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ISSN 1678-8419                                                                                                           


 
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Educação
 
Em busca da excelência em sala de aula

Sebastiana Aparecida Ribeiro Gomes e Aleixina Maria Lopes Andálécio

Em:  10/01/20121

                                                                 

   

 

Sebastiana Aparecida Ribeiro Gomes[*] e Aleixina Maria Lopes Andálécio**


Resumo

O Livro de Joseph Lowman1 propõe auxiliar o professor universitário no desenvolvimento de habilidades e técnicas necessárias para o ensino excelente. A visão de ensino universitário excelente, retratada no livro, enfatiza as habilidades tradicionais do professor de fazer preleções e conduzir discussões, mas enaltece a habilidade do professor de motivar, estimular o aluno a se preocupar com a matéria e a se dedicar muito para dominá-la.

Abstract

The Book of Joseph Lowman proposes to assist the professor in developing skills and techniques necessary for excellent teaching. The vision of an excellent university, portrayed in the book, emphasizes the traditional skills of the teacher to lecture and lead discussions, but praises the teacher's ability to motivate, encourage students to worry about the matter and devote a lot to master it.

No prefácio desta segunda edição do livro, o autor ressalta que a qualidade do ensino universitário depende da habilidade e do poder de motivação dos professores em sala de aula. Segundo ele, nada substitui a habilidade de dialogar com os alunos e motivá-los a trabalhar arduamente fora da sala de aula. Por isso, a ênfase dessa edição está em ensinar a falar bem perante os alunos, promover relacionamentos motivadores com os alunos como pessoas, e enriquecer as aulas com métodos alternativos de ensino, combinados com os tradicionais.

O livro está dividido em dez capítulos. O primeiro, questiona o que seria um ensino exemplar, ou um professor universitário exemplar. Sabendo-se que o ensino superior deve promover o pensamento, as habilidades de comunicação e de resolução de problemas e, sobretudo, a aquisição, pelo estudante, da capacidade de avaliar criticamente as informações, fica claro que, além do domínio da matéria, o ensino universitário de qualidade requer do professor a competência de se comunicar bem com os estudantes, em situações formais ou informais, e relacionar-se com eles como pessoas, de maneira positiva e motivadora.  De acordo com a pesquisa feita pelo autor do livro, a qualidade do ensino efetivo resulta, essencialmente, da habilidade do professor de criar, tanto estímulo intelectual, como empatia interpessoal com os alunos, o que o autor chama de Modelo Bidimensional de Ensino Efetivo.

O segundo capítulo explora as influências das emoções no diálogo interpessoal em uma sala de aula. Aborda as atitudes dos estudantes e dos professores que influenciam os fenômenos interpessoais na sala de aula; as fontes de satisfação e insatisfação de ambos e o tipo de comportamento para com alunos e professores. Mais uma vez, é lembrado que o modo mais poderoso de um professor influir na aprendizagem do aluno é aumentando a motivação desse aluno. E isto reflete no professor, ao aumentar seu entusiasmo pelo ensino.

O terceiro capítulo complementa o segundo, sugerindo técnicas específicas para um habilidoso ensino interpessoal, ou seja, maneiras pelas quais os professores universitários podem se relacionar com os alunos para estimular motivação e satisfação: 1- promover relacionamentos pessoais com os estudantes; 2- solicitar feedback dos alunos;  3- motivar estudantes a trabalhar por meio de liderança efetiva em sala de aula; 4- dar atenção individual aos alunos; 5- lidar com uma variedade de questões interpessoais.

O quarto capítulo objetiva sensibilizar o leitor para a importância crucial das habilidades de comunicação no ensino universitário. As salas de aula são apresentadas como arenas dramáticas, em que a estrutura fundamental do drama é: orador ou oradores ante uma platéia, prendendo sua emoção e estimulando suas emoções. Com o mesmo enfoque, os professores universitários também necessitam de habilidades dramáticas para assegurar que os alunos fiquem totalmente envolvidos nas apresentações em sala de aula, considerando-as memoráveis e instrutivas. Sendo assim, são apresentadas técnicas para o professor melhorar a habilidade de comunicação com a classe.

O quinto capítulo trata da especificidade de escolher e organizar o conteúdo da aula. No entanto, as primeiras páginas do capítulo retratam as preleções como sendo um modo apropriado de melhorar a educação universitária, visto que elas satisfazem à necessidade de espetáculo dramático e oferecem uma arena interpessoal, na qual importantes necessidades psicológicas são satisfeitas. O único propósito de uma preleção é apresentar informações e não transmiti-las, e o tipo mais comum de preleção na universidade é a aula expositiva. O capítulo apresenta ainda maneiras de organizar uma excelente aula, enfatizando o que um professor universitário escolhe para apresentar em uma aula e como ele o apresenta. São apresentados recursos que vão dos quadros-negros aos recursos eletrônicos.

O sexto capítulo descreve técnicas de condução de discussões, de modo a envolver os estudantes e estimular o pensamento independente e a motivação. A discussão ajuda os estudantes a assimilar e a integrar as informações que adquiriram nas preleções ou leituras preliminares e também é útil para enfatizar as conexões entre o conhecimento novo e o velho. Entende-se que a discussão é um modo de ensinar o processo de aprender, por oferecer oportunidades para os estudantes praticarem o pensamento crítico e independente, e a aprendizagem ativa.

O sétimo capítulo descreve como os professores universitários decidem o que incluir em um curso e como apresentar o conteúdo escolhido, levando em conta tanto os objetivos quanto os métodos. São dadas orientações para planejar aulas individuais ou um curso inteiro. De acordo com os capítulos anteriores, o plano, mesmo bem fundamentado, não assegura ensino de qualidade, mas o planejamento força o professor a considerar as muitas opções possíveis, quando decidir o que apresentar no limitado tempo da aula.

O foco do oitavo capítulo é a integração entre o aprendizado de dentro e de fora da sala de aula, e o livro enfatiza a importância das tarefas de leitura, escrita, de resolução de problemas e de observação para a aprendizagem efetiva do aluno. O autor destaca como questões-chaves para motivar os estudantes a terem uma atitude voltada mais para a aprendizagem do que para as notas: 1- evitar usar sistemas superestruturados de premiação e punição; 2- falar sobre as tarefas de modo que comunique a suposição de que os estudantes vão querer fazê-las e as acharão interessantes; 3- fornecer feedback sobre as tarefas, que ajudarão os estudantes a obter a informação e as habilidades de que eles necessitarão mais tarde em trabalho avaliado.

Já o nono capítulo, parece uma complementação do oitavo, apresentando uma progressão lógica do planejamento e da elaboração das tarefas para sua avaliação. Ele começa abordando os propósitos da avaliação, desmistificando mitos e esclarecendo as funções sociais da avaliação, para chegar à etapa que ele considera a de decisão mais difícil para o professor universitário, que é selecionar os tipos de exames a serem aplicados em um curso e como eles serão utilizados para motivar a aprendizagem. O capítulo detalha os tipos de provas e como proceder na elaboração das provas de múltipla escolha e dissertativas, e se encerra alertando para o processo de dar notas e como evitar as colas, além de elencar uma lista com doze “nuncas” que ilustram testes e práticas de dar notas extremamente pobres, de acordo com o enfoque do livro.

O décimo e último capítulo sintetiza, mas também amplia a discussão do primeiro capítulo, evocando novamente a pergunta: Em que consiste o ensino universitário exemplar? É dada ênfase na produtividade da pesquisa e no serviço à instituição, discorrendo sobre os motivos que levam um professor universitário a fazer um esforço contínuo para aperfeiçoar ao máximo suas habilidades de ensino.

O autor, Joseph Lowman, foi muito assertivo em suas colocações. É de se supor que esta assertividade também será percebida com a prática das sugestões apresentadas, pois elas são resultados de suas pesquisas e, principalmente, de seus anos de experiência docente no ensino universitário.

O autor afirma que o professor universitário raramente é treinado para ensinar. Essa é uma realidade, em que o professor vai se treinando com erros e acertos decorrentes do cotidiano de uma sala de aula. A leitura deste livro deve levar à constatação de que ainda há muitos erros a serem corrigidos. Cabe registrar que muitos dos erros são corrigidos com o feedback dos alunos, através de avaliações realizadas sob solicitação institucional. No último capítulo do livro, o autor destaca a importância que tem, para a excelência do ensino, o professor fazer uso das avaliações feitas pelos alunos para rever sua postura e técnicas de ensino.

Ainda com relação aos erros cometidos na busca do ensino excelente, pode-se afirmar que eles não foram intencionais: a maioria foi apenas uma transferência das influências ambientais, como citado no livro. São consideradas influências ambientais não só a instituição que o professor trabalha, mas, sobretudo, a educação familiar e escolar que recebeu. O autor enfatiza a influência do professor, não só na aprendizagem do aluno, mas também na sua vida.

Trata-se de um bom livro sobre técnicas, maneiras e práticas de ensino superior. A estrutura do livro, juntamente com a forma de abordagem de cada seção, instiga e motiva a leitura e, o mais importante, deixa no leitor a vontade de colocar em prática as técnicas de ensino, uma vez que foram muito bem pontuadas e exemplificadas. A motivação do aluno é um ponto que todo professor precisa exercitar.

Ao terminar esta resenha, não se poder deixar de recordar uma fala do autor, quando ele afirma que é inegável que um ensino universitário excelente ainda é dependente da habilidade e do poder de motivação dos professores em sala de aula, para fazer com que o aluno se esforce em dominar a matéria e, efetivamente, aprender, frase que tem por objetivo incentivar qualquer professor que se esforça para aperfeiçoar suas habilidades de ensinar.

Referência bibliográfica

LOWMAN, Joseph. Dominando as técnicas de ensino. São Paulo: Atlas, 2004. 2. Ed. 309p.



[*] Mestranda em Administração na Faculdade Novos Horizontes, professora do Centro Universitário do Planalto de Araxá – UNIARAXÁ.

1 Joseph Lowman. Ph.D. em Psicologia Clínica, é professor de Psicologia na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill (EUA) e autor de livros, artigos e trabalhos a respeito do ensino universitário, além de palestrante e consultor sobre temas relacionados a esse assunto.

 

 

 

                                       

Como citar:

GOMES, Sebastiana Aparecida Ribeiro; ANDALÉCIO, Aleixina Maria Lopes. Em busca da excelência em sala de aula. Rev. P@rtes. [online]. Janeiro de 2012. Disponível em:<http://www.partes.com.br/educacao/resenhas/embusca.asp

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::sobre o autor::
Aleixina Maria Lopes

Aleixina Maria Lopes Andálécio é mestre e doutora em Ciência da Informação pela UFMG, professora do Mestrado Acadêmico em Administração da Faculdade Novos Horizontes.



Sebastiana Aparecida Ribeiro Gomes

Sebastiana Aparecida Ribeiro Gomes é mestranda em Administração na Faculdade Novos Horizontes, professora do Centro Universitário do Planalto de Araxá – UNIARAXÁ.

 

. hnkrug@bol.com.br.

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