Carta aberta aos professores como uma contribuição para que todos
possam refletir sobre a banalização da violência nas mais diversas
manifestações dentro e fora das escolas. Como uma busca de solução.
(1) Você trabalha valores éticos com seus alunos? (2) Os seus alunos
conhecem o Estatuto da Criança e do Adolescente? (3) A escola já
convidou quem trabalha com ECA para tirar dúvidas? (4) Qual a sua
opinião sobre a delinquência juvenil? (5) Como você trabalha a
indisciplina em sala de aula? (6) Os pais dos alunos participam das
decisões escolares? (7) Descreva o seu cotidiano escolar e de seus
alunos. (8) Por que a violência foi banalizada? (9) Em que a
Literatura contribui para minimizar a violência na escola? (10) Os
professores trabalham em equipe ou agem de maneira independente?
(11) Os escritores alagoanos são estudados em sua escola? (12) Quais
os exemplos positivos (nomes de vultos históricos alagoanos, p. ex.)
que são lembrados em sala de aula? (13) A sua escola costuma
realizar apresentações teatrais? (14) O folclore alagoano faz parte
de seu calendário escolar? (15) Os alunos de sua escola são
estimulados a participarem com textos próprios dos portais na web
existentes em Alagoas? (16) Há algum projeto em sua escola de
enfrentamento a violência contra crianças e adolescentes? (17) A
escola onde você trabalha realizou algum estudo sobre os direitos
fundamentais normatizados no artigo quinto da Constituição
Federativa do Brasil? (18) Há uma biblioteca em sua escola ou um
lugar onde os livros são deixados? (19) Os vultos alagoanos estão
previstos no projeto político pedagógico de sua escola para serem
estudados e expostos à comunidade? (20) Em sua opinião, o que faz um
ser humano, enquanto folha em branco, ir parar nas páginas policiais
ao invés das crônicas esportivas, políticas, econômicas, sociais ou
artísticas? (21) Você acredita em destino, karma, livre-arbítrio ou
determinismo? (22) Pais (ou responsáveis) e professores são exemplos
observados e, às vezes, seguidos por alunos? (23) Sua escola tem o
hábito de promover exposições artísticas envolvendo os talentos
escolares e as celebridades do município? (24) As escolas alagoanas,
públicas e particulares, alguma vez planejaram realizar uma Feira
Estadual de Cultura, no princípio ou final do ano, atraindo turistas
estaduais e interestaduais? (25) Esta escola onde você trabalha, em
parceria com pais (ou responsáveis), professores e alunos, já criou
um blog para divulgar os eventos, as imagens, os trabalhos, as
aulas, os projetos escolares? (26) Alguém em sua escola sugeriu um
Festival de Cinema dentro da escola com escolha de alguns títulos em
DVD ou Blu-ray disc para, ao término de cada filme, toda a
comunidade escolar comentar todos os aspectos cinematográficos? (27)
Um dos ícones da literatura mundial é Graciliano Ramos, nascido e
criado em Alagoas, ex-prefeito de Palmeira dos Índios, fez a estrada
Palmeira-Santana. É matéria obrigatória de professores e alunos de
sua escola lerem “Vidas Secas”, “Angústia”, “Infância” e toda a obra
do velho Graça? (28) Jorge de Lima é um dos poetas alagoanos mais
importantes do Brasil. É matéria obrigatória de professores e alunos
de sua escola lerem “A Invenção de Orfeu”? (29) Brenno Accioly,
nascido e criado em Santana do Ipanema, é um dos mais importantes
contistas brasileiros. É matéria obrigatória de professores e alunos
de sua escola lerem “João Urso” e outros livros deste escritor que
residia onde foi instalada uma emissora radiofônica defronte a
matriz? (30) Os alunos de sua escola comemoram o
Dia do Escritor,
29 de setembro, (aniversário de falecimento do criador da Academia
Brasileira de Letras, Machado de Assis, um dos mais completos
escritores mundiais) com uma exposição da biografia de todos os
escritores de Alagoas? (31) Faz parte, no calendário escolar, onde
você trabalha, prestar homenagem à História Desportista Alagoana?
(32) A escola convida autoridades municipais para temáticas
contemporâneas relevantes às crianças e adolescentes? (33) Houve
campanha em sua escola para criar uma estante só com obras de
autores alagoanos? (34) Há concurso de poesias, contos e crônicas
envolvendo os alunos de sua escola? (35) Sua escola tem um grupo de
teatro? (36) São realizados passeios ecológicos, estudos de casos
fora da escola, envolvendo as mais diferentes disciplinas? (37) São
estimulados torneios esportivos entre alunos de sua escola e de
outras unidades escolares de seu município? (38) Os alunos de sua
escola têm o hábito de jogarem xadrez, dama, pingue-pongue ou jogos
afins durante o recreio e antes e depois das aulas? (39) A escola
promove atividades lúdicas para substituir as agressões ou o
bullying? (40) Seus alunos estudam sobre o reisado, bumba-meu-boi,
pastoris e outras manifestações folclóricas alagoanas? (41) A
violência tem solução? (42) Onde começa a violência? (43) Quais são
as causas da violência? (44) Você tem como identificar os agentes
violentos? (45) Em sua escola existe aula de leitura? (46) Quantos
escritores visitam a sua escola por ano? (47) O que atrai os seus
alunos? (48) Como fazer uma escola da paz? (49) Você pode justificar
se a escola é um lugar de memória traumática ou de história a ser
construída no dia-a-dia? (50) Você já leu ou conhece alguém que leu
o livro “Ética na Escola”, do escritor alagoano Marcello Ricardo
Almeida?
Leia este artigo
publicado nas páginas da web e tire as suas próprias conclusões e as
divida com as conclusões de seus alunos:
Há quem impeça, em pleno século XXI, uma biblioteca em cada
município alagoano? O Sertão alagoano, de onde eu venho, continua
sedento por livros, sedento também o litoral, aonde eu fui. Não se
fala em cada bairro – o que seria razoável -, fala-se em cada um dos
municípios. Entregue as chaves dessa casa do saber nas mãos de um
grêmio literário, de uma agremiação estudantil, de um padre, de um
grupo de teatro, um pastor, uma boa alma. Estimular intelectuais
alagoanos a manterem ininterruptos contatos com essas sementes de
livros (bibliotecas espalhadas em Alagoas. Vamos desenterrar os
talentos. Fazerem os líderes políticos e religiosos acreditarem que
o Paraíso é um lugar cheio de bibliotecas), oxigenando-as com
ilustres visitas de alagoanos dramaturgos, poetas, contistas,
ensaístas, roteiristas, cronistas, juristas, romancistas. E Alagoas
passe a ter a lembrança desses intelectuais que honrariam quaisquer
lugares do mundo; e que eles sejam modelos em lugar da violência e
do analfabetismo.
Uma biblioteca em cada município. Nas linhas do poeta de Palmares:
“As minhas Alagoas são outras”. As minhas Alagoas também são outras.
Os escritores alagoanos são muitos, muitos intelectuais que
honrariam quaisquer lugares do mundo; esta luz continua embaixo da
mesa. Tenho insistido em minhas palestras, criação de escolas de
escritores, encontros, simpósios, festivais de poesia, concursos
literários e premiações para que esta luz seja levada para cima da
mesa. A imagem de Alagoas não pode continuar sendo as faces da
violência (a tragédia) e do analfabetismo (a comédia). Todos nós
temos uma grande dívida com Alagoas. Para solvê-las, muitas caixas
de livros ainda terão que ir de mãos em mãos. Uma academia de letras
é uma instituição de grande responsabilidade social; a imortalidade
de seus acadêmicos não representa um tácito contrato com Deus para
imortalizar os intelectuais em suas cadeiras perpétuas.
O pai de
Capitu, Machado, co-fundador da primeira de nossas academias de
letras, quis moralizar o escritor; as academias de letras depois de
Machado de Assis se justificam se concorrer para moralizar a
sociedade. A imagem de Alagoas não pode continuar sendo as faces da
violência (a tragédia) e do analfabetismo (a comédia). O que atrai?
Cabeças de bandoleiros nas portas de igrejas em latas de querosene?
O que atrai? A vampirização dos noticiários? O que atrai? Ninguém em
Alagoas publica mais um livro? Ninguém mais estreia um filme, uma
peça de teatro? O que atrai? Ninguém mais inaugura uma exposição? O
que atrai? Por que nunca mais se festejou a construção de uma outra
universidade federal? O que atrai? Não se inaugura mais um museu?
Aonde anda a multiplicação do número de boas escolas públicas?
Continuará utópica a democratização do saber? A imagem de Alagoas
não pode continuar sendo as velhas faces da violência (a tragédia) e
do analfabetismo (a comédia). Estamos no século XXI. O século da
erradicação da miséria humana. Os nômades no deserto africano não
acreditavam no fim da escravidão, mas a escravidão chegou ao fim até
mesmo àquelas caravanas de camelos e homens antigos que ainda hoje
caminham no Tenerê como fizeram seus antepassados há centenas de
anos.
O livro publicado em Recife, Maceió, Aracaju consegue atravessar a
ponte? Quem conhece quem, se atravessar à ponte? Não se sabe. O
livro publicado em Santana do Ipanema ou em Pão de Açúcar,
dificilmente será conhecido em Maceió. Se o livro nasce em Delmiro
Gouveia ou em Feliz Deserto, como consegue atravessar a ponte se
continua “inédito”? Como chegar o livro às mãos do povo sem
bibliotecas? Quem conhece quem, se atravessar à ponte? Não se sabe.
Ao menos consegue atravessar a rua? Não, ainda assim; o vizinho da
frente desconhece a escritura do vizinho de porta. E a literatura de
quem escreve consegue atravessar a calçada? Há quem não tenha
certeza. Às vezes, a boca está cheia de um Ginsberg ou de outros
intelectuais estrangeiros, ídolos de pano que nunca ouviram falar em
Maceió ou em Santana do Ipanema, v.g., nem na Serra do Almeida, ou
da Maravilha e do Poço onde muito se falou na existência de um
cemitério de elefantes. Mas os adoradores de Caramuru salivam ao
pronunciar Shakespeare, pronunciar Joyce, pronunciar Kafka,
pronunciar Brecht, pronunciar Elliot, cumming, Rimbaud, Whitman; e
dizem muitas partes de seus livros numa decoreba típica de quem
sofre do Complexo de Caramuru. Eles elogiam Fausto, de Goethe, mas
se enojam dos poetas de cordel. Será que escritores de lá têm os
nomes dos escritores de cá na ponta da língua? Quantos, aqui mesmo,
conhecem quantos dentro das páginas de Alagoas? Alagoas estuda a
Literatura Alagoana desde o ensino fundamental ao universitário?
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(escritores clerisvaldo, djalma melo, marcello Ricardo , brenno
accioly)
Quem imortaliza os acadêmicos de uma academia de letras? Seus livros
indo de mãos em mãos. O Sertão alagoano continua sedento por livros,
sedento o litoral. Todas essas academias de letras têm o compromisso
em levar os livros de mãos em mãos. O que impede, em pleno século
XXI, uma biblioteca em cada município alagoano? Qual o lugar que não
faria bom proveito do legado de Graciliano Ramos? Quebrangulo. Qual
o lugar que não faria bom proveito do legado de Brenno Accioly?
Santana do Ipanema. Os exemplos se vão a progressões geométricas.
Existem verbas municipais, estaduais e federais para a criação de
museus, escolas e afins; investimentos da iniciativa privada
existem. Mediante projeto, cada município, com ou sem inesquecíveis
intelectuais que honrariam quaisquer lugares do mundo, vai sonhar;
e, aos poucos, as duas faces (tragédia e comédia)
violência/analfabetismo não mais irão amedrontar as ruas de Maceió.
E cada município fará o seu caminho caminhando.
É correto afirmar que muitos livros são espécies de clarões para
quem ler ou escuta falar a respeito deles. Quem planta um livro,
quem acende esta luz, o primeiro a ser beneficiado é o agricultor, o
primeiro a ser iluminado é quem acende a luz. Algumas crianças
descobrem a existência dos livros em "A Cachoeira de Paulo Afonso",
outras em "Grande Sertão: Veredas", ou ainda em "Vidas Secas", ou
quem sabe em "João Urso", ou em "Infância". Infância de cada um é
cheia de surpresas e cabe, desde ontem, fazer com que essas
surpresas (habitantes das bibliotecas) sejam as melhores possíveis.
Após a leitura deste “Manifesto
do Poeta Marcello Ricardo Almeida”
com seus alunos sugira para que eles escrevam uma paródia sobre este
artigo publicado em O Jornal, de Maceió. O trabalho de seus alunos
poderá ser em forma de crônica, de conto, poesia ou de teatro. Fazer
os alunos pensar é encontrar meios de combate a banalização da
violência. Monteiro Lobato estava certo ao dizer que um país se faz
com homens e livros.