|
Temos consciência absoluta do tipo sociedade em que vivemos?
Ou, do modelo de sistema de produção do qual fazemos parte?
As sociedades mundiais têm passado por certos momentos de
modos de vida que, quando estão se acostumando com um
modelo, surge outro.
O primeiro modelo de que se tem conhecimento é a sociedade
Feudal, apesar da primeira mesmo ter sido a sociedade
primitiva, mas, a que envolve sistemas de produção mais
evidente, é a feudal em diante. Um modelo que se só faz
críticas a ele atualmente, talvez porque a exploração da mão
de obra barata e, muito mais que isso, escrava mesmo, que
era muito grande de quem detinha o poder, capital e terras,
sobre os que não tinham. Com certeza era um tipo de
sociedade totalmente desigual. E atualmente? O que angustiou
muito quem tomou conhecimento de como funcionava este tipo
de sociedade.
Séculos se passaram com o modelo de sociedade feudal
imperando. Quando não bem se espera, começa a surgir um
outro tipo de sociedade: as Sociedades Agrícolas. Que não se
notava facilmente a diferença de uma para outra, mas a
diferença básica estava em uma certa descentralização de
poder e domínio absoluto de mão de obra barata e escrava.
Uma descentralização que foi surgindo com alguns produtores
que foram conseguindo trocar sua mão de obra por pequenas
quantidades de terras e começando as suas pequenas
produções, até certo ponto “independentes”, pois, dependiam
de quem comprasse sua produção e, quem podia comprar ainda
era quem detinha poder e capital, por isso, determinavam o
preço que quisessem.
Esse tipo de sociedade também predominou por séculos e
séculos. Quando estes produtores, começaram a ganhar sua
certa independência no campo da produção foram ampliando
seus negócios, foram necessitando, com certeza de mão de
obra, de recursos, de mais terras, de equipamentos, etc.
Neste momento, começa se exigir uma mudança brusca nos meios
de produção. A independência dos produtores começa a ficar
mais ampla. Os trabalhadores, apesar da escravatura ainda
ser um fato, eles não trabalhavam mais somente para senhores
feudais, que somente eles tinham terra e poder. Neste modelo
muita gente já tinha seu mio de produção, suas terras e seus
trabalhadores. Com este modo de produção crescendo, surge a
necessidade de um outro modelo de sociedade: a Sociedade
Industrial.
A sociedade Industrial surge para atender as exigências de
um novo modelo de sociedade que emerge e que exige novos
equipamentos, novas tecnologias, novos métodos para atender
as necessidades daquele momento.
E a educação onde entra em todo esse período, desde o
sistema Feudal, até os nossos dias?
Ela existia nos períodos anteriores somente para os que
detinham poder e capital e para seus familiares. Muito tempo
se passou para que quem os filhos dos operários e produtores
rurais pudessem ter esse direito garantido, sabemos disso.
O modelo industrial exigiu uma legislação de ensino própria,
que começa com a lei 4.024/61, e a 5.692/71, mesmo tendo
surgido outras anteriores a estas, mas que não duraram
muito, até que surgisse a que mais preenchesse as
necessidades do mercado da época e essa tinham como
preocupação a qualificação dos estudantes para uma função
específica nos meios de produção do momento. Neste momento
surgem os cursos profissionalizantes. Cursos que foram
extintos com a atual LDB, Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, Nº 9.394/96, que não mais tem intenção de
formar o aluno para uma função específica, isso fica para
quando ele entrar na universidade, mas, com diversas
habilidades e competências para um montante de informações
que ele irá precisar para o momento.
E a causa brusca dessa mudança no campo educacional qual
será? Não e nada mais, nada menos, que um outro modelo de
sociedade que surge: a Sociedade da Informação. Um modelo
que nele existe um pouco de todos os outros citados até
aqui. Um modelo de sociedade que poucos tem consciência de
como funciona e de qual o seu papel dentro dela.
Os alunos não têm consciência de para que estão estudando.
Os professores não estão muito certos de que tipo de
conhecimento transmitir para o aluno, nem de como fazer
isso, nem também de como proporcionar aos alunos o
desenvolvimento de habilidades e competências que este aluno
irá precisar um dia, e o que pior, de quais serão as
habilidades e competências mais necessárias e importantes
para esse aluno. Isto é culpa do professor? Com certeza não.
Ele é uma das vítimas desse processo de mudança muito rápida
que vem acontecendo neste tipo de sociedade da informação
que estamos vivendo e não temos consciência disto.
E os gestores escolares, que papel terão neste novo contexto
social? Uma sociedade que é marcada por características
evidentes, tais como: a mudança de uma sociedade industrial
para uma sociedade da informação; de relações e organizações
centralizadoras para outras, marcadas pela descentralização;
de sociedades com práticas democráticas e representativas,
para a prática democrática e participativa; de organizações
hierárquicas, para organizações em rede; de definições
polarizadoras da realidade, para definições complexas e
múltiplas; da conservação e acumulação, para a inovação e
transformação.
E a escola? Que rumos ela precisa tomar para atender as
exigências de um modelo de sociedade deste tipo. Que sofre
mudanças bruscas e rápidas constantemente. Situação que
deixa a escola sem um rumo consciente, não importando as
políticas públicas que neste campo forem criadas. Ela sempre
vai estar distante da necessidade que este tipo de sociedade
exige. Isto porque o capitalismo selvagem que impera no
mundo inteiro, investe sempre e constantemente nos campos
que trazem retorno imediato, como turismo, transporte,
setores agrícolas e industriais, entre outros e, quando
qualquer país precisa de recursos dos fundos e bancos
mundiais, conseguem o que querem mas, com cortes e arrochos
onde não exige retorno de lucro alto e imediato: a educação,
saúde, saneamento básico, entre outros setores dos serviços
essências de uma sociedade. Porém, as conseqüências disso
tudo é ter que se gastar muito mais com os prejuízos que
isso tem trazido, que são altos índices de fracasso escolar
como um todo, epidemias, e todas as espécies de doenças que
podem ser evitadas no momento certo, em função da falta de
saneamento de forma geral e da desigualdade social que estas
práticas vem gerando.
Bem que muitos educadores tentam fazer a sua parte para
minimizar esse distanciamento da educação praticada com a
educação ideal ou necessária para o momento. Porém, enquanto
uns tentam, uma boa parte se acomoda. E muita coisa que vem
acontecendo nos diversos campos da sociedade, como a
violência, a desumanização do ser humano, a falta ou
inversão de valores morais, legais e éticos, tudo isso é
fator da desigualdade social causada pela grande e doentia
concentração de renda mundial, assim como, por essa condição
da escola e da família não ter mais consciência dessa
mudança brusca de um modelo de sociedade para outra e se
sentir meio que sem rumo, sem saber bem o que fazer com a
educação e, conseqüentemente com o futuro dos educandos.
Essa concentração de renda é tão grande que todo montante
acima de um bilhão de dólares que circula no mercado mundial
não chega às mãos de quinhentas (500) pessoas, os grandes
bilionários. Eles são especificamente quatrocentos e oitenta
e poucos, não passando disso. Os milionários são muito mais,
mas, para uma população de mais de seis bilhões e meio de
pessoas, isso significa que poucos estão com muito capital e
muitos com pouco e muito mais ainda, sem nada.
Este resultado que ora tenho consciência de que é real, me
deixa triste e com certeza quem ler este texto também, mas
me faz entender melhor meu campo de trabalho para que eu
possa repensar bem o que eu devo e posso fazer para deixar a
minha parcela de contribuição para uma sociedade melhor.
Principalmente no que diz respeito às mudanças que a escola
tem que sofrer urgentemente, ou não contribuirá
significativamente para uma sociedade mais igualitária,
tornando o educando mais capaz de ter sucesso neste novo
modelo de sociedade.
Preciso, antes de concluir, mudar um pouco este discurso de
que precisamos mudar a sociedade, isso é possível em alguns
pontos, como o da violência, dos valores, de um respeito
maior pelo ser humano, entre outros, mas o papel da educação
não é mais somente este, é muito mais que isso. É fazer com
que os educandos aprendam a conviver, se preparem para
enfrentar, a realizar, a assumir e praticar as diversas
oportunidades e funções que esse mundo globalizado exige
deles e para isso precisam desenvolver as diversas
habilidades e competências necessárias para ter chances de
ter sucesso neste mundo em que vivemos. Essa é a nova missão
da escola.
|