“Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?”
Legião Urbana
Todos nós conhecemos alguém que reclama de tudo. O tempo todo. Não
é contente com o tempo, com o espaço, com as pessoas, com nada a
sua volta. Todos, caso perguntados, teríamos algum exemplo para
citar, temos a representação de alguém que procede dessa maneira.
Essa é uma das primeiras risadas que damos da hilariante Tana
(Valeria Bertuccelli) que rouba várias cenas do filme. Nada lhe
contenta ou agrada. As conversas das pessoas lhe parecem muito
chatas, nenhum trabalho lhe parece interessante.
Então Tenso (Adrián Suar), seu marido, comenta no futebol que
gostaria de se separar, porém não sabe como. Frente a indignação
de Tenso, seus companheiros de jogo lhe falam de Cuervo Flores
(Gabriel Goity), um sedutor que tempos passados arrasou com o
bairro, tal sua fama com mulheres casadas.
Tenso então procura Cuervo para ter um motivo para se separar de
Tana. Ele duvida que Tana vá se interessar por Cuervo, mesmo
assim, tenta. E a tentativa é muito válida. Concomitantemente
Tenso também arruma um trabalha para Tana em uma rádio.
O quadro que Tana apresenta se torna famoso: as pessoas creditam
seu mal humor a uma maneira irreverente de olhar o mundo. Seu
quadro passa a ter admiradores e o emprego que era para ser uma
armação acaba fazendo sucesso, assim como sua história de amor com
Cuervo.
A partir desse momento Tana melhora em todos os sentidos, já não é
uma mulher irritada, às vezes, até dança pela casa. Tana passa a
sorrir. Tenso então lembra porque um dia se apaixonou por ela. E
se arrepende de um dia ter procurado Cuervo. Para sua surpresa,
quando vai dispensar os trabalhos de Cuervo, descobre que esse
também está apaixonado por Tana, para complicar a história. O que
fazer agora?
Filme que, antes de ser uma história de amor é uma comédia. E das
boas. Faz-nos rir de situações pelas quais também passamos e,
alguns momentos também nós espectadores nos identificamos com Tana.
Algumas de suas reclamações também poderiam ser nossas,
indignamo-nos com situações semelhantes e, como ela, por vezes
também não vemos saída. Humor inteligente, bem construído e com
falas que nos fazem chorar de rir, faz-nos sentir, nós que
conhecemos uma nostalgia da Argentina.
E como termina essa história de amor? O convite está feito e
lembremo-nos que, talvez mais importante que o final de tudo, seja
o processo. Faz-nos lembrar que relacionamentos também possuem
altos e baixos e que talvez mais complexo que desistir seja querer
lutar por ela. A escolha é a de cada um de nós.
[*] Professora de Filosofia e
Ensino Religioso da Rede Municipal de Formigueiro, RS,
mestranda em Educação pelo PPGE/UFSM.
Como citar este artigo:
SANTOS,
Fernanda Gabriela Soares,Filme “O Gigante”: Uma
Ode Ao AmorP@rtes (São
Paulo). V.00 p.eletrônica.
dezembro 2009.
Disponívelem
<www.partes.com.br/educaca/jeancharles.asp>.
Acessoem
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