedagógica”.
É
sabido, portanto, que a sociedade contemporânea está inserida numa
perspectiva libertadora e não mecânica. Esta tendência conduz ao
aproveitamento das novas tecnologias, inclusive, para uma educação
continuada tanto para o docente quanto ao discente. Essa busca, no olhar
deste pesquisador, requer duas observações importantes e de relevância:
a problemática do acesso e o envolvimento
pessoal e científico que esta tecnologia oferece.
2.Novas Tecnologias :
os desafios para uma educação
A
aceleração do desenvolvimento nos grupos humanos permitiu que tais
grupos garantissem a sobrevivência intelectual e de informação numa
perspectiva constituída, sobremaneira, de novas práticas pedagógicas e
discursos mais fundamentados a partir de pesquisas e análises. Nesse
sentido, o fator decisivo para tal perspectiva são as conquistas e a
democratização de informação.
Nos
grupos reduzidos e nas sociedades primitivas, a aprendizagem ainda se dá
com a socialização direta dos componentes com a cultura local algo que
não pode ser julgado, de forma alguma, como inferior as sociedades
urbanas. No entanto, a aceleração da informação nas sociedades
industriais provocou uma corrida espetacular a recursos tecnológicos.
Tais recursos possibilitaram a socialização de informações entre outras
sociedades e continentes.
A
educação, nesse contexto, vincula o professor ao aluno, como mais uma
possibilidade de espaço e de troca de informações. Requerem-se assim,
nestas relações pedagógicas um repensar de como estas práticas se
organizam e se socializam efetivamente. Uma mudança cultural num
processo de reconstrução de saberes requer também um olhar crítico e de
observação. Com isso não se trata de inundar escolas e espaços sociais
de produção de saberes e conhecimentos com computadores e máquinas
magníficas que possibilitam o acesso a todos os tipos de informação em
tempo real.
O
mais importante destas tecnologias é reinterpretar conhecimentos
próprios em conhecimentos que podem ser coletivos.
Com
propriedade, Hernandez (2002) surpreende com o seguinte posicionamento:
se, na vida cotidiana, o indivíduo aprende reinterpretando os
significados da cultura, mediante os contínuos processos de negociação,
também na vida escolar o aluno deveria reinterpretar disciplinas
acadêmicas mediante processos de intercâmbios e negociação.
3. Compreendendo os
Novos Tempos e Socializando Saberes
A
imposição de cultura na aula como elucida o currículo oficial já não tem
mais espaço como única forma de aquisição de conhecimento e socialização
de tal conhecimento. A esta mudança cultural, de civilização,
possibilita o sujeito da ação a interagir com outras formas de
pensamentos, de saberes, de idéias e confrontá-las. Seguindo esta linha
de raciocínio, não é apenas a educação que se defronta com as novas
tecnologias: estas tecnologias presentes estão gerando impacto em todo o
universo social, criando e resignificando dinâmicas onde o conhecimento
vai tomando forma mais autônoma e subjetiva. Assim sendo, é substancial
que os sujeitos da ação compreendam os novos tempos e anseios desta
geração, por que para isso , é necessário “dialogar com a realidade
inserindo-se nela como sujeito criativo” (Demo,2000, p.21)
Tal
realidade consiste como o próprio código nos alerta, pensarmos
criticamente nos ambientes tecnológicos sem nos afogarmos em toda e
qualquer informação em busca, e perceber que tal conectividade pode
gerar uma transformação nas relações humanas. A possibilidade de
construção de conhecimento e de informação de qualquer ponto pode ser
entendida, nesse sentido, numa comunicação planetária e de socialização
de conhecimentos.
Mas
o desafio não é simples. Como docentes, precisamos nos preparar para
trabalhar com um universo tecnológico no qual nós ainda somos
principiantes. Entender o aluno, nesse sentido, é orientá-lo para este
universo tecnológico como forma e meio de construção de sentidos. Como
diz Mello:
“... todas as
atividades nas quais os profissionais se envolvem quando estão em
serviço e que são estruturadas para contribuir para a melhoria de seu
desempenho é uma atividade que possui objetivo definido e está
comprometida com mudanças em indivíduos ou sistemas organizacionais.”
(1993,p.38-39)
Em
função dessas considerações é possível entender que uma nova
competência pedagógica e um novo olhar na própria prática no que diz
respeito as novas tecnologias é debruçar-se sobre ela, no movimento
dialético ação-reflexão-ação. Busca-se escapar da dicotomia entre teoria
e prática, evitando a simples justaposição ou associação que
encaminharia para uma atitude funcional. Portanto, quando estudamos as
formas de educação nos espaços escolares e aproveitando o máximo
oferecido por este instrumento, também, de educação – o computador-
devemos lembrar que não somos os únicos interessados. Há uma rede que
podemos denominar de sociedade de conhecimento que está do outro lado do
que se está também esperando a socialização do que temos para falar e
compartilhar. Esta interatividade é que impulsiona o docente a repensar
suas práticas, a reinventar-se a cada dia em seus discursos
educacionais.
Por
fim, nessa teia de relações não podemos mais buscar soluções
isoladamente na educação, na comunicação ou em diferentes espaços
culturais e sociais É na dimensão do conhecimento e em suas diversas
manifestações que se pode encontrar um olhar sobre o que pensamos e
sentimos e, neste espaço de juízos transitórios podemos emitir e
construir avaliações diferentes em situações aparentemente semelhantes.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
DEMO, Pedro. Desafios modernos da educação. Petrópolis: Vozes, 1999.
HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos de
trabalho. Porto Alegre: Artmed, 1998.
MELLO, Guiomar N. de. Políticas públicas de Educação. In: Estudos
Avançados. São Paulo, v.5, n.13, pp. 7-47. 1999.
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