Para
as professoras Adriana e Mara Rúbia,
nossas queridas Ferroviárias da Educação.
Em nossa vida realizamos inúmeras viagens, onde
conhecemos lugares, pessoas e coisas diferentes. Também realizamos
viagens sem precisar nos deslocar, como quando lemos um bom livro,
navegamos na internet, assistimos a um filme, sonhamos, ou
planejamos futuras ações.
Hoje pretendemos realizar uma viagem com você. É,
com você mesmo! Você que é educador, aluno, ou talvez,
simplesmente seja um defensor dos processos de melhoria da nossa
educação e que fomente esse debate, assim como quem coloca lenha
em uma fogueira.
Antes de embarcar, gostaríamos que você despertasse
a Deusa Mnemósine que há dentro de você, relembrando sua própria
vivência escolar. Deixe aflorar a primeira coisa que vem a sua
mente, quando falamos de escola e processo de ensino e
aprendizagem.
Para alguns, talvez se fortaleça a imagem de uma
professora ou professor que marcou sua vida, tanto de maneira
positiva, como negativa. Outros se lembrarão de atividades
realizadas, de provas, trabalhos, colegas e amigos. Enfim, cada um
tem sua própria historicidade e o que propomos é justamente usá-la
para enriquecer ainda mais a nossa mágica viagem que se inicia.
Estamos em uma Estação a espera do embarque, onde
ao mesmo tempo é ponto de chegada e de partida. Essa Estação é a
do Início do Ano Letivo, onde viajaremos por longos e desafiadores
percursos, muitas vezes fazendo algumas paradas obrigatórias e
revisitando alguns pontos.
Em meio a ansiedade, pessoas diferentes e busca por
coisas novas, eis que ouvimos o apito do trem. Sua locomotiva
radiante parece que saiu de uma das muitas histórias da
literatura, com sua fumaça perfumada e com a capacidade de
estimular o saber. Pena que, nem para todos, essa visão seja tão
motivadora e bela.
Com bonitas e trabalhadas letras douradas está
gravado na cabine da locomotiva: Processo Avaliativo. Esse é o
nome dela, que conduz uma imensidão de vagões, cada um com suas
especificidades, indo desde vagões de conhecimentos, habilidades,
informações, valores de vida, bagagens de vivências... Não
teríamos como mencionar todos aqui!
Há uma pessoa que acompanha esse trem, é o
Ferroviário de Manutenção, ou seja, um mecânico que vai cuidando
das conexões entre os vagões, a quantidade de carga em cada um
deles e mantendo que a engrenagem do sistema funcione
corretamente. Essa pessoa em outros espaços e contextos também é
conhecida como professor.
Mas o engraçado é que não é ele que vai comandando
a locomotiva. Como já mencionamos, ele vem dando suporte e
orientação. A locomotiva vem vazia, que estranho! Na verdade, há
alguém na Estação esperando para comandá-la e essa pessoa é o
Ferroviário Condutor, popularmente conhecido como Maquinista e no
contexto educacional em questão, trata-se do aluno.
Bom, agora estamos com tudo preparado para darmos a
partida. É hora de começar a conhecer toda a amplitude que o termo
avaliação possui. Devemos lembrar que avaliar é um procedimento
didático que acompanha os processos de ensino e aprendizagem, ele
não é rápido e estanque, ele estende-se por um longo caminho tendo
em vista múltiplos fatores de apoio. Sendo reflexos não somente de
instrumentos avaliativos (provas, testes e trabalhos), ou
registros de avaliação (boletins, pareceres, notas), mas também
abarcando para si, valores morais, visões de mundo e diversas
concepções, como as de ser humano, sociedade e da própria educação
(HOFFMANN, 2005, p.13).
Muita coisa vai sendo transformada, compartilhada e
aglutinada no percurso dessa jornada, a qual pode-se dizer que é
uma ação em três distintos tempos. É característica de todo
processo avaliativo observar, analisar, compreender as
estratégicas de aprendizagem e tomar decisões que auxiliem no bom
andamento da viagem. Segundo HOFFMANN (2005, p. 17), “avaliar é
agir com base na compreensão do outro, para se entender que ela
nutre de forma vigorosa todo o trabalho educativo.” A autora
ainda coloca que sem uma reflexão crítica e séria sobre a prática,
tendo consciência da importância da ética para o processo,
acabamos nos perdendo do caminho. Pegamos desvios que atrapalham e
atrasam a viagem, isso faz com falte combustível e aumente os
trilhos para o alcance dos objetivos.
Portanto, temos que ter noção da necessidade de
respeitar e compreender cada tempo desse passeio. Começamos com a
admiração, com o tempo de admirar-se com tudo o que esse
maquinista consegue nos surpreender e encantar, no conduzir desse
trem. Depois passamos para o tempo de reflexão sobre todas as
possibilidades e maneiras que se procede a nossa viagem,
descrevendo as etapas percorridas e todas as paradas realizadas. E
por último o tempo da reconstrução das práticas avaliativas, vindo
emergir a necessidade do porquê avaliar. Sendo importantíssimo o
preparo e a qualificação profissional por parte dos ferroviários
de manutenção, ou seja, os professores, nesse tempo, precisam ter
clareza e conhecimento sobre pressupostos teóricos acerca da
avaliação em confronto com a sua aplicabilidade na prática, em
relação aos diferentes contextos sociais.
Assim, nossa viagem vai chegando ao fim, passando
por desafios alcançáveis, gradativos e que exigem, cada vez mais,
a construção de habilidades e competências frente o conhecimento,
tanto por parte dos alunos, como dos professores também. Chegamos
na Estação do Fim do Ano Letivo, com a esperança que esse passeio
tenha sido prazeroso, significativo e realmente construtivo no que
tange as propostas de um processo avaliativo consciente, ético e
comprometido com a construção cidadã para uma educação melhor, uma
vida melhor, um mundo melhor!
REFERÊNCIAS:
HOFFMANN, Jussara. O Jogo do Contrário em
Avaliação. Porto Alegre: Mediação, 2005.