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Amor e Verdade
Fernando Marrey Ferreira
Tenho dois amores em minha vida; são duas
criaturas maravilhosas que enriquecem minha existência. O José Eduardo, meu filho mais
velho, sempre me solicita mais, quer minha atenção o tempo todo. O Luiz Fernando tem um
jeito muito sutil de se fazer notar. O amor que sinto pelos dois transcende qualquer tipo
de medição. Nosso relacionamento é muito democrático, cada um com total liberdade para
tentar conquistar seu espaço e afirmar suas vontades, mas no fim conseguimos encontrar o
meio termo e satisfazer todas as vontades. Como todas as relações humanas, às vezes nos
deparamos com algumas encruzilhadas mas buscamos a todo tempo superá-las. A verdade e a
transparência solidificam os laços nesta relação com meus filhos.
A vida e a individualidade de cada um sempre deve ser respeitada, mas como pai
presente e amigo muitas vezes tenho que corrigir e educar, mostrando o melhor caminho que
no meu ponto de vista parece ser o mais aconselhável. Como todo o ser humano é passível
de falhas, erro muitas vezes na orientação dirigida; saber reconhecer o erro, recuar e
buscar nova proposição é uma constante. Como estas relações estão pautadas em
profunda transparência e verdade tudo fica mais fácil. A rotina é dura, acordar às
seis todos os dias para que não percam a aula é uma tarefa dura. Algum dia pode ocorrer
de um dos dois não levantar e aí, o pai, sempre em pé no horário fatídico, impõe e
exige, chamando a responsabilidade - basilar para a formação da criança. Como moramos
somente os três e minha ajudante, tenho que acompanhar a lição de casa, tarefa fácil
de se fazer pois sempre cumprem impreterivelmente esta obrigação. O dia mais difícil
onde podem ocorrer exceções a esta regra positiva é a sexta-feira pois têm a
possibilidade de fazer a tarefa até no domingo.
Sou muito dedicado à educação deste seres que não pediram para nascer, é minha
obrigação zelar pela melhor educação e formação. Todos os pais devem agir desta
forma doando e abdicando de momentos próprios em prol desta exigência. Muitos pais
preferem, entretanto, mandar o filho ir pedir esmola na rua ao invés de ir para escola. A
bolsa-escola é um projeto político reconhecido internacionalmente como eficaz na
retirada das crianças das ruas. Alguns políticos pouco louváveis acabam com este
procedimento público pelo simples fato de ter sido seu antecessor e opositor que o criou.
Isto é uma vergonha. Claro que a formação da criança também depende de um ambiente
familiar saudável, mas definir o que seja o padrão social necessário para propiciar
este ambiente é muito questionável. Na minha opinião o amor é o mais importante pois
é a base de minha relação com meus filhos.
Em segundo lugar está a verdade, a transparência condições primeiras na
formação da confiança dos filhos nos pais. A realidade quase sempre é muita dura,
omitir para preservar não é o ideal. Cada caso é um caso; contudo onde existe amor
verdade cria-se um ambiente propício para fundamentar honestamente as relações humanas.
Como queria ter tido o que meus filhos têm: honestidade, amor e verdade.
Fernando Marrey Ferreira, 33,
advogado do povo, especialista em Integração Regional e especializando-se em Jornalismo
Internacional na PUC-SP.
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