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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:44:44                                               

 
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EDUCAÇÃO

Perfil do Educador Social: experiências e reflexões

   

André Michel dos Santos*  e Vanessa dos Santos Nogueira**

publicado em 03/02/2010

  

RESUMO

A proposição de elaboração desse artigo origina-se da necessidade de subsídios teóricos para o exercício profissional do Educador Social na atualidade. Percebemos, após o trabalho de mais de dois anos em uma Obra Social da Rede Marista de Educação e Solidariedade do RS, localizada em uma região periférica da cidade de Santa Maria/RS, muitas dificuldades e desafios permeados no cotidiano do Educador Social e no seu envolvimento em situações apresentadas por crianças, adolescentes e suas famílias. Consideramos a relevância de pesquisas nessa área, no sentido de esclarecimentos acerca das competências do Educador Social contemporâneo, como também apontar elementos que desmistificam e elucidam o ofício desse profissional inserido em escolas e obras sociais que atendam público em situação de vulnerabilidade social, sinalizando o perfil de Educador Social almejado e podendo diferenciar papéis que são eminentemente de responsabilidade da família e daqueles que demandam intervenção direta do Educador Social.

 

Palavras-chave: Educador Social; Crianças, Adolescentes e Famílias; Vulnerabilidade Social.

 

INTRODUÇÃO

Vivemos hoje em uma sociedade capitalista, impregnada pela cultura individual e determinada muitas vezes pela globalização, onde neste processo, modificam-se as relações culturais, conseqüentemente posturas, valores, princípios, os quais têm refletido no âmbito familiar, escolar e social.

Permeados por essa diversidade, encontramos desafios para educar na atualidade, pois educar nos exige: Rigorosidade metódica; Pesquisa; Respeito ao educando; Corporificação das palavras pelo exemplo; Aceitação do novo; Rejeição de qualquer forma de discriminação; Reflexão crítica sobre a prática; Bom senso, humildade, alegria e tolerância e essencialmente convicção de que a mudança é possível.

Nesse contexto, situa-se o Educador Social sendo o profissional que trabalha com usuários em situação de vulnerabilidade social, os quais são particípes de programas e projetos sociais, não sendo satisfatório apenas o seu domínio quanto ao saber teórico ou na boa intenção. Suas ações não são unicamente pedagógicas, mas também políticas ou ideológicas. Esse profissional deve desenvolver:

·                  Um respeito real e profundo pelo ser humano;

·                  Capacidade para perceber, na comunicação, os aspectos que subjazem à palavra dita;

·                  Transparência na sua forma de ser;

 

Diante dessas exigências ao Educador Social, é relevante citar que esta profissão é cercada por outras profissões e especializações, as quais têm papéis fundamentais para a complementação do atendimento de situações que fogem do âmbito de intervenção e atribuição do educador social.

 

1. COMPETÊNCIAS DO EDUCADOR SOCIAL

O Educador Social deve apoiar a pessoa individualmente para alcançar e satisfazer seus objetivos, bem como o exercício da cidadania. Aqui mos refirimos à pessoa sendo (crianças, adolescentes e suas famílias). Isto implica, por exemplo:

·                  Apoiar as pessoas em seu desenvolvimento para que elas mesmas possam desenvolver e solucionar os seus problemas individuais ou grupais;

·                  Potencializar as habilidades de cada um, permitindo com que o mesmo decida por si mesmo;

Em outras palavras, diríamos que o importante é empoderar a pessoa para que ela seja capaz de entender e atuar dentro de sua comunidade, através de suas próprias perspectivas, conhecimentos e habilidades.

Quando mencionamos sobre as competências exigidas ao Educador Social na atualidade, podemos caracterizar como sendo estas, uma síntese de conhecimentos, habilidades a atitudes imprescindíveis a atuação do profissional.

Desta forma, segundo Mezzaroba (2008), o Educador Social deve ter a competência para intervir, refletir e avaliar.

 

Competência para intervir

O Educador Social deve atuar diretamente na situação e dar uma resposta para as necessidades e desejos das crianças e adolescentes e/ou dos adultos de forma adequada, sem muito tempo para reflexão. Deve ter embasamento teórico e experiência prática para tal. Essa resposta não significa resolver o problema desencadear ações para que ele seja solucionado.

 

Competência para avaliar

O Educador Social deve saber planejar, organizar e refletir com relação as suas ações e intervenções futuras. Deve saber refletir sobre sua própria prática, avaliando sua intenção, ação e resultado esperado;

 

Competência de reflexão

O Educador Social junto à sua equipe de trabalho e outros colegas deve saber refletir sobre os problemas de âmbito profissional para uma melhor compreensão, favorecendo assim, o desenvolvimento da profissão nos espaços públicos.

Sendo assim, o trabalho do Educador Social deve promover a igualdade, o respeito com todos os sujeitos do seu contexto, prestando a devida atenção para a necessidade de cada um, respeitando e protegendo os direitos desses sujeitos, a privacidade, a autonomia.

E ainda, é importante ressaltar que o Educador Social deve utilizar-se de sua experiência, do seu saber profissional como uma das formas para melhorar a qualidade de vida do sujeitos, de suas famílias e da comunidade em situação de vulnerabilidade, na batalha contra a pobreza e na luta pela justiça social.

 

1.1 ESTILOS DE EDUCADORES:

Após a realização de uma breve reflexão sobre as competências almejadas ao Educador Social apoiada na teorização da autora Mezzaroba, ressalta-se que este deve sentir a necessidade de estar sintonizado com a realidade macro e micro[1] o qual ele esteja inserido, podemos apontar diferentes estilos de Educadores na atualidade. Segundo a autora Mezzaroba (2008), existem quatro tipos de educadores:

 

a) Educador resignado: centra-se nos aspectos pouco estimulantes de sua profissão; queixa-se de tudo – mas pouco trabalha para melhorar as coisas;

b) Educador tecnicizado: excessivamente aplicador dos recursos; rigorosamente técnico, mas desvinculado do “social”;

c)  Educador conformista: mero executor de suas atividades; sem excessivas esperanças e sem graves decepções;

d) Educador crítico: “realista”, porém não estranho à uma atitude proativa; otimizador; apóia alternativas inovadoras de melhora; destaca-se por sua atitude construtiva e otimista; sempre olha para frente; capta os desajustes e contribui para melhora do seu trabalho;

Diante do exposto, é momento de autoavaliação, de nos depararmos e refletirmos se realmente, em nossa prática, agimos como verdadeiros Educadores Sociais, comprometidos com a nossa profissão e se efetivamente temos feito diferença na vida dos usuários à quem atendemos.

 

2. EDUCADOR SOCIAL X FAMÍLIA: REFLETINDO SOBRE SEUS PAPÉIS

Diante do que já foi abordado, chegamos ao ponto de refletirmos sobre qual é o nosso papel enquanto Educadores Sociais e até onde estabelecermos nosso envolvimento profissional e pessoal, nas adversas situações que enfrentamos em nosso cotidiano.

Sabe-se que o Educador Social é o profissional que tem um olhar diferenciado ante as circunstâncias que lhe são apresentadas, é o profissional que tem sensibilidade social. Mas é nesse âmbito que precisamos ter clareza de que Educador Social e Família possuem papéis diferentes de um modo geral, embora os dois tenham como finalidade em comum o dever de contribuir na educação das crianças e adolescentes.

Porém, muitas vezes o próprio Educador Social não consegue distinguir a sua ação e tomada de postura, diferenciando o nível profissional do pessoal, o que acaba sendo negativo, na construção do processo de autonomia, emancipação e cidadania, das crianças, adolescentes e famílias envolvidas.

É importante salientar também que Educador Social e Família têm significações, representações e contribuições diferentes na vida do educando, partindo de que a relação de educando - educador não pode substituir, por exemplo, a relação pai-filho, mãe-filho, ou seja, ocupar um espaço na vida do educando que por motivos de ordem emocional, psicológica, transferem essa ausência na família, para a figura do Educador Social.

Em relação ao papel da família na vida do educando, podemos afirmar:

A família é a esfera íntima da existência que une por laços consangüíneos ou por afetividade os seres humanos. [...]. É o ambiente imediato no qual os seres humanos exercem seus papéis e que lhes provê recursos essenciais necessários para facilitar o enfrentamento e ajustamento a condições internas e externas que estão em constante mudança (PELZER, 1998, p. 106).

 

Desta maneira, afirma-se a relevância de distinção de papéis na relação Educador Social, Educando e Família, sabendo que é na família onde se deve originar as possibilidades de representação de papéis, na medida em que a criança e adolescente possa reconhecer a figura do pai como tal, da mãe como a sua mãe, e assim por diante.

Portanto, faz-se necessário que se analise e reflita sobre o tipo de relação que o Educador Social tem com o seu educando, sabendo que uma de suas competências é intervir para o fortalecimento, empoderamento, promovendo emancipação e autonomia para com os usuários atendidos e em hipótese alguma, criar vínculos de dependências nessa relação.

 

2.1 EMOCIONAL X PROFISSIONAL: AUTO-PROTEÇÃO DO EDUCADOR SOCIAL

Nesse item, destaca-se algumas contribuições para a auto-proteção do Educador Social. Mas você deve estar se perguntado, Educador Social deve se proteger de quê?

Como já abordamos anteriormente, temos em nossa prática a difícil tarefa de lidar cotidianamente com problemas sociais e necessitamos separar as questões profissionais que possam interferir em questões pessoais. Para tanto, apresenta-se alguns fatores para subsídio a essa auto-proteção:

 

·                  Características individuais do Educador Social;

·                  Apoio afetivo;

·                  Apoio social externo (colegas, família, amigos, etc);

 

Também sinaliza-se categorias ou comportamentos que segundo Mezzaroba (2008) auxiliam para manter a Saúde Mental do Educador Social:

 

·                  Insight – hábito de se fazer perguntas e dar respostas honestas;

·                  Independência – distanciamento físico e emocional enquanto satisfaz suas próprias demandas;

·                  Relacionamento – equilíbrio entre as próprias necessidades e a capacidade de dar/doar-se aos outros;

 

Todas essas contribuições vêm no sentido de auxiliar o Educador Social a poder lidar com a resiliência, ou seja, a sua capacidade de superação das adversidades; resistindo às frustrações; reagindo e podendo deixar o sofrimento para trás e recuperar-se em prol de uma causa maior.

 

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Acredita-se ser de extrema relevância abordarmos sobre o perfil do Educador Social na atualidade, em virtude das demandas sociais e exigências profissionais que são necessárias ao Educador Social contemporâneo.

Esperou-se, com esse breve artigo oferecer suporte teórico, para subsídio da prática dos educadores, no sentido de provocar reflexões inerentes a temática, entre Educadores Sociais, e suscitar muitos questionamentos e indagações em relação à efetividade da intervenção do Educador Social, no exercício de sua profissão, ou seja, reiterando que o papel do Educador Social não poderá confundir-se com o papel da família no envolvimentos de situações que perpassam o cotidiano de seu educando.

 

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO:

MEZZAROBA, Solange Maria Beggiato. O papel do Educador Social: superando. desafios. Disponível em: http://capacitacao.secj.pr.gov.br/arquivos/File/O_PAPEL_DO_EDUCADOR_SOCIAL.ppt. Acesso em: 14 set. 2008

 

PELZER, Marlene T. Família saudável e o processo de cuidar. In: A família que se pensa e a família que se vive. Rio Grande: Editora da FURG, 1998.

 

 

 


 

* Assistente Social, Especialista em Gestão Educacional/UFSM. Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Educação do Centro Universitário La Salle – UNILASALLE/Canoas – RS. Em fase de conclusão do Curso de Especialização em Educação Ambiental/UFSM. Assistente Social da Rede Cenecista de Educação do RS. Contatos: andremicheldossantos@gmail.com ou http://servicosocialescolar.blogspot.com/

 

** Pedagoga, Especialista em Gestão Educacional/UFSM, Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação/UFSM, Especializanda em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas a Educação/UFSM. Tutora do Curso de Pedagogia a Distância da UFSM/UAB.
Contatos: snvanessa@gmail.com ou http://vanessanogueira.wordpress.com/

 

 

[1]Quando no texto citamos “macro e micro”, informamos da necessidade do Educador Social possuir percepção e conhecimento da conjuntura atual a qual ele está inserido, permeada por processos econômicos, políticos ou de exclusão social multidimensional, presentes na sociedade moderna, seja em âmbito local, como global;

 

Como Citar este artigo
SANTOS, André Michel. Perfil do Educador Social: experiências e reflexões P@rtes.V.00 p.eletrônica. Fevereiro de 2010. Disponível em <www.partes.com.br/educacao/perfileducadorsocial.asp>. Acesso em _/_/_.


 

 

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Vanessa Santos Nogueira é Pedagoga, Especialista em Gestão Educacional/UFSM, Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação/UFSM, Especializanda em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas a Educação/UFSM. Tutora do Curso de Pedagogia a Distância da UFSM/UAB.
Contatos: snvanessa@gmail.com ou
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