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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 04 de agosto de 2008 23:01:11                                               

 
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Atlético Paranaense: Hora de mostrar o sangue nas veias    

Ana Marina Godoy, de Curitiba

publicado em 04/08/2008

 

      

O problema não é perder, o problema é não lutar. O problema não é perder, porque zerar sem lutar é entregar a alma, a vergonha na cara e, o pior, o amor à camisa (que era rubro-negra até alguns jogos atrás, coerente, então, com o hino atleticano).

           

            O senhor Roberto Fernandes – um senhor que já mostrou e reafirmou o quanto tem a certeza de que se basta; alguém que não considera outros e, assim, obviamente, quanto a esporte de equipe não tem competência – tem tempo e hábito de ir ao shopping Crystal (na região nobre de Curitba, Paraná) pra fazer as unhas (as manicures podem confirmar!)...

 

            Houve inteligência em campo por parte dos jogadores que, de forma evidente, sangraram pra perder em casa, sentindo o amor da torcida, a fim de resolver o que a diretoria teima em não fazer: obrigar a saída de alguém que técnico se diz, mas deve ganhar a demissão por justa causa, pois trabalhar como técnico não trabalha. Quais as obrigações de um técnico? E o que faz este senhor? No que ele honra sua profissão? No que ele CUMPRE contrato? Simplesmente ir embora não resolverá a revolta daquele torcedor que veste a camisa por amor. O senhor Roberto Fernandes (vulgo "Bob" e "Bobão") fez questão de dizer à imprensa nordestina que nunca deveria ter vindo para o Atlético Paranaense. E, no entanto, não tem a hombridade de daqui se retirar.

 

            Toda esta situação que gerou um clima de verdadeira guerra civil pronta a explodir (com o coração da torcida) dá margem pra pensarmos: onde é que está a chantagem? Olhos azuis e unhas bem feitas não são o bastante pra manter um elemento que nem as cores do time - que diz treinar – veste durante a partida. Só algo deste tipo serve de argumento – e não justificativa – pra explicar tamanha barbaridade, um verdadeiro pesadelo nesta noite de (des)agosto atleticano.  

 

            ...neste tempo de olimpíadas em Pequim prestes a começar... sonhei com algo que deixa marcas mesmo naquele que se disser mais homem – com mais testosterona – que qualquer outro: existe uma tortura chinesa tradicional que arranca as unhas e faz jorrar o sangue...rubro. E o que tiver que ficar negro fica... como marca de história. Pra não esquecer.

           

            Foi linda a expressão da torcida hoje: exemplo de lealdade, exemplo de inteligência ao cantar o hino do Furacão, exemplo elogiado, inclusive e de imediato, pela imprensa local. Mas tudo deve ter limite: continuar sofrendo de modo progressivo e intensivo não é bom e não vai resolver nada daqui pra frente. Boicote às idas à Arena? É de se pensar. Mesmo sendo sócia, não sou masoquista e não gosto de sofrer. Cultuar (muito mais do que cultivar) sofrimento é burrice. Muitas vezes o silêncio e a ausência falam e berram mais do que barulho apaixonado. Precisamos de atitudes mais condizentes com o que é um verdadeiro Furacão.

 
Fecharemos a Arena para estrelarmos na segunda divisão no próximo ano? Não existe preço mais caro que esse. E até o time mais rival reconhece que a torcida atleticana é muito pro atual time. A torcida não merece um timinho, com bons jogadores, mas treinado de maneira ridícula.
 
            Ou morre o passado e o Atlético PR ressurge das cinzas ou muitos sócios vão passar a torcer em casa, vendendo suas cadeiras (a preço de para bananas) e esvaziando o verdadeiro salão de festas que se tornou o Estádio JOaquim Américo, a Arena da Baixada, para as equipes visitantes.
 
          Sangue nas veias: rubro. Semana de luto: negra.






"Afinal, o essencial é isso:
sobreviver e manter a paixão."
Pedro Almodóvar

 

 

 
  

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 Ana Marina Godoy é turismóloga.
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