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O problema não é perder, o problema é não
lutar. O problema não é perder, porque zerar sem lutar é entregar a
alma, a vergonha na cara e, o pior, o amor à camisa (que era rubro-negra
até alguns jogos atrás, coerente, então, com o hino atleticano).
O senhor Roberto Fernandes –
um senhor que já mostrou e reafirmou o quanto tem a certeza de que se
basta; alguém que não considera outros e, assim, obviamente, quanto a
esporte de equipe não tem competência – tem tempo e hábito de ir ao
shopping Crystal (na região nobre de Curitba, Paraná) pra fazer as unhas
(as manicures podem confirmar!)...
Houve inteligência em campo
por parte dos jogadores que, de forma evidente, sangraram pra perder em
casa, sentindo o amor da torcida, a fim de resolver o que a diretoria
teima em não fazer: obrigar a saída de alguém que técnico se diz, mas
deve ganhar a demissão por justa causa, pois trabalhar como técnico não
trabalha. Quais as obrigações de um técnico? E o que faz este senhor? No
que ele honra sua profissão? No que ele CUMPRE contrato? Simplesmente ir
embora não resolverá a revolta daquele torcedor que veste a camisa por
amor. O senhor Roberto Fernandes (vulgo "Bob" e "Bobão") fez questão de
dizer à imprensa nordestina que nunca deveria ter vindo para o Atlético
Paranaense. E, no entanto, não tem a hombridade de daqui se retirar.
Toda esta situação que gerou
um clima de verdadeira guerra civil pronta a explodir (com o coração da
torcida) dá margem pra pensarmos: onde é que está a chantagem? Olhos
azuis e unhas bem feitas não são o bastante pra manter um elemento que
nem as cores do time - que diz treinar – veste durante a partida. Só
algo deste tipo serve de argumento – e não justificativa – pra explicar
tamanha barbaridade, um verdadeiro pesadelo nesta noite de (des)agosto
atleticano.
...neste tempo de olimpíadas
em Pequim prestes a começar... sonhei com algo que deixa marcas mesmo
naquele que se disser mais homem – com mais testosterona – que qualquer
outro: existe uma tortura chinesa tradicional que arranca as unhas e faz
jorrar o sangue...rubro. E o que tiver que ficar negro fica... como
marca de história. Pra não esquecer.
Foi linda a expressão da
torcida hoje: exemplo de lealdade, exemplo de inteligência ao cantar o
hino do Furacão, exemplo elogiado, inclusive e de imediato, pela
imprensa local. Mas tudo deve ter limite: continuar sofrendo de modo
progressivo e intensivo não é bom e não vai resolver nada daqui pra
frente. Boicote às idas à Arena? É de se pensar. Mesmo sendo sócia, não
sou masoquista e não gosto de sofrer. Cultuar (muito mais do que
cultivar) sofrimento é burrice. Muitas vezes o silêncio e a ausência
falam e berram mais do que barulho apaixonado. Precisamos de atitudes
mais condizentes com o que é um verdadeiro Furacão.
Fecharemos a Arena para estrelarmos na
segunda divisão no próximo ano? Não existe preço mais caro que esse. E
até o time mais rival reconhece que a torcida atleticana é muito pro
atual time. A torcida não merece um timinho, com bons jogadores, mas
treinado de maneira ridícula.
Ou morre o passado e o
Atlético PR ressurge das cinzas ou muitos sócios vão passar a torcer
em casa, vendendo suas cadeiras (a preço de para bananas) e esvaziando
o verdadeiro salão de festas que se tornou o Estádio JOaquim Américo,
a Arena da Baixada, para as equipes visitantes.
Sangue nas veias: rubro.
Semana de luto: negra.
"Afinal, o essencial é isso:
sobreviver e manter a paixão."
Pedro Almodóvar
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