Sebastiana Aparecida Ribeiro Gomes[*]
e Aleixina Maria Lopes Andálécio**
Resumo
O Livro de Joseph Lowman1
propõe auxiliar o professor universitário no
desenvolvimento de habilidades e técnicas necessárias para o
ensino excelente. A visão de ensino universitário excelente,
retratada no livro, enfatiza as habilidades tradicionais do
professor de fazer preleções e conduzir discussões, mas
enaltece a habilidade do professor de motivar, estimular o
aluno a se preocupar com a matéria e a se dedicar muito para
dominá-la.
Abstract
The Book of Joseph Lowman proposes to assist the professor
in developing skills and techniques necessary for excellent
teaching. The vision of an excellent university, portrayed
in the book, emphasizes the traditional skills of the
teacher to lecture and lead discussions, but praises the
teacher's ability to motivate, encourage students to worry
about the matter and devote a lot to master it.
No prefácio desta segunda edição do livro, o autor ressalta
que a qualidade do ensino universitário depende da
habilidade e do poder de motivação dos professores em sala
de aula. Segundo ele, nada substitui a habilidade de
dialogar com os alunos e motivá-los a trabalhar arduamente
fora da sala de aula. Por isso, a ênfase dessa edição está
em ensinar a falar bem perante os alunos, promover
relacionamentos motivadores com os alunos como pessoas, e
enriquecer as aulas com métodos alternativos de ensino,
combinados com os tradicionais.
O livro está dividido em dez capítulos. O primeiro,
questiona o que seria um ensino exemplar, ou um professor
universitário exemplar. Sabendo-se que o ensino superior
deve promover o pensamento, as habilidades de comunicação e
de resolução de problemas e, sobretudo, a aquisição, pelo
estudante, da capacidade de avaliar criticamente as
informações, fica claro que, além do domínio da matéria, o
ensino universitário de qualidade requer do professor a
competência de se comunicar bem com os estudantes, em
situações formais ou informais, e relacionar-se com eles
como pessoas, de maneira positiva e motivadora.
De acordo com a
pesquisa feita pelo autor do livro, a qualidade do ensino
efetivo resulta, essencialmente, da habilidade do professor
de criar, tanto
estímulo intelectual,
como empatia
interpessoal com os alunos, o que o autor chama de
Modelo Bidimensional de Ensino Efetivo.
O segundo capítulo explora as influências das emoções no
diálogo interpessoal em uma sala de aula.
Aborda as atitudes dos estudantes e dos professores que
influenciam os fenômenos interpessoais na sala de aula; as
fontes de satisfação e insatisfação de ambos e o tipo de
comportamento para com alunos e professores. Mais uma vez, é
lembrado que o modo mais poderoso de um professor influir na
aprendizagem do aluno é aumentando a motivação desse aluno.
E isto reflete no professor, ao aumentar seu entusiasmo pelo
ensino.
O terceiro capítulo complementa o segundo, sugerindo
técnicas específicas para um habilidoso ensino interpessoal,
ou seja, maneiras pelas quais os professores universitários
podem se relacionar com os alunos para estimular motivação e
satisfação: 1- promover relacionamentos pessoais com os
estudantes; 2- solicitar
feedback dos
alunos; 3-
motivar estudantes a trabalhar por meio de liderança efetiva
em sala de aula; 4- dar atenção individual aos alunos; 5-
lidar com uma variedade de questões interpessoais.
O quarto capítulo objetiva sensibilizar o leitor para a
importância crucial das habilidades de comunicação no ensino
universitário. As salas de aula são apresentadas como arenas
dramáticas, em que a estrutura fundamental do drama é:
orador ou oradores ante uma platéia, prendendo sua emoção e
estimulando suas emoções. Com o mesmo enfoque, os
professores universitários também necessitam de habilidades
dramáticas para assegurar que os alunos fiquem totalmente
envolvidos nas apresentações em sala de aula,
considerando-as memoráveis e instrutivas. Sendo assim, são
apresentadas técnicas para o professor melhorar a habilidade
de comunicação com a classe.
O quinto capítulo trata da especificidade de escolher e
organizar o conteúdo da aula. No entanto, as primeiras
páginas do capítulo retratam as preleções como sendo um modo
apropriado de melhorar a educação universitária, visto que
elas satisfazem à necessidade de espetáculo dramático e
oferecem uma arena interpessoal, na qual importantes
necessidades psicológicas são satisfeitas. O único propósito
de uma preleção é apresentar informações e não
transmiti-las, e o tipo mais comum de preleção na
universidade é a aula expositiva. O capítulo
apresenta ainda maneiras de organizar uma excelente aula,
enfatizando o que um professor universitário escolhe para
apresentar em uma aula e como ele o apresenta. São
apresentados recursos que vão dos quadros-negros aos
recursos eletrônicos.
O sexto capítulo descreve técnicas de condução de
discussões, de modo a envolver os estudantes e estimular o
pensamento independente e a motivação. A discussão ajuda os
estudantes a assimilar e a integrar as informações que
adquiriram nas preleções ou leituras preliminares e também é
útil para enfatizar as conexões entre o conhecimento novo e
o velho. Entende-se que a discussão é um modo de ensinar o
processo de aprender, por oferecer oportunidades para os
estudantes praticarem o pensamento crítico e independente, e
a aprendizagem ativa.
O sétimo capítulo descreve como os professores
universitários decidem o que incluir em um curso e como
apresentar o conteúdo escolhido, levando em conta tanto os
objetivos quanto os métodos. São dadas orientações para
planejar aulas individuais ou um curso inteiro. De acordo
com os capítulos anteriores, o plano, mesmo bem
fundamentado, não assegura ensino de qualidade, mas o
planejamento força o professor a considerar as muitas opções
possíveis, quando decidir o que apresentar no limitado tempo
da aula.
O foco do oitavo capítulo é a integração entre o aprendizado
de dentro e de fora da sala de aula, e o livro enfatiza a
importância das tarefas de leitura, escrita, de resolução de
problemas e de observação para a aprendizagem efetiva do
aluno. O autor destaca como questões-chaves para motivar os
estudantes a terem uma atitude voltada mais para a
aprendizagem do que para as notas: 1- evitar usar sistemas
superestruturados de premiação e punição; 2- falar sobre as
tarefas de modo que comunique a suposição de que os
estudantes vão querer fazê-las e as acharão interessantes;
3- fornecer feedback
sobre as tarefas, que ajudarão os estudantes a obter a
informação e as habilidades de que eles necessitarão mais
tarde em trabalho avaliado.
Já o nono capítulo, parece uma complementação do oitavo,
apresentando uma progressão lógica do planejamento e da
elaboração das tarefas para sua avaliação. Ele começa
abordando os propósitos da avaliação, desmistificando mitos
e esclarecendo as funções sociais da avaliação, para chegar
à etapa que ele considera a de decisão mais difícil para o
professor universitário, que é selecionar os tipos de exames
a serem aplicados em um curso e como eles serão utilizados
para motivar a aprendizagem. O capítulo detalha os tipos de
provas e como proceder na elaboração das provas de múltipla
escolha e dissertativas, e se encerra alertando para o
processo de dar notas e como evitar as colas, além de
elencar uma lista com doze “nuncas” que ilustram testes e
práticas de dar notas extremamente pobres, de acordo com o
enfoque do livro.
O décimo e último capítulo sintetiza, mas também amplia a
discussão do primeiro capítulo, evocando novamente a
pergunta: Em que consiste o ensino universitário exemplar? É
dada ênfase na produtividade da pesquisa e no serviço à
instituição, discorrendo sobre os motivos que levam um
professor universitário a fazer um esforço contínuo para
aperfeiçoar ao máximo suas habilidades de ensino.
O autor, Joseph Lowman, foi muito assertivo em suas
colocações. É de se supor que esta assertividade também será
percebida com a prática das sugestões apresentadas, pois
elas são resultados de suas pesquisas e, principalmente, de
seus anos de experiência docente no ensino universitário.
O autor afirma que o professor universitário raramente é
treinado para ensinar. Essa é uma realidade, em que o
professor vai se treinando com erros e acertos decorrentes
do cotidiano de uma sala de aula. A leitura deste livro deve
levar à constatação de que ainda há muitos erros a serem
corrigidos. Cabe registrar que muitos dos erros são
corrigidos com o
feedback dos alunos, através de avaliações realizadas
sob solicitação institucional. No último capítulo do livro,
o autor destaca a importância que tem, para a excelência do
ensino, o professor fazer uso das avaliações feitas pelos
alunos para rever sua postura e técnicas de ensino.
Ainda com relação aos erros cometidos na busca do ensino
excelente, pode-se afirmar que eles não foram intencionais:
a maioria foi apenas uma transferência das influências
ambientais, como citado no livro. São consideradas
influências ambientais não só a instituição que o professor
trabalha, mas, sobretudo, a educação familiar e escolar que
recebeu. O autor enfatiza a influência do professor, não só
na aprendizagem do aluno, mas também na sua vida.
Trata-se de um bom livro sobre técnicas, maneiras e práticas
de ensino superior. A estrutura do livro, juntamente com a
forma de abordagem de cada seção, instiga e motiva a leitura
e, o mais importante, deixa no leitor a vontade de colocar
em prática as técnicas de ensino, uma vez que foram muito
bem pontuadas e exemplificadas. A motivação do aluno é um
ponto que todo professor precisa exercitar.
Ao terminar esta resenha, não se poder deixar de recordar
uma fala do autor, quando ele afirma que é inegável que um
ensino universitário excelente ainda é dependente da
habilidade e do poder de motivação dos professores em sala
de aula, para fazer com que o aluno se esforce em dominar a
matéria e, efetivamente, aprender, frase que tem por
objetivo incentivar qualquer professor que se esforça para
aperfeiçoar suas habilidades de ensinar.
Referência bibliográfica
LOWMAN, Joseph.
Dominando as técnicas de ensino. São Paulo: Atlas, 2004.
2. Ed. 309p.
[*]
Mestranda em Administração na Faculdade Novos
Horizontes, professora do Centro Universitário do
Planalto de Araxá – UNIARAXÁ.
1
Joseph Lowman. Ph.D.
em Psicologia Clínica,
é professor de Psicologia na Universidade da
Carolina do Norte,
em Chapel Hill
(EUA) e autor de livros, artigos e trabalhos a
respeito do ensino universitário, além de
palestrante e consultor sobre temas relacionados a
esse assunto.