spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:44:27                                               

 
  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Humor
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Memória Sindical
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Agenda
.
Leia na Revista Partes
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EDUCAÇÃO

A Representação Social

O olhar do professor

   

Anamaria Silveira

publicado em 30/06/2007

 

Introdução

 

Viver as relações sociais e ser parte atuante, co-autor da historiografia contemporânea, implica no aceite de dupla condição: ter espírito aventureiro e, incontestavelmente, aceitar o inaceitável e o imprevisível como ingredientes constantes da própria situação de vida.

Alguns sociólogos, a exemplo de Marshall Berman (2005), em sua obra “Tudo que é sólido desmancha o Ar – as aventuras da modernidade”, afirmam que vivemos, talvez, o momento mais caótico de todos, haja vista que a sensação que possuímos é a de estar num verdadeiro turbilhão – indecifrável – de sentimentos e emoções, as mais diversas. Outros pensadores – não menos importantes – como Edgar Morin, afirmam que devemos estar prontos, sempre, para novos desafios.

Neste mar de (in)definições, uma das atividades mais importantes – e mais antigas – da história da humanidade, a Educação, teima em encontrar respostas para perguntas tão complexas e paradoxais. A Educação, por meio de seus profissionais, neste mar de águas turbulentas, tenta entender, refletir e resgatar valores capazes, de ordenar a própria vida.

Refletir sobre o papel da educação, neste momento de incertezas e desesperanças, tem sido o maior desafio para os profissionais desta área.

Sato contribui, tecendo alguns apontamentos, como se observa:

 

A educação [contemporânea] caminha para a construção de uma nova ordem de transversalidade nas áreas do conhecimento, mostrando que a interdisciplinaridade favorece a pluralidade cultural, contribuindo para o enriquecimento do currículo escolar, despertando o interesse por temas atuais, onde os educadores possam olhar para a escola de maneira diferente. Talvez sozinhos, não se muda o curso da história, mas acreditamos que quando moldamos à uma nova proposta, engajamos em mudanças globais, pois quando mudamos um pedaço do mundo, mudamos, também o mundo. (SATO, 2000).

 

Fonseca continua a reflexão, a respeito dos desafios do novo milênio. Considera a qualidade de vida e a relevância do próprio sistema educacional que nos serve, bem como a ineficiência do mesmo.

Em suas palavras,

Propor transformação nas escolas, é tentar mudar o atual sistema que aí está, pois caminhamos em um mundo repleto de incertezas, um mundo mutante, instável, sempre novo e sabemos que o que aí está, não tem dado conta de transformar. Acabaram-se as pedras seguras por onde traçávamos nossa existência. Tudo que se sabe hoje, pode ser velho amanhã. (FONSECA, 1999).

O ser humano precisa aprender a olhar/reolhar e reconstruir as imagens, principalmente as contaminadas, que nos agridem, mostrando um mundo marcado pela violência social, moral, política, enfim, de todos os tipos. Torna-se um verdadeiro desafio viver a contemporaneidade, os “custos da sobrevivência” ameaçam a própria arte de viver. Tempo das maiorias e espaço das minorias. Diante deste paradoxo, onde o próprio “tom da vida” parece estar ameaçado, algumas reflexões surgem. Indagações a respeito do que deve ser visto e observado são feitas.

Trata-se de um exercício que transcende à própria muralha da percepção. Entender os modelos de representação social e o seu significado, é pré-condição para entender a si próprio, ao seu grupo e, concomitantemente, as relações vindouras desta teia psico-sócio-cultural, decorrente desta relação intrínseca.

 Assim, pensar a nossa postura pessoal, o nosso eu interior, nos leva também a pensar no outro, na relação do coletivo enquanto proposta de vida para todos. Para isso, nas palavras de Paulo Freire (1.997), “sabemos que o professor tem que ousar, romper barreiras, abrir novos horizontes e olhar o mundo de cabeça erguida, buscando espaços mais amplos, centrados no amor, no sonho, na esperança”.

O papel da educação, sabemos, é colocar a escola num horizonte mais amplo e diversificado, tendo em vista a formação de educandos capazes de adquirir e desenvolver novas competências, em função de saberes que se produzem e que demandam diferentes tipos de profissionais, preparados para lidar com novas tecnologias e linguagens, capazes de responder a novos ritmos e processos. Isso impõe outras demandas para a escola: garantir condições para que o aluno se instrumentalize para processos de educação continuada e permanente; coloca-se também, para o professor, a necessidade de aprendizagem contínua, que lhe possibilita acompanhar a dinâmica do movimento científico, cultural e tecnológico em que está inserido, para que nele possa participar e  interferir.

 

Da Representação Social...

 

Reigota, em sua obra Ecologia, Elites e intelligentsia na América Latina: um estudo de suas representações sociais (1999) traz sua importante contribuição, de maneira a nos auxiliar na compreensão deste fenômeno. Em suas palavras,

A teoria das representações sociais, desenvolvida por Serge Moscovici, tem sido utilizada para o estudo das principais questões contemporâneas. A partir desse autor, muitas definições de representações sociais surgiram, em trabalhos de psicólogos, sociólogos, pedagogos, etc. O ponto comum entre elas é a compreensão de que as representações sociais são influenciadas pelos conhecimentos tradicionais, étnicos, populares e científicos, visões específicas de mundo e senso comum, que indivíduos e grupos sociais possuem de forma fragmentada e difusa. Numa das definições de Moscovici encontramos a seguinte: “As representações sociais são um conhecimento de segunda mão, cuja operação básica consiste na contínua apropriação de imagens, das noções e das linguagens que a ciência não cessa de inventar” (Moscovici, 1994:19, apud REIGOTA, 1999, p.71)

As representações sociais estão relacionadas com as pessoas que atuam fora da comunidade científica, embora possam estar manifestas neste meio.  Segundo Moscovici (1976), citado por Reigota (1995), a representação social é o senso comum que se tem sobre um determinado tema, onde se incluem também os preconceitos, ideologias e características específicas das atividades cotidianas, sociais e profissionais das pessoas.

Pode-se afirmar que há várias interpretações ou representações dos acontecimentos sociais, segundo a visão de quem analisa. As representações não são conceitos prontos, pois nesse campo não há um consenso, uma fórmula. Cada um interpreta à sua maneira. Assim, quando se trabalha Educação Ambiental, as representações sociais são muito importantes, por constituírem áreas de conflito e por não existirem unanimidade.  Sendo assim ela é uma nova prática pedagógica, uma excelente metodologia para se trabalhar com as interpretações das imagens, principalmente porque estamos vivendo em um mundo dominado por elas. As imagens hoje são tão poderosas, que  em um minuto apenas podem destruir um programa político racional e bem elaborado. (MATHEUS, 1999)

As imagens produzem discursos. Discursos que retratam as verdades de quem está produzindo a própria historiografia em seu locus. Nesse sentido, é possível interpretar as imagens  segundo o interesse do grupo. Verifique-se importância do veículo que transmite essa imagem – estes devem ter  ralações diretas com a sua credibilidade.

O grande problema é que as imagens são difusas, e nem sempre interpretadas devidamente. São transmitidas e assimiladas como  proprietárias da verdade. Assim, é possível contar mentiras, dizendo verdades. Existem imagens estereotipadas, figuras folclóricas, formas preconceituosas de ver o mundo. (REIGOTA, 1999)

Como educadores, é nossa obrigação nos posicionarmos como cidadãos conscientes, sujeitos de nossa história, lutando contra a desordem social.

O método de interpretação de imagens procura reconstituí-las e decodificá-las com proposta de melhoria, através das intervenções de educadores, como agentes formadores de opinião. Daí a necessidade de possuirmos o conhecimento, para decodificar as imagens e resgatar valores éticos, morais e conhecimentos que foram silenciados ao longo do processo histórico.

É necessário uma posição crítica contra a banalização das imagens, que são transmitidas pelos veículos de comunicação. Precisamos não somente ver as imagens, mas  interpretá-las, criticá-las e modificá-las. Necessitamos mudar os paradigmas, por uma perspectiva radical de pensamento e de postura.

A metodologia da interpretação das imagens permite avançar nas discussões de vários temas e assuntos. O fundamental, é a possibilidade de análise e dialogicidade acerca das diferentes representações sobre os mesmos temas, sobre os discursos que escondem, os equilíbrios que evidenciam, as críticas, alternativas e soluções propostas por pessoas e grupos sociais em diferentes locais do planeta. Como educadores, não devemos impor a nossa verdade, mas estimular e dirigir as discussões. Agindo assim, estaremos interferindo pedagogicamente Reigota (1999a).

O critério da Representação Social é qualitativo, depende de nossas relações culturais, afetivas, sociais e religiosas. É um processo contínuo de mudanças. As representações sociais têm um movimento, uma dinâmica muito rápida, diferente dos conceitos científicos, principalmente devido à difusão pelos veículos de comunicação de massa.

A Representação Social possibilita  às pessoas a percepção de seus próprios pensamentos, suas idéias, sua visão de mundo, suas atitudes em relação à vida cotidiana, construindo e reconstruindo novas representações.

Em Educação Ambiental – tratando-se da representação social de indivíduos ou grupos – é necessário entender como esses atores sociais captam e interpretam as questões ambientais, e de que forma pensam e agem em sua realidade próxima. Para isso, antes de trabalhar com o aluno, é necessário identificar nossas próprias representações, e qual é a posição ideológica, social, política em relação ao meio em que vivemos.

A Representação Social do meio ambiente vem sendo construída recentemente, principalmente em relação a implantação de temática ambiental nas escolas.

Para Reigota (1995), a noção de meio ambiente também é uma representação social, e nesse sentido o primeiro passo para a realização da Educação Ambiental nas escolas deve ser a identificação das representações das pessoas envolvidas no processo educativo. Define meio ambiente como o lugar determinado ou percebido, onde os elementos naturais e sociais estão em relações dinâmicas e em interação. Afirma, ainda, que essas relações são determinadas por processos de criação cultural e tecnológica, e processos históricos e sociais de transformação do meio natural e construído.

As relações dinâmicas e interativas a que o autor se refere, indicam a constante mutação, como resultado da dialética das relações entre os grupos sociais e o meio ambiente natural e construído, implicando num processo de criação permanente, que estabelece e caracteriza culturas em tempos e espaços específicos. 

Referências 

AMARAL, I. A. Ambiente, educação ambiental e ensino de Ciências. In: São Paulo (Estado) Secretaria da Educação. Coordenadoria de Estudos e normas Pedagógicas. Ciências na Escola de 1º grau: textos de apoio a Proposta Curricular. 2ª ed. São Paulo: SE/CENP/, 1991. P.39.

CARVALHO, L.M.  A temática ambiental e a escola de 1º grau. 1989.Tese. (Programa de Pós- Graduação em Educação) USP – São Paulo.

FONSECA, F. M. J. A incerteza do mundo e você amanhã. In: REIGOTA, M. (org.) Verde cotidiano: o meio ambiente em discussão. Rio de Janeiro: DPA, 1999.

FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996

FREIRE, P. Política e educação: ensaios. São Paulo: Cortez, 1997

GRUN, M. Ética e Educação Ambiental: A conexão necessária. Campinas: Papirus, 1996.

MATHEUS, C. E. Educação Ambiental através da interpretação de imagens. Texto apostilado.  São Carlos, 1999.

REIGOTA, M. Meio Ambiente e representação social. São Paulo:  Cortez, 1995

REIGOTA, M. A Floresta e a Escola: por uma educação ambiental pós-moderna. São Paulo: Cortez, 1999

REIGOTA, M. O que é Educação Ambiental. São Paulo: Brasiliense, 1994

SATO, M. Educação Ambiental na Agenda 21 e na Carta da Terra. In: SIMPÓSIO GAÚCHO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL, 2000, Erechim.

SATO, M.  Educação Ambiental. 3. ed. São Carlos: 1995.

VALE, J. M. F. Construindo a escola: o desafio continua. Ciência Geográfica, Bauru, n.º 06, abr 1997.

BERMAN, M. Tudo que é sólido desmancha no ar: as aventuras da Modernidade. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.

MOSCOVICI, S. La Societé Contre Nature. Paris: Seuil, ed. revue et corrigeé par l’auter avec posface inédite.

REIGOTA, M. Ecologia, elites e intelligentsia na América Latina: um estudo de suas representações sociais. São Paulo: Annablume, 1999.

 

 

 

 


 

*

 

 

 

 

spacer
::sobre o autor::

 Anamaria Silveira. Docente do Departamento de Ciências Humanas e Sociais, da Universidade Federal de Rondônia, campus de Ji-Paraná, Amazônia Brasileira. E-mail:

::contato com o autor::
mailto:anasilveira40@hotmail.com

Fale com o autor clicando aqui.

 
::uma foto::


 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outros artigos::

 

 
 

 

 

 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

Normas para publicar artigosRevista Virtual Partes

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2007
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer