INTRODUÇÃO
A Educação Física é um importante componente curricular, que apesar
de seu contexto histórico descaracterizado de uma prática educativa
de formação integral dos educandos, vem buscando seu espaço dentro
do âmbito educacional.
Entretanto, o professor e sua prática pedagógica provavelmente não
serão suficientes para transformar, entre outras, essa realidade.
Mas sim, torna-se necessário o envolvimento de toda a comunidade
escolar para se atingir tal meta, ainda que esse mesmo educador
precise promover modificações para além de seu espaço disciplinar.
Nesse sentido, evidencia-se a gestão escolar, esta que permite a
participação de todos os professores, diretores, alunos, pais e
demais profissionais comprometidos com a Educação escolar no
Planejamento Educacional, dentre outras atividades. No entanto, esse
modelo de gestão denominado democrático, apesar de ser legalmente
obrigatório nas instituições de ensino público, não vem sendo
desenvolvido na prática cotidiana das escolas.
Dessa forma, tendo em vista a história da Educação Física
desvinculada das funções pedagógicas e a limitada participação dos
gestores no Planejamento, busco trazer algumas questões para
refletirmos e repensarmos nossa gestão na escola.
ALGUMAS REFLEXÕES
A Educação Física e consequentemente o professor da disciplina ainda
são considerados por grande parte da nossa sociedade como componente
curricular e educadores, respectivamente, a parte do processo de
construção do conhecimento com vistas à formação escolar. Esses
profissionais, muitas vezes não integram as discussões dos conselhos
de classe e reuniões pedagógicas, já que sua função é estritamente
“recreacionista, corporal e prática”. Entendimentos estes,
ultrapassados, fruto de sua história, mas que, no entanto precisam
ser superados.
Para que isso aconteça esses educadores devem buscar seu espaço e
justificar em primeira instância a sua prática pedagógica. Mostrando
sua importância para além da técnica, da atividade física, da
diversão. Pois somente dessa forma, conseguiremos legitimar nossa
atuação e nossa importância no desenvolvimento integral dos
educandos. Além disso, é necessário participar das atividades
extra-classe e demonstrar interesse e a possibilidade de contribuir
com o trabalho interdisciplinar e de caráter geral da escola.
Dessa forma, na tentativa de ampliar com o entendimento equivocado
de gestão centrada nas funções do diretor, colabora-se para se
construir uma prática educativa participativa e articulada com a
comunidade escolar. Acerca da qualidade do ensino e da formação de
alunos mais conscientes, através de mecanismos interdisciplinares de
gestão.
Nessa direção, a gestão escolar constitui uma dimensão e um enfoque
de atuação que objetiva promover a organização, a mobilização e a
articulação de todas as condições materiais e humanas dos
estabelecimentos de ensino. Estes que visam promover a efetiva
aprendizagem dos alunos, de modo a torná-los capazes de enfrentar
adequadamente os desafios da sociedade globalizada e da economia
centrada no conhecimento (LÜCK, 2000).
Além disso, segue a autora, constitui uma dimensão importantíssima
da Educação, pois por meio dela observa-se a escola e os problemas
educacionais globalmente, e se busca abranger de forma
contextualizada os problemas que, de fato, funcionam de modo
interdependente.
Portanto, como destaca Lück (2002), o processo de gestão escolar
deve estar voltado para garantir que os alunos aprendam sobre o seu
mundo e sobre si mesmo. Adquiram conhecimentos úteis e aprendam a
trabalhar com informações complexas, gradativamente, sendo estas,
muitas vezes contraditórias com a realidade social, econômica,
política e científica.
Com esta demanda, o sentido de educação e de escola se torna mais
amplo requerendo cuidados especiais. O aluno não aprende apenas na
sala de aula, mas na escola como um todo. Devido à maneira como ela
se organiza e como funciona, enfim através de todo o seu processo,
suas ações e relações nela existentes.
Na compreensão de Veiga (1995), o espaço escolar é um lugar de
realização e avaliação de seu projeto educativo, uma vez que
preconiza organizar o trabalho pedagógico com base em seus alunos.
Ainda que, assuma suas responsabilidades sem esperar que as esferas
administrativas superiores tomem a iniciativa. Assim sendo, é
importante fortalecer as relações entre escola e o sistema de
ensino.
O estudante dos novos tempos traz consigo a experiência da cultura
globalizada, sendo que o professor não é mais o detentor do
conhecimento. Assim, faz-se necessário que a escola se modifique
para acompanhar de forma adequada as novas demandas da sociedade
(BARBOSA, 2005).
Para a autora, a escola abarca múltiplas funções, as quais são
desenvolvidas em sua maioria pelos professores e demais
profissionais da educação inseridos num contexto amplo de gestão
escolar. Bem como Libâneo et al (2005, p. 307) destaca que “o
professor participa ativamente da organização do trabalho escolar,
formando com os demais colegas uma equipe de trabalho, aprendendo
novos saberes e competências, assim como um modo de agir coletivo,
em favor da formação dos alunos”. Argumenta, ainda, que o professor
como membro da equipe escolar necessita dominar conhecimentos
relacionados à gestão, desenvolver capacidades e habilidades
práticas para participar dos processos de tomada de decisões em
várias situações, como reuniões e conselhos de classe, assim como
atitudes cooperativas, solidárias, responsáveis, de respeito mútuo e
de diálogo.
Possibilidades de participação dos professores gestores na escola
Existem muitas maneiras dos professores atuarem ativamente na gestão
escolar, sendo que o Planejamento é uma das possibilidades mais
abrangentes, já que inclui: a participação na elaboração do projeto
pedagógico, nas reuniões pedagógicas, nos conselhos de classe, entre
outras. Sobre esse assunto Hengemühle (2004, p.29) relata que “O
sucesso de qualquer instituição e pessoa está vinculado a um
planejamento criterioso e à prática do planejado”.
Permeando este âmbito (Brezinski, 2001, p. 76) traz seu entendimento
sobre o projeto pedagógico:
O projeto
político-pedagógico-curricular, como expressão concreta do trabalho
coletivo na escola, por um lado, é um elemento mediador entre
cultura interna à escola e a cultura externa do sistema de ensino e
da sociedade, na conquista da autonomia da organização escolar e,
por outro, poderá tornar-se instrumento viabilizador da construção
da escola reflexiva e emancipadora. É importante afirmar que a
construção desse projeto na escola só tem significado quando
resultante de um trabalho interdisciplinar, transdisciplinar e
coletivo, com base em relações democráticas, em gestão participativa
e colegiada e na produção do conhecimento, referenciada na
pesquisa-ação.
Veiga (1998) acredita que o projeto deve partir da Situação Real (o
que é?), vislumbrar uma Utopia Social (para que?) e estabelecer uma
Ação Propriamente Dita (como?), e assim, sempre voltando ao início,
através de avaliações, constituindo ciclos.
Envolvendo o professor de Educação Física e o projeto pedagógico,
Bernardi (2006) em seu estudo monográfico traz algumas contribuições
acerca da temática. Dentre essas, ao questionar professores da
disciplina sobre a sua efetiva elaboração no projeto pedagógico da
escola, os mesmos declararam que apesar da maioria participar, sendo
que todos foram convidados, pouco se discutiu e conseguiu avançar.
Além disso, ressaltaram que as contribuições eram muito
fragmentadas, fundamentadas no âmbito de cada disciplina.
Como afirma Nunes (2001), o professor de Educação Física deve
participar das reuniões pedagógicas, pois são nessas reuniões que
são traçados planejamentos que darão o direcionamento que os
professores devem seguir. No entanto, como relata o autor,
empiricamente a participação destes nessas reuniões não é uma
prática comum nas escolas. Bem como coloca as autoras Betti e
Mizukami (1997), ao dizerem que maioria dos professores de Educação
Física não costumam, infelizmente, participar das reuniões de pais e
mestres.
O fato de os professores de Educação Física não participarem
efetivamente dessas reuniões, até mesmo em conselhos de classe, tem
um significado valorativo. Uma vez que, no âmbito geral do ensino as
matérias mais valorizadas são o Português e a Matemática, deixando
as demais disciplinas em segundo ou até terceiro plano, como no caso
da Educação Física e da Educação Artística.
Entretanto, SILVA (1992 apud BETTI; MIZUKAMI), fez importante
consideração a este respeito quando afirmou que os professores de
Educação Física são profissionais que conseguem se aproximar
afetivamente dos alunos, chegando a conhecer detalhes de sua vida
particular, que muitas vezes não são do conhecimento dos outros
professores. Este conhecimento pode ser muito bem aproveitado nas
reuniões pedagógicas onde um aluno pode estar passando por uma crise
familiar e isto pode ser refletido em sua atuação escolar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tendo em vista as reflexões que vieram à tona nesse breve ensaio,
percebe-se que o professor de Educação Física através de seus
saberes tem a possibilidade e a responsabilidade de intervir nas
atividades pedagógicas, políticas, enfim, no planejamento
educacional. No entanto, a realidade vem sendo inversa, já que esses
educadores muitas vezes não sabem nem ao menos justificar, no
discurso e na prática, sua função disciplinar na formação do aluno.
Dessa forma, torna-se difícil articular seus saberes com as
necessidades da gestão escolar.
Entretanto, existe uma gama de profissionais da Educação que vem
lutando por uma gestão democrática concreta, através de iniciativas
que visam à reconstrução de práticas escolares e das funções dos
seus gestores.
REFERÊNCIAS
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