Afirmam especialistas de todo o planeta, que será
inevitável a crise de alimentos nos próximos 20 ou 30 anos.
Acrescentam, a culpa será do Biocombustível.
Em várias regiões do globo terrestre manifestações
populares demonstram o quadro perigoso da fome que desponta no
futuro. Em alguns países os manifestantes contra a fome são
severamente punidos; outros como o Egito, o governo ordena que o
exército produza o pão; Filipinas por decreto, prevê a prisão
perpétua a quem estocar arroz; o Brasil já pensa em restringir a
exportação de arroz.
Parece piada de \rodinha\,
mas é para refletir a verdade que existe nessas observações. A ONU,
para compensar os preços caros do milho, arroz e trigo, sugere que
se plantem batatas para combater a fome e a miséria além de declarar
2008 como o \Ano Internacional da
Batata\. A batata, dizem, é o alimento menos afetado pelo
mercado internacional. Então, vamos plantar batatas!
Será que a população não percebeu que em 2007 o trigo
alcançou 77%; o arroz 16% e este ano, 2008, atingiu 140% e em um só
dia o trigo chegou a 25%. Como está o preço do
\pãozinho\
e derivados do trigo? É evidente que a humanidade consome
muito mais a cada dia que passa. Essa pré-crise mundial obrigou os
países, monitorados pelo Banco Mundial, a controlar os preços;
exportações e importações. O preço caro dos alimentos está
empurrando já, de imediato, muitas camadas da população, as mais
pobres, para a fome.
Realmente, se não houver controle já, o biocombustível será
o \vilão\, responsável
pela inflação nos preços das
\commodities\ em futuro bem próximo.
O que se nota é a preocupação com a crise futura dos
alimentos, mas pouca ou nenhuma preocupação com soluções imediatas.
Seria especulação internacional? Os maiores especialistas trabalham
com muita inteligência estatística realista, rica em detalhes
matemáticos, mas só demonstra desgraças, pouca solução. É o poder da
ganância?
O Presidente Lula, durante a inauguração do Programa de
Aceleração do Crescimento, \PAC\,
em São Paulo, foi o único que, em linguagem simples, lembrou uma das
mais conhecidas teorias da crise de Alimentos no
\mundo\. Lembrou sem citar,
a teoria \Malthusiana\.
Particularmente eu não soube de ninguém que tivesse citado essa
teoria até o momento. Defendeu o Presidente que não existe relação
entre os biocombustíveis e a carestia dos alimentos. E tem razão,
até o momento não se justifica a carestia por culpa dos
biocombustíveis, nem começou ainda o tempo da esperada superprodução
para esse fim. Enfatizou o Presidente, que
\o alimento sobe quando a quantidade de
gente que vai ao supermercado é maior do que a quantidade dos
produtos que tem para vender\.
Ele não demonstrou preocupação, pois o Brasil é o maior produtor de
cana-de-açúcar e responsável por mais de 30% da produção mundial e
tudo está sendo controlado. Na ótica econômica o Brasil faz parte do
rol dos países emergentes, país forte, em desenvolvimento e está em
9º lugar entre as economias do globo com destaque em grãos, minério
e energia.
Para quem não se lembra
Thomas Robert Malthus, economista britânico ficou
conhecido e, estudado no curso
\ginasial\ até a década de 1960, como estudioso dos
problemas da população. Acreditava que o excesso populacional era a
causa dos males da sociedade.
Teorizou que a população cresce em progressão geométrica enquanto
que a produção de alimentos cresce em progressão aritmética.
Aí está o que o Presidente inteligentemente falou durante aquele
evento.
Quem quiser saber mais sobre a
Teoria Malthusiana, procure
dois livros conhecidos como primeiro e segundo ensaios. Nos dois
ensaios estão contidos os princípios fundamentais que a população
cresce em progressão geométrica e o que limita o crescimento é o
aumento da mortalidade e restrições ao nascimento decorrentes de
males como fome; doenças e vícios. Os meios de subsistência humana
como a produção de alimentos cresce somente em progressão
aritmética.
A considerar pelos males que assombra a humanidade
atualmente, é assustador, naquela época, a expectativa de vida era
inferior a de hoje. Malthus acreditava que qualquer tentativa de
melhorar os padrões humanos seria inútil no combate à miséria, pois
o crescimento populacional impediria qualquer melhoria nos meios de
subsistência. As melhorias seriam temporárias.
Malthus se tornou pastor anglicano e os ensaios são
recheados de conceitos sobre o bem, o mal, salvação e condenação,
embasados em princípios salvíficos Cristãos.
Não é preciso ser \Phd\
para saber que a crise de alimentos futura está próxima. Por conta
dos biocombustíveis, a crise só se instalará, se não houver
conscientização do problema e controle rigoroso no plantio de
cana-de-açúcar ou milho, para se produzir o etanol aqui e o metanol
em outros lugares. Malthus já alertou e o Presidente nos lembrou,
então, o que falta é investir tudo nessa teoria para que a crise não
nos pegue de surpresa.
Em um mundo globalizado tudo é mais fácil, inclusive para
soluções como essa, a fome. Globalização é sinônimo também de
cooperação, ajuda mútua e desenvolvimento para todos.
Controlar está em saber que a terra tem recursos mais que
suficientes para alimentar toda a humanidade. Terra para o cultivo
não falta e como já se sabe, a globalização facilita o
cooperativismo internacional no momento de suprir essas
necessidades. Então dizer que tem \gente\ demais no planeta, não
convence.
Agora resta uma interrogação, como fica a nossa Amazônia
diante dessa polêmica internacional?
Temos a fama de deixar tudo para a última hora, isso
significa que \20\ ou \30\ anos não é motivo de preocupação para
ninguém!
Será que seremos condenados a comer batatas pelo resto da vida? Se
ainda existirem as batatas, quanto custará uma?
-Vai um \purezinho\ de
batata aí?