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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:44:29                                               

 
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EDUCAÇÃO

Reflexões acerca de algumas abordagens pedagógicas da Educação Física Escolar

   

Marta Nascimento Marques *; Hugo Norberto Krug *

publicado em 02/09/2009

 

 

       

Resumo: No dia-a-dia de sua prática docente, o professor de Educação Física Escolar, mesmo que de forma pouco consciente, apóia-se em determinada concepção de aluno, de ensino e aprendizagem pelo qual é responsável e constrói o seu papel, o papel do aluno, bem como a metodologia, a função social da escola e os conteúdos a serem trabalhados. Frente a essa construção, dificilmente o professor seguirá uma única abordagem/concepção para desenvolver o ensino, mas utiliza-se de algumas delas como embasamento pedagógico no desenrolar de sua profissão.

Palavras-chave: Educação Física Escolar; abordagem/concepção; ensino.


 

Reflexões Iniciais

Temos o conhecimento de várias abordagens/concepções na área da Educação Física Escolar e todas elas têm um objetivo em comum que é romper com o modelo mecanicista, esportivista e tradicional dessa disciplina nas escolas, isto é, a abordagem/concepção Tecnicista. Assim, vamos abordar a seguir mais detalhadamente algumas delas.

Começaremos pela abordagem/concepção Construtivista, a qual se preocupa com a construção do conhecimento do aluno, levando em consideração as estruturas cognitivas e o meio histórico-social. Essa abordagem busca, por meio da Educação Física, contribuir para a construção de projetos educacionais que valorizem a cultura inicial do aluno.

Além de procurar valorizar as experiências dos alunos, a sua cultura, a abordagem/concepção Construtivista também tem o mérito de propor uma alternativa aos métodos diretivos, tão impregnados na prática da Educação Física. O aluno constrói o seu conhecimento a partir da interação com o meio, resolvendo problemas.

Enfatizamos também as idéias de Freire (1992) quando fala que o fundamental é que todas as situações de ensino sejam interessantes para a criança, e que corpo e a mente devem ser entendidos como componentes que integram um único organismo, ambos devem ter assento na escola, não um (a mente) para aprender e o outro (o corpo) para transportar, mas ambos para se emancipar.

Também a abordagem/concepção Construtivista é apresentada como uma opção metodológica, em oposição às linhas anteriores da Educação Física na escola, especificamente à abordagem/concepção Tecnicista, mecanicista, caracterizada pela busca do desempenho máximo, de padrões de comportamento sem considerar as diferenças individuais, sem levar em conta as experiências vividas pelos alunos, com o objetivo de selecionar os mais habilidosos para competições e esporte de alto nível.

De acordo com Freire (1989), a abordagem/concepção Construtivista teve o mérito de levantar a questão da importância da Educação Física na escola considerar o conhecimento que a criança já possui, independentemente da situação formal de ensino, porque a criança, como ninguém, é uma especialista em brinquedo.

É importante salientar ainda sobre a abordagem/concepção Construtivista o inegável valor nas transformações que temos observado na Educação Física Escolar, embora, principalmente no início do seu aparecimento, tenha gerado algumas dúvidas, especialmente quanto ao papel da disciplina na escola – apêndice de outras áreas. Como contribuições essenciais citaram a discussão sobre o papel da cultura popular, do jogo e do lúdico no contexto escolar.

Outra abordagem/concepção de bastante relevância na Educação Física Escolar são os PCNs, pois esses possuem objetivos bem amplos com propostas que abordam a complexidade das relações entre corpo e a mente num contexto sociocultural, tendo como princípio a igualdade de oportunidades para todos os alunos com o objetivo de desenvolver as potencialidades, num processo democrático e não seletivo. Assim, nas aulas de Educação Física o professor deverá sempre contextualizar a prática, considerando as suas várias dimensões de aprendizagem, priorizando uma ou mais delas e possibilitando que todos seus alunos possam aprender e se desenvolver.

Nesse contexto, o processo de ensino e aprendizagem em Educação Física, portanto, não se restringe ao simples exercício de certas habilidades e destrezas, mas sim de capacitar o indivíduo a refletir sobre suas possibilidades corporais e, com autonomia, exercê-las de maneira social e culturalmente significativa e adequada, dentro de seus limites.

Nessa mesma linguagem corporal, num jogo desportivo, por exemplo, é necessário saber discernir o caráter mais competitivo ou recreativo de cada situação, conhecer o seu histórico, compreender minimamente regras e estratégias e saber adaptá-las. Por isso, é fundamental a participação em atividades de caráter recreativo, cooperativo, competitivo, entre outros, para aprender a diferenciá-las.

Pode-se dizer que a abordagem/concepção contida nos PCNs (1998) é eclética e aponta no sentido de abarcar as diferentes possibilidades da Educação Física na escola, ou seja, a saúde, o lazer e a reflexão crítica dos problemas envolvidos na cultura corporal de movimento.

Também temos a abordagem/concepção Crítico-superadora que surge em oposição ao modelo mecanicista/tradicional (abordagem/concepção Tecnicista) e utiliza o discurso da justiça social como ponto de apoio e ressalta sobre a importância da Educação Física contribuir nesse sentido, para que ocorra a diminuição das desigualdades e injustiças sociais.

Baseado nessa idéia, Darido (1998) coloca que os temas da cultura corporal devem ser trabalhados não com fim em si mesmo, mas relacionados com a realidade dos alunos, buscando a compreensão dessa realidade para que o estudante seja capacitado a buscar novas soluções para as relações consigo mesmo, com os outros e com a natureza e que essas soluções criativamente encontradas sejam estendidas a outras situações semelhantes.

No entendimento do Coletivo de autores (1992), a abordagem/concepção Crítico-superadora tem características específicas. Ela é diagnóstica porque pretende ler os dados da realidade, interpretá-los e emitir um juízo de valor, o qual é dependente da perspectiva de quem julga. É judicativa porque julga os elementos da sociedade a partir de uma ética que representa os interesses de uma determinada classe social.

Citamos ainda a abordagem/concepção Crítico-emancipatória, a qual está centrada no ensino dos esportes e que foi concebida para a Educação Física Escolar. Busca também, uma ampla reflexão sobre a possibilidade de ensinar os esportes pela sua transformação didático-pedagógica e de tornar o ensino escolar em uma educação de crianças e jovens para a competência crítica e emancipada. De acordo com seu idealizador Kunz (1996) esta é uma educação mais emancipadora, voltada para a formação da cidadania do jovem do que de mera instrumentalização técnica para o trabalho.

Nessa abordagem/concepção o ensino deve exercer uma forma de libertação de falsas ilusões, de falsos interesses e desejos, criados e construídos no aluno pela visão de mundo que apresentam a partir do conhecimento. Ou seja, o ensino deve ser crítico, pois a tarefa da educação é promover condições para acabar com o autoritarismo e dar lugar a emancipação.

Temos também a abordagem/concepção Psicomotricidade, na qual a educação psicomotora refere-se à formação indispensável a toda criança. Essa utiliza-se da atividade lúdica como impulsionadora dos processos de desenvolvimento e aprendizagem. Também trata das aprendizagens significativas, espontâneas e exploratórias da criança e de suas relações interpessoais.

Essa abordagem/concepção busca analisar e interpretar o jogo infantil e seus significados, aproximando a história da Psicomotricidade a da Educação Física. Têm na Psicomotricidade seus objetivos funcionais, onde os mecanismos de regulação entre o sujeito e seu meio permitem o jogo da adaptação que implica nos processos de: assimilação e acomodação. Onde a assimilação, é a transformação das estruturas próprias em função das variáveis do meio exterior (LE BOULCH, 1982).

No entendimento de Resende (1994, p.26), a perspectiva renovadora da psicomotricidade está “... na proposição de um modelo pedagógico fundamentado na interdependência do desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo dos indivíduos, bem como na tentativa de justificá-la como um componente curricular imprescindível à formação das estruturas de base para as tarefas instrucionais da escola”.

Finalizando citamos a abordagem/concepção Desenvolvimentista, onde o movimento é o principal meio e fim da Educação Física, ou seja, uma aula não pode ocorrer sem que haja movimento. Também a aula de Educação Física deve privilegiar a aprendizagem do movimento, embora possam estar ocorrendo outras aprendizagens em decorrência da prática das habilidades motoras.

Nessa abordagem/concepção ainda, a Educação Física deve proporcionar ao aluno condições para que seu comportamento motor seja desenvolvido pela interação entre o aumento da diversificação e a complexidade dos movimentos, pois, de acordo com Darido (1998), essa abordagem tem o desenvolvimento motor como foco.

Ainda se tratando da abordagem/concepção Desenvolvimentista, é importante ressaltar a sua preocupação na questão da garantia da especificidade da área e na valorização do conhecimento sobre as necessidades e as expectativas dos alunos nas diferentes faixas etárias.


 

Reflexões finais

Podemos constatar, que todas as abordagens/concepções pedagógicas anteriormente citadas são importantes e têm em comum a tentativa de romper com o modelo mecanicista, esportivista e tradicional dessa disciplina nas escolas, isto é, a abordagem/concepção Tecnicista. Essas abordagens/concepções resultam da articulação de diferentes teorias psicológicas, sociológicas e filosóficas, objetivando a reflexão nos campos de atuação e ação das ciências humanas, bem como a Educação Física Escolar.

Enfim, essas abordagens/concepções colaboram na construção de uma Educação Física que fuja dos moldes tecnicistas, onde se desenvolva aulas que não sejam focadas apenas no aprender a fazer, mas que incluam uma intervenção planejada do professor quanto ao conhecimento que está por trás do fazer, além dos valores e atitudes envolvidos nas práticas da cultura corporal de movimento.


 

Referências


 

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Educação Física. Brasília: MEC, 1998.


 

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino da Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.


 

DARIDO, S. C. Apresentação e análise das principais abordagens da Educação Física Escolar. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, a.20, v.1, 1998.


 

FREIRE, J. B. S. Educação de corpo inteiro. São Paulo: Scipione, 1989.


 

____. Educação Física de corpo inteiro. Teoria e prática da Educação Física. Campinas: Scipione, 1992.


 

KUNZ, E. Transformação didático-pedagógica do esporte. Ijuí: Unijuí. 1996.


 

LE BOULCH, J. O desenvolvimento psicomotor: do nascimento até 6 anos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992.


 

RESENDE, H. G. Tendências pedagógicas da Educação Física Escolar. In: VOTRE, S. Ensaios sobre Educação Física, Esporte e Lazer. Rio de Janeiro: SBDEF, 1994.


 


 

* Especialista em Ciência do Movimento Humano pela UNICRUZ e em Esporte Escolar pela UNB; Professora da rede pública de ensino de Santa Maria – RS; Mestranda em Educação – UFSM. martinhanm@yahoo.com.br

* Doutor em Educação pela UNICAMP/UFSM e Doutor em Ciência do Movimento Humano pela UFSM; Professor Adjunto do PPGE/MEN/CE/UFSM; Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Física (GEPEF). hnkrug@bol.com.br


 

Como citar este artigo:

MARQUES, Marta Nascimento; KRUG, Hugo Norberto. O jogo como conteúdo da Educação Física Escolar. P@rtes (São Paulo). V.00 p.eletrônica. Julho de 2009. Disponível em <www.partes.com.br/educacao/ojogocomoconteudo.asp.asp>. Acesso em _/_/_.

 

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