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Cassiano Telles
Hugo Norberto Krug
Resumo:
Esta análise é uma educação para o pensar, uma aventura do
pensamento humano. Mostra-nos que o pensar humano não é algo
banal, mas que carece de nossos cuidados, sendo que não nascemos
com a capacidade do pensar correto, quando erramos ao fazer quer
dizer que muito antes erramos ao pensar. Pois pensar requer
métodos e construções, todos adquiridos com o estudo dos
acontecimentos que nos norteiam, para que este se forme devemos
entender o velho pensamento que está em nossa mente, quebrando
conceitos como o que pensar dói. Pensar não dói e é grátis,
vamos fazer bom uso desta capacidade.
Palavras-Chave:
Educação. Pensar. Criticidade. Comportamento Humano.
Summary: This
analysis is
an education for
thought,
an adventure of
human thought. Shows us
that human
thinking is
not trivial, but
it lacks our
care,
and are
not born with the
capacity of right
thinking, when
we fail to do that
is to say that
long before we
err in
thinking. Because
it requires thinking and
construction methods, all
acquired with
the study of events
that guide
us so
that we understand this form isthe
old thinking that
is in our
minds,
breaking concepts as it
hurts to
think. Thinkingdoes
not hurt and
it's free, we make
good use
of this capacity.
Keywords:
Education. Think. Criticality. Human
Behavior.

A obra “Pensar não dói é grátis: Vivendo Filosoficamente”, de
Eugênio C. Ribeiro,
é um livro que nos mostra a necessidade de reconhecermos que
precisamos pensar, como diz o autor: é um livro de educação para
o pensar, um livro sobre a aventura do pensamento humano. (2005,
p.11)
Nos dias autuais, é tão difícil refletirmos sobre os
acontecimentos que nos rodeiam, devido muitas vezes pela
escassez de tempo que temos para realizarmos várias tarefas.
Também relata que pensar é algo banal e corriqueiro e que
nascemos com tal capacidade e sendo esta, a correta. Porém, o
tipo de pensamento que realizamos é o de cumprir o que nos fora
solicitado no trabalho, um pensamento mecanizado, de prestação
de serviços.
Se utilizássemos o pensamento, em todos os momentos dos quais
estamos acordados, certamente iríamos refletir e não praticar
grande parte de nossos atos, principalmente o de consumismo,
visto que consumimos por não haver reflexão.
Diz o autor de que quando estamos diante de uma situação da qual
possuímos uma estrutura de pensamento apropriada, agimos
tranqüilamente. Isto, pois estamos agindo com pura sabedoria,
sabendo o que estamos fazendo, ainda complemento fazendo com
propriedade. Possuímos o que chamam de “manha”, então por
sabermos todos os processos do fato, sabemos como resolver cada
reação desencadeada pelo mesmo.
Ao apreciar o conteúdo deste livro, estamos formando um novo
padrão de pensamento, que se manifeste inconscientemente. Este
dizer é afirmado pelo autor, “É o que pretendo com este livro.
Formar em você um padrão de pensamento tal, que natural e de
forma inconsciente ele funcione nas diversas situações de sua
vida.” (2005, p.13)
Embora também explicite a importância de conhecer o velho padrão
do qual estamos incutidos: “primeiro temos que entender o velho
padrão que está arraigado em nossa mente, para então refletirmos
e nos apropriarmos do novo pensamento por nós elaborado.” (2005,
p.13)
E por que já não o fizemos anteriormente? Por tentarmos nos
apropriar dos pensamentos dos outros. Motivo este é confirmado:
“A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão
grande parte dos homens permanece menor durante toda a vida,
esperando que tutores tomem conta” (2005, p.13), resultando na
estagnação e autodestruição do ser.uto
destruiç estagnaçmens permanece menor durante toda a vida,
esperando que tutores tomem conta.
Um exemplo clássico deste aprisionamento das pessoas desse
inicio de século XX: idealizados pelo consumismo, o poder
material dita à regra, que dita quem “tem” sem muitas vezes ter,
e quem “não tem”, fora da sociedade, isolado do grupo
materialista.
Os que “tem”, compram carros do ano, compram casas enormes.
Na sociedade, é normal encontrar pessoas que parecem ser
milionários, vê o visinho comprar um carro novo e por uma
estupidez tremenda sem mesmo ter condições compram um melhor ou
igual para não ficar para traz. Como se isso o fizesse ser menos
que o outro, passam meses comendo pão e água para pagar suas
dividas não podendo agradar seus familiares porque esta
endividado mas a pose de quem “tem” ou acha que tem não cai.
Como nos desvencilhar de tais atos? Responde o autor que “Cada
um pode mudar sua vida a qualquer momento se assim o desejar.
Basta coragem, pensamento correto e um pouco daquilo que os
iluminados chamam de fé, sem fé nada de bom é feito nesta
terra.” (2005, p.14)
Ao analisar o ideal, observa-se que estas pessoas o possuem,
embora de maneira errônea por estarem presos a esta idéia de
certo. Contudo, este ideal de afirmação é uma crença herdada dos
outros. Veja o que o autor relata no capítulo I Saindo da Matrix
- Poder das Crenças “Você algum dia já parou pra pensar que a
sua vida, desde o seu nascimento até hoje, é toda fundamentada
em crenças? E que estas crenças, em sua grande maioria, foram
herdadas dos outros, sofrendo quase nada de influência sua?”
(2005, p.17)
A partir do momento que o ser passa da fase de criança à jovem,
as carências afloram, as amizades são conquistadas através da
superficialidade do consumismo. O ser é um estranho no ninho, um
invasor, que para frequentar o grupo, deverá adequar-se ao
habitat do mesmo. É exatamente aqui onde sua autenticidade é
deixada de lado e é seguida a do grupo. O meio agindo no ser.
Isto se torna dispendioso. É o que diz o autor “Quando as
atitudes mentais se enraízam assemelham-se a muros invisíveis
que nos aprisionam no reino dos preconceitos.” (2005, p.17)
O preconceito citado é o da não aceitação do ser no grupo, se
este não se enquadrar às regras que o consumismo exige. Não
sendo avaliado o caráter do mesmo.
Aliás, quem nesses grupos preza o caráter?
Mas por que o jovem procura identificação em grupos? Para ter
amigos, ser admirado no grupo, por influencia dos pais que se
encaixam neste grupo.
O autor revela que: “a estrutura do pensamento humano parece ser
determinada, da infância à juventude, por idéias e sentimentos
que tivemos durante o processo de formação, principalmente pela
influência de personalidades fortes que nos rodeiam. É possível
que estejamos fazendo muito mal a nossos filhos na intenção de
lhes fazer o bem.” (2005, p.18)
Com base neste aprisionamento, pensando mais amplamente, pode-se
chegar à questão de que não devem deixar levar-se pelos costumes
atuais, pelo fato que devemos ser e ter o reconhecimento por
sermo-nos próprios, mas se não o fizermos em qualquer instância,
qual o sentido de nossa existência? Será que nossa presença
neste mundo é real?
É o que explica o autor no capítulo “A Matrix”, “No final do
século XX um filme roubou o cenário do cinema mundial. [...]
Neo, o personagem principal, sai da matrix e é considerado o
Escolhido que vai libertar os homens de uma tirania virtual.
Buscaram em Platão, nos gnósticos antigos, na sabedoria do
budismo e na filosofia de Descartes a idéia de que o que
chamamos de mundo real pode não passar de uma mera ilusão,
criada por alguém a fim de nos enganar.” (2005, p.19)
Este filme é o “Matrix”.
Também podemos comparar esta situação de dois mundos com o
computador. Você faz tudo sem sair de casa, tem a informação que
quiser em alguns segundos. Tudo isso através da internet que faz
com que o ser humano se comunique com qualquer pessoa em
segundos.
Então há como sair desta matrix? Sim, existe uma possibilidade,
mas o homem como habituado a esta tecnologia não adaptaria se
mais a um mundo sem internet é preciso então ter um único meio
muito valioso: a consciência. “... é preciso ter consciência de
que se está nela. É preciso pelo menos desconfiar de que existe
outra realidade...” (2005, p.21), diz o autor.
O autor faz uma crítica às entidades de ensino brasileiras, por
não trabalharem o bom pensar dizendo: “Para aqueles que estudam,
as instituições de ensino deveriam ser aqueles luminares que
mostrariam quão espessas são as trevas da ignorância do homem
comum.” (2005, p.21)
Porque no Brasil ainda não se descobriu a real importância de
uma educação para o bom pensar. Incitando o causador de tal
disfunção, o militarismo, e que para a maioria das pessoas,
pensar parece doer.
Para o governo é melhor não investir em educação, pois fazer as
pessoas pensarem traria questionamentos sobre as condutas e
investimentos fazendo que os mesmos mudassem sua forma de
administrar o país, sendo que para isso acontecer teria que
mudar a forma de pesar desde o nascimento até a fase adulta do
cidadão.
Contudo, o que vemos é um acadêmico que reproduz o conhecimento
adquirido nos ensinos fundamental e médio, repassado por
educadores formados com a repressão militar.
Poderiam eles, só não o fazem devido às questões de preguiça
(que já fora citada anteriormente), influências das leis de
mercado, da política de rápidos resultados para obterem o máximo
de conhecimento técnico profissional, objetivando o diploma.
Entretanto, o mercado está cada vez mais competitivo. As
empresas, visando liderança no mercado, buscam profissionais com
um diferencial que lhes faça conquistar prêmios. Um capitalismo
desenfreado, com os dois lados da moeda: busca de novas
tecnologias ao bem estar e evolução social, e superávit
comercial, ambicionando o poder.
Se o indivíduo souber filtrar este mercantilismo, apostando
desenvolver em seu conhecimento o diferencial visado,
destacar-se-á, saindo da mediocridade, e, por conseguinte, das
trevas da ignorância.
A filosofia tem o papel de desenvolver o pensamento liberto e
autônomo. Deve ser estudada em todas as épocas da vida, pois o
jovem a utiliza para envelhecer, e os velhos, para sentirem-se
rejuvenescidos. Tão mais fácil é quando se conhece e domina o
manual do aparelho eletrônico que você adquiriu. Qualquer falha
que apresentar, será sanada pelas informações retidas no seu
pensamento.
No capítulo 5, o autor relata quais são as perguntas mais
necessárias nos dias de hoje, sendo elas: - Quem somos nós, o
que devemos fazer, o que é bom e o que é mal? Confirmando que há
dificuldade em formular perguntas e uma maior ao respondê-las.
Pergunta-se: por que estou na faculdade, qual minha perspectiva
de futuro, será que este empenho todo vai me trazer um bom
lucro, mas não será isso uma fuga de suas carências? A
psicologia explica que toda a extremidade é transparência de uma
situação mal resolvida.
O avanço da tecnologia é um sério agravante de tais condições,
desagregando valores que os seres possuíam, servindo de apoio,
suprimento às suas necessidades, gerando hábitos e aniquilando o
que a humanidade tem de melhor: a comunicação ao vivo. É aqui
que o homem adquire uma posição relativista enquanto às
vivências: cada ser pensa de uma maneira e, por existir o
respeito para com o próximo, devemos aceitar suas colocações,
pois todas são válidas, não há verdade absoluta.
Muitas vezes paramos para pensar e acabamos desistindo de fazer
algo que poderia nos trazer benefícios, como pensar na graduação
que esta fazendo, saber que vai ter um salário que demorará anos
para pagar o que gastou com a mesma, isso depende do meio
cultural que vive do profissional que vai ser, da situação que
vai usar. “Ética é o estudo do uso que o homem deve fazer de sua
liberdade para alcançar seu fim último, por meio da ação” (2005,
p.118), descreve o autor.
Mas de onde nascem as teorias éticas? Nascem e se desenvolvem em
épocas diferentes a fim de suprir as necessidades do momento, se
ocupando na pesquisa e no estudo dos valores morais.
Os valores, as ações e as regras se relacionam entre si, pois
possuímos valores e os praticamos diariamente.
No capítulo que trata sobre os Animais Políticos, o autor nos
esclarece que a partir do momento em que vivemos em sociedade e
ajudamos as pessoas, estamos praticando uma política,
desmistificando seu significado de partidarismo.
Mas sempre deixando claro que eles somente tornam se políticos
através do aval dos cidadões que nele acreditam e que tem o
poder de colocá-los e tira-los na hora que quiserem. “O poder
corrompe. O poder absoluto corrompe absolutamente.” (2005,
p.147)
Por isso na hora de falar mal ou não questionar os políticos que
todos votamos e, na hora da mudança pensamos que nada vai mudar
e acabamos votando no mesmo devemos pensar que estamos dando
poder absoluto a eles.
No capítulo referente à Modernidade Racional, observamos o
movimento cultural iniciado por Descartes e Bacon juntamente com
o iluminismo francês.
O ideal de Bacon é que a diferença entre os civilizados e os
selvagens era como a dos homens e a dos deuses. Que a sociedade
deveria ser organizada de acordo com os parâmetros racionais,
pois para ele o conhecimento era o poder.
O ideal de Weber é um ponto de vista progressivo, uma forma
racional de ver explicar o mundo.
Por fim analisar esta obra requer um pensamento crítico e
filosófico sobre o tema Educação, sendo que trata-se de obra de
cuidadoso rigor metodológico, que explora e conclui sobre os
problemas que se propõe a estudar, sem desvios ou distorções.
Utiliza várias técnicas de coleta de dados, obtendo assim maior
riqueza de informações.
É uma obra original e valiosa porque aborda um dos tabus da
sociedade brasileira: o pensamento massificado. Coletou, o
autor, diversos referenciais metodológicos, obtendo a riqueza de
informações direcionadas ao leitor.
Possui vocabulário culto, conteúdo realista, exigindo - do
leitor, o prévio conhecimento do vocabulário utilizado.
Esta serviu-me para o esclarecimento, retificação e
aprimoramento de meus conhecimentos, por ser completa e de
linguagem acessível. Cada vez que lia seu conteúdo, algo
diferente acontecia no meu pensamento, bem como a mudança no meu
comportamento. Sinto-me mais crítico e com outra visão sobre a
humanidade.
A obra é de grande importância a todos que buscam aprimorar seus
conhecimentos filosóficos - educacionais, todavia que o autor é
profundo e minucioso em suas descrições.
Resenha da Obra:
RIBEIRO, EUGÊNIO C. Pensar não dói e é grátis. Blumenau:
NOVA LETRA, 2005. 192 p.
Eugênio C. Ribeiro. Graduou-se em Filosofia. Obteve o grau
de Mestre e especializou-se em Epistemologia e Filosofia da
Ciência, tendo escrito uma crítica à teoria do Mundo Três de
Karl Pooper.
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