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O peso ao nascer é um dos mais
importantes parâmetros relacionados à morbidade e mortalidade infantil.
A Organização Pan-Americana - OPAS estima que pelo menos 30% das
gestantes sofrem de anemia e que há uma maior probabilidade dessas
mulheres terem bebês de baixo peso. Partindo destas premissas, foi
realizado este estudo tendo como objetivo geral identificar a
prevalência de anemia em gestantes, atendidas no Hospital da Mulher Mãe
Luzia (HMML), que pariram no período de setembro a outubro de 2006 e
como desdobramento deste, identificar o perfil dessas gestantes
relacionando à presença de anemia, relacionar características da atenção
pré-natal à presença de anemia e a presença de anemia na gestação com o
peso do recém-nascido ao nascer e com partos prematuros.
Trata-se de uma
pesquisa quantitativa, documental, exploratório e seccional. Para a
coleta de dados utilizamos um formulário adaptado do prontuário da
gestante. A amostra foi composta por 108 mulheres cujos partos ocorreram
nos meses de setembro e outubro de 2006, no Hospital da Mulher Mãe Luzia
(Macapá-Ap). O processamento dos dados foi realizado com o auxílio do
software Epi info, versão 6.04 e apresentada em forma de tabelas e
gráficos. Os resultados mostram que a maioria das mulheres, 79 (73,1%),
estava na faixa etária de 18 a 33 anos, 15 (13,9%) não realizaram
nenhuma consulta pré-natal e 75 (69,4%) tiveram de 1 a 6 consultas. A
anemia acometeu 69 (63,9%) das mulheres estudadas. Constatou-se que das
mulheres que tiveram anemia, 81,2% dos bebês (56) foram de baixo peso e
que 84,8% tiveram partos prematuros, reforçando a relação significativa
entre: anemia e baixo peso, anemia e prematuridade. Esses resultados
foram discutidos e avaliados, tendo como base dados epidemiológicos e
hipóteses que foram formuladas na discussão desses achados.
A gestação compreende uma fase de grande vulnerabilidade para a
gestante, em face das várias transformações sofridas em seu corpo em
função da gravidez.
Existem muitos fatores que podem interferir no crescimento fetal.
Estudos demonstram que a carga genética, o ambiente em que vive a
gestante e algumas características maternas - tais como, a idade, o
peso, a estatura, a paridade, a saúde e o nível sócio-econômico - têm
ligação direta com o crescimento e o desenvolvimento do feto durante a
gravidez.
Por esta razão, ressalta-se a importância de uma alimentação equilibrada
durante o período gestacional. Nesta fase a quantidade de energia,
proteína, vitaminas, sais minerais, precisam ser ajustadas a fim de
atender as necessidades requeridas para o desenvolvimento do feto e
formação da estrutura materna (placenta, útero, glândulas mamárias e
sangue).
Uma alimentação deficitária acarretará uma gravidez de risco, tanto para
mãe, quanto para o filho, expondo-os a doenças que provavelmente irão
deixar seqüelas, por vezes, muito sérias.
A importância do conhecimento desses fatores de risco para gestação
reside, em parte, na possibilidade de reestruturar a atenção
pré-natalínica considerando as situações regionais, vislumbrando uma
atenção individualizada e contextualizada. Atenção esta que refletirá
nos indicadores de saúde maternos e infantis.
A alimentação ideal para uma mulher em seu período gestacional e o
aumento de energia requerido durante este período para que o feto se
desenvolva saudável, apresenta-se como objetivo principal da importância
de uma nutrição equilibrada no período gestacional, e quais são as
complicações para a gestante e seu futuro bebê, caso esta, não receba
este tipo de alimentação.
O desenvolvimento deste estudo é de suma importância para a saúde da
gestante, e para o entendimento de como a nutrição materna influência no
crescimento e desenvolvimento do feto, através da ingestão de alimentos
ricos em macronutrientes e micronutrientes, essenciais para este
período, em especial a ingestão e absorção do ferro.
O ferro é um nutriente essencial para o organismo, já que está envolvido
em diversos processos metabólicos vitais, destacando o transporte de
oxigênio e a produção de energia.
Para que a alimentação garanta o fornecimento adequado desse
micronutriente é fundamental conhecer os vários fatores dietéticos,
fisiológicos, patológicos e interação droga-nutrientes que interferem na
sua biodisponibilidade .
Considerando que a taxa de absorção depende do estado de ferro
individual, conforme refletido pelo nível das reservas de ferro, quanto
menores as reservas de ferro, maiores serão as taxas de absorção.
Indivíduos com anemia por deficiência de ferro absorvem aproximadamente
20 a 30% de ferro na dieta, em comparação com 5 a 10% absorvido por
aqueles sem deficiência de ferro.
O déficit prolongado do consumo de ferro na alimentação, produz uma
carência específica, que pela sua origem é chamada anemia ferropriva. E
essa anemia causada pela deficiência de ferro da dieta pode ser mais
observada na infância, adolescência e gravidez, períodos cujas
necessidades nutricionais de ferro estão aumentadas.
A anemia ferropriva no período gestacional pode acarretar problemas para
o binômio "mãe - filho", particularmente prematuridade e baixo peso ao
nascer (WHO, 2001). Também tem sido referido aumento da mortalidade
materna por complicações obstétricas, aumento da mortalidade perinatal,
e recém-nascidos com baixos estoques de ferro (UNICEF, 1998).
Segundo PUFFER (1987), o peso ao nascer é um dos mais importantes
parâmetros relacionados à morbidade e mortalidade infantil, uma vez que
o peso e as condições de bem-estar do recém-nascido dependem das
condições biológicas, sociais e ambientais, as quais a mulher se expõe
durante a gestação. Assim, podemos pensar que o estado de saúde/doença
da gestante durante o pré-natal, corrobora para o nascimento de um
recém-nascido saudável ou não.
Para Burroughs (1998), entre os vários fatores que podem prejudicar o
desenvolvimento normal do feto estão: as mal-formações, os efeitos
genéticos, a rubéola materna, a ingestão de drogas pela mãe, a anemia e
a desnutrição materna.
Reforçando as idéias antes mencionadas, Vasconcelos (2002 apud BURROUGHS,
1995), ressalta que os problemas enfrentados durante uma gravidez podem
afetar o desenvolvimento fetal, a captação precoce para o pré-natal, a
avaliação e o manejo dos problemas são de vital importância para o bom
desfecho da gravidez e o bem-estar do feto.
Neste sentido, uma abordagem mais eficiente e um compromisso maior na
solicitação e análise dos exames de hemoglobina e hematócrito,
principalmente na identificação da anemia e conseqüente tratamento
durante o pré-natal, pode minimizar o nascimento de recém-nascido de
baixo peso, sejam eles pequenos para idade gestacional ou prematuros, e
principalmente, reduzir o risco de mortalidade perinatal, bem como
melhorar a qualidade de vida da mãe no período gestacional e pós-parto,
situação que denota a relevância deste estudo.
Diante da perspectiva de resgatar a importância da atenção
pré-natalínica e medidas preventivas da anemia, é que se pretende
abordar o tema já citado, com a intenção ainda, de contribuir para o
aprimoramento da atenção saúde-doença da mulher e seu bebê.
A importância do conhecimento desses fatores de risco para gestação
reside, em parte, na possibilidade de reestruturar a atenção
pré-natalínica considerando as situações regionais, vislumbrando uma
atenção individualizada e contextualizada, atenção esta que refletirá
nos indicadores de saúde maternos e infantis.
Poucas pesquisas sobre a prevalência de anemia em gestantes se têm
desenvolvido na cidade Macapá, contudo, percebeu-se a importância do
estudo na medida em que a anemia na gestação se tornou um dado de
relevância tanto para a ocorrência de prematuridade, com conseqüente
aumento da morbimortalidade neonatal.
Todas as informações coletadas ao longo do trabalho nos colocam diante
de uma reflexão de que mesmo tendo uma significativa cobertura do
pré-natal, ainda é preciso aprimorar a qualidade, no que diz respeito ao
acesso as consultas e principalmente a acessibilidade aos exames.
Esperamos que este ensaio contribua para uma avaliação da atuação pré-natalínica realizada na cidade de Macapá, abrindo caminho para prevenção
e controle da anemia gestacional, considerando as implicações descritas
neste estudo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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de janeiro; Cultura Médica, 2002.
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Jesus & a. Churchill, 1995.
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edição. Brasília: Secretaria de Políticas de Saúde - SPS/Ministério da
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1999.
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favor da infância. Organização Pan-americana da Saúde. Washington, 1997.
GUYTON, A. C. Fisiologia humana. 6ª edição. Editora Guanabara Koogan,
1984. |