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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 04 de junho de 2010 00:14:57                                               

 
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EDUCAÇÃO
Terremotos, um tema interdisciplinar no ensino de ciências  
Celso Luís Levada, Miriam de Magalhães O. Levada

publicado em 05/07/2009

  

RESUMO

A Terra passa por alterações, provocando mudanças no tempo, no clima e causando transtornos na natureza, especialmente no que se refere às condições de vida dos seres humanos. Furacões, ciclones, tornados, terremotos, aquecimento global acontecem com maior frequência, causando problemas para a rotina das pessoas. O tema é muito comentado em jornais, revistas e nos noticiários, tornando-se, então, um bom motivo para ser trabalhado de modo interdisciplinar especialmente nas aulas de Ciências.

Palavras-chave: Terremotos, Logaritmos, Fenômenos Naturais, Abalos Sísmicos.


 

ABSTRACT

The Land passes for alterations, provoking changes in the time, the climate and causing inconvenient events in the nature, especially as for the conditions of life of the human beings. Hurricanes, cyclones, earthquakes, global heating happen more frequently, causing problems for the routine of the people. The subject is very commented in periodicals, reviewed and in the reporters, becoming, then, a good reason to be worked in way linked, especially in the lessons of Sciences.


 

INTRODUÇÃO: A ESCALA RICHTER

De acordo com a enciclopédia Britanica, Charles F. Richter e Beno Gutenberg (1935), idealizaram, uma escala de medida de energia sísmica liberada por terremotos conhecida como Richter, criada na California Institute of Technology para medir, inicialmente, a magnitude de tremores no sul da Califórnia. Após recolher dados de inúmeras ondas sísmicas liberadas por terremotos, Richter criou um sistema para calcular as magnitudes dessas ondas. Teoricamente, a escala Richter não possui limite, mas pelos dados registrados até o momento, aconteceram poucos terremotos com magnitude maior do que nove na escala Richter desde que a medição começou a ser feita. O instrumento que detecta, mede e registra as ondas sísmicas naturais ou induzidas, permitindo obter a amplitude dos terremotos é o sismógrafo. O gráfico obtido num sismógrafo através do qual se pode observar características da propagação diferentes das ondas sísmicas, denomina-se sismograma. A magnitude (graus) é o logaritmo da medida das amplitudes, obtidas nos sismógrafos, das ondas produzidas pela liberação de energia do terremoto. Segundo OLIVEIRA e BETI (2009) uma das fórmulas utilizada para calcular a magnitude é M = log [A/Ao], onde M representa a magnitude, A representa a amplitude máxima e Ao representa a amplitude de referência. Nota-se que o fato da escala Richter usar logaritmos como base matemática, o que, na prática, significa que uma variação de apenas um número na magnitude de um terremoto, passando de 7 para 8, por exemplo, na verdade significa um aumento de dez vezes na amplitude.

UM POUCO DE TEORIA

A Terra é composta de várias camadas, sendo que a mais interna, o núcleo, é fluída; depois temos camadas pastosas e finalmente a crosta terrestre é bem sólida. Uma de suas camadas é chamada de Litosfera, é formada por um conjunto de cerca de vinte placas móveis.

CARNEIRO (1998) fornece uma noção simplificada do modelo básico de placas considerando-as a partir da formação de blocos de rocha apoiados de tal maneira que um deles pressiona o outro. Na superfície de contato entre duas placas, isto é, nos locais onde duas placas se uniram ou separaram, formam-se zonas frágeis de descontinuidades chamadas falhas, as quais possuem dezenas de quilômetros de extensão. Quando uma placa incide sobre a outra, inicialmente a força de atrito tende a mantê-las unidas e em equilíbrio. Então, impedida de se mover a placa vai lentamente se deformando pelo fato de apresentar propriedades parcialmente elásticas. Quando duas placas entram em contato, ocorre inicialmente uma tendência de oposição ao deslizamento relativo, imposto pela força de atrito que tenta manter as placas unidas entre si.

Assim, durante um certo período surgem forças elásticas, ocasionando um acúmulo de energia potencial elástica de deformação. Trata-se de uma situação de grande instabilidade. Em geral os sismos são atribuídos a movimentos ao longo das falhas geológicas entre placas e ao alívio das tensões acumuladas (MAGALHÃES 1997).

As faixas chamadas de zonas de convergência, são regiões onde duas ou mais placas tectônicas convergem numa mesma direção, provocando o choque das placas e fazendo com que a placa mais densa mergulhe por baixo da placa adjacente menos densa. Neste encontro de placas convergentes a tendência é de ocorrer terremotos mais intensos.

TEIXEIRA (200) informa que em todos esses casos ocorre liberação de energia em forma de ondas mecânicas que se propagam até a superfície da Terra, produzindo tremores.

Os terremotos têm um lugar definido para acontecerem? O mais aceito atualmente é que os terremotos possuem lugares “preferenciais” para ocorrerem. Os locais “preferenciais” seriam os limites entre as placas tectônicas. Segundo BRITO NEVES (1985), as placas tectônicas se movimentam constantemente, aproximando-se, ou, afastando-se. Os fenômenos de aproximação são os principais responsáveis pelos tremores de terra. Sendo assim, o mundo se divide em regiões instáveis, próximas aos limites de placas tectônicas e estáveis, longe desse limites, geralmente localizadas no meio das placas tectônicas, como no Brasil.

MARZA et al. (1999) afirmam que os terremotos podem ter causas variadas desde desmoronamentos internos a Terra devido a dissolução de rochas pelas águas subterrâneas; desequilíbro da distribuição de cargas sobrejacentes até causas vulcânicas que afetam geralmente as áreas imediatas ao abalo causando assim tremores geralmente de pequena intensidade. No entanto as causas dos grandes terremotos são as atividades das placas tectônicas. Também ocorrem terremotos de menor magnitude, em certas regiões onde é instalada uma usina hidroelétrica, por exemplo, somando-se o lago e a barragem toda essa estrutura é pesada e diferente da que estava antes, produz-se grandes esforços no terreno gerando pequenas fraturas e por conseguinte abalos sísmicos. Na usina hidroelétrica de Tucuruí, por exemplo, foi registrada uma atividade sísmica de magnitude 3,6 no ano de 1998.

SISMICIDADE INDUZIDA PELO HOMEM

Os terremotos podem ser também ocasionados por atividades vulcânicas ou pela própria ação do homem que, neste caso, recebem a denominação de sismos induzidos. Como exemplos significativos se têm os sismos produzidos por explosões nucleares ou gerados pela criação de grandes reservatórios hidrelétricos.

Cinco tipos principais de atividades humanas podem afetar o ambiente sismotectônico em suas áreas de influência, através de mudanças no nível da sismicidade local. São elas: atividades de mineração e pedreiras; injeção profunda de fluídos sob alta pressão; extração de líquidos; explosões subterrâneas; enchimento de reservatórios na construção de barragens. Alguns testes nucleares realizados na década de 60, com potência da ordem de dezenas de megatons, produziram sismos artificiais de magnitudes da ordem de 7. Os sismos induzidos por reservatórios, embora sejam geralmente de pequenas magnitudes, podem, às vezes, atingir magnitudes moderadas (entre 5 e 6,5 na Escala Richter), causando um impacto ambiental e social muito grande (MARZA et at., 1999).

CONCLUSÃO

A interdisciplinaridade surge da idéia de que para compreender a complexa realidade é necessário relacionar os diferentes conteúdos das disciplinas, ou seja, interagir diferentes áreas do conhecimento a procura de um entendimento mais global e parcelado. MORIN(2000) comenta que o novo paradigma requer mudança nos valores e na forma de pensar. A visão de complexidade da realidade é contrária à idéia da fragmentação da ciência e conseqüentemente do ensino baseado em disciplinas isoladas.

De um modo geral, percebe-se que a questão da interdisciplinaridade vem sendo pouco explorada nas aulas de Ciências e, de um modo geral, na educação. Conforme menciona CARDOSO (2009), uma das fontes mais evidentes da necessidade interdisciplinar encontra-se na artificialidade do olhar científico, compreendendo-se por isso a característica metodológica de trabalhar um “projeto construído”, não com a realidade imediata.

Este trabalho, é uma sugestão para ensinar Ciências relacionada a outros conhecimentos, o que incentiva, motiva o aluno e define com mais clareza que a Ciências está presente em muitas situações do seu cotidiano. O assunto que foi apresentado é muito comentado nos noticiários, em jornais e revistas o que faz com que seja um bom motivo para ser trabalhado com os alunos. Permite que o aluno tenha uma visão mais ampla do mundo, desenvolvendo nele um pensamento mais crítico, para dar andamento aos seus estudos se empenhando mais em aprender. Um trabalho interdisciplinar a partir do tema exposto pode viabilizar uma melhor interação professor-alunos como um elemento facilitador do processo de ensino-aprendizagem e interação pedagógica. A interdisciplinaridade permite uma visão diferenciada do mundo, pois uma diversificação dos enfoques em torno do mesmo assunto permite ampliar sua compreensão, abrindo espaço a novas idéias ROCHA FILHO (2006).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRITO NEVES, B.B. de. 1985. Teorias e modelos em Geotectônica: Introdução ao problema. Bol. IG-USP. 73p. (Série Didática, 1).

CARDOSO, V. A. et al, Vanessa S. Terremotos x Logaritmos: Um Trabalho Interdisciplinar In: IX Encontro Gaúcho de Educação Matemática, Caxias do Sul, UCS, 2006 Anais Digitais.

CARNEIRO, C.D.R. ; Geologia. São Paulo: Global/SBPC – Projeto Ciência Hoje na Escola. 80p. (Série Ciência Hoje na Escola, v. 10), Companhia Editora Nacional, 1998.399p.

MAGALHÃES, F.S.. Tensões em maciços: aplicação em projetos de engenharia em rocha. Revista UnG – Série Geociências, v. 2, n. 6, p. 7-18, 1997

MARZA, et al In Quest of Unravelling, Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, Salvador, CD-ROM, 1999

MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. Cortez, Brasília:Unesco, 2000

OLIVEIRA, A. A. BETI, J. ;A Matemática Envolvida no Fenômeno Natural: Terremoto, anais do XXXII Nacional de Matemática Aplicada e Computacional, Cuiabá 2009

ROCHA FILHO, J.B. et al ; Repensando uma proposta interdisciplinar sobre ciência e realidade; Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias Vol. 5 nº2 , 2006.

TEIXEIRA, W. et al, Decifrando a Terra, Sismicidade e Estrutura Interna da Terra. São Paulo: Oficina de Textos.

As Causas dos terremotos, artigo de divulgação disponível em http://www.folha.uol.com.br/folha/ciencia/noticias_2.html. Acesso: 19/02/2010.


 

 

 

 
  

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