Já repararam que quando há uma palestra e o
palestrante pede para que os professores que estão na plateia faça
algum tipo de ginástica ou movimentos corporais há grande
resistência e comentários como:
-Ai minha nossa,eu já estou velha para essas
coisas! Mais essa ainda!
Eu Heim, Vou pagar mico!
De fato isso acontece pela simples razão:
Professores não são acostumados a encarar desafios como gincanas,
quiz entre outros, o que os tornam apenas professores informadores
de alunos copistas,que irão digerir tais informações,mas ao chegar
em casa darão Graças a Deus dessa aula ter acabado e quando seus
pais lhe perguntarem como foi a aula hoje dirão:
-A mesma chatice de sempre mãe! Se pudesse nem iria
pra lá amanhã! Mãe, Posso jogar Uno ou jogar no computador,tive um
dia muito chato hoje?
Isso nos mostra que,o desafio o qual o aluno não
teve na escola busca no computador.É preciso investir em gincanas
divertidas e que podem ser feitas dentro da própria sala de
aula,além de usar artifícios desafiadores que podem e devem ser
improvisados também pelo professor como a barraca de pesca,a qual
os alunos serão desafiados em equipe sendo um de cada vez num
tempo de 2 minutos por integrante a pescar o peixe com a palavra
VENCEDORES ou uma outra que entusiasme as equipes que podem ser
separadas por fileira. E claro,o professor também tem que entrar
no espírito da gincana, do quiz, do desafio seja lá qual for, pois
os alunos só sentirão tal sentido se verem seus professores também
serem desafiados e o resultado de tudo isso é mais energia,um
despertar gostoso para a uma aprendizagem diferenciada de forma
dinâmica,simples mas que certamente fará com que este aluno não
veja a hora de amanhecer e voltar pra escola! Articulistas da
educação atual como a pedagoga Jocineide Ribeiro em relação ao
desafio proporcionado pelo lúdico em sala de aula revela:
-"Todos temos um lugar específico na sociedade,
fazemos parte da natureza. O jogo é uma forma de representar o
contexto em que estamos inseridos, independente da época, classe
social e outros fatores.
Ludismo e interação social
No processo evolutivo que caracteriza o desenvolvimento humano,
especialistas e estudiosos do assunto, consideram que o potencial
lúdico tem função muito importante.
A medida que o indivíduo vai se libertando do princípio do prazer,
e passa a interagir com a realidade buscando equilíbrio entre a
satisfação e não- satisfação de seus impulsos mais primitivos, bem
como o equilíbrio de sua emoção, sua afetividade, ele precisará de
um elemento que é o brincar. Cuja função permite que se adapte ao
meio e passe a valorizar os demais integrantes e respeitar regras
e valores".
Já a professora especialista Anne Almeida,
professora do curso de Pedagogia e Educação física:
-O ato de criar permite uma Pedagogia do Afeto na
escola. Permite um ato de amor, de afetividade cujo território é o
dos sentimentos, das paixões, das emoções, por onde transitam
medos, sofrimentos, interesses e alegrias. Uma relação educativa
que pressupõem o conhecimento de sentimentos próprios e alheios
que requerem do educador a disponibilidade corporal e o
envolvimento afetivo, como também, cognitivo de todo o processo de
criatividade que envolve o sujeito-ser-criança.
A afetividade é estimulada por meio da vivência, a qual o educador
estabelece um vínculo de afeto com o educando. A criança necessita
de estabilidade emocional para se envolver com a aprendizagem. O
afeto pode ser uma maneira eficaz de se chegar perto do sujeito e
a ludicidade, em parceria, um caminho estimulador e enriquecedor
para se atingir uma totalidade no processo do aprender.Na
atividade lúdica, o que importa não é apenas o produto da
atividade, o que dela resulta, mas a própria ação, o momento
vivido. Possibilita a quem a vivencia, momentos de encontro
consigo e com o outro, momentos de fantasia e de realidade, de
ressignificação e percepção, momentos de autoconhecimento e
conhecimento do outro, de cuidar de si e olhar para o outro,
momentos de vida.
Uma aula com características lúdicas não precisa ter jogos ou
brinquedos. O que traz ludicidade para a sala de aula é muito mais
uma "atitude" lúdica do educador e dos educandos. Assumir essa
postura implica sensibilidade, envolvimento, uma mudança interna,
e não apenas externa, implica não somente uma mudança cognitiva,
mas, principalmente, uma mudança afetiva. A ludicidade exige uma
predisposição interna, o que não se adquire apenas com a aquisição
de conceitos, de conhecimentos, embora estes sejam muito
importantes. Uma fundamentação teórica consistente dá o suporte
necessário ao professor para o entendimento dos porquês de seu
trabalho. Trata-se de ir um pouco mais longe ou, talvez melhor
dizendo, um pouco mais fundo. Trata-se de formar novas atitudes,
daí a necessidade de que os professores estejam envolvidos com o
processo de formação de seus educandos. Isso não é tão fácil,
pois, implica romper com um modelo, com um padrão já instituído,
já internalizado.
A Pedagogia desafiadora envolve além dos valores
coletivos e de equipe,resgatam a auto-estima do
professor,principal agente da transformação e participante deste
processo de ludo-educação, pois depende dele a abertura para se
quebrar velhos paradigmas,como o uso constante do livro didático
como instrumento usado pelo professor em sala de aula para dar
cópias e mais cópias o que afasta os alunos da escola,os fazem
pensar que a escola nada mais é do que um lugar onde os livros são
chatos,os professores mais ainda,ninguém é feliz e o aprender
menos ainda! Imagine o que é esse pensar para aqueles alunos que
já se habituaram a tirar notas vermelhas e ainda por cima não ter
motivação para buscar melhorar suas notas ou pior,ter que ouvir de
quem mais poderia ajudá-lo que:-Eles não tem interesse em nada,não
copiam,não gostam de ler só querem jogar xadrez,bater figurinhas
etc!
Por vezes essa demonstração lúdica é clara e muitos
de nosso educadores não percebem o sentido da mensagem passada
pelos alunos através dessa paixão pelo lúdico,pelo desafio virtual
do videogame ou mesmo do computador.Não é atoa que, os jogos
fascinam e conquistam mais e mais crianças e jovens pelo mundo e a
escola como sempre desperdiça esses talentos. Para a pedagoga
Joristela de Souza Queiroz,"A escola não deve apenas transmitir
conhecimentos, mas também preocupar-se com a formação global dos
alunos, numa visão em que o conhecer e o intervir no real se
encontrem. Mas, para isso, é preciso saber trabalhar com as
diferenças: é preciso reconhecê-las, não camufla-las, aceitando
que, para conhecer a mim mesmo, preciso conhecer o outro.
A crise de paradigmas afeta a escola, crescendo o
desejo de participação nas decisões. Trata-se de anseio por novas
formas de organização na escola, de modo a propiciar condições
favoráveis ao trabalho criador do educando, respeitando sua fase
de vida.
Deste modo, as diferentes abordagens sobre a
prática lúdica no contexto escolar como alternativa de resgatar a
alegria e o prazer de aprender poderão contribuir para ampliar os
conhecimentos e possibilitar caminhos para um profissional mais
dinâmico e reflexivo, capaz de atender às necessidades dos
educandos, pois, diariamente,o tempo e a história nos impõem à
busca por novas práticas pedagógicas que auxiliem e facilitem o
processo dinâmico que é a aprendizagem.
À luz dessa reflexão, é inegável ressaltar, que se
faz necessário uma escola diferente, onde a criança queira estar e
em que haja alegria e prazer para descobrir e aprender, pois é
notório que em grande parte das escolas públicas situadas em
bairros periféricos, encontram-se muitas crianças que trabalham
desde muito cedo em diversas atividades para ajudar na renda
familiar, e o tempo de que dispõem é habitualmente saturado por
deveres e afazeres restando pouquíssimas oportunidades para as
atividades ludo-recreativas.
A partir de uma opção democrática, almeja-se
resgatar o verdadeiro papel social da escola e do professor, isto
pressupõe mudanças, seja no campo profissional, visto que,
perpassa pelas questões de formação, remuneração e
conseqüentemente valorização bem como, institucional que inclui
número de alunos, espaço adequado e material didático
satisfatório.
Alguns percalços pedagógicos como desinteresse,
indisciplina dos alunos, baixa aprendizagem entre outros de ordem
sócio-econômica, permeiam o âmbito escolar, “democratizou –se” o
acesso ao ensino, sem democratizar a melhoria sócio-econômica e
sendo assim, a escola perde seu brilho e seu encanto.
Convém afirmar que a mudança não ocorrerá de forma
espontânea, é um processo extremamente complexo e que exige
competência e comprometimento de todos os agentes que compõem a
comunidade escolar". E vai além:
-"Se o tempo da escola é um tempo de enfado em que
educador (...) e educadores vivem os segundos, (...) à espera de
que a monotonia termine a fim de que partam risonhos para a vida
lá fora, a tristeza da escola termina por deteriorar a alegria de
viver (...)
A criança desde muito cedo, possui um anseio
natural para brincar, isto é, para por em prática suas habilidades
que desabrocham em crescentes variedades de formas para explorar a
si própria e o ambiente ao seu redor. Em sua maneira de “brincar”,
ela expande uma grande quantidade de emoções, pela variedade de
brincadeiras que vivencia, organiza seu mundo interior em relação
ao exterior entretanto, em muitas escolas esse desejo de criar e
imaginar são substituídos por técnicas mecanicistas consideradas
atualmente, ultrapassadas.
Vale salientar que são muitas as habilidades
motoras que a criança adquire ao longo de seu desenvolvimento,
ajudando-a a desenvolver competências nas diversas atividades do
seu cotidiano. Desde muito cedo, possui um anseio natural para
brincar, isto é, para por em prática suas habilidades que
desabrocham em crescentes variedades de formas para explorar a si
própria e o ambiente ao seu redor.
Através de jogos e brincadeiras a criança
desenvolve a capacidade de perceber suas atitudes de cooperação e
adquire oportunidades de descobrir seus próprios recursos e testar
suas próprias habilidades, além do que, também, aprende a conviver
com os colegas numa interação".
A você professor,eu faço um convite todo especial:
-Se queres sentir a Pedagogia Desafiadora dentro de
si, faça essa simples dinâmica em grupo com seus alunos:
-Pegue vários balões,dê a seus alunos e peça que
eles as encham. Em seguida coloque uma musica bem descontraída e
faça o seguinte combinado:
-Quando começar a música até terminá-la não
poderemos deixar nenhum desses balões cair no chão! Quem deixar o
balão cair vai saindo do jogo e o balão o qual pertencia ao colega
que saiu deve continuar sem cair no chão,ou seja,você assumirá o
papel deste colega e deverá segurar o seu balão e o balão do seu
colega. O objetivo dessa dinâmica é mostrar que, o trabalho em
equipe faz toda a diferença,o desafio que nos fez suar,os
sorrisos,a sensação de alegria e motivação,a alegria de ver a
professora também sorrir e tentar não deixar os balões caírem é o
que de fato sente quem coloca em prática a Pedagogia Desafiadora!
Alexandre Soares
Psicopedagogo-Uniesp
Pós-Graduando em Educação Empreendedora-Ufsj
Precursor das Pedagogias:Da Vivência e Desafiadora
alexanddresoares@yahoo.com.br
Referências Bibliográficas
Almeida A. "Ludicidade como Instrumento Pedagógico"
http://www.legadoludico.com/Artigos/LIP.htm
Queiroz J.S. "O lúdico no contexto escolar: um
resgate ao prazer de aprender"
http://www.legadoludico.com/Artigos/LCE.htm