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     terça-feira, 10 de abril de 2007

Da sociedade feudal à sociedade da informação 

Por Vivaldo Chagas dos Santos

Temos consciência absoluta do tipo sociedade em que vivemos? Ou, do modelo de sistema de produção do qual fazemos parte? As sociedades mundiais têm passado por certos momentos de modos de vida que, quando estão se acostumando com um modelo, surge outro.
O primeiro modelo de que se tem conhecimento é a sociedade Feudal, apesar da primeira mesmo ter sido a sociedade primitiva, mas, a que envolve sistemas de produção mais evidente, é a feudal em diante. Um modelo que se só faz críticas a ele atualmente, talvez porque a exploração da mão de obra barata e, muito mais que isso, escrava mesmo, que era muito grande de quem detinha o poder, capital e terras, sobre os que não tinham. Com certeza era um tipo de sociedade totalmente desigual. E atualmente? O que angustiou muito quem tomou conhecimento de como funcionava este tipo de sociedade.
Séculos se passaram com o modelo de sociedade feudal imperando. Quando não bem se espera, começa a surgir um outro tipo de sociedade: as Sociedades Agrícolas. Que não se notava facilmente a diferença de uma para outra, mas a diferença básica estava em uma certa descentralização de poder e domínio absoluto de mão de obra barata e escrava. Uma descentralização que foi surgindo com alguns produtores que foram conseguindo trocar sua mão de obra por pequenas quantidades de terras e começando as suas pequenas produções, até certo ponto “independentes”, pois, dependiam de quem comprasse sua produção e, quem podia comprar ainda era quem detinha poder e capital, por isso, determinavam o preço que quisessem.
Esse tipo de sociedade também predominou por séculos e séculos. Quando estes produtores, começaram a ganhar sua certa independência no campo da produção foram ampliando seus negócios, foram necessitando, com certeza de mão de obra, de recursos, de mais terras, de equipamentos, etc. Neste momento, começa se exigir uma mudança brusca nos meios de produção. A independência dos produtores começa a ficar mais ampla. Os trabalhadores, apesar da escravatura ainda ser um fato, eles não trabalhavam mais somente para senhores feudais, que somente eles tinham terra e poder. Neste modelo muita gente já tinha seu mio de produção, suas terras e seus trabalhadores. Com este modo de produção crescendo, surge a necessidade de um outro modelo de sociedade: a Sociedade Industrial.
A sociedade Industrial surge para atender as exigências de um novo modelo de sociedade que emerge e que exige novos equipamentos, novas tecnologias, novos métodos para atender as necessidades daquele momento.
E a educação onde entra em todo esse período, desde o sistema Feudal, até os nossos dias?
Ela existia nos períodos anteriores somente para os que detinham poder e capital e para seus familiares. Muito tempo se passou para que quem os filhos dos operários e produtores rurais pudessem ter esse direito garantido, sabemos disso.
O modelo industrial exigiu uma legislação de ensino própria, que começa com a lei 4.024/61, e a 5.692/71, mesmo tendo surgido outras anteriores a estas, mas que não duraram muito, até que surgisse a que mais preenchesse as necessidades do mercado da época e essa tinham como preocupação a qualificação dos estudantes para uma função específica nos meios de produção do momento. Neste momento surgem os cursos profissionalizantes. Cursos que foram extintos com a atual LDB, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Nº 9.394/96, que não mais tem intenção de formar o aluno para uma função específica, isso fica para quando ele entrar na universidade, mas, com diversas habilidades e competências para um montante de informações que ele irá precisar para o momento.
E a causa brusca dessa mudança no campo educacional qual será? Não e nada mais, nada menos, que um outro modelo de sociedade que surge: a Sociedade da Informação. Um modelo que nele existe um pouco de todos os outros citados até aqui. Um modelo de sociedade que poucos tem consciência de como funciona e de qual o seu papel dentro dela.
Os alunos não têm consciência de para que estão estudando. Os professores não estão muito certos de que tipo de conhecimento transmitir para o aluno, nem de como fazer isso, nem também de como proporcionar aos alunos o desenvolvimento de habilidades e competências que este aluno irá precisar um dia, e o que pior, de quais serão as habilidades e competências mais necessárias e importantes para esse aluno. Isto é culpa do professor? Com certeza não. Ele é uma das vítimas desse processo de mudança muito rápida que vem acontecendo neste tipo de sociedade da informação que estamos vivendo e não temos consciência disto.
E os gestores escolares, que papel terão neste novo contexto social? Uma sociedade que é marcada por características evidentes, tais como: a mudança de uma sociedade industrial para uma sociedade da informação; de relações e organizações centralizadoras para outras, marcadas pela descentralização; de sociedades com práticas democráticas e representativas, para a prática democrática e participativa; de organizações hierárquicas, para organizações em rede; de definições polarizadoras da realidade, para definições complexas e múltiplas; da conservação e acumulação, para a inovação e transformação.
E a escola? Que rumos ela precisa tomar para atender as exigências de um modelo de sociedade deste tipo. Que sofre mudanças bruscas e rápidas constantemente. Situação que deixa a escola sem um rumo consciente, não importando as políticas públicas que neste campo forem criadas. Ela sempre vai estar distante da necessidade que este tipo de sociedade exige. Isto porque o capitalismo selvagem que impera no mundo inteiro, investe sempre e constantemente nos campos que trazem retorno imediato, como turismo, transporte, setores agrícolas e industriais, entre outros e, quando qualquer país precisa de recursos dos fundos e bancos mundiais, conseguem o que querem mas, com cortes e arrochos onde não exige retorno de lucro alto e imediato: a educação, saúde, saneamento básico, entre outros setores dos serviços essências de uma sociedade. Porém, as conseqüências disso tudo é ter que se gastar muito mais com os prejuízos que isso tem trazido, que são altos índices de fracasso escolar como um todo, epidemias, e todas as espécies de doenças que podem ser evitadas no momento certo, em função da falta de saneamento de forma geral e da desigualdade social que estas práticas vem gerando.
Bem que muitos educadores tentam fazer a sua parte para minimizar esse distanciamento da educação praticada com a educação ideal ou necessária para o momento. Porém, enquanto uns tentam, uma boa parte se acomoda. E muita coisa que vem acontecendo nos diversos campos da sociedade, como a violência, a desumanização do ser humano, a falta ou inversão de valores morais, legais e éticos, tudo isso é fator da desigualdade social causada pela grande e doentia concentração de renda mundial, assim como, por essa condição da escola e da família não ter mais consciência dessa mudança brusca de um modelo de sociedade para outra e se sentir meio que sem rumo, sem saber bem o que fazer com a educação e, conseqüentemente com o futuro dos educandos.
Essa concentração de renda é tão grande que todo montante acima de um bilhão de dólares que circula no mercado mundial não chega às mãos de quinhentas (500) pessoas, os grandes bilionários. Eles são especificamente quatrocentos e oitenta e poucos, não passando disso. Os milionários são muito mais, mas, para uma população de mais de seis bilhões e meio de pessoas, isso significa que poucos estão com muito capital e muitos com pouco e muito mais ainda, sem nada.
Este resultado que ora tenho consciência de que é real, me deixa triste e com certeza quem ler este texto também, mas me faz entender melhor meu campo de trabalho para que eu possa repensar bem o que eu devo e posso fazer para deixar a minha parcela de contribuição para uma sociedade melhor. Principalmente no que diz respeito às mudanças que a escola tem que sofrer urgentemente, ou não contribuirá significativamente para uma sociedade mais igualitária, tornando o educando mais capaz de ter sucesso neste novo modelo de sociedade.
Preciso, antes de concluir, mudar um pouco este discurso de que precisamos mudar a sociedade, isso é possível em alguns pontos, como o da violência, dos valores, de um respeito maior pelo ser humano, entre outros, mas o papel da educação não é mais somente este, é muito mais que isso. É fazer com que os educandos aprendam a conviver, se preparem para enfrentar, a realizar, a assumir e praticar as diversas oportunidades e funções que esse mundo globalizado exige deles e para isso precisam desenvolver as diversas habilidades e competências necessárias para ter chances de ter sucesso neste mundo em que vivemos. Essa é a nova missão da escola.
 



Vivaldo Chagas dos Santos – Pedagogo – Habilitado em Orientação Educacional – Pós graduado em Metodologia do Ensino Superior e Cursando Especialização em Gestão Escolar.
vivaldo.santos@manacapuru.com


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