“Querer saber - o que
parece tão difícil - se não é errado, entre tantos seres vivos que
praticam a violência, ser o único ou um dos poucos não violentos,
não é diferente de querer saber se seria possível ser sóbrio entre
tantos embriagados, e se não seria melhor que todos começassem
logo a beber.”
(Leon Tolstoi)
Olá! Prazer, meu nome é
Nikolai. Sou um menino muito curioso, gosto de questionar, para
tentar entender um pouquinho mais as coisas que as vezes me
parecem embasadas. Talvez pelo próprio vapor da dúvida, assim como
o espelho do banheiro após um bom banho quente.
Na minha vida não almejo
muita coisa, tenho um simples desejo, que é constante e latente em
meu coração: quero ser uma boa pessoa. Mesmo, nem sempre,
sabendo a melhor maneira de fazer isso.
Para traçar um caminho a
seguir, rumo ao encontro de minha felicidade, conquistando meus
objetivos é que, depois de muito pensar, planejei três perguntas
com o intuito de que as suas respostas me auxiliassem nessa
tarefa. Já questionei muita gente e muitas coisas também. Comecei
com os meus amigos mais próximos e fui estendendo para outras
pessoas, suas maneiras de pensar e agir, ideologias, instituições,
fatos sócio-históricos, normas e conveniências. Como pode
perceber, incomodei e mexi com as estruturas de muitos seres.
Recentemente meu olhar
recaiu sobre algo que vem ganhando evidência na literatura
educacional e que segundo a escritora Heloísa Lück (2006, p.33),
foi a partir da década de 1990 que esse tema se intensificou e
“vem-se constituindo em um conceito comum no discurso de
orientação das ações de sistemas de ensino e de escolas.” Você
tem idéia do que seja? Se prestou atenção ao título, com certeza
já matou a charada.
Primeiro, com base em
meus estudos e da ajuda especializada de amigos como MORIN, KUHN,
e a já citada LÜCK , entendi que o conceito de Gestão busca um
novo entendimento que extrapola a simples noção de ordenamento de
uma instituição, fazendo com que haja conexões entre as partes e
setores que formam o todo, sendo as mesmas vistas e entendidas
como importantes para o sucesso dos processos.
Descobri que durante um
bom tempo esse ordenamento estava relacionado à Teoria da
Administração e que esta buscava a excelência da produção e
serviços prestados. Com as mudanças provocadas pela Musa Clio e
procurando levar-se em conta questões relacionadas a ordem
sócio-cultural, o termo Gestão, voltado a educação, foi obrigado a
sofrer algumas mudanças conceituais. Lembrando que agora “a
concepção de gestão supera a de administração e não a substitui”
(LÜCK, 2006, p.39), pois o que é levado em conta são justamente,
as limitações que o termo no viés administrativo possui e para que
se tenha uma construção de gestão educacional, faz-se necessário
superar tais barreiras.
Certo! Penso que estou
progredindo no entendimento de uma nova Gestão que abarque para si
todas as necessidades que o pensar educativo tem. Por que pensar
na dinâmica do sistema de ensino como um organismo vivo, visto de
forma holística (como um todo), levando em consideração as
especificidades de cada realidade social, caminhando junto à
legislação, diretrizes e políticas públicas educacionais e
buscando vivenciar, tornando reais os princípios de cidadania,
autonomia, cooperação e participação democrática, é conhecer as
raízes da Gestão da Educação.
Sendo que é a partir
dessa concepção educativa que eu lancei meus questionamentos à
Gestão. Lembra que possuo três perguntas? Agora revelarei para
você a primeira delas: Qual é o melhor momento para fazer as
coisas? Procure responder. Primeiro leve em consideração
sua própria vida e depois tente transferir seu pensamento para o
nosso objeto de estudo em questão.
Nesse momento contarei
com a ajuda de três distintos Gestores que me ajudarão a encontrar
as respostas que necessito. O primeiro é o Gestor Ícaro, que ao
ser questionado respondeu: - É preciso planejar com antecedência,
para saber o melhor momento de fazer as coisas. O segundo é o
Gestor Baco e para ele: - Só saberemos quando fazer as coisas se
observarmos e prestarmos muita atenção ao nosso redor. Já o
terceiro, o Gestor Ares colocou que: - Não podemos prestar atenção
em tudo sozinhos. Precisamos de companheiros para nos ajudar a
resolver quando fazer as coisas.
As respostas para a
primeira pergunta ainda não me foram satisfatórias, parece eu está
faltando algo, mas não sei o que. Vamos então para a segunda
pergunta: Quem é mais importante? Pense um pouco,
quem sabe você consegue me ajudar.
Para o Gestor Ícaro é
mais importante quem sabe voar, quem está mais próximo do céu, nas
alturas. Quem sabe curar os doentes foi a resposta do Gestor Baco
e para o Gestor Ares é mais importante quem faz as leis. Pelo o
que pude entender seriam mais importantes: primeiro as pessoas que
estivessem em altos cargos, depois os médicos ou os com a
capacidade de pacificar conflitos e depois quem elabora as leis?
Ai ai... Não estou conseguindo chegar a uma conclusão.
Tá! Qual é a coisa
certa a ser feita? Essa é a minha terceira e última
pergunta e garanto que você já tem uma resposta, vamos diga! Para
o Gestor Ícaro é voar, para o Gestor Baco é divertir-se o tempo
todo e o Gestor Ares defende a idéia, que é brigar. E Você
concorda com algum? Discorda? Porquê? Me ajude, por favor! Estou
perdido.
Eureca! Vou pedir ajuda
a um quarto gestor e até já sei quem. A escola Colméia tem chamado
muita atenção pelo seu modelo de gestão, é lá que vou encontrar
minhas respostas.
- Olá Gestora Sofia! Vim
pedir sua ajuda, tenho três perguntas e gostaria que ambas fossem
respondidas a luz do entendimento do que é Gestão Educacional e...
O que a senhora está fazendo?
- Estou ajudando na
decoração da escola para a Copa.
- Posso lhe ajudar? Eu
consigo alcançar os suportes para prender as bandeirinhas.
- Claro que pode!
- Puxa! Como ficou
bonita a sua escola.
- É, a nossa escola,
ficou mesmo muito bonita graças ao trabalho de nossos alunos,
professores, funcionários e colaboradores, assim como você.
- Que legal! Mas... O
que está acontecendo naquela sala?
- Há, estamos realizando
mais uma etapa do nosso projeto de Educação Fiscal.
- Sério! A senhora sabe
que eu realizei um trabalho uma vez, sobre toda a história do
nosso sistema monetário. Aprendi muito.
- Não quer apresentá-lo
para nós?
- Apresentar? Eu? Acho
que não. Foi só um trabalho de escola e apresentei uma única vez
para a minha turma e nunca mais.
- Então, quem sabe,
conte-nos a sua experiência. Como foi realizar esse tipo de
trabalho. Venha! Vou lhe apresentar ao grupo.
- O sinal tocou e eu nem
percebi que o tempo passou. Muito obrigado Gestora Sofia eu nem
imaginava que poderia ser útil para um trabalho como esse. Me
envolvi tanto que até esqueci...
- Esqueceu do quê?
- De lhe cobrar as
respostas para as minhas três perguntas.
- Ora, creio que você já
encontrou a resposta para elas.
- Como assim?
- Vou explicar: Quando
você chegou, percebeu que eu estava com dificuldade e me ajudou.
Se não tivesse feito isso, não teria conhecido alguns dos projetos
que realizamos aqui na escola. Então o melhor momento foi aquele
que você me ajudou. Naquele momento a pessoa mais importante fui
eu, e a coisa mais certa foi me ajudar. Depois quando você
participou do projeto de Educação Fiscal, o momento mais
importante foi quando relatou suas experiências. Quem era mais
importante era os alunos e professores que lhe ouviram. E a coisa
mais certa a fazer foi ajudá-los com a sua participação.
- Lembre-se de que há um
só momento mais importante, e esse momento é agora. Quem é mais
importante é quem está com você, indistintamente. E a coisa certa
a ser feita é procurar melhorar a realidade de quem está com você,
mesmo com pequenas ações, como começando preocupar-se em
questionar o que é Gestão e a sua aplicabilidade, funcionalidade e
entendimento na educação, como você fez.
- Nossa! Gestora Sofia,
eu não tinha me dado conta disso. Pois, a lógica da gestão é
procurar horizontalizar as relações, seguindo princípios
democráticos com o reconhecimento da importância que a
participação consciente de todos os integrantes da comunidade
escolar tem para o processo de melhoria da Educação, e este visto
como um todo. Unindo-se a outras idéias, como nos fala LÜCK (2006,
p.49), “idéias globalizantes e dinâmicas em educação, como, por
exemplo, o destaque à sua dimensão política e social, ação para
transformação, práxis, cidadania, autonomia, pedagogia
interdisciplinar, avaliação qualitativa, organização do ensino
...”
Pelo jeito, hoje, acabei
aprendendo mais um pouquinho sobre a Gestão da Educação e acredito
que isso foi possível, devido o que propõem KOSIK (1976, p.18),
“o homem, para conhecer as coisas em si, deve primeiro
transformá-las em coisas para si”. E por hoje é só. Até a
próxima, tchau!
REFERÊNCIAS
LÜCK, Heloísa.
Gestão Educacional: uma questão paradigmática. Petrópolis:
Vozes, 2006.