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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:44:50                                               

 
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EDUCAÇÃO

Uma leitura sobre paradigma educacional na contemporaneidade

   

Gilvane Almeida Silva[1] Giovanna Marget Menezes Cardoso[2]

publicado em 05/05/2009

          

Se as coisas são inatingíveis... ora!

Não é motivo para não querê-las...

Que tristes os caminhos, se não fora

A mágica presença das estrelas!

Mario Quintana

 

Resumo: Esta produção está voltada para o ato de sistematizar um conjunto de contribuições significativas à nossa reflexão sobre a importância dos novos paradigmas educacionais na contemporaneidade. Trata-se de uma “revisita” a temas como transição entre modernidade e pós-modernidade, paradigma da complexidade, a escola como espaço de construção do saber, os dificuldades de ruptura com os paradigmas tradicionais e as tecnologias de informação e comunicação – TIC, como importante dispositivo para esse novo paradigma educacional. A educação deverá ser o instrumento que a própria humanidade terá que se utilizar para facilitar a transição da Era da Matéria para a Era das Relações, facilitando a interação interpessoal, o desenvolvimento integral do indivíduo e do "sujeito coletivo".

  

 Palavras - chaves: Modernidade, pós-modernidade, paradigma da complexidade, paradigma tradicional, TIC.

 

Modernidade ou Pós - modernidade? Eis a questão

 

Ao longo da história, nosso olhar sobre o mundo e sobre as coisas, sofre por um contínuo processo de mudança. Essa é uma condição vital no desenvolvimento pelas quais todas as gerações anteriores e posteriores a nossa existência, passam. E esse contínuo, de construção e desconstrução, perpassa por superposições na quais um novo paradigma transforma o antigo e uma nova história se inicia. E assim a história da mudança paradigmática da educação não está isenta as várias mudanças históricas, apesar de sua resistência:

[...] são as tecnologias de informação e comunicação, a aldeia global, a Internet. Os nossos dias assistem ao desenrolar de um conjunto de fenômenos que nos habilitam a assistir, em tempo real, à mudança na nossa maneira de nos representarmos de representarmos as nossas instituições mais importantes e arraigadas, incluindo a escola (SOUSA e FINO, 2008, p. 1)

Para refletirmos sobre os novos paradigmas educacionais na contemporaneidade, num contexto de grandes transformações e mudanças paradigmáticas, algumas questões norteadoras emergem:   Como entender o conceito de Paradigma?   Estamos vivendo a modernidade ou pós-modernidade? Para responder a tais questões, se faz necessário que primeiramente busquemos algumas considerações conceituais sobre o que vem a ser Paradigma, a modernidade e a pós-modernidade.  

A palavra paradigma tem sua origem do grego parádeima que significa modelo ou padrão (VASCONCELLOS, 2002). Moraes (2001, p.31) utiliza o conceito de paradigma relacional de Edgar Morin (1994)

[...] um paradigma significa um tipo de relação muito forte, que pode ser de conjunção ou disjunção, que possui natureza lógica entre um conjunto de conceitos-mestres. Para esse autor, um tipo de relação dominadora é que determinaria o curso de todas as teorias, de todos os discursos controlados pelo paradigma. 

 

O ser humano participa da evolução do conhecimento cientifico, de forma ativa e transformadora convivendo “simultaneamente com outras experiências, teorias, outros conceitos ou fenômenos recalcitantes que não se ajustam facilmente a paradigma vigente” (Moraes 2001 p. 32). Novos paradigmas são construídos a partir de seus velhos paradigmas e olhando o mundo e transformando-o por meio deles, pois eles funcionam como os “óculos” com que se efetua a leitura da realidade. Diante disso, o que nossos óculos nos ajudam a ver quanto a estarmos na modernidade ou pós-modernidade?

FINO e SOUSA (2003), em seu texto As TIC redesenhando as fronteiras do currículo, cita A. Lopes (2001, p.25) apresentando a dificuldade de situar a sociedade contemporânea “[...]as análises relativas às formas de vida social tornadas típicas das sociedades ocidentais contemporâneas adoptam, para as nomear, ao o termo de modernidade tardia, ora o termo da segunda fase de modernidade, ora ainda, o termo pós modernidade”. As ideias de Habermas (1998) e Giddens (1994) também são apresentadas, nas quais apontam que ainda estamos na modernidade e que o ápice para saída da mesma ainda acontecerá. Outra ideia também colocada, de Ranier Zoll (1992), resguarda o termo pós-modernidade para nomear a sociedade que já ultrapassou as dificuldades da militarização, da educação, já partilhou de forma humanizada sua tecnologia e atingiu de forma múltipla a democracia.

Há também a idéia iluminista, a qual coloca a modernidade como sendo gestada pelo saber científico e tecnológico, como solução e controle de todas as coisas no campo das reformas sociais, é até mesmo da natureza, segundo A. Hargreaves (1998). E esse mesmo autor coloca quatro níveis como pressupostos de análise: o econômico, o político o organizacional e o pessoal.  

Ainda discutindo as ideias de Hargreaves (1998), apud Fino e Sousa (2003), aborda quanto ao nível econômico, o ambiente familiar dá lugar à fábrica, na modernidade, por um aumento de produtividade e trabalho especializado, caracterizando o capitalismo monopolista e o socialismo de estado. Para o nível Político, tem-se um estado como centralizador do poder, a consolidação do Estado Nação, que regula a educação, a segurança social e a Economia. No nível organizacional, a modernidade é marcada pela estratificação burocrática de forma vertical, bastante hierarquizada com a supervalorização das competências técnicas. E ao nível pessoal, tem-se a imagem de construção de identidade diante do uma coletividade, pertencendo a um grupo, por outro lado, tem-se o empobrecimento da autonomia intelectual.

           

As caracterizações acima circunscrevem o início da modernidade segundo A. Hargreaves (1998), e se observarmos o cenário atual, podemos dizer que muitas dessas características ainda se fazem presente, mesmo que uns números imensuráveis mudanças ocorram a todo instante. A ruptura paradigmática, do tradicional ao novo, não se dá de forma radical, é vivencial e construída.  

O paradigma da complexidade na contemporaneidade - processo transacional

Inspirados em B. Souza Santos (2000), os autores FINO e SOUSA (2003) propõem uma reflexão quanto às transições paradigmáticas sociais e epistemológicas diante das profundas mudanças que ocorrem de forma rápida e trazendo inúmeras incertezas do que estar por vir. O atual contexto, marcado pela descontinuidade; pelas diferenças, pelo grande número de informações; o declínio do sistema fabril; a produtividade de maior escala de softwares; uso das tecnologias na informação e na comunicação; pela necessidade de autorregulação da ordem; pela desintegração e re-significação das ciências; pelos questionamentos quanto à competência política do estado na saúde, economia e educação; dando espaço as privatizações, a necessidade de olhar o todo e não apenas as partes, o não lugar diante das diversas possibilidades, configuram-se o complexo, marcando o fim da modernidade, em que:

A transição paradigmática é [...] um ambiente de incerteza. De complexidade e de caos nas estruturas e nas práticas sociais, que se repercute nas instituições e nas ideologias, nas representações sociais e nas inteligibilidades, na vida vivida e na personalidade. (SANTOS, 2000, p.45, Apud FINO E SOUZA, 2008).

 

Como fica a escola como “espaço” de construção do saber no paradigma da complexidade

Apesar da escola está inserida no contexto do mundo globalizado, onde tudo está interligado numa relação política-econômica-cultural, podemos inferir, diante das problemáticas enfrentadas pelo sistema educacional brasileiro, tais como defasagem no ensino e na aprendizagem; altos índices de evasão e reprovação; baixos índices no IDEB; comprovando que o mesmo não acompanhou este processo e ainda continua nos paradigma “tradicional” pensado pela burguesia no inicio da revolução industrial. Moraes (2001, p.136) sinaliza:

[...] a educação atual continua gerando padrões de comportamento preestabelecidos, com base em um sistema de referência que nos ensina a não questionar, a não expressar o pensamento divergente, a aceitar passivamente a autoridade, a ter certeza das coisas.

 

É o paradoxo do mundo globalizado, da evasão de responsabilidades, da inércia e do descompromisso com as mudanças em suas inusitadas conseqüências, influenciando estados, sistemas e poderes constituídos aos quais se têm direcionado as demandas presentes, frutos das complexidades paradigmáticas atualmente em voga quando se trata do educar e do educar-se e ainda:

 

[...] uma das grandes, se não a maior, tragédia do homem moderno, está em que é hoje dominado pela força dos mitos e comandado pela publicidade organizada, ideológica ou não, e por isso vem renunciando cada vez, sem o saber, à sua capacidade de decidir. Vem sendo expulso da órbita das decisões. (FREIRE, 2002).

 

[...] “Não há educação fora das sociedades humanas e não há homem no vazio” (FREIRE, 1996, p.43 e 51)

 

A escola, diante do paradigma da complexidade, tem estado dissociada do que deveria ser seu objetivo maior, que é favorecer um espaço na construção de conhecimento significativo e humanizado. Como bem sabemos no processo histórico de “invenção” a escola pública como conhecemos hoje, foi projetada no inicio do séc XIX, na Modernidade, com o objetivo de garantir a burguesia sua consolidação enquanto grupo hegemônico, desse modo, pode-se inferir que a mesma vem ao longo da história mantendo-se numa estrutura senil, fabril, tradicional, castradora e recalcante, como pensada na sua construção.

Mediante tais paradoxos, contradições e desafios, surgem sustentados por bases teóricas alternativas e progressistas, a proposição de uma educação voltada para a complexidade, Moraes (2001, p. 135), define que:

A identificação de novos cenários nos leva a compreender que somos cidadãos do mundo e que temos o direito de estarmos suficientemente preparados para nos apossarmos dos instrumentos de nossa realidade cultural, para que possamos participar do mundo [e numa cosmovisão superadora] termos uma compreensão do mundo mais holística, global, sistêmica, que enfatiza o todo e não apenas as partes […], reconhece a interconectividade, a interdependência e a interatividade de todos os fenômenos da natureza e o perfeito entrosamento dos indivíduos e das sociedades em processos cíclicos […], cheios de energia, em movimento, [como] sistemas vivos, abertos e em movimentos flutuantes […].

 

Esse cenário da escola a quem ao seu tempo é bastante debatido no livro Máquina das crianças de Samuel Papert (2008), onde o autor reclama a escola por um espaço produtivo e significativo. Não há como se voltar atrás e negar a importância da TIC e sua presença permeada em todos os espaços, e Papert (2008) através de sua corrente construcionista, coloca os computadores como ferramenta que provocará transformações na escola.

A idéia construcionista aponta a grande importância na criação de um ambiente de aprendizagem e  descoberta, no qual alunos e professores se engajem em um trabalho de  investigação científica que possibilite ações de representação e o  estabelecimento de conexões entre os conhecimentos que o aluno possui: do velho  para a construção de um novo conhecimento. O conhecimento em elaboração deve ter  uma relação de continuidade com o conhecimento que o aluno possui, os quais  devem ser acionados na construção de projetos significativos em seu contexto social.

               

Para Papert (2008) o uso dos computadores favorece a experiência humana diante do contingente de vivencias que servem à aprendizagem a despeito da institucionalização acadêmica do saber. Levando-nos a analisar a importância da cultura e do conhecimento, os quais são passiveis de inumeráveis conexões na constituição do aprendiz.

 

Temos computadores nas escolas! Então, resolvida à situação?

Podemos dar continuidade na busca pela resposta através de outra pergunta - Como os professores vêem o processo de ensino-aprendizagem? Primeiramente, podemos nos voltar ao livro Máquina das Crianças, (Papert, 2008) e fazermos as diferenças necessárias entre o que é Instrucionismo e Construcionismo. A primeira sendo o processo de transmissão e a segunda de construção. Papert (2008), em um dado momento, acreditou ser os professores o maior obstáculo para a transformação da escola, contudo, tempos depois, o autor reconhece o enganado cometido, pois o que de fato dificulta esta transformação é a fragilidade dos mesmos em relação à aprendizagem, já que esses se encontram em seus papeis de “professores”, tendo dificuldades em se colocarem no papel de aprendizes, ou melhor, se perceberem como mestres/aprendizes, o que, os fazem deixar de lado o entendimento que a educação é um processo contínuo e interrupto de formação.

De acordo a Moraes (2001) a escola continua fragmentando o conhecimento em especialidades, a super valorização do conteúdo em detrimento ao processo de construção de conhecimento, ratificados em metodologia e currículos rígidos, restando aos alunos obediência e submissão.

O conhecimento humano é adquirido pelo individuo por meio da transmissão estruturadora do processo ensino-aprendizagem, e o sujeito tem um papel insignificante em sua aquisição e em sua elaboração. A educação, na maioria das vezes, é compreendida como instrução e está circunscrita à ação da escola. A ênfase é dada às situações de sala de aula, nas quais os alunos são instruídos pelos professores. (MORAES 2001, p.51)

Ainda segundo Moraes (2001, p.53) é necessário fugir do que vêm sendo utilizados pela grande maioria das escolas como versão computadorizadas – o desfaçamento da educação burguesa, que na verdade “é apenas uma imagem de uma técnica social de dominação”.  

Então não basta ter escolas equipadas com computadores para de fato alcançar a pós-modernidade, é preciso buscar construir uma relação de construção de conhecimento com as possibilidades que essa ferramenta possa vir a oferecer e interagir de forma mais segura com o paradigma da complexidade superando as dificuldades no campo educacional. Maria Cândido (2001, p.53), revela condições importantes para homem no enfrentamento e superação dos velhos paradigmas educacionais:   

Uma educação para um mundo em constante transformação solicita o fortalecimento da unidade interior e a necessidade de privilegiar o desenvolvimento da intuição e da criatividade (...). Isso é importante para que o indivíduo possa sobreviver a qualquer tipo de mudança, para que saiba lidar com o imprevisto, as injustiças, o novo e o caos, que exigem um novo pensar, mais coerente, articulado, rápido, múltiplo e exato, para que possa estabelecer novas relações, novas ordenações e novos significados.

 

Os novos paradigmas e as TIC. O que tem de educacional no computador?

 

Bem, podemos brincar com um trocadilho dizendo: tudo e quase nada. A tecnologia não pode ser encarada como a salvadora da prática pedagógica do professor, pois só a disponibilização das ferramentas não garante uma boa qualidade de ensino. O computador é apenas mais uma das ferramentas criadas e utilizadas pelo homem em suas interações culturais e sociais com o mundo e com os outros indivíduos. Ele terá uma significação e um valor simbólico bastante subjetivo, dependerá da linguagem utilizada e de como essa linguagem é aplicada, podendo funcionar como um dispositivo mediador entre aprendizagem e cognição.

 

Os softwares, por exemplo, são programas desenvolvidos para o funcionamento dos computadores, fazem parte dos artefatos tecnológicos criados pelo homem que servem como linguagem entre indivíduo e máquina e suas extensões de aplicação, informando e alcançando a comunicação entre os indivíduos.

 

Mas na contramão para o novo paradigma, tem-se a aplicação das TIC, através de dispositivos, como softwares, “que vêm sendo utilizados pela maioria das escolas como versão computadorizadas dos métodos tradicionais de ensino, tais como as categorias tutoriais, exercício-e-prática (drill and practice), jogos e certos tipos de simulações” (Moraes 2001, p.53). De acordo a avaliação pedagógica da referida autora, existem bons e maus programas, sendo sua grande maioria, de qualidade baixa, já que esses dão manutenção aos métodos tradicionais, pois envolvem repetição e memorização dos alunos em aplicações de atividades de revisão.

 

Dentro do contexto educacional do novo paradigma, o software pode ser mais um excelente dispositivo disponibilizado e assistido pelo professor que trabalha de forma fundamentada na ZDP de Vygostky (2005), cuja concepção de “janela de aprendizagem” e trabalho em pares.

 

[...] representa a diferença entre o que o aprendiz pode fazer individualmente e aquilo que é capaz de atingir com a ajuda de pessoas mais experimentadas, como o instrutor, ou em colaboração com outros aprendizes mais aptos na matéria (FINO, 1998, P. 4)  

 

Somando à idéia Vygotskyniana (2005), a idéia construtivista, em que juntas colocam o aluno numa postura pró-ativa diante do processo de construção de conhecimento, podendo superar seu conhecimento prévio e até mesmo transcender ao do professor, o aprendiz tem oportunidade de tomar iniciativa, fazer suas escolhas e utilizar as diversas alternativas de fonte de conhecimento, seu processo de (re)construir conhecimento acontece pela interação com o outro, seja o outro no papel de professor ou de um colega de classe.

As tecnologias podem estar a serviço para uma compreensão da sociedade dentro de uma implicação educacional quando funciona de forma aberta e reconhece o ser humano na sua multidimensionalidade. E essa aplicação é papel do professor. Para Maria Cândida (2001), professor precisa aprender a construir e a comparar novas estratégias de ações, novas teorias, novos modos de enfrentar e definir os problemas. Para a autora, este processo de reflexão, a prática é reconstruída pelo professor a partir da análise, descrição, depuração e explicitação dos fatos. Esses procedimentos propiciam a compreensão de sua própria prática.

No contexto da educação contemporânea, inserida num tempo de sociedade estruturada pelos meios de comunicação, sabemos que estamos aprendendo cotidianamente. Neste sentido a escola deve ser transformada num lócus de emancipação do sujeito enquanto ser humano e aprendente, onde interatividade e comunicação permanente possibilitem que todos acessem, selecionem, compreendam e produzam suas conectividades. Tais ações, essenciais à interação humana consciente de seu tempo e de sua história possibilitam o discernimento e a compreensão critica das demandas sociais, e favorecem a construção de posturas ética e cidadãs.

 

Notas conclusivas

 

A evolução da humanidade é continua e dinâmica, assim modificam-se os valores, as crenças, os conceitos e as idéias acerca da realidade. Essas mudanças paradigmáticas estão diretamente relacionadas ao olhar e à vivência do observador. Os paradigmas são necessários, pois fornecem um referencial que possibilita a organização da sociedade, em especial da comunidade científica quando propõe continuamente novos modelos para entender a realidade. Por outro lado, pode limitar nossa visão de mundo, quando os homens e mulheres resistem ao processo de mudança e insistem em se manter no paradigma conservador.

Desse modo ao refletirmos sobre a educação não podemos desconsiderar uma das mais marcantes características desta fase de nossa humanidade, que é chamada de "Era das Relações”, segundo Maria Cândida (2001), os avanços da física neste século nos provam que "saímos de uma Era Material para uma Era das Relações” (HARMAN, 1996) apud Moraes (2001, p.137), nestes termos a “realidade” é compreendida como uma totalidade indivisa em movimento fluente, uma grande teia de relações e conexões. Em termos de macro planejamento, a visão da totalidade evita a concepção de uma política fragmentada, desarticulada, descontínua e compartimentada. Compreende o indivíduo como algo indiviso, construindo o conhecimento usando sensações, emoções, razão e intuição.

 

Uma educação para a Era das Relações almeja uma proposta educacional que reflita e englobe tanto as dimensões materiais quanto espirituais da sociedade, que busque a superação de metas voltadas para a erradicação do analfabetismo, a melhoria da qualidade com eqüidade, a superação dos índices de evasão e repetência, mas que, simultaneamente, favoreça a busca de diferentes alternativas que ajudem as pessoas a aprender a conviver e a criar um mundo de paz, harmonia, solidariedade e fraternidade. (Moraes, 2001, p. 139)

Assim, a educação deverá ser o instrumento que a própria humanidade terá que se utilizar para facilitar a transição desta Era da Matéria para a Era das Relações, facilitando a interação interpessoal, o desenvolvimento integral do indivíduo e do "sujeito coletivo".  

 

 

Referências  

FREIRE, O. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1997

 

MORAES, Maria Cândida. O paradigma educacional emergente. Editora Papirus, Campinas, 2001.

 

PAPERT, S. Máquinas das crianças, repensando a escola na era da informática. Editora Artmed, Porto Alegre, 2008 

 

SOUSA, Maria J. & FINO, Carlos N. As tic redesenhando as fronteiras do currículo. In Revista Galego-Portuguesa de Psicologia e Educación, N 8 (vol.10)Ano 7, 2003.

 

_______________. As tic abrindo caminho a um novo paradigma educacional. In Revista Educação & Cultura Contemporânea, 5 (10) 1º semestre 2008. Rio de janeiro: Universidade Estácio de Sá, 2008.

 

VASCONCELLOS, Maria José E. de. Pensamento sistêmico: o novo paradigma da ciência. EDITORA PAPIURUS, CAMPINAS, 2003.

 

VIGOSTSKI, L.S. Pensamento e linguagem. Martis fontes, São Paulo, 2005.


 

[1] Professora da Rede pública estadual de Feira de Santana, Licenciada em Letras com Inglês, Especialista em Psicopedagogia, Formação em Psicanálise Clinica, Aluna do Mestrado em Inovação Pedagógica pela Universidade de Madeira – Portugal. Endereço eletrônico : vaneas_gil@hotmail.com

 

[2] Professora da Universidade do Estado da Bahia – UNEB /Campus XI, Licenciada em Pedagogia, Especialista em Supervisão Escolar e Especialista em Metodologia do Ensino da Pesquisa em Educação, Aluna do Mestrado em Inovação Pedagógica pela Universidade de Madeira – Portugal, Endereço eletrônico : margett@ig.com.br

Como citar este artigo:

CARDOSO. Giovanna Marget Menezes; SILVA, Gilvane Almeida. Uma leitura sobre paradigma educacional na contemporaneidade. P@rtes (São Paulo). V.00 p.eletrônica Maio de 2009. Disponível em<www.partes.com.br/educacao/paradigmaeducacional.asp>. Acesso em _/_/_.

 

 

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