O avanço
tecnológico vem transformando os hábitos numa rapidez descontrolada.
Os objetos perdem sua utilidade e atualidade numa composição de tempo
atômico, isso é preocupante no sentido que as relações, sensações e
comportamentos tendem a se tornarem virtuais, artificiais, distantes!
KUPFER (2007)
classifica a atualidade como um tempo em que se enaltece o registro do
imaginário e ausência de um “Outro” maior. Dessa forma, a falta de uma
rede de sustentação com as tradições e significações capazes de
orientar as ressignificações do futuro, joga os sujeitos a
mercê da fragmentação social capitalista.
A Educação a
Distância é um recurso tecnológico da atualidade que tem causado
muitas discussões, divisando posicionamentos de especialistas. Neste
sentido, chamo atenção para a função simbólica do Outro,
enquanto sujeito que desenvolve socialmente vínculos que possibilitam
a construção de aprendizagens. E a partir da significação que o
Outro dá sobre um determinado indivíduo que as representações
sociais, culturais e cognitivas se processarão na constituição deste
enquanto sujeito.
O corpo
biológico, herdeiro da genética, não é puro real. É da mediação com o
Outro que esse corpo vai sendo libidinizado, deixando de ser um
corpo da necessidade para ser um corpo pulsional. O sujeito, então,
vai constituindo seu corpo numa rede tramada com o imaginário e o
simbólico, principalmente a partir do olhar materno. Dessa forma o
organismo influi na construção do aparelho psíquico e na constituição
do sujeito.
Para os
freudianos a pulsão é um dos conceitos mais importantes da psicanálise
e que se caracteriza como representante psíquico dos estímulos
que se originam
dentro do organismo e alcançam a mente, estando situado numa fronteira
entre o mental e o somático. Funcionam como uma medida de exigência
feita à mente no sentido de trabalhar em conseqüência de sua ligação
com o corpo, agindo como uma força constante.
Para aprender a
pensar se necessita de um Outro que é, ao mesmo tempo,
semelhante e diferente, e que irá dar a possibilidade ao indivíduo de
se tornar sujeito. É indispensável à presença do Outro, mesmo
que de forma inconsciente para que alcance tal condição. Da mesma
forma, é preciso que o Outro reconheça o processo de pensar
desse sujeito, que lhe autorize a pensar diferente dos outros.
A presença do
Outro é indispensável na constituição do sujeito e também porque
se vincula com o desejo. A dimensão do desejo contribuirá para que o
indivíduo, cativo de um organismo, submetido à ordem da necessidade,
do desejo, consiga construir a inscrição de uma relação com o Outro
através do simbolismo.
O pressuposto
básico é o de que o conhecimento representa um poder inalienável no
exercício da cidadania, da sociabilidade. O uso do conhecimento
implica uma relação de poder que vai desde a efetivação da liberdade e
se estende até a conquista dos direitos fundamentais do Ser Humano. O
desenvolvimento da autonomia somente é possível mediante o
conhecimento.
A Educação a
Distância vem produzindo e reforçando a construção de uma postura
aprendente auto-reguladora, ou seja, de autonomia e
responsabilidade pela administração dos conhecimentos. Morin (2002)
acredita que todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o
desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações
comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana. Dessa
forma, a Educação a Distância corrobora para fortalecer os laços de
cidadania, possibilidade de escuta e participação democrática dos
sujeitos em inter atividade.
Penso que as
aprendizagens acontecem a partir da pobreza ou da riqueza da
intervenção no ambiente que é oportunizado freqüentar e não de
características inatas do sujeito. É pela efetiva dedicação e contato
com o meio que se constroem essas aprendizagens. Entendo que aprender
é estar em constante movimento, se apropriando das inovações e
transformações. Como os materialistas acreditam tudo se transforma,
todo fenômeno é um fenômeno dialético nele mesmo. Aprender significa
vencer paradigmas e entrar em ruptura com o próprio conhecimento.
Todos possuem os
genes que possibilitam a existência do cérebro, do espírito, do
escolher, dentro de uma cultura, os elementos que o interessam e
desenvolver as próprias idéias. Todos são capazes de liberdade. O
indivíduo é uma mescla de autonomia, de liberdade, de heteronomia e,
inclusive, de forças ocultas não totalmente explicadas, como o
inconsciente.
Acredito nas
possibilidades que a Educação a Distância está construindo, mas penso
que é um grande desafio. É preciso muita paciência para que ela se
estruture. No entanto, é necessário aproximar conscientemente o
Outro que interage nos ambientes virtuais, nos chats e correio
eletrônico. Reitero que este recurso tecnológico é um instrumento que
vem colaborando para que a auto-regulação da aprendizagem se fortaleça
nos sujeitos, pois é característica dos seres humanos a capacidade
para organizar seu pensamento antes de desequilibrar em aprendizagem.
Isso inclui um planejamento, reflexão, responsabilidade pelas ações e
tomada de consciência. É também uma forma de valorizar saberes e
conhecimentos que são trazidos pelos sujeitos e construir
aprendizagens motivando a curiosidade do desconhecido.
Referências
Bibliográficas
KUPFER, Maria
Cristina Machado. Educação para o futuro: psicanálise e
educação. São Paulo: Escuta, 2007, 3ª ed.
MORIN, EDGAR. Os
sete saberes necessários à educação do futuro. Tradução de
Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. Revisão Técnica de
Edgard de Assis Carvalho. São Paulo: Cortez; DF Brasília, 2002;
Pallof, R. e Pratt,
K. Aluno Virtual: Um guia para trabalhar com estudantes
on-line. Porto Alegre: Artmed, 2004.
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* Professor da Escola
São Mateus, Assessor Pedagógico da Rede Municipal de Novo Hamburgo.
Mestrando em Educação pela Unisinos. Graduado em História,
Especialista em Gestão da Educação, Pós-Graduado em Psicopedagogia:
Clínica e Institucional, acadêmico de Geografia REGESD/UCS. (e-mail:
profedimar@gmail.com).
Autor do livro: “O Pastor Klingelhoeffer e a Revolução Farroupilha”.
Editora Oikos, São Leopoldo-RS,2009 e Campo Bom um lugar para ser
feliz, 2009, editora Um Produções Culturais.