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Com
intuito de auxiliarmos os professores da educação infantil na organização de
situações que permitam à criança observar, refletir, interpretar, levantar
hipóteses, procurar e encontrar explicações ou soluções, exprimir idéias e
sentimentos, se relacionar com os demais indivíduos, conhecer seu corpo,
construímos uma proposta de trabalho, que têm como objetivo geral atingir o
desenvolvimento integral das crianças e como objetivo específico trabalhar com a
aprendizagem de matemática.
Sabemos que o trabalho com a matemática não deve iniciar-se apenas no
ensino fundamental e que essa disciplina não se resume a uma lista de fatos que
devem ser memorizados.
Aprender números vai muito além de saber quantificar objetos, não
desmerecendo é claro sua importância no cotidiano. Reis (2006), afirma:
As noções básicas em
matemática, lógica e geometria começam ser elaboradas a partir dos 4,5 anos de
idade, portanto é vital que a base seja sólida, bem construída e bem trabalhada,
para que nela se assentem os conhecimentos matemáticos futuros. Mas é importante
lembrar que estimular o raciocínio lógico-matemático é muito mais do que ensinar
matemática – é estimular o desenvolvimento mental, é fazer pensar (p.9).
Nesse
contexto, o professor possui uma função importante que é propiciar às crianças
um ambiente em que possam explorar diferentes idéias matemáticas, que não sejam
apenas numéricas, mas também referentes à geometria, às medidas e às noções de
estatística, de forma prazerosa e que possam compreender a matemática como fator
inserido na vida:
É preciso que as crianças
sintam-se participantes num ambiente que tenha sentido para elas, para que
possam se engajar em sua própria aprendizagem. O ambiente da sala de aula pode
ser visto como uma oficina de trabalho de professores e alunos, podendo
transformar-se num espaço estimulante, acolhedor, de trabalho sério, organizado
e alegre.
Aprender matemática em qualquer nível de ensino (educação infantil, ensino
fundamental, ensino médio, etc), vai além de apenas aprender técnicas de
cálculo. É desenvolver um raciocínio lógico, tendo a capacidade de pensar e se
expressar matematicamente, interpretar dados, resolvendo problemas e criando
estratégias.
Sabemos
que as crianças possuem necessidades distintas entre si, por isso não podemos
fornecer “receitas mágicas” para o ensino de matemática, mas podemos oferecer
sugestões de atividades que podem ser recriadas e modificadas, de acordo com a
realidade em que está sendo trabalhada. Segue então algumas possibilidades:
·
Pedir
que a criança desloque-se em um espaço delimitado imitando o andar de vários
animais: sapo e canguru, cachorro, macaco, pato, etc.
·
Jogo do
trânsito: Recortar três cartões nas cores verde, amarela e vermelha. Os alunos
se deslocam no pátio de acordo com a cor dos cartões: verde – correr;
amarelo-andar; vermelho - parar.
·
O que
está faltando? Divide-se a sala em dois times. Todos deverão observar
atentamente os objetos da sala. Um integrante de cada time sai da sala e um
objeto é escondido. Ao regressarem, deverão descobrir qual objeto está faltando.
·
O
fantasma: É escolhido um aluno, que sairá da sala, e uma criança é coberta com
um lençol. Ao retornar, o aluno terá que descobrir, observando atentamente os
colegas, quem é o “fantasma”. Revezam-se as crianças até que todos que queiram
tenham participado. Como variação desse jogo todos sentam em roda, um aluno sai
da sala e dois trocam de lugar. Ao retornar terá que descobrir quem trocou de
lugar.
·
Colar
em uma folha sulfite uma figura de revista da qual falte uma parte, como, por
exemplo, metade de um relógio, a cabeça ou meio corpo de uma pessoa, etc. A
criança deverá completar a figura, desenhando. Uma variação para essa atividade
é colar uma figura completa na folha sulfite, imaginar um cenário relativo
àquela figura e desenhá-lo.
·
Aumenta-aumenta: Prender ou segurar uma corda pelas extremidades, de forma que
fique bem esticada e a uma pequena distância do chão. As crianças irão pular
corda, que será levantada a cada passagem. Quando esta ficar muito alta para ser
pulada, as crianças poderão passar por baixo. A corda também pode ser colocada
mais alta e abaixada a cada passagem, quando terão que rastejar. Aproveitar para
verbalizar a situação: Dá para pular? Por quê? E agora, vocês conseguem pular? A
corda está alta ou baixa?
·
Derrube
a pilha: Empilhar objetos diversos, como latas e caixas, variando a quantidade e
a altura. Combina-se previamente quantas jogadas com a bola cada aluno cada
aluno poderá fazer para derrubar a pilha com a bola. Usar objetos em questão
para fazer a torre mais alta possível.
·
Não
pode cair: Os próprios alunos poderão encher suas bexigas, e deverão estar em um
lugar amplo que facilite a movimentação. A um sinal do professor, as crianças
deverão bater com a mão na bexiga tentando mantê-la no ar o maior tempo possível
sem que esta toque o solo. Em um segundo momento, o professor poderá variar os
comandos, como: bater a bexiga bem alto, a bexiga voará baixo ficando perto de
sua mão etc.
·
Propor
experiências com altura – Medir e comparar a altura de diferentes pessoas e
objetos, através do olhar ou da utilização de instrumentos de medida,
convencionais ou não.
·
Brincadeira do robô: Construir um percurso com várias opções de deslocamento,
usando os materiais disponíveis: cordas, sacos de areia, bambolês, mesas,
cadeiras, colchões, etc. Uma criança será o robô, e o professor (ou outra
criança) terá o “controle remoto”: Siga em frente, pare, vire à direita, pule,
vire à esquerda etc. invertem-se os papéis.
·
Formar
um “trem” usando formas geométricas que se repetem, como nestes exemplos com
blocos lógicos: um quadrado pequeno azul, dois retângulos grandes vermelhos, um
triângulo pequeno amarelo, um quadrado azul, dois retângulos grandes
vermelhos...
·
Vou
viajar, o que vou levar – A criança que iniciará a brincadeira dirá, por
exemplo: “Vou viajar e vou levar na mala uma blusa”. A segunda diz: “Vou viajar
e vou levar uma blusa e uma calça”. A terceira criança repete o que as duas
disseram e acrescenta mais um item. Quando a quantidade de objetos se torna
muito extensa, a brincadeira recomeça com novos itens. A mesma atividade poderá
ser realizada com outros temas como: “Fui ao supermercado e comprei...”, “Hoje
no almoço eu comi...” ou ”Fui ao zoológico e vi...”. Para facilitar, poderá
haver apoio visual dos objetos em questão.
·
Pedir
que a criança passe a bola de uma mão à outra ou segure a bola com uma mão e
passe -a para as costas pegando-a com a outra mão, passando para frente
novamente. Inverter o sentido.
·
Pular o
rio: duas cordas, paralelas uma à outra, formam um rio que será pulado e
alargado progressivamente.
·
Quantificar por estimativa: reunir alguns objetos em cima de uma mesa ou dentro
de um pote transparente e tentar adivinhar quantos objetos há. Conferir o
resultado por meio de contagem.
·
Fazer
um numeral em tamanho grande no chão da sala de aula ou no pátio, usando fita
adesiva colorida, fita crepe, giz de lousa ou mesmo de tijolo, para que a
criança caminhe em cima dele no sentido do movimento.
·
Desenhar uma figura geométrica na cartolina e colar areia em seu contorno,
deixando secar bem. De olhos fechados, a criança passará o dedo, sentindo o
contorno da forma.
·
Amarrar
um barbante no bico da bexiga e segurar na ponta. Dar um puxão e bater repetidas
vezes na bexiga, executando um movimento de vaivém.
Algumas
considerações
As
brincadeiras sugeridas não são as únicas para conseguirmos que as crianças
construam seus conhecimentos matemáticos, mas com certeza, a partir delas, o
professor tem a oportunidade de elaborar inúmeras possibilidades de atividades
lúdicas, que exploram um trabalho com a matemática.
É
imprescindível também que o professor avalie se o trabalho desenvolvido está
atingindo os objetivos preestabelecidos, só assim poderá redirecionar sua
prática pedagógica, com vistas a promover uma aprendizagem de matemática
significativa para as crianças.
Bibliografia
BRASIL. Secretaria de
Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: matemática.
Brasília: MEC/SEF, 1997.
KAMII, Constance. A
criança e o número: implicações educacionais da teoria de Piaget para a atuação
com escolares de
4 a 6 anos.
Tradução de Regina A. de Assis. Campinas, SP: Papirus, 1990.
REIS, Silvia Marina Guedes
dos. A matemática no cotidiano infantil: jogos e atividades com crianças de
3 a 6 anos
para o desenvolvimento do raciocínio-lógico-matemático.
Campinas, SP: Papirus, 2006. (Série Atividades)
SMOLE, Kátia Stocco;
DINIZ, Maria Ignez (orgs.) Ler, escrever e resolver problemas: habilidades
básicas para aprender matemática. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.
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