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Resumo:
Neste texto propomos aos acadêmicos, para a
elaboração de sua Monografia requisito de conclusão do curso,
algumas reflexões sobre o significado desta tarefa a partir do
pressuposto de que Pesquisar, Ler e Escrever são três
competências entendidas como inerentes à função do ser professor
e ser professora, e para desempenhá-las com segurança é
fundamental que o concluinte dos cursos de licenciatura
vivenciem a experiência da produção científica de forma
concreta através da construção de sua monografia.
Palavras-chave:
trabalho
científico, monografia, pesquisa, leitura, escrita, docência.
Escrever
trabalhos ou textos acadêmicos - resumos, resenhas, memoriais,
relatórios, projetos, artigos, monografias e similares,
obedecendo aos rigores das regras básicas para a produção de
textos científicos deveria ser uma atividade estudantil
rotineira desde o ensino fundamental. No Brasil, no entanto, por
razões histórico-culturais explicadas em estudos que mostram a
predominância das raízes do povo brasileiro nas culturas
não-letradas como as de origem africana, indígena e latina,
sabendo-se que as pessoas originárias destes povos tem
tradicionalmente a oralidade como uma forma de transmissão de
conhecimentos das gerações mais velhas para as mais novas,
refletindo-se estas no modo como as exigências com trabalhos
científicos na graduação tem sido um desafio para os
universitários.
Depois de
acompanhar por mais de uma década a elaboração de trabalhos
acadêmicos e, em especial, as monografias de final do curso de
graduação e mesmo pós-graduação, fomos registrando as
dificuldades e dúvidas apresentadas com mais freqüência, pelos
orientandos e orientandas, e a partir delas sistematizamos
algumas orientações, que sujeitas à apreciação da comunidade
acadêmica doravante, resultam num referencial teórico para a
monografia e, muitas destas por extensão poderão ser aplicadas
aos demais textos científicos exigidos dos universitários e até
mesmo dos egressos. Isto porque entendemos que o hábito de
escrevê-los não deve ser algo restrito apenas à uma exigência
acadêmica na Universidade, mas também uma continuidade na vida
profissional pós-universitária, principalmente como professor ou
professora refletida na prática do graduado, seja na Educação
Básica ou no Ensino Superior.
1.1. Por
que escrever uma Monografia ?
Primeiro é
preciso entender que quem conclui um curso universitário deve
dominar o estudo e organização de um assunto de forma
diferenciada daquele que escreve textos e não tem formação
acadêmica e, em segundo lugar é preciso dar um caráter
lógico-científico ao saber que resulta de quatro ou cinco anos
de academia, isto exige seriedade, rigor e disciplina às normas
a ser refletido na construção de uma monografia. Por esta razão
faz-se necessário que o acadêmico elabore o saber de forma
organizada través de um estudo que é apresentado ao final de um
curso numa versão monográfica da qual uma cópia é encaminhada à
biblioteca do Campus para integrar o acervo de produção
acadêmica, servindo como fonte de pesquisa para as gerações de
estudantes que o sucederão e contribuindo para o acervo da
produção acadêmica local.
Soma-se a isto
o fato de que diante das novas exigências emergentes dos novos
paradigmas da globalização, cobrando tantas competências do
professor e da professora sintetizadas por PERRENOUD (2000) do
qual trazemos uma contribuição que diz:
Formar para as novas tecnologias é formar o
julgamento, o senso crítico, o pensamento hipotético e dedutivo,
as faculdades de observação e de pesquisa, a imaginação, a
capacidade de memorizar e classificar, a leitura e a análise de
textos e de imagens, a representação de redes, de procedimentos
e de estratégias de comunicação (p.128)
Assim
perguntamos: como o professor e a professora irão proporcionar
aos seus aprendizes os saberes de tais competências se eles
próprios não as dominarem? Habilidades como pensamento
hipotético e dedutivo, observação, representação de redes de
saberes, procedimentos e estratégias de comunicação e tantas
outras devem ser exercitadas para sermos eficientes na sua
adoção e incorporação em nossos hábitos profissionais
cotidianos.
Uma das
preocupações que se busca também garantir com a elaboração da
monografia sendo parte obrigatória da Matriz Curricular, é fazer
o aluno e a aluna refletir sobre como organizar sua vida
profissional para além da universidade, visto que uma das
competências mais exigidas no mundo contemporâneo é administrar
a sua própria formação continuada e, para tanto o hábito de
buscar os conhecimentos através da leitura em publicações
atualizadas e a sistematização do saber elaborado através do
registro escrito, são procedimentos que subsidiam a
aprendizagem e a produção do conhecimento de forma autônoma,
permanente e com inteligência num mundo onde somos diariamente
bombardeados com uma enorme avalanche de informações às quais se
faz necessário avaliar, selecionar e reelaborar de forma crítica
e inteligente para atingir com mais eficiência e melhorias a
organização do cotidiano e do trabalho. Entretanto, para LIMA
(2002, p.15) :
A monografia, de estudo prazeroso, tem sido vista
no meio acadêmico como o último martírio antes da obtenção do
título, tal é a maneira que é tratada nos diversos níveis de
ensino ... nas universidades, a aplicação da expressão
monografia tem sido generalizada, classificando-se assim desde
trabalhos escolares, ou aqueles pedidos pelos professores nos
cursos de graduação, até relatórios de estágios, muitas vezes
apresentados sob forma de compilações ou simples descrição de
atividades malfeitas.
Confirmando
isto, freqüentemente alunos ou alunas ao ingressar na
universidade e, mesmo durante as atividades de orientação do que
se convencionou denominar TCC (Trabalho de Conclusão do Curso)
questionam porque há tantas regras e normas a serem obedecidas
ao se escrever um texto na universidade? Pior ainda é quando
perguntam “professora: é preciso fazer o trabalho seguindo a
metodologia científica?”
Ora, cabe aqui
uma reflexão a partir de nova pergunta: Qual é a diferença entre
um texto universitário (científico, é claro!) e outros textos?
Ou se leva a produção de textos na universidade (e na escola em
geral!) a sério ou nada se construirá além do saber empírico que
já revelam os tantos outros textos que conhecemos e que povoam
nosso dia a dia com a literatura do senso comum. A literatura
científica tem uma personalidade (ou cara) própria que deve ser
respeitada num trabalho acadêmico, é preciso entender como
organizar as idéias que se cria ou recria apresentando-as
graficamente de acordo com as orientações da metodologia
científica para diferenciar o saber elaborado cientificamente
daquele elaborado empiricamente pelo que se conhece como senso
comum. Esta exigência é mais expressiva para cursos de formação
de professores, como neste caso.
Façamos uma
analogia com um outro profissional, digamos um cabeleireiro ou
cabeleireira. Quando alguém procura este profissional para
solicitar dele algum serviço espera, naturalmente, que o mesmo
domine o manuseio dos equipamentos básicos inerentes ao
exercício da sua profissão como tesouras, pentes e outros, além
de conhecimentos específicos necessários ao desempenho de sua
função competentemente. Ora, o que se espera é que um professor
e uma professora dominem, é lidar com as ferramentas básicas da
ação pedagógica que são a leitura e a escrita, pois esta é a
razão de existir de uma instituição escolar, do nível mais
elementar ao superior, uma vez que é obrigação da escola cuidar
que seus alunos e alunas adquiram e se apropriem da leitura das
diferentes linguagens e também a sua escrita.
Portanto,
espera-se que quem quer ser professor ou professora tenha em
relação a leitura e a escrita a mesma responsabilidade e
competência que o cabeleireiro e a cabeleireira tem ao cuidar do
cabelo de seus clientes. E, quantas vezes não passamos por uma
experiência desagradável ao procurar um serviço de cabeleireiro,
saímos desapontados com o resultado porque sentimos que o
profissional que procuramos não tinha preparo suficiente para o
que se propôs realizar. E, a título de auto-avaliação podemos
nos perguntar: como nossos alunos percebem nossa atitude diante
da leitura e da escrita? Será que não desapontamos nossos alunos
como um referencial negativo diante do ler e do escrever?
Promover a
iniciação cientifica na escola brasileira, desde a pré-escola
até a universidade, como defende Pedro Demo, tendo na PESQUISA,
aqui entendida como atividade de investigação sistemática, a
metodologia básica da ação pedagógica é uma providência
imprescindível a ser adotada para que o Sistema Educacional
Brasileiro seja valorizado e respeitado no cenário mundial.
Deduz-se daí o quanto é importante para os concluintes dos
cursos de licenciatura em particular, vivenciar a experiência da
produção cientifica, mesmo que compulsoriamente, ao término da
graduação, pois antes de adotar a PESQUISA desde seu formato
informal até o grau mais elevado e formal como é a produção de
uma monografia, o professor e a professora deverão ter muito
claro para si mesmo o que significa PESQUISAR.
Contribuindo
com este enfoque, temos a explicação de BARBA (2002, p. 8)
quando diz que
A monografia acha-se estreitamente ligada à
investigação científica e à reflexão. Sem a marca da reflexão,
a monografia transforma-se facilmente em ‘mera cópia de
pesquisa’ ou compilação de obras alheias. A reflexão é a
dominante na elaboração e comunicação da monografia, pois o
autor deve justificar uma lógica do contexto da justificação dos
a argumentos trabalhados no texto.
Vale ainda
retomar a reflexão sobre duas habilidades (pré-requisitos)
fundamentais para o êxito do ato de pesquisar: leitura e
escrita. Ter uma atitude positiva frente à leitura e a
consciência do quanto o ato de leitura contribui para o
autodesenvolvimento permitindo acesso à construção de novos
conhecimentos é um comportamento percebido pelo aluno mesmo sem
que o professor ou a professora nada digam a respeito. Por outro
lado, o hábito de registrar (escrever) o conhecimento
elaborado é um dos critérios básicos para que este conhecimento
seja cientifico. E, se a escola ou universidade permanecer na
elaboração do conhecimento apenas de forma verbal, não levando
professores e alunos à produção escrita como resultado da rede
dos saberes construídos, quase nada terá acrescentado ao saber
elaborado pelo senso comum por qualquer cidadão ou cidadã que
para tal não precisa necessariamente freqüentar bancos
escolares.
De outro
norte, é preciso transcender o fenômeno utilitarista de “fazer a
monografia ao final de uma graduação ou pós-graduação para obter
a nota e aprovação no curso”. Contentar-se simplesmente com o
cumprimento de um ritual que nada irá acrescentar na formação
profissional deve ser superado pelo estudante com atitudes como:
a)
o que a monografia irá acrescentar na minha formação para ser um
profissional mais competente?
b)
qual a importância de estudar este ou aquele tema para mim?
c)
que mudanças posso obter, como professor ou professora, no
conjunto da rede de saberes que construí até agora fazendo esta
monografia?
1.2. A adoção
de idéias alheias na Monografia
Faz-se
necessário entender que escrever uma monografia supera também a
postura daquele indivíduo que é um repetidor, copiador,
plagiador, ou “clonador” de textos recortados aleatoriamente dos
textos originais selecionados, onde a tônica dominante é “não
tenho nada a acrescentar, elaborar, comentar”. Se a universidade
está voltada para a produção de conhecimentos novos, espera-se
da comunidade acadêmica a sua contribuição, é claro! Daí, a
razão pela qual respeitar as normas para a transcrição de
citações é tão importante num texto acadêmico, pois é preciso
discernir entre as partes do texto resultantes das reflexões
elaboradas pessoalmente pelo(s) autor(es) do texto acadêmico,
daquelas que se adotou e incorporou dos autores lidos e
estudados para escrever sobre o tema que iluminaram a análise e
interpretação dos dados coletados, sejam teóricos ou práticos,
inseridas no formato de citações formais ou informais.
Destacar a
importância de respeitar as idéias alheias que utilizamos em
qualquer tipo de produção acadêmica transcende em muito o fato
de ser uma norma da ABNT - Associação Brasileira de Normas
Técnicas e da produção cientifica internacional porque, antes de
mais nada é um princípio ético na redação de textos em geral
“não roubar idéias alheias” e, se na escola pode ser feito
alguma coisa para diminuir a prática da desonestidade e da
corrupção neste país, deve-se começar por abolir a prática de
plagiar (clonar) idéias, fazendo-se isto da forma adequada nos
trabalhos acadêmicos com as citações sempre remetendo ao autor
dos dados e informações utilizados e, sobretudo mostrando com
nosso exemplo que a monografia apresentada ao final do curso
NÃO É UMA CLONAGEM OU UM TEXTO COMPRADO COMO UM PRODUTO DE
“SHOPING” QUALQUER, pois ousamos afirmar que aquele que não
produzir sua monografia de forma honesta não é digno de ser
chamado professor ou professora, muito menos de receber um
diploma como “licenciado” pela universidade para ensinar as
novas gerações.
Vai ensinar o
que? É mais digno produzir uma monografia simples, errando
várias vezes, refazendo-a tantas vezes quantas se fizer
necessário e apresentar o produto final como resultado do
esforço próprio que será sempre um respaldo para o exercício
ético do magistério onde se estiver atuando. Falando a respeito
da redação de trabalhos acadêmicos, BARBA (2002, p. 9) afirma
com muita propriedade que
... para conseguirmos explanar as idéias de modo
coerente, faz-se necessário cortes e adições de palavras ou
frases. A estrutura da redação assemelha-se um esqueleto,
constituido de vértebras interligadas entre si. O parágrafo é a
unidade que desenvolve uma idéia central que se encontra ligada
às idéias secundárias devido ao mesmo sentido. Assim, quando se
muda de assunto, muda-se de parágrafo.
A ABNT -
Associação Brasileira de Normas Técnicas, nos últimos anos
também vem contribuindo para que a polêmica originada pelas
divergências entre os tantos autores de obras sobre o assunto
seja superada, uma vez que além de normatizar a apresentação
gráfica das referências bibliográficas, notas de rodapé e
citações como sempre fez também normatizou detalhes como
paginação, espaçamento entre-linhas, tipo e tamanho da fonte
(letras) e tantos outros. E, neste manual estaremos adotando as
normas definidas pela ABNT para a apresentação gráfica de
trabalho científicos facilitando o trabalho de alunos e
professores na universidade e, em particular a produção da
monografia ou trabalho de conclusão de curso na graduação,
conforme orientações que são detalhadas mais adiante. Com isto,
teremos um procedimento único e padronizado para todas as
produções acadêmico-científicas, com a possibilidade de
proporcionar aos acadêmicos egressos a aplicação das normas que
aprenderam em outras instituições e na sua vida profissional, de
acordo com o padrão ABNT.
Este pequeno
texto foi elaborado para contribuir de forma objetiva no
desempenho desta fantástica experiência que é a produção da
Monografia de conclusão do curso de graduação, aqui
particularmente em Pedagogia, Matemática ou Física com os
objetivos de:
a)
orientar os concluíntes a respeito das decisões a serem tomadas
para escrever, com êxito, a sua monografia.
b)
simplificar o trabalho de produção monográfica, sem com isso
empobrecer ou comprometer sua boa qualidade.
c)
apontar e sugerir alternativas que poderão ajudar o acadêmico e
a acadêmica a realizar esta tarefa.
A esse
respeito, BARBA ( p. 10) entende-se que
Independente da forma (artigo, relatório,
monografia, dissertação, tese), a redação final envolve sempre
aspectos lógicos (organização lógica do texto), os aspectos
formais (linguagem e estilo) e os aspectos estruturais do texto
(formatação, diagramação, notas e citações, referências
bibliográficas). É importante que o acadêmico ou pós-graduando
saiba que ele deve apresentar um procedimento lógico e uniforme
do ínício ao fim do trabalho que possibilite um desenvolvimento
dos argumentos para alcançar o conhecimento do tema investigado.
Finalizando,
ao colocar à disposição dos acadêmicos estas idéias salientamos
que este documento não seja entendido como algo pronto e
acabado, ao contrário, que sirva como uma alavanca a impulsionar
discussões e reflexões visando a sistematização de dados e a
elaboração de uma vasta rede de saberes a fim de que a nossa
academia a UNIR – Campus de Ji-Paraná se fortaleça cada vez mais
como um pólo gerador de conhecimento científico no “Coração de
Rondônia”, coração este que abriga acadêmicos vindos de todos os
cantos deste estado compartilhando a construção do conhecimento
na universidade e, que após a “formatura” se espalhem como
fermento pelo campo e pelas cidades dos municípios rondonienses
para, num trabalho silencioso do dia a dia, fazer acontecer uma
transformação lenta da realidade objetivando uma sociedade que
garanta o acesso do povo amazônida ao saber necessário para o
exercício pleno da sua cidadania.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
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Clarides H. de. A construção da Pesquisa Científica.
Porto Velho: UNIR, 2002.
LEITE,
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política no ensino superior. Porto Alegre: Ed.
Universidade:UFRGS, 1999.
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Célia Frazão et alii. Ensinar e aprender: sujeitos, saberes e
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LOMBARDI, José Claudino (org.)
Pesquisa em
Educação: história, filosofia e temas transversais.
2.ed. Campinas, SP: Autores Associados: HISTEDBR: Caçador, SC:UnC,
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OLIVEIRA, Inês
Barbosa de e ALVES, Nilda (orgs.) Pesquisa no/do cotidiano
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PERRENOUD,
Philippe. Dez Novas Competências para Ensinar. Porto
Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
SEVERINO,
Antonio J. Metodologia do Trabalho Científico. 21.ed. São
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