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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:45:21                                               

 
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EDUCAÇÃO

Uma revisão sobre letramento e surdez: enlaçando conceitos

   

Karine Sefrin Speroni[*]

publicado em 03/05/2010

 

 

   

Resumo: A compreensão do processo de letramento do surdo é imprescindível para que seja oportunizado a esses indivíduos o atendimento especializado que os proporcione serem agentes construtores de suas aprendizagens, principalmente, em sua língua materna, a Língua de Sinais. Desse modo podemos constatar, que é salutar a compreensão destes conceitos para que se possa marchar rumo a uma educação de respeito às diferenças sejam elas lingüísticas culturais ou sociais.

 

PALAVRAS-CHAVE: letramento, surdez, Lingua de Sinais, Língua Portuguesa

 

Resumen: La comprensión el proceso de alfabetización de los sordos com vel a tener la oportunidad de estos niños atención de residuos especializados que ofrecen sus agentes constructores de aprendizaje, especialmente en su l madre lengua, Lengua de la Señal. Así, podemos ver, por meyo este artículo entienden comprensión saludable a estos conceptos para que podamos marchar hacia los preceptos de nuestra época: una educación el respeto  diferentes si el linguisticas culturales o sociales.

PALABRAS CLAVE: Educación Especial, la alfabetización, la sordera, Lenguaje de Signos, Lengua Portugués

 

    A Educação Especial enquanto sub área da educação abrange como campo de atuação, também,  a temática da Surdez. Sob esse prisma, o presente artigo objetiva elucidar alguns conceitos referentes ao letramento de surdos e constituir através de bases bibliográficas uma discussão sobre essa temática. Desse modo, para compreender o desenvolvimento lingüístico da criança surda utilizo como embasamento teórico principalmente a autora Márcia Golfeld (1997) que faz um estudo comparativo entre as diferentes concepções a respeito dos seguintes conceitos: língua, linguagem, signo, sinais. Tais conceitos são imprescindíveis para compreensão quando abordada a questão do letramento de surdos.

    Segundo Márcia Golfeld (1997), para Saussure (1991), a linguagem tem sua formação pela língua e pela fala. Nesse sentido a língua é concebida como sistema de regras abstratas compostas por elementos significativos inter-relacionados. A o conceito de língua, sob o prisma desse autor, refere-se ao aspecto social da linguagem. Já a fala, refere-se ao aspecto individual da linguagem, em outras palavras, implica diretamente nas características pessoais que os falantes transmitem em sua linguagem. (GOLDFILD, 1997).

    Alem disso, se faz importante ressaltar a concepção Vygotskiana a respeito do desenvolvimento da língua. Em acordo com esse autor, a percepção da linguagem deve ser considerada não apenas como forma de comunicação, mas sim como uma função reguladora do pensamento.  Em face disso o conceito de fala está diretamente ligado á linguagem em ação, isto é a produção lingüística do falante. Embora, a fala possa ser caracterizada como: social, egocêntrica e interior. Vejamos a seguinte citação:

 

(...) o termo fala não se refere ao ato motor de articulação dos fonemas, mas sim á produção do falante que deve ser sempre analisada na relação de interação, no diálogo. O termo linguagem tem um sentido bastante amplo, linguagem é tudo que envolve significação, que tem um valor semiótico e não se restringe apenas a uma forma de comunicação. Através da linguagem que se constitui o pensamento do indivíduo (GOLDFELD, 1997, p. 16).

 

    Desse modo, podemos considerar que a linguagem está presente em qualquer que seja a situação vivenciada pelo sujeito, até mesmo em momentos que não há comunicação verbal com outras pessoas. Enfim, a linguagem constitui o sujeito, bem como a forma como ele percebe o ambiente que o cerca e a si próprio (GOLDFELD, 1997).

    Ainda, faz-se importante ressaltar que Vygotsky vai de encontro aos pressupostos teóricos de Saussure, visto que conceitua a relação significado/significante como não estável, estática, mas sim, conceitua que o significado contemporiza durante o processo de desenvolvimento do indivíduo. Desse modo, o significado pode ser reestruturado de acordo com as experiências vivenciadas pelo sujeito, podendo ser generalizado, readaptado e resiginificado.

    Além desses conceitos, Vygotky descreve a noção de sentido. Para esse autor “sentido é um aspecto particular do signo por ser formado a partir das relações interpessoais vivenciadas pelos indivíduos e da sua história” (apud GOLDFELD, 1997, p. 21). Portanto o sentido implica diretamente no histórico de vida do sujeito e do contexto em que a conversação ocorre, assim “o sentido atribuído às palavras são sempre inéditos, já que este é particular e emerge da interação verbal” (GOLDFELD, 1997, p. 21).

    As generalizações também configuram o modo de utilização da língua por sua essência. Isto é, através da atividade mediativa o sujeito resignifica alguns conceitos, podendo ser ampliados e redefinidos de acordo com as relações sociais que se estabelecem e o sentido que o signo adquire novamente para o indivíduo.

    Ainda faz-se importante elucidar alguns conceitos referentes ao que já foi proposto anteriormente, entretanto focando ao estudo da surdez. O sinal (elemento léxico) em língua de sinais refere-se ao signo lingüístico e sua correlação significado/significante o qual ocorre de maneira diferenciada, já que essa língua é viso-espacial. O termo fala, na área da surdez deve ser compreendido como oralização, isso é, utilização do órgão fonador. Já o conceito de sinalização refere-se a “fala (conceito Vygostkyano)” produzida através das mãos, isto é, através do canal espaço-visual.

    Podemos inferir que, através dos estudos realizados na atualidade, a criança ao sofrer atraso de linguagem, mesmo que a aquisição de uma língua se efetive tardiamente, poderá desenvolver problemas sociais, emocionais e cognitivos, já que a linguagem estrutura o pensamento. Compreender tais pressupostos implica considerar a linguagem não somente por seu aspecto comunicativo, mas também sob a esfera social e sua correlação com a organização do pensamento, este último, de fundamental importância para o desenvolvimento cognitivo. Visto que é através do externo que a criança internaliza conceitos e os reestrutura cognitivamente.

    Repensar a educação de surdos faz com que possamos evidenciar todo contexto histórico que esses sujeitos vivenciaram, para que possamos a partir desse repensar todo o processo e compreender como ocorre a aprendizagem do sujeito. Desse modo, analisar a melhor alternativa para desenvolvimento de habilidades/capacidades para a construção de sua aprendizagem significativa.

    Para tanto devemos descrever, que por muitos anos a educação de surdos esteve relacionada a uma visão clínico-terapêutica, que concebia o sujeito surdo como “deficiente auditivo” e para tanto, ele deveria se “enquadrar” no mundo ouvinte. Esse “enquadrar-se” referia-se a utilização de técnicas que valorizavam a oralização do surdo, que desencadeava muitos déficits em seu processo de aprendizagem. Em um primeiro momento, pela exaustão que tais técnicas requeriam, seja pela atenção redobrada que era exigido do sujeito para que pudesse compreender o solicitado, como também pela negação do que lhe era inato: sua condição de diferente.

    De fato, conceber o surdo como diferente, foi o primeiro passo para percebemos que a oralização poderia ocasionar déficits cognitivo, social e emocional, pois, como supracitado anteriormente, a língua estrutura o pensamento. Visto que é através do social que sujeito internaliza conceitos que antes lhe eram estranhos, de modo a estruturá-los internamente.

    Diante desse contexto é pertinente a discussão sobre letramento do surdo, aspecto relacionado à construção e significação de conceitos, como descrito anteriormente. O sujeito surdo tem particularidades específicas quanto ao seu processo de aprendizagem, em função de sua diferença lingüística, visto que o modo de perceber o mundo que o cercam é diferenciado do “olhar ouvinte”. Compreender essa premissa é o primeiro passa para que sejam traçadas alternativas metodológicas que proporcionem uma aprendizagem de fato significativa a esses sujeitos que apresentam uma forma diferenciada de comunicação que transcende à linguagem oral.

    È salutar considerar que as relações interpessoais são de suma importância para processo de aprendizagem do sujeito surdo bem como aquisição de língua mãe. Desse modo, através do domínio da língua de sinais que o sujeito terá compreensão da importância do português como segunda língua. Isso fica evidente ao propor atividades em grupo, com intuito de promover interação entre os alunos, já que o desenvolvimento da língua se dá do meio social para individual.

    Outrossim, Vygotsky (1984) salienta que toda a aprendizagem deve ter significado, sentido para a criança e precisa surgir de uma necessidade interior para ser, posteriormente, necessária e relevante para ela. Para existir uma aprendizagem da escrita, é imprescindível que o ato de leitura e de escrita, bem como o acesso ao conhecimento na língua mãe, no caso, a língua de sinais. De modo que permita ao indivíduo o pensamento e a expressão de suas idéias, opiniões e sentimentos, o que é primordial para pessoas o desenvolvimento dos aspectos cognitivos e de personalidade do sujeito surdo.

    Nesse contexto, as relações cognitivas que são fundamentais para o desenvolvimento escolar estão diretamente relacionadas à capacidade da criança em organizar suas idéias e pensamentos através de uma língua na interação com os demais colegas e adultos. Podemos ressaltar que é de suma importância o ambiente lingüístico para que sujeito se aproprie dos signos e significados do contexto social o qual pertence. Desse modo, é através do contato com “mundo cultural do surdo” que a criança compreenderá conceitos e se apropriará do bem cultural: língua de sinais como língua materna. Desse modo, o processo de aprendizado da segunda língua vai se delineando com base na descoberta da própria língua e nas relações estabelecidas através da língua. Ness sentido, podemos vislumbrar que a língua portuguesa como segunda língua é apropriar-se do código lingüístico, é tornar-se um usuário da leitura e da escrita, com real compreensão dos usos e funções da linguagem que esteja sustentada em um interesse em comunicar e compreender.

    A concepção de mediação do signo no desenvolvimento humano é primordial. Vygotsky (1993) mostra como a produção e o uso de signos podem transformar as relações (inter-intra) psicológicas, por meio de atitudes que concernem ao aprendizado em que as interações sociais, mediadas pela linguagem, possibilitam o desenvolvimento de funções psicológicas que estão em processo de amadurecimento, consideradas na perspectiva histórico-cultural, como funções relativas ao desenvolvimento proximal, potencialmente emergente, mas ainda não suficientemente consolidadas para dispor do auxílio de outra pessoa mais experiente.

    A escrita, sistema simbólico que tem um papel mediador na relação entre sujeito e objeto de conhecimento, é um artefato cultural que funciona como suporte para certas ações psicológicas, isto é, como um instrumento que possibilita a ampliação da capacidade humana de registro, transmissão e recuperação de idéias e informações.

   O letramento de crianças surdas enquanto processo só faz sentido se acontece na Língua Brasileira de Sinais. É necessário compreender que as línguas de sinais apresentam-se numa modalidade diferente das línguas orais; são espaço – visuais e podem ser exploradas através das configurações de mão, dos movimentos, das expressões faciais, das localizações, dos movimentos do corpo, do espaço de sinalização e dos classificadores. Todos esses parâmetros devem ser explorados durante o letramento dos surdos, a fim de que possam desenvolver sua competência lingüística. Portanto a discussão sobre letramento do surdo é imprescindível para que a cultura surda seja respeitada a o iniciar por sua língua, a língua de sinais. Uma vez que a oralização já não cabe mais ao contexto histórico que vivemos, pois a dominação do mundo ouvinte sob “mundo surdo” não é pertinente aos movimentos que emergem na atualidade que primam pelo respeito às diferenças sejam elas, lingüísticas, culturais ou sociais.

REFERÊNCIAS

 

GOLDFELD, M. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio-interacionista. São paulo: Plexus, 1997

VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo, Martins Fontes, 1984.

__________, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1993.   


 

[*] Graduada em Educação Especial/UFSM; Mestranda em Educação/UFSM; Especializanda em Gestão Educacional/UFSM; Graduanda em Letras - Habilitação Espanhol; e-mail: karinesperoni@gmail.com

 

Como ser citado:
SPERONI, K. S. Uma revisão sobre letramento e surdez: enlaçando conceitos. P@rtes.V.00 p.eletrônica. Maio 2010. Disponível em <www.partes.com.br/educacao/letramento.asp>. Acesso em _/_/_.

 

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