Resumo
O presente trabalho tem
por objetivo analisar o que a mídia vem divulgando sobre surdos e
que representações estão sendo inventadas sobre diferença surda e
a Educação Especial. Nesse sentido, busca problematizar duas
propagandas vinculadas pelo Ministério da Educação como uma
tentativa de compreender as representações de surdo, surdez,
língua e educação em uma interface com as atuais discussões sobre
inclusão. A palavra “inclusão” propagou-se de forma efetiva nos
atuais discursos da Política da Educação Especial que buscam
estratégias para uma distribuição de participação mais uniforme de
grupos populacionais que têm sido excluídos, constituindo-se,
muitas vezes, em um efeito vazio de significação social.
Palavras-chave:
inclusão- representação- surdos - Educação Especial
Abstract
This paper
aims to analyze
what the media
has broadcast
on
deaf and
that
representations
are being
invented
on the difference
deaf
and
special
education.
In this
case, seeking
to question
two
advertisements
linked
by the Ministry
of Education as
an
attempt to
understand
the representations of
deaf,
deafness,
language and
education
in an interface
with the
current
discussions
about inclusion.
The word
"inclusion"
spread
effectively
in current
policy
discourses of
Special Education
seeking
strategies for
a
more even
distribution of
participation
of population
groups
that have been neglected,
being often
an effect
of meaning
empty
social.
Keywords:
inclusion-representation-deaf
- Special
Education
O presente trabalho tem
por objetivo analisar os debates acerca do movimento a favor das
escolas para surdos e as práticas de educação em um sentido amplo,
apontando suas conexões com as dinâmicas culturais e a produção de
identidades de sujeitos surdos. Como materialidade de análise
busquei duas propagandas vinculadas ao ministério da educação para
problematizar as representações do surdo e da surdez e o quanto
essas estão ligadas ao discurso da Educação Especial, ou seja, um
olhar normalizador e o apagamento da diferença surda.
Quando falávamos em
Educação Especial, sempre nos vinha à mente a idéia do louco,
excepcional, deficiente..., porém com os discursos sobre a
inclusão, especificamente a escola inclusiva, a Educação Especial
começou a ser olhada com uma visão mais sutil, mais branda, mais
politicamente correta, ou digamos, através da produção de
significados que a linguagem nos proporciona.
Sendo assim, os Estudos
Culturais e os Estudos Surdos, geraram um movimento de tensão
entre a Educação Especial e a educação de surdos, que
possibilitou-nos entender as estratégias de deslocamento de
representações, ou seja, podemos perceber que a educação de surdos
se sobrepôs às peculiaridades de que exista somente uma
identidade, fixa e imóvel, incapaz de construir-se e
reconstruir-se, pois a única coisa que permanece na natureza é a
mudança, dessa maneira, é que temos pensado na surdez como
diferença e não como deficiência, ou seja, um processo de
construção e mudança histórica, política e social do sujeito
surdo.
Nesse sentido, deixo explícita a idéia de que a educação especial
é, antes de mais nada, a fabricação de um conjunto de
dispositivos, tecnologias e técnicas que se orientam para uma
normalização – inventada, de um outro, também inventado – como
outro deficiente. (SKLIAR, 2003, p. 156)
Falar em Educação
Especial atualmente, nos remete a três palavras: diferença,
diverso e identidade. No entanto, essas palavras talvez muito
simples, (se olhadas pelo significado do dicionário), nos alenta,
nos conforta, nos mostra o quanto esse outro, esse diferente está
longe de mim, este outro, é um alguém que não sou, um outro ser
diferente, mas que no terreno da Educação Especial precisa ser
normalizado...
Mas acredito que o que deve ser sublinhado aqui é o possível
entendimento da educação especial como uma espacialidade colonial
– que não supõe, é claro, que a alteridade deficiente seja tão –
somente uma alteridade colonizada: o lugar no mundo desses outros
deficientes tem sido permanentemente relacionado e confundido com
seu lugar institucional, e o lugar institucional foi
frequentemente profanado pela perversidade de pensar tudo em
termos de inclusão e exclusão. (SKLIAR, 2003, p. 157)
Digo isso porque a
escola também é um espaço de produção das diferenças, diferenças
essas que são múltiplas, que estão em ação, que se reproduzem, se
disseminam e proliferam-se e que se resumem a fundir-se com o
idêntico. Dentro dessa perspectiva, é que observamos que as
identidades não são unificadas, são fragmentadas e multiplamente
construídas ao longo de discursos, práticas e posições. Estão
sujeitas a uma historicização, estando constantemente em processo
de mudança e transformação.
Nesse ínterim, a escola
moderna tem sido denunciada como a mais conservadora das
instituições. A escola desde sua gênese, vem assumindo um lugar
privilegiado e uma confiança generalizada na instrução e no que
isso representa para a ascensão social e econômica. A idéia de
progresso marca toda educação escolar. Com isso, há uma
dissonância entre o mundo da escola e o mundo lá fora, algo ainda
parece estar desconectado...
A partir dessa análise é
que a educação de surdos vem repensando seu status quo
dentro da Educação Especial, uma vez que, esta ainda medicaliza,
naturaliza, normaliza “seus sujeitos” categorizando-os através de
seus limites, olhares, palavras, pensamentos...
A
aliança da medicalização com a caridade e beneficência também
constitui um processo complexo e multifacético. Se trata da
legitimidade moral com que a atividade missionária e o auxílio
caritativo são aceitos como respostas válidas na educação
especial, com o objetivo de humanizar – e naturalizar – aos
sujeitos. (SKLIAR, 1999, p. 20)
Nessa configuração é que
os surdos foram sendo narrados, como um corpo “inerte”, amorfo,
solitários no seu mundo desprovidos de significados, linguagem,
representados através do controles de seus corpos, mentes, uma
violência e perseguição pela sua língua de sinais, cultura e
diferença...
Nesses espaços e
temporalidades que a identidade e diferença marcam suas fronteiras
é que o outro aparece, o outro “emaranhado” pelas tramas do
saber/poder. E nesses espaços é que ser o outro atrapalha, nos
fere, nos mostra a exclusão, segregação, as políticas e normas
estabelecidas.
O marketing inclusivo
e a Língua de sinais
A partir da lei 10.436,
de 24/04/2002 que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais,
podemos observar o “boom” das discussões políticas e lingüísticas
envolvendo a comunidade surda. A lei estabeleceu o uso e difusão
da libras
e com isso “garantiu” acesso e inclusão da língua nos cursos de
licenciatura, Fonoaudiologia e Magistério. Dessa forma, as
instituições federais de todo país '”disponibilizariam”
intérpretes para estarem assegurando o direito dos alunos surdos
no seu processo escolar.
Na primeira propaganda
observada, uma “suposta” professora (de jaleco branco) aparece
sinalizando a seguinte fala:
Escola de todos, é o
Brasil crescendo e aprendendo com as diferenças...
Nesta fala, observa-se
que as questões da diferença vêm construindo uma “convocação”
através da mídia para que todos venham estudar na escola comum,
que todos, apesar da “diferenças”, vão ser acolhidos, independente
da sua língua, cor, etc. Mantém-se um vínculo e uma dependência
dentro da escola inclusiva, mostrando que todos irão ter a
oportunidade de aprender com as diferenças. Na propaganda também
aponta professores e colegas comunicando-se com os colegas surdos
através da língua de sinais, ora, é sabido que, dentro de uma sala
de aula, onde a maioria dos alunos são ouvintes, a primeira língua
será a oral, e diante disso pergunto: como fica o respeito com a
diferença lingüística do aluno surdo?
É com base nesses
saberes que a comunidade surda vem lutando para mostrar que a
diferença constrói-se social, cultural e politicamente; ela não é
vista como inalterável, essencializada. Conforme Silva (2002, p.
66), a diferença “não pede tolerância, respeito ou boa vontade”,
mas, “desrespeitosamente, simplesmente difere”. Ela é embaraçosa,
incômoda, pois nos põe de frente com um outro que não
identificamos. Por isso, deslocar a idéia de que existem
representações corretas ou incorretas sobre a educação de surdos
seria compor um novo caminho.
Nesse sentido, hospedar
um outro em uma pedagogia é cair em uma armadilha; por que devemos
ter uma pedagogia para negros, uma para índios, uma para surdos?
Escola é escola para qualquer tipo de raça, gênero, cor... O que é
necessário é que as experiências sejam outras para que essas
questões sejam vivenciadas sem velocidade, que elas não sejam
apenas atravessadas na escola, mas que funcionem como um ponto de
abertura para novas passagens, novas experiências. No entanto, não
devemos esquecer que pedagogia será sempre pedagogia, terá sempre
a função de pedagogizar, normalizar, disciplinar... E é essa sua
função; não estou dizendo que é errada, ela é necessária para que
a maquinaria escolar funcione.
O problema que se
estabelece para a presente análise é entender como que, em meio à
“explosão” das políticas de inclusão, a comunidade surda advoga o
direito de ser educada em um espaço entendido como espaço da
diferença. A palavra “inclusão” propagou-se de forma efetiva nos
atuais discursos da Política da Educação Especial. Estes buscam
estratégias para uma distribuição de participação mais uniforme de
grupos populacionais que têm sido excluídos, constituindo-se,
muitas vezes, em um efeito vazio de significação social. Isso sem
descartar o importante processo histórico que gerou a construção
desse paradigma, que se pautou em edificar e amenizar as
“diferenças” promovendo a “inclusão” a partir do princípio básico
da normalização.
Vejo atualmente, com a oficialização e a celebração da Libras,
estratégias de normalização em funcionamento quando se aceita a
diferença surda, entendida nesse contexto como diversidade, e
quando se colocam todos em um mesmo espaço físico. No decorrer da
história surda, foi preciso lutar para obter reconhecimento
político e cultural, para marcar e manter esse lugar, demarcar
fronteiras, pois, de acordo com a lógica inclusiva, não há mais
razões para afirmar a diferença- ela é supostamente aceita da
forma como se apresenta. ( GUEDES, 2009, p. 42)
Marcar essas fronteiras
é útil porque permite que o sujeito seja visto como fragilizado
por sua “diferença”, sua inabilidade, sendo mais fácil governá-lo
e, portanto, produzir sobre ele determinadas representações que
irão configurá-lo no cenário educacional. Na perspectiva da
diferença, porém, muito mais que amaciar os conflitos entre
posições diferentes, o que está em jogo é a ideia do movimento. As
categorizações que são inventadas para se nomear o outro, as
verdades que se criam, assim como as regras que se adotam para
criá-las, só têm valor enquanto conduzidas e exigidas por
problemas colocados por diferenças que nos desassossegam.
Sabe-se hoje que as
políticas públicas vêm abarcando a noção de diferença para dar
conta dos currículos pensados para os sujeitos que se encontram
nos discursos da Educação Especial, e os alunos surdos não fogem a
essa normativa. Portanto, percebe-se que, quando se trata da
Língua de Sinais fala-se de mais uma invenção metodológica, ou
seja, de uma mudança curricular, mais preocupada com a estrutura
linguística, do que de uma mudança discursiva. No trabalho de
Lunardi (2003), podemos ver como os discursos da Educação Especial
e, principalmente, sobre os surdos (esses “outros”) são produzidos
e inventados:
Para buscar a ordem e manter a tranquilidade dos demais, é preciso
continuar demarcando as linhas divisórias e as balizas entre nós –
os normais, os capacitados, os iguais – e eles – os anormais, os
diferentes, os descapacitados. No entanto, essa demarcação de
território vê-se travestida sob o slogan da igualdade, da
homogeneidade e da tolerância, em especial por esta última, que
nos convida a aceitar e conviver com a diferença (LUNARDI, 2003,
p. 182).
Marcar essas fronteiras
é útil porque permite que o sujeito seja visto como fragilizado
por sua “diferença”, sua inabilidade, sendo mais fácil governá-lo
e, portanto, produzir sobre ele determinadas representações que
irão configurá-lo no cenário educacional. Nesse sentido, a ideia
de uma política multicultural é tomada neste trabalho para não
acentuar algumas representações que são abordadas ao falarmos
desses outros. Essa política permite-nos mostrar que é preciso
olhar com outros “óculos”, não mais esses travestidos com
slogans da pluralidade, tolerância e diversidade, mas sim de
outros discursos que mostrem visões diferenciadas, desbancando
valores pretensamente julgados superiores.
A outra propaganda
mostra uma escola inclusiva, com a professora “supostamente”
sinalizando para um aluno surdo incluído, onde fala:
Todos aprendem
juntos, a língua de sinais faz parte do dia a dia da escola.
Por essa lógica, a
língua de sinais torna-se um “objeto de consumo”, ou seja, essa
estratégia possibilita um êxito na operação das condutas, pois o
estado dessa forma capilarizado permite que cada um cuide de si e
dos outros permanentemente. Dizendo de outra maneira, não se trata
mais de fazer o surdo ouvir, mas fazer com que cada vez mais todos
corram atrás para aprender a língua de sinais, para ter um
diferencial em seus currículos, pois assim, essa população irá
consumir, criando condições de inclusão na lógica neoliberal.
Nesse contexto, inserir
esses alunos nas escolas pode resultar na diminuição dos esforços
empenhados pelo Estado no seu governamento. Na escola dita
inclusiva, cada sujeito (aluno, professor, família) que nela atua
é responsabilizado pelo bom desempenho do aluno com deficiência, e
todos precisam se ocupar de seu desenvolvimento, além dele mesmo.
( MENEZES, 2011, p. 54-55)
Nesse argumento, como
bem mostra as duas propagandas, a língua de sinais acaba sendo
banalizada, ou seja, a língua de sinais passa a atuar muito mais
como um recurso metodológico, um suporte, do que reconhecida como
a primeira língua do surdo. Dessa forma, entender que a diferença
é a produção de um coletivo, que é o fruto de composições das
forças que constituem um determinado contexto sociocultural,
mostra-nos ainda que se abrir para a diferença implica se deixar
afetar pelas forças de seu tempo. Trata-se de uma política que não
consiste simplesmente em reconhecer o outro, respeitá-lo,
preocupar-se com os efeitos que nossa conduta possa ter sobre ele;
ela vai mais além, assumindo as conseqüências de sermos
permanentemente atravessados pelo outro.
A construção e
efetivação de algumas escolas de surdos ainda não é garantia para
que estes tenham uma boa educação e a garantia de trabalhos. As
Políticas Públicas têm mostrado um descompasso entre aquilo que
propõem e os anseios da comunidade surda. A criação do curso de
Letras/Libras também não pode servir de garantia para transformar
essa realidade. O que podemos é pensar em estratégias para se
articularem as experiências em práticas educativas, saindo desses
travestismos pedagógicos para aventurarmo-nos em novos
estranhamentos, novas multiplicidades – aventurarmo-nos pelo
desconhecido.
Os grandes movimentos
históricos do cenário moderno, entre eles, a criação de
instituições para loucos, deficientes e retardados, instituem um
campo de ciências “psi” que torna possível o diagnóstico de
sujeito incompleto e, por conseguinte, a busca para sua
completude, o que no projeto moderno é o sujeito reflexivo,
consciente, crítico, normal. Porém, o que a educação de surdos
deseja é que esse sujeito seja narrado como diferente, tendo em
sua educação uma pedagogia que transforme os discursos e desloque
representações para ter assegurado um espaço que valorize a
cultura surda.
Nos últimos anos, o
debate em torno do currículo da escola de surdos, vem assumindo
uma complexidade a partir da enunciação de outras marcas da
diferença surda, principalmente, pela aproximação com o campo dos
Estudos Culturais, da Pedagogia da Diferença e das produções
vinculadas aos chamados Estudos Surdos que ganharam visibilidade
na educação de surdos a partir do tensionamento dos movimentos
sociais surdos, de suas lideranças e de pesquisadores da área, nos
debates sobre os rumos das políticas educacionais, sociais e
culturais desses grupos.
Uma pedagogia a partir
das experiências, pensar o que está sendo vivido, levantar
suspeitas sobre o que está sendo “colado” com a diferença, pois
essas ervas daninhas que surgem como novelas pedagógicas têm que
passar de meros deslocamentos lingüísticos para mudanças de
representações. Uma vez que eu pedagogizo a diferença, eu
normatizo o outro, e isso já inscreve o surdo dentro de uma norma,
dentro de um modelo surdo.
Visto de outra forma, os
discursos que permeiam a contemporaneidade no que se refere a
inclusão dos sujeitos surdos são mobilizados para as pessoas
ouvintes adentrarem curiosamente no mundo dos surdos, reconhecendo
a sua língua e a sua cultura, porém mantendo uma distância
necessária que permite demarcar a fronteira entre normalidade e
anormalidade, ou seja, uma distância segura a ponto de que os
surdos não se incorporem ao mundo dos ouvintes.
A
inclusão dos sujeitos denominados com necessidades educacionais
especiais se constitui em uma temática que vem pautando as
discussões das políticas públicas, tanto as educacionais quanto
aquelas que remetem às ações nas áreas sociais em geral. Nesses
debates envolvem-se educadores, pesquisadores, políticos, como
também, e de forma intensa, familiares e os próprios sujeitos para
os quais essas políticas se destinam. Na área da Educação,
procura-se definir estratégias que se direcionam a criar condições
físicas e institucionais no sentido de os diferentes sujeitos da
educação (professores, funcionários e colegas) se engajarem ern
uma efetiva inclusão desses "outros" aos espaços escolares.
Em meio a jogos
discursivos, o marketing em torno da língua de sinais vem tentando
constituir-se como uma “alforria” cultural e escolar para os
sujeitos surdos. O surdo experenciou e experencia o significado da
normalidade no cotidiano de suas práticas escolares, tendo que
criar estratégias para que sua diferença seja “tolerada”,
“hospedada” pela normalidade ouvinte. Nesse sentido, frente às
atuais políticas de inclusão, ouso afirmar que a “Pedagogia da
Diferença”, ou da Diversidade, está servindo como estratégia de
comercialização política, bem como servindo à inclusão que mostra
a necessidade de viver a diferença sem apontar para alguém em
particular.
Marketings à parte,
ficamos atentos para que “novas verdades” não surjam formando cada
vez mais novas “etiquetas desqualificadoras” ou que pedagogizações
da diferença brotem como ervas daninhas, pois, no momento que se
instituem novos slogans, estes vão proliferando-se,
criando-se, assim, novos modelos a serem seguidos, fundados em
novas verdades.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
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língua de sinais na escola inclusiva: estratégias de normalização
da comunidade surda. In: LOPES, Maura Corcini, HATTGE, Morgana
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LUNARDI, M. L. A
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MENEZES, Eliana da Costa Pereira
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