|
Ao lado
daquelas pessoas que acompanham, compreendem e aceitam o
aparecimento das novas profissões, há sempre alguém mais
resistente, que embora conheça e viva cercado de produtos
sofisticados e de última geração, ainda reluta em acreditar que
as novas especialidades profissionais na área da educação e da
saúde vieram para ajudar a resolver problemas e não para
criá-los.
De
pessoas assim, se escuta: “no meu tempo não havia psicopedagogos
e a criançada aprendia”...“Para que um psicopedagogo, se eu
venci sozinho minhas dificuldades?”...“Antigamente toda classe
tinha um ou dois alunos piores e não esse número enorme de
crianças que hoje a escola manda ao psicopedagogo”.
Infelizmente, muitas crianças são vítimas de pais que lhe dão
tudo, menos a oportunidade de se tornarem autônomas. Pois é isso
que acontece quando, fechando os olhos à realidade, os pais
negam a importância que uma dificuldade de aprendizagem
representa para seu filho, desde a rejeição social, a baixa
auto-estima, a evasão escolar, o fracasso pessoal e profissional
e suas conseqüências.
Quando a escola seguia o método tradicional, o que se pretendia
era a aquisição de muitos conhecimentos. Quem, com mais de 30
anos, não se lembra de passar horas decorando “matéria” para uma
prova? Porque era isso exatamente que representava estudar:
memorizar fatos, datas, acontecimentos,etc. Assim, quem não
estudava, ou seja, não passava boa parte do dia exercitando sua
memória, era mau aluno, porque conseqüentemente não reproduzia
na prova o texto do livro ou as palavras da professora e, assim,
tirava notas baixas.
Hoje,
a situação é outra: a exigência mudou de lugar. Ter boa memória
é importante, mas não basta. Estudar agora é compreender,
classificar, analisar, sintetizar, estabelecer relações e tirar
conclusões próprias, baseadas em fatos ou em dados comprováveis.
É ser autor, alguém capaz de expor coerentemente suas idéias,
pensamentos, acrescentar conhecimento ao conhecimento. E isso
depende de um aparelho cognitivo e emocional competente e não
apenas de memorização!
Então, o que acontecia antigamente com as crianças com
dificuldades no aprender? O método tradicional era melhor para
elas? Sem discutir a metodologia, respondo: elas eram ignoradas
nas suas dificuldades, pois bastava a mãe, a avó ou a professora
particular estudarem com elas, “tomarem o ponto”, ensiná-las a
memorizar com uma série de “dicas”, para que as notas vermelhas
sumissem dos boletins.
Mas
essas crianças cresceram, foram para a faculdade, escolhendo na
grande maioria das vezes profissões nas quais não se exigia
conhecimentos e nem habilidades nas suas áreas de maior
dificuldade.
Hoje
sabemos que essas pessoas não conseguiram reunir o melhor de si,
a totalidade de suas competências e nem investir seu potencial
na escolha e no seu desempenho profissional. Porém, no século
XXI, a exigência do mercado de trabalho vai permitir cada vez
menos essas limitações.
Ao
contrário do que dizem algumas pessoas, não aumentaram as
indicações para os consultórios de psicopedagogia por livre
iniciativa das escolas ou dos médicos. O desenvolvimento das
neurociências, do conhecimento sobre o funcionamento emocional e
mental, o aprimoramento de testes, a globalização, a
democratização do acesso às pesquisas, vieram enriquecer as
condições dos profissionais da educação e da psicopedagogia em
diagnosticar. E decorrente desse fato, as intervenções,
começaram a ser mais diretivas e com grande oportunidade de
sucesso.
Dificuldades no aprender devem
ser trabalhadas desde muito cedo e por profissionais
especializados em aprendizagem humana: os psicopedagogos*. Não
hesite me procurá-los. Seu filho, no futuro, lhe agradecerá!
|