Esta é uma época em que muito se fala
em inclusão no mundo do trabalho. Alega-se haver inúmeras
oportunidades, por um lado. Por outro, alega-se haver uma crise
estrutural de emprego. Também a área farmacêutica tem estado à mercê
dessas possibilidades. Porém, para além da inclusão tão somente no
trabalho, vale refletir-se sobre a ação dos farmacêuticos em relação
à saúde, revelando haver outros modos de perceber-se a profissão.
O farmacêutico possui uma grande
variedade de áreas de atuação. Trata-se de um profissional que tem a
capacidade de se inserir desde em drogarias até em setores
relacionados à indústria de alimentos, medicamentos e cosméticos,
laboratórios, unidades básicas de saúde (UBS), hospitais e até mesmo
na distribuição e transporte de cargas de medicamentos.
Durante o decorrer do curso de
graduação em Farmácia, é possível produzir importantes e muito
valiosa aprendizagem referente a conceitos técnicos fundamentais
para o exercício da profissão. Mas, pelo fato de nenhuma disciplina
cursada conseguir traduzir com exatidão a experiência adquirida
frente ao contato com a realidade, a oportunidade de atuação junto a
pacientes e a situações cotidianas torna-se insubstituível. Essa
situação permite uma mudança de atitudes e pensamentos por parte do
acadêmico, revelando que o profissional deve estar preparado técnica
e psicologicamente para responder às necessidades do paciente, pois
estes precisam de orientação, confiam nos profissionais da saúde e
buscam nestes a informação adequada.
A atenção farmacêutica (AF) é uma
atribuição exclusiva do profissional farmacêutico, e pode ser
considerada a missão da profissão de Farmácia. De acordo com a
proposta para o Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica,
publicado em 2002 pela Organização Pan-Americana da Saúde, a AF
compreende atitudes, valores éticos, habilidades, compromissos e
co-responsabilidades na prevenção de doenças, promoção e recuperação
da saúde. É a interação direta do farmacêutico com o usuário,
visando a uma farmacoterapia racional e à obtenção de resultados
definidos e mensuráveis, voltados para a melhoria da qualidade de
vida. Desse modo, os profissionais da Farmácia acompanham a evolução
da saúde do paciente. Dessa forma, o farmacêutico nunca irá tratar
apenas de questões referentes aos medicamentos. Torna-se necessário
ver o paciente como um todo, avaliar sua saúde por inteiro, o que
exige dos profissionais uma atitude ética e um compromisso com o
objetivo principal da equipe, que é o de
produzir saúde, através da prevenção, do cuidado, auxiliando também
no tratamento e na recuperação.
Por esses
motivos, como profissional da saúde, o farmacêutico necessita estar
engajado em sua equipe na missão de defender a vida e
garantir do direito à saúde por parte do usuário. Mais do que
informar sobre o uso correto de medicamentos, o farmacêutico tem o
importante papel de informar o cidadão sobre todas as questões que
envolvem a saúde: desde o perigo da automedicação até os cuidados
para a eficácia do tratamento.
Para tanto, há a
necessidade de estabelecer uma relação de vínculo entre profissional
e usuário. O farmacêutico torna-se responsável e comprometido
em dar respostas às necessidades de saúde trazidas pelo paciente. O
profissional agirá de modo a escutar a queixa, os medos e as
expectativas, identificar os riscos e a vulnerabilidade, e se
responsabilizar para dar uma resposta ao problema.
Assim, é possível concluir que grandes
conhecimentos técnicos não são suficientes em todas as áreas
profissionais, e em Farmácia em particular, se não soubermos lidar
com as pessoas, acolher, escutar e interferir no momento certo. É
preciso entender a forma de falar, e responder com a linguagem
adequada, prestando a informação de forma clara para que possa ser
compreendida pelo ouvinte. Além disso, o farmacêutico é um
profissional de nível superior indispensável para a saúde, pois
promove a cura e a melhoria da qualidade de vida da população com
atitudes éticas. Garante o recebimento de toda a informação
necessária para um resultado eficaz de tratamento, além do
acompanhamento terapêutico. Não deve ser visto apenas como o
profissional do medicamento, pois cada vez mais se torna, também, o
profissional do paciente, tendo qualificação para tanto.