Novas correntes propõem que a educação deve ser um
processo de construção de aprendizagens no qual devemos formar
cidadãos críticos, conscientes e ativos na sociedade. Esse conceito
bonito é, por vezes, utópico, uma vez que sabemos que a instituição
“escola” enfrenta diversos problemas em várias instâncias.
A realidade nos traz, durante o pleno exercício da profissão,
problemas como preconceito social e racial, medo, drogas,
marginalidade e até mesmo a burocracia que submete os professores à
hierarquia de poder, e conseqüentemente, tolhe sua vontade e
condição de desempenhar um papel comprometido com a formação de
indivíduos críticos, ativos e autônomos.
Sabe-se que é através do domínio efetivo da língua,
que o indivíduo se torna capaz de observar, estabelecer comparações,
concluir, transformar, opinar e participar. Mas sem a comunicação o
indivíduo não existe, não ocupa lugar na sociedade e, por
conseguinte não usufrui seu direito de ser. Cabe, então, aos
professores dar aos alunos a oportunidade de escolher,
conscientemente, sua forma de existência.
Como não se educa para algo no qual não se acredita,
é necessário repensar nosso compromisso enquanto educadores para não
sermos meros “professores-padrão” tolhidos pela burocracia
educacional e para que, realmente, sejamos de grande valia aos
nossos alunos.
Assim sendo, devemos vivenciar, refletir e construir,
paulatinamente, a cidadania de nossos educandos com paciência,
dedicação e exemplo, sendo tanto o professor quanto o ambiente
escolar modelos nos quais os alunos possam se apoiar durante esse
processo de construção.
Ponderando que é indispensável a inserção cultural do
aluno na leitura por ele realizada, e visando o alcance dos
objetivos propostos pelos PCNs, como professores, devemos, portanto,
nortear nosso trabalho por meio de textos autênticos e
significativos, ensinando aos alunos que importa além do que o que o
texto diz, a maneira como ele diz.
Além das disciplinas básicas, há os temas transversais como os
direitos e deveres de um cidadão que precisam e devem ser ensinados
através de sua vivência dentro do espaço escolar e mais
especificamente dentro da sala de aula. Precisamos, portanto,
redirecionar todos os nossos esforços, voltá-los para a descoberta
de novas maneiras que nos permitam fazer de nossos alunos
competentes usuários da língua.
Para concluir, posso asseverar que há algumas
atitudes que podem e devem ser acrescentadas à prática de
professores, dentre elas: a prática da reflexão e da auto-avaliação
profissional; a realização de um trabalho coletivo nas escolas, a
fim de que se trace o seu projeto de ensino; o conhecimento dos pais
e/ou a comunidade quanto ao trabalho que se propõe. É preciso,
ainda, que se contornem as dificuldades materiais presentes nas
escolas para possibilitar ao aluno que se torne sujeito de sua
aprendizagem e do seu discurso. Diante disso, a escola precisa sair
da artificialidade das aulas, em busca de situações reais de
interlocução, que permitam ao aluno dizer a sua palavra.
*Patrícia Ferreira Bianchini Borges
Atualmente é Assistente de Alunos do Instituto
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Triângulo Mineiro – Campus
Uberaba, licenciada em Letras pela Uniube - MG e pós-graduada em
Estudos Lingüísticos: "Fundamentos para o Ensino e Pesquisa" pela
UFU - MG.