RESUMO
A Terra passa por
alterações, provocando mudanças no tempo, no clima e causando
transtornos na natureza, especialmente no que se refere às condições
de vida dos seres humanos. Furacões, ciclones, tornados, terremotos,
aquecimento global acontecem com maior frequência, causando
problemas para a rotina das pessoas. O tema é muito comentado em
jornais, revistas e nos noticiários, tornando-se, então, um bom
motivo para ser trabalhado de modo interdisciplinar especialmente
nas aulas de Ciências.
Palavras-chave:
Terremotos, Logaritmos, Fenômenos Naturais, Abalos Sísmicos.
ABSTRACT
The Land passes for
alterations, provoking changes in the time, the climate and causing
inconvenient events in the nature, especially as for the conditions
of life of the human beings. Hurricanes, cyclones, earthquakes,
global heating happen more frequently, causing problems for the
routine of the people. The subject is very commented in periodicals,
reviewed and in the reporters, becoming, then, a good reason to be
worked in way linked, especially in the lessons of Sciences.
INTRODUÇÃO: A ESCALA
RICHTER
De acordo com a
enciclopédia Britanica, Charles F. Richter e Beno Gutenberg (1935),
idealizaram, uma escala de medida de energia sísmica liberada por
terremotos conhecida como Richter, criada na California Institute of
Technology para medir, inicialmente, a magnitude de tremores no sul
da Califórnia. Após recolher dados de inúmeras ondas sísmicas
liberadas por terremotos, Richter criou um sistema para calcular as
magnitudes dessas ondas. Teoricamente, a escala Richter não possui
limite, mas pelos dados registrados até o momento, aconteceram
poucos terremotos com magnitude maior do que nove na escala Richter
desde que a medição começou a ser feita. O instrumento que detecta,
mede e registra as ondas sísmicas naturais ou induzidas, permitindo
obter a amplitude dos terremotos é o sismógrafo. O gráfico obtido
num sismógrafo através do qual se pode observar características da
propagação diferentes das ondas sísmicas, denomina-se sismograma. A
magnitude (graus) é o logaritmo da medida das amplitudes, obtidas
nos sismógrafos, das ondas produzidas pela liberação de energia do
terremoto. Segundo OLIVEIRA e BETI (2009) uma das fórmulas utilizada
para calcular a magnitude é M = log [A/Ao], onde M representa a
magnitude, A representa a amplitude máxima e Ao representa a
amplitude de referência. Nota-se que o fato da escala Richter usar
logaritmos como base matemática, o que, na prática, significa que
uma variação de apenas um número na magnitude de um terremoto,
passando de 7 para 8, por exemplo, na verdade significa um aumento
de dez vezes na amplitude.
UM POUCO DE TEORIA
A Terra é composta de
várias camadas, sendo que a mais interna, o núcleo, é fluída; depois
temos camadas pastosas e finalmente a crosta terrestre é bem sólida.
Uma de suas camadas é chamada de Litosfera, é formada por um
conjunto de cerca de vinte placas móveis.
CARNEIRO (1998) fornece
uma noção simplificada do modelo básico de placas considerando-as a
partir da formação de blocos de rocha apoiados de tal maneira que um
deles pressiona o outro. Na superfície de contato entre duas placas,
isto é, nos locais onde duas placas se uniram ou separaram,
formam-se zonas frágeis de descontinuidades chamadas falhas, as
quais possuem dezenas de quilômetros de extensão. Quando uma placa
incide sobre a outra, inicialmente a força de atrito tende a
mantê-las unidas e em equilíbrio. Então, impedida de se mover a
placa vai lentamente se deformando pelo fato de apresentar
propriedades parcialmente elásticas. Quando duas placas entram em
contato, ocorre inicialmente uma tendência de oposição ao
deslizamento relativo, imposto pela força de atrito que tenta manter
as placas unidas entre si.
Assim, durante um certo
período surgem forças elásticas, ocasionando um acúmulo de energia
potencial elástica de deformação. Trata-se de uma situação de grande
instabilidade. Em geral os sismos são atribuídos a movimentos ao
longo das falhas geológicas entre placas e ao alívio das tensões
acumuladas (MAGALHÃES 1997).
As faixas chamadas de
zonas de convergência, são regiões onde duas ou mais placas
tectônicas convergem numa mesma direção, provocando o choque das
placas e fazendo com que a placa mais densa mergulhe por baixo da
placa adjacente menos densa. Neste encontro de placas convergentes a
tendência é de ocorrer terremotos mais intensos.
TEIXEIRA (200) informa que
em todos esses casos ocorre liberação de energia em forma de ondas
mecânicas que se propagam até a superfície da Terra, produzindo
tremores.
Os terremotos têm um lugar
definido para acontecerem? O mais aceito atualmente é que os
terremotos possuem lugares “preferenciais” para ocorrerem. Os locais
“preferenciais” seriam os limites entre as placas tectônicas.
Segundo BRITO NEVES (1985), as placas tectônicas se movimentam
constantemente, aproximando-se, ou, afastando-se. Os fenômenos de
aproximação são os principais responsáveis pelos tremores de terra.
Sendo assim, o mundo se divide em regiões instáveis, próximas aos
limites de placas tectônicas e estáveis, longe desse limites,
geralmente localizadas no meio das placas tectônicas, como no
Brasil.
MARZA et al. (1999)
afirmam que os terremotos podem ter causas variadas desde
desmoronamentos internos a Terra devido a dissolução de rochas pelas
águas subterrâneas; desequilíbro da distribuição de cargas
sobrejacentes até causas vulcânicas que afetam geralmente as áreas
imediatas ao abalo causando assim tremores geralmente de pequena
intensidade. No entanto as causas dos grandes terremotos são as
atividades das placas tectônicas. Também ocorrem terremotos de menor
magnitude, em certas regiões onde é instalada uma usina
hidroelétrica, por exemplo, somando-se o lago e a barragem toda essa
estrutura é pesada e diferente da que estava antes, produz-se
grandes esforços no terreno gerando pequenas fraturas e por
conseguinte abalos sísmicos. Na usina hidroelétrica de Tucuruí, por
exemplo, foi registrada uma atividade sísmica de magnitude 3,6 no
ano de 1998.
SISMICIDADE INDUZIDA PELO
HOMEM
Os terremotos podem ser
também ocasionados por atividades vulcânicas ou pela própria ação do
homem que, neste caso, recebem a denominação de sismos induzidos.
Como exemplos significativos se têm os sismos produzidos por
explosões nucleares ou gerados pela criação de grandes reservatórios
hidrelétricos.
Cinco tipos principais de
atividades humanas podem afetar o ambiente sismotectônico em suas
áreas de influência, através de mudanças no nível da sismicidade
local. São elas: atividades de mineração e pedreiras; injeção
profunda de fluídos sob alta pressão; extração de líquidos;
explosões subterrâneas; enchimento de reservatórios na construção de
barragens. Alguns testes nucleares realizados na década de 60, com
potência da ordem de dezenas de megatons, produziram sismos
artificiais de magnitudes da ordem de 7. Os sismos induzidos por
reservatórios, embora sejam geralmente de pequenas magnitudes,
podem, às vezes, atingir magnitudes moderadas (entre 5 e 6,5 na
Escala Richter), causando um impacto ambiental e social muito grande
(MARZA et at., 1999).
CONCLUSÃO
A interdisciplinaridade
surge da idéia de que para compreender a complexa realidade é
necessário relacionar os diferentes conteúdos das disciplinas, ou
seja, interagir diferentes áreas do conhecimento a procura de um
entendimento mais global e parcelado. MORIN(2000) comenta que o novo
paradigma requer mudança nos valores e na forma de pensar. A visão
de complexidade da realidade é contrária à idéia da fragmentação da
ciência e conseqüentemente do ensino baseado em disciplinas
isoladas.
De um modo geral,
percebe-se que a questão da interdisciplinaridade vem sendo pouco
explorada nas aulas de Ciências e, de um modo geral, na educação.
Conforme menciona CARDOSO (2009), uma das fontes mais evidentes da
necessidade interdisciplinar encontra-se na artificialidade do olhar
científico, compreendendo-se por isso a característica metodológica
de trabalhar um “projeto construído”, não com a realidade imediata.
Este trabalho, é uma
sugestão para ensinar Ciências relacionada a outros conhecimentos, o
que incentiva, motiva o aluno e define com mais clareza que a
Ciências está presente em muitas situações do seu cotidiano. O
assunto que foi apresentado é muito comentado nos noticiários, em
jornais e revistas o que faz com que seja um bom motivo para ser
trabalhado com os alunos. Permite que o aluno tenha uma visão mais
ampla do mundo, desenvolvendo nele um pensamento mais crítico, para
dar andamento aos seus estudos se empenhando mais em aprender. Um
trabalho interdisciplinar a partir do tema exposto pode viabilizar
uma melhor interação professor-alunos como um elemento facilitador
do processo de ensino-aprendizagem e interação pedagógica. A
interdisciplinaridade permite uma visão diferenciada do mundo, pois
uma diversificação dos enfoques em torno do mesmo assunto permite
ampliar sua compreensão, abrindo espaço a novas idéias ROCHA FILHO
(2006).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Bol. IG-USP. 73p. (Série Didática, 1).
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Vanessa S. Terremotos x Logaritmos: Um Trabalho Interdisciplinar In:
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Anais Digitais.
CARNEIRO, C.D.R. ;
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80p. (Série Ciência Hoje na Escola, v. 10), Companhia Editora
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MAGALHÃES, F.S.. Tensões
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UnG – Série Geociências, v. 2, n. 6, p. 7-18, 1997
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Geofísica, Salvador, CD-ROM, 1999
MORIN, E. Os sete saberes
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OLIVEIRA, A. A. BETI, J.
;A Matemática Envolvida no Fenômeno Natural: Terremoto, anais do
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ROCHA FILHO, J.B. et al ;
Repensando uma proposta interdisciplinar sobre ciência e realidade;
Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias Vol. 5 nº2 , 2006.
TEIXEIRA, W. et al,
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As Causas dos terremotos,
artigo de divulgação disponível em http://www.folha.uol.com.br/folha/ciencia/noticias_2.html.
Acesso: 19/02/2010.