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6. Agentes Atuantes no Processo
A prática que se deu ao longo do ano de 2005
ecoou como um Projeto “FAZENDO ARTE” aos ambientes da
Secretaria Estadual de Educação. Não somente os Agentes
envolvidos, mas o componente da Sociedade, Cultura,
Filosofia, Entretenimento, Prática Pedagógica, Gestão e os
Recursos Humanos foram norteadores para que se estabelecesse
a relação dos poderes simbólicos a que se pretendeu.
A esse respeito, percebeu-se que aliar o
poder simbólico ao poder formal das práticas docentes e o
que se pretendeu atingir, a primeira vista, pareceu-me uma
investida quase que impossível, pois os sujeitos da ação em
qualquer âmbito de suas práticas ou negociações têm que
enfrentar o poder simbólico de tais relações. E nesta cadeia
hierárquica Bourdieu aborda com muita propriedade essas
relações de força que detêm poderes diferentes, pois cada
agente ocupa um lugar diferente em suas atuações e o poder
simbólico, nesse sentido, vem carregado de força. Para
Bourdieu, o poder exercido no Sistema de Ensino é o poder
simbólico, “poder invisível que só pode se exercer com a
cumplicidade daqueles que não querem saber que a ele
submetem ou mesmo que o exercem (Bourdieu, 1977, p.31)”.
Busca-se também neste momento de reflexão e
poderes elencados na base de componentes, a contribuição de
Rogers (1972) quando expõe a idéia de que “os desafios fazem
com que a pessoa se desenvolva e cresça”.
A partir das contribuições de Bourdieu e
Rogers percebe-se que a prática como tal e suas relações
produz ao homem a visão de mundo e da realidade em que se
está envolvido, porque o
“ círculo
da docência não deve fechar-se, como uma cidadela sitiada,
sob o bombardeio da cultura de mídia, exterior à escola,
ignorada e desenhada pelo mundo intelectual (MORIN, 2001,
p.80)
As produções dos alunos foram à convite da
Secretaria de Educação, expostas no ambiente desta mesma
Secretaria, se fez itinerante por vários bairros e espaços
culturais da região bem como na disponibilização do site da
Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro todas as
produções efetivadas.
Faz-se premente, então, um repensar da
educação, não apenas nos pressupostos filosóficos, o que
naturalmente é essencial, mas também naquilo que constitui o
fazer pedagógico, o dia-a-dia na sala de aula.
Dando prosseguimento a pesquisa, resolvemos
extrair depoimentos que só fazem enriquecer e indicar
caminhos em relação ao papel dos atores sociais no Aparelho
Ideológica do Estado. Seguem alguns depoimentos que estão em
registro no próprio colégio e de posse também deste
pesquisador. As fotos bem como os depoimentos foram
autorizadas pelos pais dos alunos envolvidos assim como as
produções artísticas que mostram claramente o envolvimento
das representações sociais.
Foi perguntada, a Leidiane Gomes dos
Santos, aluna da sexta série e envolvida no processo uma
pergunta por um outro professor que não fosse este
pesquisador.
O que você achou das aulas de Educação
Artística do Professor Henrique Manhães?
“ Eu achei muito boa e interessante e me
acrescentou vários aprendizados não só aprendendo a pintar
mas também a observar como qualquer pessoa pode ser um
artista, é só usar a criatividade e se deixar viajar na
pintura e acrescentar amor, carinho e tudo o que está
sentindo no momento”

De forma a perceber a uma releitura da aluna,
entende-se que a partir de seu depoimento que “qualquer
pessoa pode ser um artista” Isto me remete a questão da
escola, principalmente aquela que atravessa por dificuldades
por ser periférica e com um público que desconhece espaços
culturais por negligência, também, do poder público. O ator
social remeteu-se aos seus sentimentos e “a tudo que está
sentindo no momento”. Este grifo nos leva a pensar no
caminho da criatividade e das fronteiras educacionais que
passa e perpassa pelo existencialismo, sem ao menos, por
vezes nos darmos conta. O “ a tudo que está sentindo no
momento” é o princípio de uma teoria educacional
progressista que pode desenvolver nas aulas de Educação
Artística, a Filosofia e, assim como Paulo Freire
perfeitamente proferia que o professor aprende com o aluno.
Só me dei conta da questão do existencialismo, da filosofia
após ter lido o depoimento da aluna. O “que está sentindo
no momento” remete ao aluno a enfrentar a verdade de que
algo de bom ou ruim acerca da realidade de todos nós e
remete ao próprio educando o significado da existência
humana.
Mais adiante, após leitura, deparei-me com
observações que puxavam, neste momento, o sufoco na
garganta. Não podia me permitir a distanciar-me do que me é
próximo. Tal pergunta a seguir contextualiza o parágrafo
anterior. A pergunta foi a seguinte:
Você gostou de observar o desenho do colega?
E fale também sobre seu desenho, o que você quis transmitir?
“ Gostei, fiquei observando as coisas boas e
ruins. Sinceramente, antes eu desenhava muito, mis
ultimamente (há uns três ou dois anos) eu não sei mais o que
desenhar e acabo que não desenho e quando eu fiz o quadro
que foi pedido pelo professor, fiz o que me veio na cabeça”
Fugir a regras e valores foi o que foi
permitido a aluna. “ Fiz o que me veio a cabeça”. A análise
lógica desta fala me remete a preferência que cada um tem em
seu âmago, embora ela soubesse identificar teoricamente em
qual das escolas estudadas em classe o desenho se
encaixaria. É bom que se lembrem de qualquer escolha, seja
ela fácil ou difícil, mas que se saiba o que se está
fazendo.
Por ser uma turma bastante heterogênea e com
mais de 55 alunos não poderíamos introduzir todos os
depoimentos, embora o diálogo tenha sido apreciado. Ainda
cabe ressaltar e dialogar com o que se segue.
Esta é a contribuição do aluno Rogério
Luiz da Silva (sexta série).
O que você achou das aulas de Educação
Artística?
“Eu achei muito interessante porque aprendi
muita coisa legal, aprendi a dor valor ao que eu sei fazer
agora. Agora eu sei fazer vários quadros e sei identificar
se é uma composição expressionista, impressionista, etc.”
Perguntando ao mesmo aluno:
O que você sentiu quando viu sua obra exposta
na Secretaria de Educação?
“Eu me senti um garanhão. Pude tirar onda com
meus quadros e também pude tirar onda para a minha família,
pra mim e pros meus amigos que acreditam no meu trabalho”
Sentir destes atores sociais à alegria de
possuir-se, de sentir-se, de acreditar em si como homem
social e político vão além do que se possa pensar somente no
imediatismo de uma relação social em que foi realizada uma
experiência vivencial de ação e comprovação imediata da ação
tanto na escola e estendendo-se para outros espaços sociais
em suas representações.
O pesquisador consciencioso que coloca os
frutos dos seus conhecimentos à serviço do coletivo percebe
a qualidade do próprio e que pode ser entendida como
construção para si e para a sociedade.
As dimensões destes atores não limitaram-se
apenas ao espaço escolar, mas a um conjunto mais amplo,
situando-os em relação a rua, a casa e ao trabalho e
colocando referências que os legitimem.
“Somos de
uma geração para qual a obra criadora, esse primeiro escalão
da obra de arte, foi reduzida a clandestinidade. Estude!
Copie! Repita!... Não tínhamos lápis nem papel. A arte para
nós, era o Cristo na cruz da igreja ou os figurinos da moda
nos catálogos da Samaritaine. Mas a vida caminha... Num
século em que a imagem é rainha, em que papel, guaches e
aquarelas guarnecem as prateleiras dos bazares, ajudem seus
alunos a ultrapassarem o estágio da bandeira azul, branca e
vermelha; abra-lhes as portas encantadas de um mundo que nos
foi proibido e que eles vêem com os seus olhos inocentes de
poeta, de artistas, de construtores, a caminho do seu
destino de homens” (FREINET, 2000, p. 32 – 33)
Acho que a escola dá e se faz atuante de
tentativas de acertos no resgate da Disciplina de Educação
Artística apropriando-se do que não é o oficial para que
educando desbravem além das fronteiras as cores da nossa
bandeira.
Pretende-se também que o próximo Governo do
Estado do Rio de Janeiro (o atual desta gestão de 2007)
respeite o profissional de Educação Artística e que
intencionalizadamente e definitivamente acabem com práticas
migratórias de professores de Língua Portuguesa para
preencherem espaços de uma disciplina que exige, sobretudo,
uma construção de significados educacionais, pois a
Disciplina de Educação Artística embasa-se, sobretudo,
também, numa Pedagogia de entendimento, de personalidade e
de intervenções como qualquer outra disciplina do Currículo
Oficial.

7. Considerações Finais
Produzir até aqui este artigo foi um desafio
e um resgate de memória. Tudo isso porque entende-se que o
conhecimento não é mera repetição, mas o resultado de
aplicação de métodos e técnicas que são experienciadas na
academia e nos programas de pós-graduação,e, antes destas
premissas, o ousar e saber ousar.
Todas as funções que me são convocadas a
desempenhar contribuições, desde que possa ser oferecido o
ensino/aprendizado, uso e me aproprio dos instrumentos para
que tal ação se efetive. Boas medidas dependem de bons
instrumentos, isto é, de recursos que satisfaçam as
exigências básicas de validade, pois em qualquer campo
encontraremos “as minas” que não podemos pisar. O campo
simbólico de Bourdieu, a complexidade à luz de Morin, a
sedução de esperança e de atuação política de Paulo Freire e
as observações atentas de Tomaz Tadeu da Silva me remeteram
a caminhos de sabor mas, sem nunca deixar de perceber que
os dissabores existem e que estão aqui, ali, acolá, por
vezes, do seu lado.
É sabido que as relações de força e poder no
Aparelho Ideológico do Estado são tão aparentes tanto quanto
a sodomia do Banco Mundial que reflete nos espaços sociais e
principalmente em suas representações. Mas investir numa
pedagogia desafiadora, sem ser ingênua, foi para este
pesquisador trabalhar com a pedagogia interativa e
dialógica, como um processo constante de investigação que se
fez solidariamente com os agentes da ação. A troca de
experiências pede/despede/contrapede/ espaços e tempos de
formação e informação mútua, nos quais o professor é chamado
a desempenhar o papel de formador e formando.
Esta formação de professor-pesquisador advém
também de exercícios reflexivos que procura superar ações
contraditórias e espontaneístas, formando-se então o
pensamento lógico-reflexivo que se pode subverter sem se
perder os sentidos da ação humanizadora responsável pela
tessitura do mundo.
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