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O presente artigo trata
de métodos de ensino da língua, e dos processos de aquisição
da linguagem, relacionado com a teoria behaviorista,
envolvendo-os para o aprendizado da fala. Também devo
acrescentar que o processo de ensino e aprendizagem também
se envolvem para essa formação da língua.
O que é aprender? O que
é ensinar? Como é a atribuição da Teoria Behaviorista para
com a aquisição da linguagem? O que é a linguagem e qual é a
sua natureza?
O processo de aprender é
bastante complexo, envolve vários fatores, tais como
afetivos, sociais, econômicos e até políticos. Por outro
lado, o ensinar envolve também inúmeras variáveis e pode ser
considerado, digamos, como algo estático, ou, por outro
lado, aberto a experiências dialógicas, nas quais questões
da comunicação são consideradas como essenciais.
Alinho-me a este segundo
exemplo por acreditar que a aprendizagem e a construção do
conhecimento são dialógicas por natureza. Sendo assim, o
ensino e aprendizagem são processos complementares, mediados
pelo uso da linguagem. Os métodos de ensino e aprendizagem
podem ser vistos como orientações para que o professor
comece a refletir sobre os processos envolvidos,
possibilitando construir sua própria visão demonstrada pela
prática diária.
Na aquisição da
linguagem, ao meu ver, o método como se desenvolve a língua;
como se adquire as primeiras palavras; a fala, enfim, é tudo
um processo, embora natural, é longo e difícil.
O começo dessa aquisição
seria o primeiro choro da criança ao nascer. Durante o
processo, com o passar dos dias, a criança aos poucos vai
adquirindo suas primeiras palavras através do seu
comportamento observável, ou seja, a criança cercada da
família, observa as palavras, e de acordo com a fase em que
se encontra, tenta se comunicar com quem o cercam.
Tais fases, a primeira
seria a do jargão, em que a criança começa a produzir
cadeias de enunciados; meias palavras, ainda não
analisáveis, mas que são completamente interpretáveis para
nós adultos. Ocorre normalmente aos dezoito meses de vida da
criança. A segunda fase será a das palavras, em que a
criança através de imitações; gestos, desenvolvem as
primeiras palavras, ocorrendo por volta dos dois anos de
idade. A terceira e última fase seria a das frases onde a
criança já empregando estruturas com frases curtas, com
erros de gramática e de pronúncia, mais porém não deixa de
ser frases compreensíveis, sendo que a criança já é capaz de
produzir uma verdadeira comunicação.
Aos poucos, ela vai
notando algumas inadequações em sua produção oral,
observando o comportamento adulto e modificando-os.
Sendo assim, a língua,
para a criança é um instrumento que ela usa para se
comunicar e satisfazer suas necessidades.
A criança percebendo seu
comportamento vocal, adquire a linguagem através de
condicionamentos, estes seria os estímulos. Aqui é que se
encaixa a teoria behaviorista se relacionando com a
aquisição da linguagem.
Behaviorismo como já se
sabe é uma palavra inglesa, que se refere ao estudo do
comportamento, que focaliza a análise dos mecanismos que
ativam um comportamento humano. Surgiu no começo deste
século como uma proposta para a psicologia, para tomar como
seu objeto de estudo o comportamento.
Na Idade Média, a igreja
explicava o comportamento do homem pela posse de uma alma.
Já no início deste século, os cientistas considerava o
comportamento pela existência de uma mente.
As capacidades da alma
causavam e explicavam o comportamento deste homem. Já as
idéias em suas mentes, tais impressões mentais geravam seu
comportamento. Vejam que ambas são posições dualistas: o
homem é concebido como tendo duas naturezas, uma divina e
uma material, ou uma mental e uma física, como quiserem.
Os representantes da
teoria behaviorista para com a aquisição da linguagem
postulam que a aprendizagem é obtida através de
condicionamentos. “O condicionamento é uma forma básica de
aprendizado que envolve uma resposta simples ou uma série
complexa de respostas a determinados estímulos”. Para tanto,
a psicologia deveria tomar a designação de reflexologia e se
limitaria ao estudo dos reflexos, ou seja, os reflexos
inatos e condicionados constituiriam o fundamento das
respostas dos indivíduos aos estímulos do meio.
A partir de pesquisas
sobre o condicionamento procurou-se explicar os processos de
aprendizagem, caracterizada nesta teoria, basicamente pela
mudança de comportamento, destacando-se o estudo sobre a
aquisição da linguagem.
Devemos considerar que
existe na lingüística uma discussão sobre como a criança
aprende a língua que passará a dominar mais tarde. Neste
texto damos ênfase a teoria behaviorista em relação a
aquisição da linguagem defendida por Skinner ( 1957 ). Essa
teoria defende que o aprendizado lingüístico e não –
lingüístico, ocorre por meios de estímulos, reforços e
privações. Assim, o comportamento verbal pode ser controlado
através de condicionamentos positivos e negativos.
Skinner propunha ser
capaz de predizer e controlar o comportamento verbal
mediante variáveis que controlam o comportamento, estas
seria os estímulos, as respostas e os reforços já citados
anteriormente, e a especificação de como essas variáveis
interagem para determinar uma resposta verbal.
Ele quer dizer que a
criança através de estímulos positivos ou negativos, tende à
entender de que maneira deve se comportar. Se esse estímulo
for positivo, a tendência é que o comportamento se mantenha,
mais se do estímulo da criança, a resposta para com ela for
reforçada negativamente, o comportamento é eliminado, ou
seja, a criança aprende que esse último estímulo tentativo,
não é correto, e ela já adquire para que não se repita. Se
não há reforço, ou seja, se não há resposta positiva e nem
negativa, o comportamento também tende a desaparecer.
“Imagine a situação de
uma criança que vê a mãe e quer sair do berço (estímulo).
Ela começa a chorar (resposta). Caso a mãe a retire do
berço, ela está reforçando positivamente o comportamento da
criança, isto é, a criança aprende que para sair do berço
deve chorar. Se, por outro lado, a mãe não atender a
criança (reforço negativo), esta aprenderá que não é
chorando que vai conseguir sair de lá. O mesmo princípio é
usado para o aprendizado da língua. Imagine que a criança vê
a mamadeira (estímulo) e diz papá. Se ela conseguir com isso
que lhe dêem a mamadeira, será reforçada positivamente,
aprenderá que quando quiser comida deve dizer papá”.
Em sua teoria, Skinner
compara o aprendizado lingüístico a outros tipos de
aprendizado, e afirma que todo o comportamento é
desenvolvido através do reforço e da privação. Neste ponto,
o behaviorismo recai num processo indutivo, pois analisa
apenas os fatos observáveis da língua.
Sendo assim, o
Behaviorismo no processo de aquisição da linguagem,
considera somente os fatos observáveis da língua, o
comportamento em si, sem preocupar-se com a existência de
componentes organizados que possa estar trabalhando junto
com experiências na construção da gramática de uma língua.
Durante a aquisição, não
se pode falar que a criança usa palavras, e sim fragmentos
enunciativos, pois é justamente o erro que indica que a
criança está trabalhando com as formas verbais.
A tese associacionista
afirma que “quando um certo estímulo ambiental “x”está
presente, ele tende a provocar uma resposta “y”, se esta
levar a um esforço positivo”. (Marykato. No mundo da
escrita: uma perspectiva psicolingüística, 1990. p. 111).
Os comportamentalistas
afirmam que a pessoa que cuida da criança deve modelar as
formas adultas corretas e fazer usos do reforço e recompensa
para corrigir as produções imitativas da criança. Através
dos tais processos “estímulos, respostas, reforços” ( que
podem se manifestar de forma positiva ou negativa), ocorre a
maturação do comportamento verbal, ou seja, por esse
processo, a criança torna-se um comunicador maduro.
Durante a tradição
estruturalista da lingüística, essa proposta foi muito
aceita, pois fazia uma associação entre som e significado.
No entanto, a teoria
behaviorista da aquisição da linguagem foi muito criticada.
Vale ressaltar aqui os seguintes aspectos: A teoria
behaviorista não explica como as crianças produzem sentenças
nunca ouvidas antes e mesmo assim, compreendemos tais
sentenças. E “nem todas as sentenças têm sua referência
no contexto em que são produzidas”. (Raquel dos
Santos. A aquisição da linguagem pp. 217 – 218).
Segundo alguns críticos,
a teoria comportamentalista define que o processo de
aquisição ocorre de forma muito rápida. “Se o aprendizado
se dá por imitação, seria esperado um tempo muito
maior de exposição a língua para que a criança adquirisse um
repertório suficiente de frases para
que pudéssemos dizer que ela aprendeu uma língua”. (Raquel
dos santos. A aquisição da linguagem. P. 218).
Para Chomsky somente
uma teoria mentalista, conseguiria formar a aquisição
gramatical de uma língua. Ou seja, Chomsky quer dizer
que a criança conduz o conhecimento da língua nem sempre de
observações e sim de conhecimentos internos e inatos, é que
se torna possível chegar a uma verdadeira e determinada
língua.
O behaviorismo surgiu em
oposição ao mentalismo, apresentando o comportamento
simplesmente como um conjunto de respostas a estímulos
gerado pelas próprias crianças, tentando se comunicar para
satisfazer suas necessidades. A criança não consegue lidar
com as profundezas da mente e nem da personalidade.
O behaviorismo ignora a
consciência, os sentimentos e os estados mentais,
negligencia os dons inatos e argumenta que todo
comportamento é adquirido durante toda a vida do indivíduo.
Por fim, todas estas
considerações acerca do comportamento governado por regras,
determino aqui que este artigo é como uma tentativa de
contribuir para a discussão por meio da análise de alguns
usos do conceito de regra na linguagem cotidiana e na
análise experimental do comportamento relacionado a teoria
behaviorista.
BIBLIOGRAFIA
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KATO, Mary A. No
mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística.
São Paulo: Atica
-
KAUFMAN, Diana. A
natureza da linguagem e sua aquisição. In GERBER,
Adele, problemas de aprendizagem relacionados à
linguagem: sua natureza e tratamento. Tradução de Sandra
Costa. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
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MAROTE, João Teodoro
D’Olim: FERRO, Gláucia D’Olim Marote. Didática da
Língua Portuguesa. São Paulo: Atica, 1996.
-
Palestra apresentada
no II Encontro Brasileiro de Psicoterapia e Medicina
Comportamental, Campinas, out/93. Versão revisada
encontra-se publicada em Bernard Range (org).
Psicoterapia comportamental e cognitiva; pesquisa,
prática, aplicações e problemas. Campinas, Editorial Psy,
1995.
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Professores.
Unisanta. br - sate Google
-
SANTOS, Raquel. A
aquisição da linguagem. FIORIN, José Luiz (org).
Introdução a lingüística: I. Objetos
teóricos. São Paulo: Atica, 1996.
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