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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:44:54                                               

 
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EDUCAÇÃO
O jogo como promotor da socialização    

Carlos Roberto Pantoja de Souza e Raphaell Moreira Martins

publicado em 01/11/2008

    

“Porque não usar a força transformadora dos jogos para ajudar a nos tornamos o tipo de pessoa que realmente gostaríamos de ser?”

Terry Orlick

 

Estamos vivendo na era capitalista onde o vencer e o poder são as maiores cobiças do ser humano. Como podemos livrar essa concepção das novas gerações se a cada dia mostramos a disputa como única forma de solução para este mundo. Então propomos aqui neste texto comentar o jogo como educação, uma educação que forma o aluno para viver em sociedade, uma educação que o aluno aprenderá a conviver em comunidade.

 

Antes de falarmos sobre o jogo social ou cooperativo, definiremos o que é jogo. A definição de jogo segundo Huizinga (1971), fala que o jogo é uma atividade de preparação do jovem para as tarefas sérias que mais tarde a vida dele exigirá, trata-se de um exercício de autocontrole indispensável ao indivíduo, para o autor o jogo é uma forma de manipulação da realidade. Já para Mello (1989), o jogo pode ser definido como uma atividade ou ocupação voluntária, onde o real e a fantasia se encontram, que possui características competitivas, ocorre num espaço físico, o desempenho intelectual diante das situações do jogo, e às vezes a sorte. Os componentes são responsáveis pela determinação dos resultados. Jogo para Ferreira (2003) é uma atividade física e/ou mental que favorece a socialização, e é realizado obedecendo a um sistema de regras, visando um determinado objetivo.

 

Entendemos que o jogo pode ser observado de várias óticas diferentes, como um método para cansar o aluno, ou uma forma de atividade física sem nexo com os outros conteúdos da escola. Acreditamos no que sugere Freire (1991) que afirma que somos corpos motores, corpos locomotores e diferentes dos vegetais que onde nascem permanecem parados, então entendemos que sempre devemos explorar a nossa motricidade e também comprovar que através dela a aprendizagem se transforma mais prazerosa. Como Alves (1988) afirma que para muitos essas atividades não produzam nada, mais para o autor antes de tudo ela produz o prazer aliado a uma boa seqüência pedagógica consiga sim construir uma boa aprendizagem.

 

Piaget (1978) explica que o simbólico emergente no jogo expõe-se à realidade objetiva, mas, enquanto manifestação semiótica, estará a serviço da adaptação aos padrões de racionalidade uma vez que representa um percussor intermediário do pensamento adulto, para o qual tende o desenvolvimento. De acordo com Brougére (1998), os jogos comuns das crianças, bem diferentes dos adultos, nada mais são do que manifestações de uma “atividade séria”, sob formas mais leves. Surge assim, uma autonomia de atividade lúdica infantil que permite a emergência de um discurso específico próprio, mas deve ser controlado em uma lógica do artifício pedagógico de modo que permita à criança adquirir conhecimentos relevantes, pois, a criança não é um adulto em miniatura, mas um adulto em germinação.

 

Acreditamos que o jogo, como fator motivante e como elemento recreativo e lúdico, estimulando fatores psicológicos (auto-estima, confiança, relações, etc.), além dos fatores físicos e sociais, ajuda no processo de aprendizagem. Como Brougére (1998) explica, o jogo faz parte da instrução, e ao mesmo tempo em que exercita a inteligência, promovem o crescimento, boas condições físicas e saúde entre os jovens. Por serem exercícios físicos, tornam-se um meio de introduzir a criança a uma atividade física e pode ser usado para permitir um relaxamento necessário cujo objetivo é propiciar um novo esforço intelectual, ou tornar lúdica a educação corporal, facilitar o aprendizado e promover a socialização.

 

Góes e Smolka (1997), afirmam que a atividade lúdica é identificada como espaço privilegiado de emergência de novas formas de entendimento do real, que por sua vez, instaura possibilidades para o desenvolvimento em vários sentidos, onde comentam que Vygotsky considera o brincar como “Zona de desenvolvimento proximal”, por excelência, na infância, e explica:

“A ação na esfera imaginativa, numa situação imaginária, a criação de intenções voluntárias e a formação dos planos de vida real e das motivações voluntárias, tudo aparece no brinquedo, que se constitui, assim, no mais alto nível do desenvolvimento pré-escolar. A criança desenvolve-se, essencialmente, por meio da atividade do brinquedo.”

          (Vygotsky, apud Góes e Smolka, 1997).

 

 

Conforme Rousseau (apud Brougére, 1998), o jogo é justificado essencialmente por seus atrativos, ou seja, tem caráter motivador por si só e é considerado como o meio de expressão das qualidades espontâneas ou naturais da criança, pois, não haverá ligação entre o interesse espontâneo da criança e o aprendizado que se espera dela, se a atividade não for motivante.

 

Segundo Vygotsky (1998), a ação numa situação imaginária ensina a criança a dirigir seu comportamento não somente pela percepção imediata dos objetivos ou pela situação que afeta de imediato, mas também pelo significado dessa situação.

 

Para o mesmo autor, a brincadeira, em seu modo de funcionamento é uma solução de compromisso entre o real e o imaginário, razão pela qual potencializa o desenvolvimento, na medida em que o real é preservado a despeito de ser ressignificado.

 

Vejamos como os jogos cooperativos podem contribuir numa educação mais solidária. Segundo Soler (2003) jogos cooperativos são jogos em que os participantes jogam uns com os outros, em vez de uns contra os outros, joga-se para superar desafios. Corroborando com a idéia Brotto (1993) comenta que os jogos cooperativos são divertidos para todos, onde todos participam e ninguém é rejeitado ou excluído. Já para Amaral (2004) os jogos cooperativos são atividades que requerem um trabalho em equipe com o objetivo de alcançar metas mutuamente aceitáveis, o jogo cooperativo busca aproveitar as condições, capacidades, qualidades ou habilidades de cada indivíduo, aplicá-las em um grupo e tentar atingir um objetivo comum.

 

Orlick (1989) fortalece comentando que os jogos cooperativos como uma atividade física essencialmente baseada na cooperação, na aceitação, no envolvimento e na diversão, tendo como propósito mudar as características de exclusão, seletividade, agressividade e exacerbação da competitividade, predominantes na sociedade e nos jogos tradicionais, o objetivo primordial dos jogos cooperativos é criar oportunidades para o aprendizado cooperativo e a interação cooperativa prazerosa.

Concordamos nas palavras de Soler (2002) ao falar em fazer as crianças aprenderem a jogar juntas na escola, para que transcendendo os muros, possam levar a ética cooperativa para suas vidas, pois segundo o autor o jogo cooperativo cria ambientes gratificantes e atraentes servindo como estímulo para o desenvolvimento integral e pessoal da criança desenvolvendo:

 

Þ      Habilidades intelectuais como; imaginar, perguntar, concentrar, decidir e adivinhar.

Þ      Habilidades interpessoais como; encorajar, explicar, entender, retribuir e ajudar.

Þ      Habilidades em relação aos outro como; respeito, apreciação, paciência, positivismo e apoio.

Þ      Habilidades físicas; falar, ouvir, observar, coordenar e escrever.

Þ      Habilidades pessoais; alegria, compreensão, discriminação, entusiasmo e sinceridade.

 

Então a idéia deste texto é promover os jogos cooperativos na escola de forma mais coerente com o que se espera da educação nacional, com o intuito de melhorar a sua parte afetiva e social dos alunos, pois um dos objetivos da Educação Física segundo Brasil (2000) é adotar atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade em situações lúdicas e esportivas, buscando solucionar os conflitos de forma não-violenta. Este texto teve o objetivo de mostrar que a ética e a solidariedade ainda pode ser valor de todos um dia, basta cada um ter a educação correta e mais humana.

 

 

Referências Bibliográficas.

 

AMARAL, Jader Denicol. Jogos cooperativos. São Paulo: Phorte, 2004.

ALVES, Rubens. Estórias de quem gosta de ensinar. São Paulo: Cortez:                       Autores Associados, 1988.

BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais: educação física. Rio de Janeiro: DP&A,       2000.

BROTTO, Fabio O. Jogos cooperativos: Se o importante é competir o                                fundamental é cooperar. São Paulo: O autor, 1993.

BROUGÉRE, Gilles. Jogo e Educação. Porto Alegre, Artes Médicas, 1998.

FREIRE, João Batista. Educação de corpo inteiro: teoria e prática da educação    física. São Paulo: Scipione, 1997.

FERREIRA, Vanja. Educação Física, recreação, jogos e desportos. Rio de janeiro:          Sprint, 2003.

GOES, Maria. C. R. e SMOLKA, Ana. L. B. A significação nos espaços educacionais: interação social e subjetivação. São Paulo, Papirus, 1997.

HUIZINGA, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. São                      Paulo: Ed. USP, 1971

MELLO, Alexandre M. Psicomotricidade, educação física e jogos infantis.                    São Paulo: IBRASA, 1989.

ORLICK, T. Vencendo a competição. São Paulo: Círculo do Livro, 1989.

PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo, sonho, imagem e representação. Rio de Janeiro, Jahar, 1978.

SOLER, Reinaldo. Jogos cooperativos. Rio de Janeiro: Sprint, 2002.

______. Jogos cooperativos para educação infantil. Rio de janeiro: Sprint, 2003.

VYGOTSKY, L. A. O desenvolvimento psicológico na infância. São Paulo, Martins Fonte, 1998.

 

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Carlos Roberto Pantoja de Souza possui graduação em Educação Física pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (2008). Especializando em Educação Física Escolar pela Faculdades Nordeste – FANOR (2008). Faixa Preta 3º DAN de Karatê SHOTOKAN. Arbitro Categoria A da Federação Cearense de Karatê Esportivo (FCKE). Presidente da Associação OYAMA ACADEMY

 

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