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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:44:50                                               

 
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EDUCAÇÃO

O papel da Escola e Educadores diante dos problemas de aprendizagem

   

Caroline Côrtes Lacerda[*] e Katiusci Lehnhard Machado*

publicado em 05/07/2009

              

Atualmente percebe-se nas escolas que o grande desafio do professor é trabalhar com alunos que apresentam algum tipo de diferença no processo de aprendizagem, pois, grande parte dos docentes não está preparada para atuar com essa realidade, provêm de uma formação em que a prioridade é dar conta  do conteúdo, e que o aluno deve aprender independe de sua individualidade.

Essa perspectiva do processo de ensinar e aprender deveria ser diferente tendo em vista, que vivemos em uma sociedade em que cada pessoa tem uma história, uma linguagem, uma maneira de agir, pensar e sentir, e esses elementos são construídos pelas diversas relações estabelecidas com o meio, o que faz cada sujeito ser único. E através desse olhar diferenciado construído pela escola e educadores, é possível praticar uma ação pedagógica voltada ao atendimento das diferenças.

O aluno segundo Luckesi (1994, p. 117) “[... ] é um sujeito ativo que, pela ação, ao mesmo tempo se constrói e se aliena. Ele é um membro da sociedade como qualquer outro sujeito, tendo caracteres de atividade, sociabilidade, historicidade, praticidade”.   Partindo desse olhar individual, é que o professor tem que desenvolver sua práxis, atendendo cada sujeito em sua singularidade, interagindo com o aluno, tentando suprir suas dificuldades na aprendizagem.

A interação na escola entre professores e alunos, as formas de comunicação, os aspectos afetivos e emocionais, fazem parte das condições organizativas do trabalho docente, juntamente com os aspectos cognitivos e sócio-emocionais da relação professor-aluno. Isso significa que o trabalho docente se caracteriza não apenas pelo preparo pedagógico e científico do professor e de toda a equipe da escola, mas também, pelo constante vaivém entre as tarefas cognoscitivas colocadas pelo professor e o nível de preparo dos alunos para resolvê-las. (LIBÂNEO, 1994)

O professor é o sujeito que ajuda o aluno no processo de construção de diversos saberes, tais como a amar e respeitar, por isso, ser um mestre vai além de “transmitir” conteúdos. É preciso cativar o aprendiz e conquistar sua confiança, pois os laços criados nessas relações é que irão garantir o início da caminhadas rumo a formas mais adequadas de aprendizagem.

Para compreender os problemas que dificultam o aprendizado do aluno, é preciso que os profissionais envolvidos com a educação construam laços, no intuito de se aproximar e considerar as diversas causas, observando todo processo de aprender, bem como as interações estabelecidas pelo educando.  É essencial levar em conta, que o problema manifestado por uma criança é um conjunto de fatores que influenciam todo sistema escolar, não apenas ao professor e sua turma. Isso requer maior atenção e preparo tanto do profissional quanto de toda equipe escolar, que deve estar voltada para atuar frente a esse contexto.

Este fato põe em xeque a formação do professor, que ainda negligência ou trata de forma distorcida os aspectos relacionais em geral, parecendo esquecer as novas condições a que o exercício profissional está inserido, causadas pela transformação da estrutura social da população escolar e pela própria evolução social.

Diante disso, faz-se necessário que a formação dos educadores esteja voltada para esse contexto, buscando prevenir e diminuir as dificuldades no processo de ensinar e aprender. Perrenoud (2002) in apud Oliveira (2003) menciona que esse é o caminho para a profissionalização, uma vez que permitirá o desenvolvimento da capacidade reflexiva desses profissionais e através dessa reflexão é que se encontrarão meios para atuar com essa realidade discente, já que não existem fórmulas nem receitas para esta prática.

As competências que o professor deve adquirir para trabalhar com os problemas que a aprendizagem se depara cotidianamente, serão construídas somente através da qualificação profissional, e segundo (Oliveira, 2003) a noção de competências está intimamente ligada à capacidade dos indivíduos de se adequarem a novas situações e de resolverem problemas que possam enfrentar na sua prática.

 Freire (1996, p.43) afirma que: “É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem é que se pode melhorar a próxima prática.” Nesse sentido, é que a atualização profissional, ou seja, a construção do saber constante é essencial para a realização de um trabalho (trans)formador, pois permite o processo ação-reflexão-ação.

Desse modo, Schön (1997, p. 87) nos diz que

(...) o desenvolvimento de uma prática reflexiva eficaz tem que integrar o contexto institucional. O professor tem de se tornar um navegador atendo à burocracia. E os responsáveis escolares que queiram encorajar os professores a tornarem-se profissionais reflexivos devem criar espaços de liberdade tranqüila onde a reflexão seja possível. Estes são os dois lados da questão – aprender a ouvir os alunos

Nesse contexto, cabe mencionar que as mudanças no contexto escolar e social requerem profissionais atualizados e competentes, que estejam preparados para atuar com diferentes problemas, tais como de comportamento, dificuldades de aprendizagem primárias e secundárias, altas habilidades, deficiências, síndromes, entre outros, visto que são necessários educadores com uma sólida formação capazes de incluir estes alunos na sala de aula, atuando de forma diversificada, de acordo com a necessidade de cada um, através de uma prática crítica-reflexiva e consciente das necessidades e desafios educacionais.

Para incluir, a escola precisa primeiramente acreditar que todas as crianças podem e devem aprender, através de adaptações curriculares e de  uma educação de qualidade, passando acima de tudo pela formação docente. As adaptações curriculares constituem um conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos, critérios, procedimentos de avaliações, atividades e metodologias para atender as individualidades dos alunos.

No entanto, nada disso adianta se não existem competências profissionais voltadas para atuar com a diversidade, pois sabe-se que as diferenças não estão somente no modo de aprender, existem no modo de vestir, de falar, de gesticular, na opção sexual, na cultura, enfim, na exigência de uma práxis respeitadora e inclusiva, pois, incluir, acreditar nas diferenças, não significa colocar o aluno na mesma sala de aula dos ditos “normais” e tentar igualá-lo aos demais, muito pelo contrário, significa acreditar na diferença desse sujeito e trabalhar na tentativa de incluí-lo nesta sociedade tão excludente.

De acordo com (BRASIL/MEC/SEESP, 2006, p. 13):

(...) no reconhecimento das diferenças humanas e na aprendizagem centrada nas potencialidades dos alunos, ao invés da imposição de rituais pedagógicos pré-estabelecidos que acabe por legitimar as desigualdades sociais e negar a diversidade. Nessa perspectiva, as escolas devem responder às necessidades educacionais especiais de seus alunos, considerando a complexidade e heterogeneidade de estilos e ritmos de aprendizagem.

Diante disso, é fundamental que a escola aprimore suas ações pedagógicas, visando o atendimento às diferenças, pois é imprescindível a inovação, a busca de novas alternativas e metodologias que proporcionem um ensino de qualidade para todos, visto que (trans)formar a educação exige trabalho e dedicação de todos, inclusive da família e da sociedade.

De acordo com Carneiro (1998, p. 49) partindo da idéia de Necessidades Especiais:

A Lei determina que todas estas crianças têm o direito a um atendimento educacional especializado. Preferencialmente, devem ter o seu espaço de aprendizagem em classes normais, ao lado das demais crianças, evitando-se, desta forma, qualquer modalidade de segregação. Países como Itália e Canadá trabalham com o conceito de “escolas inclusivas”, ou seja, estabelecimentos normais de em ensino que contam com um programa especial para crianças com Necessidades Especiais. Isto porque está comprovado que elas rendem mais quando convivem com crianças normais. Infelizmente a “inclusão” é um tema ainda novo no Brasil, restrito à área acadêmica.

Com isso, faz-se necessário compreender e vivenciar a inclusão, adequando-a a prática pedagógica, bem como os conteúdos, as atividades de ensino e aprendizagem, os recursos materiais e as avaliações, pois uma escola aberta à diferença é aquela que flexibiliza seu currículo em prol do educando. 

Por outro lado, sabe-se que a escola, de uma maneira geral, não é planejada para atender as diferenças, mas sim para a padronização, transmitindo saberes e “acreditando” que todos estão “aprendendo” da mesma forma e ao mesmo tempo. É nesse contexto que o aluno com problemas de aprendizagem é excluído, pois não consegue aprender como os “demais”. Essa visão de educação tem que ser modificada, o professor deve perceber os alunos como diferentes, visto que incluir não significa igualá-los diante de uma sala de aula e tapar os olhos frente a diferença. 

Nesta perspectiva, é necessário refletir sobre a formação docente para que se possa mediar conhecimentos, e proceder a uma educação de qualidade, transformando a escola em um lugar que acolhe “a todos” e que valoriza a diferença. Para tanto, de acordo com Nóvoa (1995) na formação de professores é preciso conceber a escola como um ambiente educativo, no qual trabalhar e formar não sejam atividades distintas. Essa formação deve ser vista como um processo permanente integrado no dia-a-dia dos professores – vistos como protagonistas ativos nas diversas fases do processo de formação –, devendo este voltar-se para os desenvolvimentos: pessoal, profissional e organizacional.

Assim, a formação do educador deve ser vista como o desenvolvimento das suas potencialidades, o que ele almeja enquanto pessoa e profissional, pois acreditar na formação significa fazer um regate dos conhecimentos já construídos, trocar saberes em grupos de estudos, cursos, palestras, seminários, observações no dia a dia, preenchendo as lacunas existentes na formação e potencializando, assim, o seu fazer pedagógico.

 

REFERÊNCIAS:

 

BRASIL, MEC/SEESP. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, 2006.

CARNEIRO, Moaci Alves. LDB fácil: leitura crítico-compreensiva: artigo a artigo. Petrópolis, RJ, 1998.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 20ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

LIBANÊO, José Carlo. Adeus Professor, adeus professora: novas exigências educacionais e docente. São Paulo: Cortez, 2002.

NÓVOA, Antonio. (coord). Os professores e sua formação. Lisboa-Portugal, Dom Quixote, 1997.

NÓVOA, Antônio. Vidas de professores. 2ª edição. Porto Editora, 1995.

OLIVEIRA, Dalila Andrade. Reformas educacionais na América Latina e os trabalhadores docentes. BH: Autêntica, 2003.

SCHÖN, Donald. Os professores e sua formação. Coord. De Nóvoa; Lisboa, Portugal, Dom Quixote, 1997.

 

 


 

[*] Autora: Pedagoga formada pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das missões - URI Campus Santiago/RS, Psicopedagoga formada pela mesma universidade. (carolinelacerda@yahoo.com.br)

* Co-autora: Psicóloga formada pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - URI Campus Santiago/RS. (klehnhard@yahoo.com.br)

 

             

Como citar este artigo:

LACERDA, Caroline Côrtes. MACHADO, Katiusci Lehnhard. O papel da Escola e Educadores diante dos problemas de aprendizagem. P@rtes (São Paulo). V.00 p.eletrônica. Agosto de 2009. Disponível em <www.partes.com.br/educacao/papeldaescolaeeducadores.asp>. Acesso em ___/___/___.
 

 

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Caroline Côrtes Lacerda é pedagoga formada pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões URI Campus Santiago/RS especialista em Psicopedagogia pela mesma universidade. (carolinelacerda@yahoo.com.br)
 


Katiusci Lehnhard Machado. Psicóloga formada pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - URI Campus Santiago/RS. (klehnhard@yahoo.com.br)

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