spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: quinta-feira, 06 de setembro de 2012 20:51:41                                               

 
  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Humor
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Memória Sindical
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Agenda
.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
EM QUESTÃO
Crianças, Sim! Infância, Não? Breves Relatos Sobre a História da Infância e da Educação Infantil: Uma Conquista Recente e de Vários Atores

Dorcas Tussi1 Cleonice Maria Tomazzetti 2

publicado em 03/05/2010

 

RESUMO:

É a história da infância e algumas análises atuais de estudos sobre a área da educação infantil que iremos partilhar/contar. A preocupação com o crescimento e desenvolvimento saudável das crianças, o atentar para a sua formação como ser humano concreto, produtor de história e cultura e capazes de interagir com e no mundo desde bebês, bem como a criação de espaços institucionais educacionais para atendê-las com profissionais habilitados-diplomados, respeitando os direitos outorgados às crianças e suas especificidades, são algumas das conquistas que presenciamos atualmente, na contemporaneidade.

 

A preocupação atual com o desenvolvimento e crescimento saudável de nossas crianças, principalmente, no que concerne aos cuidados de higiene, saúde, alimentação, e também ao pensar a educação de qualidade a elas, tornou-se um debate tanto da esfera pública (sociedade e órgãos governamentais) como da esfera privada (família). Algumas das preocupações e anseios que rememoramos aqui é a importância dos adultos respeitarem, cuidarem, e proverem de todas as condições necessárias para o bom desenvolvimento das crianças nos seguintes aspectos: psicológico, físico, social, cognitivo e emocional. Além disso, atentamos à importância da inscrição das crianças como portadoras de direitos, ou seja, inscritas na cidadania. Todavia, o que, hoje, é natural para nós, no tocante à importância da criança e de sua prioridade, bem como o afeto que dispensamos a ela, nem sempre foi assim no cenário ocidental. As crianças sempre existiram, sendo consideradas, no decorrer da história da humanidade, como seres biológicos de geração mais jovem, mas falar de infância é algo recente, ou seja, a categoria “infância” que abrange todas as crianças de diversas culturas e sociedades foi construída socialmente no início da Idade Moderna (século XVIII). Falamos da brevidade da constituição da infância como categoria social de estatuto próprio, visto que a história da humanidade compreende vários milênios, por isso falar de infância é algo recente.

Num período anterior ao século XII, desconhecia-se a infância ou não havia lugar para ela, ou seja, o sentimento de infância não era interessante em tempos antigos e na Idade Média. Nessa época, a criança era diferente do adulto apenas no tamanho e na força, enquanto as outras características permaneciam iguais, possibilitando, assim, o entendimento dela como uma miniatura do adulto. A criança não se diferenciava do adulto nem na roupa que vestia e muito menos no trabalho que executava. A criação desse sentimento de infância, no que se refere ao cuidado e atenção dispensado às crianças, começou a surgir com o Renascimento para concretizar-se nos séculos das luzes – Iluminismo - no século XVIII.

O olhar à infância já supõe mudanças desde o início da idade moderna, quando os adultos começam a perceber as especificidades do infantil e seu tempo diferenciado da idade adulta. É na modernidade que se concebe a atenção para a educação da criança pequena, e o pensar a infância como uma categoria social de estatuto próprio dotada de valoração social, com identidade, surgindo como consequências o aprofundamento de estudos envolvendo as áreas médica, a psicologia, a sociologia, e a educação/pedagogia.

A construção da história da infância foi resultado de uma produção complexa de representações das crianças, da estruturação dos seus modos de vida e de seus cotidianos, e, principalmente, da criação de organizações sociais para a infância. Evidenciamos aqui a criação de instituições de atendimento à infância, como creches e pré-escolas, as quais são uma conquista recente relacionada à educação infantil, a qual abrange crianças de zero a seis anos, especialmente, da nação brasileira, na contemporaneidade.

A conquista da legalidade do acesso das crianças em creches e pré-escolas é uma vitória de vários atores (professores (as), mães e pais trabalhadoras (es), pesquisadores (a), entre outros) em prol da garantia por espaços de atendimento em instituições visando à Educação Infantil na esfera pública, ou seja, mantidas pelo poder público. Rememoramos o Movimento Feminista, nas décadas de 1970 e 1980, em que se acirrou o debate para que a educação da criança pequena fosse complementar a esfera privada da família, sendo constituída por profissionais habilitados, isto é, diplomados para o atendimento educacional. Assim, o movimento tinha por finalidade que as crianças pudessem exercer a cidadania e conviver com a diversidade cultural brasileira nesses espaços institucionais, criando e recriando a cultura infantil.

Ao lutarem pela implementação da creche e da pré-escola, os movimentos sociais e vários outros protagonistas garantiram na Constituição de 1988 o direito da criança a creches e a pré-escolas em lugares específicos e formais de ensino. Todas essas conquistas que evidenciamos no momento presente têm uma história permeada por muitos debates, pesquisas, e lutas para a garantia do direito da criança à educação infantil e pela sua visibilidade no cenário das políticas educacionais.

É relevante pontuar que a trajetória da educação infantil, no Brasil, fundamentou-se pela construção de uma Pedagogia da Educação Infantil, voltada às pesquisas nas diferentes áreas do conhecimento, buscando conhecer a criança em espaços coletivos, ou seja, nos Centros de Educação Infantil, na produção das culturas infantis. Outro aspecto preponderante aos atuais estudos voltados à educação da infância (zero a seis anos de idade) é pensar espaços educacionais não-escolarizantes, em que as necessidades, especificidades, e particularidades das crianças sejam ouvidas, percebidas. Com isso, deve-se criar uma relação de pertencimento a elas no ambiente e nas relações estabelecidas nos Centros de Educação Infantil, bem como a produção de conhecimento através das múltiplas linguagens (oralidade, escrita, música, artes plásticas e visuais, movimentos, brincadeira, entre outras) expressas pela criança.

Ao ponderarmos o debate sobre a história da(s) infância (s) e os lugares em que elas vivenciam o seu momento de serem crianças, principalmente, os espaços institucionalizados de educação infantil, é concebido como um debate recente e um projeto da modernidade; a produção de políticas educacionais para a educação das crianças até seis anos é contemporânea, ou seja, uma conquista recentíssima das últimas décadas do século XX no Brasil.


 

1 Pedagoga e mestranda em Educação – UFSM/CE/PPGE. E-mail: dorkass@desbrava.com.br

2 Professora Dra do Programa de Pós-graduação em Educação – UFSM/CE/MEN/PPGE. E-mail: netcleo@gmail.com

Como citar esta matéria:
TUSSI, D; TOMAZZETTI, C.M. Crianças, Sim! Infância, Não? Breves Relatos Sobre a História da Infância e da Educação Infantil: Uma Conquista Recente e de Vários Atores. P@rtes. Maio de 2010. Disponível em <www.partes.com.br/emquestao/brevesrelatos.asp>

 

Pesquisa personalizada
 
  

spacer
::sobre o autor::
 
 
::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 

::outros artigos::

 

 
 

 

Normas para publicar artigosRevista Virtual Partes

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2010
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer