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Nas sociedades capitalistas
liberal-conservadoras do ocidente, o discurso
ideológico domina a tal ponto a determinação de
todos os valores que muito freqüentemente não
termos a mais leve suspeita de sermos levados a
aceitar, absolutamente sem questionamento, um
determinado conjunto de valores... .
Naturalmente, aqueles que aceitam tacitamente
a ideologia dominante como a estrutura objetiva
do discurso “racional” e “erudito” rejeitam como
ilegítimas todas as tentativas de identificar as
suposições ocultas e os valores implícitos com
que está comprometida a ordem dominante. (Mészáros,
1996, p.13 e 14).
INTRODUÇÃO
Inacreditável, mas estão naturalizando o
entendimento do fenômeno turístico,
considerando-o como uma disciplina nitidamente
distinta da própria ciência, algumas
instituições de ensino superior e centros de
investigação parece embarcar nesse novo modismo
pseudo - acadêmico dado pelo arcabouço teórico
da fenomenologia.
Esse processo, decorrente da nova lógica do
Capital se explicita na forma dos capitalismos
denominados neoliberal, apresentados como o
instrumento salvador que permitiria estimular os
mecanismos para um novo estágio de acumulação do
próprio Capital.
Entretanto, a citação de Mészáros no inicio do
texto colabora para o entendimento do processo
de despolitização em que a racionalidade
normativa de base oficialista acompanha uma
universalidade decorrente do movimento dado pela
economia neoliberal. A sociedade civil caminha
nos trilhos da falsa cidadania, em que a
ausência de auto crítica e o refletir do
cotidiano dentro da ideologia reificada impedem
a formação da consciência crítica.
Servindo de orientação para alguns docentes e
organismos oficiais, seus escritos e falas estão
ilustrados nas amaras de uma secundarização de
nossa organização política e sindical aliados a
um discurso messiânico e ufanista que afirma que
o “profissional competente" sempre terá
colocação no mercado de trabalho, independente
das condições da economia. Esse entendimento é
muito próximo de uma visão religiosa, pois
acredita que nós turismólogos somos os próprios
messias, pois o que vai valer é nossa capacidade
de fazer milagres, portanto, ser um santo
competente dos afazeres divinos na terra, capaz
de conseguir trabalho, mesmo que a economia
esteja em plena recessão.
O que tem acontecido é que respeitados
professores e pesquisadores acabam se curvando
diante das diretrizes dadas pelo banco mundial e
muitas vezes sem saber ou até sabendo, tornam-se
defensores do processo ideológico da
despolitização. Transformando-se em maestros do
concerto para o "consenso", explicando-se por si
mesmo, uma perfeita apologia ao egoísmo
separatista e desagregador do pensamento
burguês, em que a noção de existência da
neutralidade cientifica ganha adeptos.
No turismo esse processo se mostra forte, pois a
falta de estudos científicos nesta temática,
acaba facilitando o avanço hegemônico do
pensamento tecnicista, dando ao curso uma
tonalidade de cunho tecnológico e experimental,
em que a base empírica prevalece dentro do
projeto pedagógico.
Paralelo a essas questões de base epstemológica
existem outras de natureza política,
organizativa e sindical que apesar de parecerem
distintas, estão extremamente interligadas em um
processo para a construção do saber turístico.
Por ser um fenômeno que nesses últimos anos tem
sido objeto de certa regularidade investigativa,
permite hoje possuir o status de ciência,
requerendo dos estudiosos deste fenômeno um
repensar de seu papel no cotidiano da sociedade.
Impossível pensar o fenômeno turístico fora dos
contornos do movimento da história, pois o
mesmo, desenvolve-se nas referências do
econômico, social e cultural em que pessoas agem
por meio da ação da categoria trabalho,
oferecendo um produto que dê conta do lazer e
turismo no interior da sociedade contemporânea.
Neste sentido, confirmamos a lógica histórica
marxiana na qual o pensamento científico não
este deslocado de suas bases materiais de
produção, capaz de realizar uma leitura concreta
da realidade e com isso, reafirmar nossa postura
de não compactuarmos com a fenomenologia e com
os apologistas do neoliberalismo.
Como Turismólogo e Cientista Social repudio toda
e qualquer tentativa de despolitização e
naturalização do fenômeno turístico. Aos
pós-modernos que trabalham na trama do discurso
vacinado pela ideologia liberal, entendemos
haver necessidade de aprofundar essa questão e
discuti-lá em cima do desenvolvimento da
ciência, pois só assim, poderemos nos eximir de
embates pessoais pautados nos preconceitos
ideológicos que infelizmente ainda marcam alguns
setores da academia e de entidades
representativas de nossa categoria.
Para podermos proceder nessa linha de avanço da
ciência e do embate acadêmico das idéias,
necessitamos entender o desenvolvimento da
sociedade contemporânea em sua dimensão
histórica, percorrendo o caminho da crise do
Capital e suas implicações para o capitalismo.
Essa leitura permitirá compreender a questão
ontológica do processo e apreender toda a
essencialidade do fenômeno turístico.
Nossa contribuição esta centrada na reflexão do
fenômeno turístico e do turismólogo, buscando
entende-los e problematiza-los nas falas
contrárias existentes à regulamentação da
profissão.
Salientamos que nosso embate deve ser
compreendido no interior do campo das idéias e
nunca dirigido às pessoas, respeitando opiniões
divergentes e sabendo aceitar às diferenças no
estudo da ciência do turismo. Nesse sentido,
avançaremos como cidadão na busca de uma
qualidade de vida superior e aderimos a uma
racionalidade capaz de permitir a convivência
entre os homens.
O
uso da delação em tempo virtual pela internet
como prática política e da injúria como habito
que existiam nos tribunais da inquisição,
aparecem no cotidiano de nossa sociedade. Se
constituindo em armas dos incompetentes e/ou
daqueles que possuem inexpressivo grau de
sociabilidade diante do "homo sapiens".
Nesse sentido, vale a pena destacar a existência
e a importância do "Código de Ética do Bacharel
em Turismo" que em seu artigo13º afirma: O
Bacharel em Turismo deve abster-se de:
1º - praticar qualquer ato que possa
prejudicar os legítimos interesses de outro
profissional;
2º - criticar de maneira desleal os trabalhos
de outro colega de profissão;
3º
- apropriar idéias, planos e projetos de
iniciativa de outros profissionais, sem a
devida autorização dos autores;
4º - rever ou retificar o
trabalho de outro profissional, sem a anuência
do autor;
5º- realizar qualquer ato inidôneo que
prejudique a reputação ou a atividade
Exercida por outro colega;
6º-
intervir na relação comercial entre outros
profissionais e seus respectivos clientes,
exceto nos casos em que sua participação tenha
sido expressamente solicitada.
Os itens acima nos garantem uma certa liberdade
para defesa, quando formos objeto de atitudes
fascistas e covardes que não sabem respeitar as
diferenças de pensamento, e julgam que acender
profissionalmente só é possível às custas da
negação física do outro.
SOCIEDADE PÓS-MODERNA: O ENCOLHIMENTO
REVOLUCIONÁRIO E POLÍTICO DA SOCIEDADE
CAPITALISTA.
Nada mais desafiador para um turismólogo e ao
mesmo tempo reconfortante para um sociólogo,
poder colaborar na organização política e
sindical dos bacharéis de turismo, apesar dessa
dupla formação profissional, existe uma unidade
de interesses que se completam. Ao cientista
social cabe a função de mostrar a importância de
se ter uma categoria politizada e defensora de
seu mercado de trabalho e ao bacharel em turismo
permitir o conhecimento de uma referencia
crítica sobre seu objeto de trabalho.
Entretanto, para podermos iniciar essa
discussão, devemos mostrar qual a premissa que
orienta nossa visão de mundo e nos levou para o
ponto máximo de nossa racionalidade permitindo o
livre transito no exercício do pensamento
crítico. A primeira é aquela que afirma: toda
sociedade para poder de fato existir deve ter
seu próprio sistema educacional.
A realidade social não pode ser vista como
estruturas pré – idealizadas, onde os elementos
da produção e da troca sejam considerados
exclusivos e os únicos determinantes para a
explicação do funcionamento de uma sociedade.
Essa organização humana se explica por meio de
seus atos teleologicamente definidos na qual
denominamos trabalho, desenvolvendo um “modus –
operantis” próprio que se plasma na relação
dialética entre os homens:
Não existe atividade humana da qual se possa
excluir toda intervenção intelectual, não se
pode separar o Homo faber do Homo sapiens. Em
suma, todo homem, fora de sua profissão,
desenvolve uma atividade intelectual qualquer,
ou seja, é um “filósofo”, um artista, um homem
de gosto, participa de uma concepção do mundo,
possui uma linha consciente de conduta moral,
contribui assim para manter ou para modificar
uma concepção do mundo, isto é, para promover
novas maneiras de pensar.
O sistema educacional, nesse sentido, também
produz e reproduz a estrutura de valores na qual
os indivíduos definem seus interesses e agem
quotidianamente, com isso, afirmo que o
capitalismo força a criação de uma estrutura
material e ideológica de perpetuação, porque o
sistema educacional desempenha um papel
fundamental na interiorização e inculcação dos
conteúdos nos indivíduos. Forma-se uma poderosa
ideologia de defesa do sistema e quando a ela
nos referimos podemos afirmar sem grandes erros
que a mesma guarda, resguarda, cultua e
privilegia concepção de mundo da classe
dominante.
O campo da crítica permanece sob controle, nada
escapa ao crivo daqueles que a usam para
diminuir e ocultar a compreensão da realidade,
esse processo é empregado em todos os campos da
educação, principalmente no estudo do fenômeno
turístico. Em virtude de este possuir poucos
anos de investigação científica e explicitar-se
pedagogicamente por uma enorme referência de
base técnica, em que o treinamento e o
adestramento aparecem como capazes de melhorar o
trabalho profissional de uma gama apreciável de
profissionais que compôem a atividade turística.
Esse imediatismo pragmático que muitas vezes
aparece disfarçado pela busca da "qualidade
total" encobre o estudo teórico do turismo
restringindo qualquer visão crítica que possa
abalar o status-quo do estado Capitalista.
O processo de destruição da razão crítica e
ascensão do irracionalismo vão atingir o
fenômeno do turismo em duas grandes frentes; na
organização política e sindical da categoria e
na concepção teórica-científica de entendimento
de seu objeto.
A primeira de base sindical e de
organização política, refere-se à união
dos turismólogos na defesa de seus interesses
profissionais para atuação no mercado de
trabalho. Esse processo exige uma certa
paciência histórica, pois requerer a criação de
uma representação que lute em favor dos
interesses da categoria e deva passar pelo crivo
da mesma e ser aprovada pela massa dos
trabalhadores. Uma primeira etapa foi vencida
com a criação de vinte “Associações Brasileiras
de Bacharéis de Turismo” – ABBTUR em vinte
Estados brasileiros orientadas por umas
organizações nacionais, que com uma luta
persistente, conseguiu em todos esses anos
estabelecer representações em todos os níveis do
governo Federal e sensibilizar o “Ministério da
Educação e Cultura” na criação de um conselho
próprio que nos legitima perante os órgãos
educacionais do país.
E com o apoio de todos os presidentes da ABBTUR/Nacional
e regionais, esses trinta anos de luta,
conseguimos que o nosso projeto de
regulamentação tramita-se em todas as instancias
da estrutura administrativa do governo Federal,
com apoios ora efusivos ora discretos. Porém,
necessitamos dar mais um passo em favor de nossa
organização política e sindical, ou seja, a
criação das “Associações Profissionais de
Bacharéis de Turismo – APBTUR e ativação e/ou
criação dos Conselhos de Ética nas entidades
para podermos requerer e lutar na formação de
nosso futuro sindicato”.
Por quê insistir na ativação ou criação
dos Conselhos de Ética e na regulamentação da
profissão?
·
Em primeiro lugar
por entendermos que na sociedade capitalista a
categoria profissional que não se organiza
demonstra fraqueza, incompetência e possuí uma
existência inconclusa enquanto classe para poder
enfrentar o cotidiano na defesa dos seus
interesses profissionais. A nós turismólogo
ficaria reservado uma vida de agregados e
parasitas, colando-nos na rabeira de outras
organizações profissionais para não perecer-mos.
Como nós ocorreu com a intromissão indevida e
nefasta do Conselho Federal de Administração que
tentou substituir nossa identidade, quando
autorizou nossa filiação em seu Conselho.
·
Com a existência de
nosso Código de Ética que foi criado em 29 de
maio de 1999 instituiu–se extra-oficialmente o
Conselho Nacional de Ética. As seccionais
deveriam ter instituído as suas Comissões
Estaduais de Ética, mas pouco fizeram para que
isso acontecesse, pois as ABBTURs regionais
direcionaram seus esforços políticos e
financeiros na consolidação da própria entidade.
E aqui cabe uma homenagem a todos turismólogos
que direta e indiretamente permitiram que hoje
fossemos uma categoria profissional de ponta no
campo do turismo.
·
Os Conselhos de
Ética possuem uma história no meio do movimento
operário brasileiro que se explica pela
necessidade de vir a defender os interesses
individuais e coletivo do trabalhador é natural
que apareçam as chamadas questões corporativas.
Os Conselhos são necessários para impedir a
invasão do nosso campo de trabalho por curiosos
e leigos ou por outras áreas profissionais.
Portanto a sua principal finalidade é proteger,
defender o espaço de atividade do turismólogo e
zelar para que o mesmo cumpra seu papel
profissional de forma eficiente e social.
.
Cabe ressaltar que
por sermos um numero pequeno ainda de
turismologos, convivemos com profissionais de
outras áreas que assumiram cargos de coordenação
no curso de turismo e sem qualquer
constrangimento perante a categoria são aceitos,
por sua competências e defesa intransigente do
turismólogo. A eles devemos parte de nossa luta
como profissionais que souberam respeitar e
dignificar nossas funções e conosco cerram
fileiras nas lutas por nossa regulamentação.
·
A função do
Conselho é lutar para podermos nos credenciar
perante a sociedade, fiscalizando e acompanhando
o exercício da profissão, atuando em assessorais
para realização de concursos públicos na área e
disciplinador do exercício profissional.
Significa contribuir para uma organização
sindical brasileira constituída de trabalhadores
críticos, conscientes e qualificados que possuam
o respaldo de uma legislação do exercício
profissional.
·
A regulamentação da
profissão que deveria ser o movimento natural de
uma organização política sindical se constituiu
em um mecanismo de defesa da própria sociedade,
pois coloca à disposição das mesmas
profissionais qualificados para atenderem os
indivíduos em suas necessidades de lazer,
recreação e turismo. Portanto, são profissões
que exigem uma relação pessoal, pois começam com
uma prestação de serviço direta que se utilizam
uma macro- estrutura que deve estar sintonizada
com os interesses do cliente e é sempre de
responsabilidade do profissional que iniciou o
contato.
DISCURSOS E LADAINHAS USADAS PARA NÃO
ENCAMINHAR A LUTA PELA REGULAMENTAÇÃO DA
PROFISSÃO.
Em primeiro lugar, gostaríamos de esclarecer
aos turismólogos e leitor em geral teve o
privilegio de ser um dos fundadores da ABBTUR/SP
em 14 de novembro de 1981. Desenvolvemos com
alguns companheiros a gerencia da instituição de
forma democrática, em que todos tinham o direito
de expressar sua opinião em prol da união da
categoria, faço questão de nominar até com o
perigo de minha memória me trair os seguintes
companheiros: Maria José Giaretta, Marlene
Matias, Araci Miranda, Elizabeth Wada, Antônio
Carlos Tabet, Vera Lucia Gomes Jardim, Luiz
Antônio Braga e Francisco de Canindé Gentil
Vieira. Esses amigos e parceiros de luta em prol
do processo de regulamentação da profissão. Em
muitos momentos colocaram suas vidas em risco,
pois estávamos em plena ditadura militar e
alguns chegaram a sofrer ameaças de processos
políticos por serem acusados de comunistas, isto
é, perseguição de cunho ideológico que hoje não
deveria existir mais.
Nunca nos curvamos ou recuamos diante do aparato
intimidador do Estado militar, mas sim, fomos
ousados e persistentes em Brasília e mantivemos
a prontidão sempre na vanguarda diante dos
presidentes da Embratur que acabaram tendo de
nos aceitar e respeitar uma categoria aguerrida,
unida e consciente de nossos direitos.
Essa história de luta aliada a experiências de
cada um atuando nas mais diferentes áreas do
turismo com profissionalismo seja no mercado ou
na academia, trouxeram uma unidade de parte do
grupo que continua lutando em torno dos
interesses da categoria. Esse processo
estendeu-se pelo Brasil e hoje contamos com 20
ABBTUR’s no território nacional, sendo
atualmente a de Minas Gerais a que responde pela
entidade nacional, que por sinal vem
desempenhando um papel fundamental de formação,
informação e politização da categoria.
O primeiro tipo de discurso que aparece contra a
regulamentação é aquele muito comum no universo
da lógica neoliberal, o qual denominei de
discurso do consenso que
instrumentaliza-se na capacidade profissional e
individual como elemento diferenciador da
demanda imposta pelo mercado. Costuma-se afirmar
que os melhores profissionais conseguirão
sobreviver no mercado e os outros irão perecer.
Essa lógica possui uma explicitação de cunho
racista, muito utilizada pelos políticos que
vivem do estado brasileiro que na desculpa de
não poderem explicar a sistemática seletiva e
exploradora do sistema econômico capitalista,
colocam a culpa dos insucessos aos profissionais
no mercado como resultado de indivíduos
despreparados, como se fosse um processo
seletivo. Os fundamentos dessa explicação foram
dados no século XIX pelo francês Gobineau que na
tentativa de justificar a existência da
aristocracia como seres superiores os colocavam
como indivíduos iluminados. Portanto, aquela
ladainha que o mercado aproveitará os melhores
preparados pode não ser tão verdadeiro assim,
depende da classe que ele pertence e das
melhores oportunidades educacionais que o mesmo
usufruiu. Entretanto, isso tem servido de
argumento para afirmar que a nossa
regulamentação é desnecessária, pois o mercado é
o melhor codificador de nossas atividades
profissionais.
Essa fala se apresenta como padrão em quase
todos os lugares tornando-se um consenso no
interior do discurso político do sistema
educacional brasileiro, que assim consegue
desviar seu descaso para com a educação, pois
coloca a culpa nos alunos que tem de travar uma
luta feroz para sobrevir pela baixa demanda
apresentada pelo mercado, por isso chamados de
incompetentes. Essa lógica dita de mercado não
atende a nenhum padrão de racionalidade, mas sim
a um fetiche determinado pelo Capital que usa
dos preceitos racistas para explicar o real.
Uma outra fala é aquela que de forma míope e
despolitizada enxerga a regulamentação da
profissão como uma maldita reserva de
mercado e, portanto maléfica para a
sociedade e para a própria atuação profissional.
Essa forma equivocada de entender a reserva de
mercado leva as pessoas a posturas do tipo: sou
a favor da regulamentação, mas não da reserva de
mercado; a regulamentação é fundamental, mas não
prioridade no momento, necessita aprimorar
primeiro nosso atuação profissional.
Com esse discurso, pouco sobra na defesa de
nosso campo de trabalho, pois a lógica que esta
por detrás desses enunciados favorecem
principalmente aos curiosos e aqueles campos
profissionais que estão caminhando para a
saturação de suas áreas no mercado. Isso ocorreu
com a ciência da administração que por vários
momentos e maneiras diferentes tentou nós adotar
por não termos nenhuma regulamentação jurídica
que se demarca nossa atuação profissional.
O discurso do Estado liberal brasileiro é a
favor de um processo amplo de desregulamentação
das atividades profissionais, esse mecanismo
dito como processo natural e sadio para o
desenvolvimento do sistema, nos coloca em uma
situação extremamente grave, pois cultiva e
inculca a ideologia de que os melhores
preparados sobreviverão no mercado, como
explicitamos acima. E afeta drasticamente os
cursos superiores de turismo que acabam
recebendo uma carga imensa de indagações por
parte dos alunos sobre como se comporta a
demanda de mercado frente ao turismólogo
formado, criando um clima de desanimo quando
percebe que o estado regulamenta outras
atividades profissionais da área do turístico e
há vinte anos vem desmobilizando ou vetando as
propostas de projetos lei sobre a nossa
regulamentação.
Descobre o estudante que o estado que se diz
contra a regulamentação profissional, continua
regulamentando outras profissões, tais como;
peão boiadeiro e professor de Educação física,
as quais merece toda nossa distinção e
congratulações pela luta sindical desenvolvida
que lhes permitiu serem reconhecidos como
profissionais que tem sua atividade laboral
registrada e protegida pelas leis trabalhistas.
Nos parece ingênuo persistir no antigo e
desgastado discurso contra a reserva de
atividades ou de mercado que tanto marca a fala
de pessoas descomprometidas com a organização
sindical de várias categorias existentes.
Além do que, esse discurso de impacto que cultua
a não reserva de mercado não poderia ser fala de
lideranças sindicais, mas sim, daqueles que
compactuam com o governo, com o objetivo de
conseguir migalhas com o intuito de trazer à
categoria o consenso do estado nas questões
sindicais e, portanto retardar o processo de
regulamentação.
Uma outra fala, muito comum é aquela que passa
pela pseudopreocupação da qualidade dos
cursos esse discurso é próprio dos políticos que
respondem a questões relacionadas ao turismo e
acabam tornando nossa situação profissional cada
vez mais longe do processo de reconhecimento.
Trabalham com dados quantitativos citando o
elevado numero de cursos de turismo e o derrame
de uma mão de obra não perfeitamente
qualificada.
Esse processo de criticar o grande numero de
cursos e a qualidade dos mesmos tem procedência
correta, porem esse comentário vem carregado
muitas vezes de uma vulgaridade, pois para se
conseguir regulamentar a profissão há
necessidade de em primeiro lugar melhorar os
cursos de turismo e atuar na qualificação da mão
de obra. Para posteriormente no momento certo
buscar a regulamentação.
A separação do político do pedagógico que tentam
fazer com fenômeno turístico é desastrosa, como
se a qualidade do mesmo fosse algo atingível em
qualquer momento, esquecendo-se que o mesmo é
resultado de um processo histórico e por assim
se expressar sua relação com as questões de
organização política e sindical da categoria
fazem parte de seu cotidiano desde a criação dos
cursos. Quem tenta mostrar essa dicotomia padece
da formação de cidadania e desconhece que é
parte do processo educativo a formação política
sindical do cidadão.
E uma das piores posturas é aquela que usa de
vocabulário ligado a um passado de terror e
repressão, insinuando e advertindo seus
pares com um palavrório danoso porque este
carregado dessa época em que muitos se recordam.
E o convívio com o diferente nessa lógica
aparece como algo impossível, pois a
intolerância de certas entidades publica e civis
quando não democráticas, produzem a conhecida
linguagem da desmoralização individual, tais
como; covardes, instigadores, mentirosos,
frustados profissionalmente (da qual fui alvo)
usam política partidária, irresponsável por
quererem desunir a categoria. Essa é a fala
mais dolorida, pois é aquela em que o sistema se
torna irredutível num programa de caça aos que
destoam da entidade, adora atingir a moral dos
outros e de suas famílias, tentam muitas vezes
provocar a demissão invocando denúncias
ideológicas e destruí-los academicamente,
reeditando dentro das entidades as antigas
formas do período militar.
AS FUNÇÕES DO EDUCADOR VÃO ALÉM DA SALA DE
AULA
A função de uma instituição de ensino superior
estão descritas na LDB que junto a foros
próprios possuem seus órgãos de fiscalização
para o exercício de suas funções e não pode
permitir que pense a educação como uma atividade
fora da organização política da categoria, como
assim fez questão de frisar seu criador, um dos
maiores antropólogos e educador desse século o
hoje ausente mas sempre presente pela produção
que deixou para a humanidade. Em um dos seus
itens afirma:
Educar e preparar o indivíduo para o mundo e
torná-lo consciente, crítico e defensor de seus
direitos, a educação, portanto, ultrapassa o
conteúdo acadêmico e do ementário, pois não
deveria existir educador sem a visão de
totalidade. A escola deve associar os seus
conteúdos pedagógicos às lutas maiores da
sociedade nacional e internacional.
Assim entendemos que é função também do educador
orientar e iniciar seus alunos, na discussão de
sua organização profissional, questionar as
ações dos projetos institucionais e das
entidades relacionadas ao turismo. Buscar
politizar
o conteúdo deve estar calcado na realidade
social e política, pois não podemos
desconecta-la da vida social e nem toma-la como
algo neutro como bem defenderia Émile Durkheim
no estudo do fato social como coisa.
Umas educações militantes, competentes,
democráticas para ser crítica exige seriedade e
leitura disciplinada dos textos clássicos das
Ciências Sociais, não passar por essa fase é
permanecer no plano sincrônico do movimento da
história. Mantendo umas compreensões
tradicionais, congeladas e imutáveis da
sociedade, que acabam estimulando a intolerância
pelo diferente e o novo. Denominado pelas falas
pesadas e ofensivas de baderneiros,
desaglutinadores, comunistas e professores
irresponsáveis, pois não deveriam misturar
política com a academia.
Que falta fazem professores com perfil de
Florestam Fernandes, educador e sociólogo de
fama internacional, pai intelectual de todos os
outros com suas devidas influências, marcou a
produção acadêmica no Brasil e no exterior com a
criação de uma teoria latino americana no campo
das Ciências Sociais. Uns dos intelectuais
cobiçados pelas universidades norteamericas e
agraciados com convites e honrarias como
professor honores causa por grandes
universidades europeas. Fazendo pensar um Brasil
no campo da história política do racismo e do
processo da contra revolução do Capital.
Darcy Ribeiro o antropólogo historiador e
educador que decifrou a formação cultura
brasileira, descrevendo os atores que compõem a
idiossincrásia nacional. Um verdadeiro Vinícius
de Moraes que ao escrever sob a sociedade
indígena a fazia com a arte de um poeta,
cadenciando o desfilar de uma cultura que
agonizava, mas lutava para se manter.
Os dois considerados os mestres dos mestres,
pois faziam de suas aulas tribunas de luta
contra as injustiças sociais e iniciavam seus
alunos na crítica da sociedade capitalista,
capacitando-os com imenso arcabouço teórico
capaz de enfrentar qualquer embate acadêmico e
destruir as falas dos irracionalistas. Que
sempre argumentam que política esta separada dos
conteúdos acadêmicos, esse equivoco leva
entender a universidade e faculdades como
instrumentos transmissores de um saber
desqualificado de vida e extremamente
tecnicista. Colaborando para a despolitização
dos nossos alunos e conseguente a atrofia na
formação da cidadania.
Exigir a regulamentação da profissão não é algo
atrasado como afirmam os soldados guardiões da
qualidade total que pretendem nos impor a
certificação. Transformando-nos em "ISO" como se
fossemos mercadorias, trocando a importância de
um conteúdo pedagógico crítico e humanistico,
pela ideologia do pragmatismo vulgar em que o
valido é o adestramento para as tarefas do bem
servir ao alheio. A isso não podemos nos
submeter, basta de institutos que se arrogam o
direito de classificarmo-nos como se fossemos
coisa. Por isso leitor não permita que em sua
instituição de ensino o discurso ácritico e
despolitizante daqueles que dizem defender a
categoria surja. Combata-os no campo das idéias
exigindo explicações acadêmicas.
Professor discuta este texto com seu aluno, não
deixe que outras categorias nos assimilem e que
perdemos nossa identidade. Turismólogo é nossa
designação profissional, lutemos contra aqueles
que quando estavam nas esferas de poder
impediram e boicotaram nosso processo de
regulamentação. A eles hoje respondemos com
certa desconfiança, pois o processo de
organização sindical se constituiu na única
forma de sermos ouvidos e defender nosso campo
de trabalho.
Reflexione com seu aluno as normativas da
Embratur n.390 e 421 e vejam o absurdo que
fizeram com nossas funções profissionais, para
quem hoje as mesmas estão delegadas.
Professor pense na cidadania de nossos futuros
turismólogos.
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