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ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:44:19                                               

 
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EDUCAÇÃO

A subjetivação inconsciente: o outro e a aprendizagem

José  Edimar de Souza*

publicado em 03/02/2010

 

      O avanço tecnológico vem transformando os hábitos numa rapidez descontrolada. Os objetos perdem sua utilidade e atualidade numa composição de tempo atômico, isso é preocupante no sentido que as relações, sensações e comportamentos tendem a se tornarem virtuais, artificiais, distantes!

     KUPFER (2007) classifica a atualidade como um tempo em que se enaltece o registro do imaginário e ausência de um “Outro” maior. Dessa forma, a falta de uma rede de sustentação com as tradições e significações capazes de orientar as ressignificações do futuro, joga os sujeitos a mercê da fragmentação social capitalista.

     A Educação a Distância é um recurso tecnológico da atualidade que tem causado muitas discussões, divisando posicionamentos de especialistas. Neste sentido, chamo atenção para a função simbólica do Outro, enquanto sujeito que desenvolve socialmente vínculos que possibilitam a construção de aprendizagens. E a partir da significação que o Outro dá sobre um determinado indivíduo que as representações sociais, culturais e cognitivas se processarão na constituição deste enquanto sujeito.

     O corpo biológico, herdeiro da genética, não é puro real. É da mediação com o Outro que esse corpo vai sendo libidinizado, deixando de ser um corpo da necessidade para ser um corpo pulsional. O sujeito, então, vai constituindo seu corpo numa rede tramada com o imaginário e o simbólico, principalmente a partir do olhar materno. Dessa forma o organismo influi na construção do aparelho psíquico e na constituição do sujeito.

     Para os freudianos a pulsão é um dos conceitos mais importantes da psicanálise e que se caracteriza como representante psíquico dos      estímulos

que se originam dentro do organismo e alcançam a mente, estando situado numa fronteira entre o mental e o somático. Funcionam como uma medida de exigência feita à mente no sentido de trabalhar em conseqüência de sua ligação com o corpo, agindo como uma força constante.

     Para aprender a pensar se necessita de um Outro que é, ao mesmo tempo, semelhante e diferente, e que irá dar a possibilidade ao indivíduo de se tornar sujeito. É indispensável à presença do Outro, mesmo que de forma inconsciente para que alcance tal condição. Da mesma forma, é preciso que o Outro reconheça o processo de pensar desse sujeito, que lhe autorize a pensar diferente dos outros.

     A presença do Outro é indispensável na constituição do sujeito e também porque se vincula com o desejo. A dimensão do desejo contribuirá para que o indivíduo, cativo de um organismo, submetido à ordem da necessidade, do desejo, consiga construir a inscrição de uma relação com o Outro através do simbolismo.

     O pressuposto básico é o de que o conhecimento representa um poder inalienável no exercício da cidadania, da sociabilidade. O uso do conhecimento implica uma relação de poder que vai desde a efetivação da liberdade e se estende até a conquista dos direitos fundamentais do Ser Humano. O desenvolvimento da autonomia somente é possível mediante o conhecimento.

     A Educação a Distância vem produzindo e reforçando a construção de uma postura aprendente auto-reguladora, ou seja, de autonomia e responsabilidade pela administração dos conhecimentos. Morin (2002) acredita que todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa o desenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participações comunitárias e do sentimento de pertencer à espécie humana. Dessa forma, a Educação a Distância corrobora para fortalecer os laços de cidadania, possibilidade de escuta e participação democrática dos sujeitos em inter atividade.

     Penso que as aprendizagens acontecem a partir da pobreza ou da riqueza da intervenção no ambiente que é oportunizado freqüentar e não de características inatas do sujeito. É pela efetiva dedicação e contato com o meio que se constroem essas aprendizagens. Entendo que aprender é estar em constante movimento, se apropriando das inovações e transformações. Como os materialistas acreditam tudo se transforma, todo fenômeno é um fenômeno dialético nele mesmo. Aprender significa vencer paradigmas e entrar em ruptura com o próprio conhecimento.

     Todos possuem os genes que possibilitam a existência do cérebro, do espírito, do escolher, dentro de uma cultura, os elementos que o interessam e desenvolver as próprias idéias. Todos são capazes de liberdade. O indivíduo é uma mescla de autonomia, de liberdade, de heteronomia e, inclusive, de forças ocultas não totalmente explicadas, como o inconsciente.

     Acredito nas possibilidades que a Educação a Distância está construindo, mas penso que é um grande desafio. É preciso muita paciência para que ela se estruture. No entanto, é necessário aproximar conscientemente o Outro que interage nos ambientes virtuais, nos chats e correio eletrônico. Reitero que este recurso tecnológico é um instrumento que vem colaborando para que a auto-regulação da aprendizagem se fortaleça nos sujeitos, pois é característica dos seres humanos a capacidade para organizar seu pensamento antes de desequilibrar em aprendizagem. Isso inclui um planejamento, reflexão, responsabilidade pelas ações e tomada de consciência. É também uma forma de valorizar saberes e conhecimentos que são trazidos pelos sujeitos e construir aprendizagens motivando a curiosidade do desconhecido. 
 

Referências Bibliográficas

KUPFER, Maria Cristina Machado. Educação para o futuro: psicanálise e educação. São Paulo: Escuta, 2007, 3ª ed.

MORIN, EDGAR. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. Revisão Técnica de Edgard de Assis Carvalho. São Paulo: Cortez; DF Brasília, 2002;

Pallof, R. e Pratt, K. Aluno Virtual: Um guia para trabalhar com estudantes on-line. Porto Alegre: Artmed, 2004.

________________

* Professor da Escola São Mateus, Assessor Pedagógico da Rede Municipal de Novo Hamburgo. Mestrando em Educação pela Unisinos. Graduado em História, Especialista em Gestão da Educação, Pós-Graduado em Psicopedagogia: Clínica e Institucional, acadêmico de Geografia REGESD/UCS. (e-mail: profedimar@gmail.com). Autor do livro: “O Pastor Klingelhoeffer e a Revolução Farroupilha”. Editora Oikos, São Leopoldo-RS,2009 e Campo Bom um lugar para ser feliz, 2009, editora Um Produções Culturais.

Como citar este artigo:

SOUZA, José Edimar de.A subjetivação inconsciente: o outro e a aprendizagem. P@rtes (São Paulo). V.00 p.eletrônica. Fevereiro de 2010. Disponível em <www.partes.com.br/educacao/subjetivacao.asp>. Acesso em _/_/_.

 

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