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1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Segundo Carlos (1996), "o lugar é o
mundo do vivido, é onde se formulam os problemas da produção no sentido
amplo, isto é, o modo como é produzido a existência social dos seres
humanos", sendo assim as feiras livres é um lugar público, muitas vezes
descoberto, onde se expõem e se vendem mercadorias, sobretudo, legumes e
frutas, sendo realizadas em dias fixos, e é considerada pela população como
meio mais barato e acessível de adquirir gêneros alimentícios.
Segundo Singer (1987), "a economia de mercado é muito antiga. Desde os
pródomos da história, diferentes sociedades organizavam sua vida econômica
sob forma de produção especializada de bens que eram intercambiados em
feiras sazonais de mercados permanentes". As feiras eram realizadas ora em
mercados locais (comércio de curta distância) ora em feiras periódicas ou
fixas, as quais atraíam caravanas de mercadores.
2. POUCOS VIVEM SEM AS FEIRAS LIVRES
Há quem acredite que as feiras livres é coisa do passado e que em algumas
cidades só trazem mais transtornos do que benefícios. A realidade mostra o
engano de quem defende esta posição e prova que não inventaram um substituto
à sua altura. As feiras livres são ainda imprescindíveis para o
abastecimento da população e sua longevidade está plenamente garantida.
Mantendo basicamente as mesmas características há centenas de anos, as feira
têm conseguido a concorrência de modernos supermercados. Não existindo
tecnologia ou eficiência nos caixas de supermercados que substituam o
contato direto entre vendedores e compradores, o calor humano, as amizades
que nascem do convívio semanal, entre uma barraca e outra.
É por se manter em oposição da frieza e da falta de sociabilidade do mundo
moderno e informatizado, que a feira livre tem seu lugar garantido nas ruas
das cidades de todo o mundo, pois são democráticas, todos são iguais,
tratados com a mesma atenção e respeito, e todos prezam essa simplicidade.
Haja visto a feira do Centro Comercial de Itabuna, onde os feirantes
conhecem seus fregueses, suas preferências e necessidades.
3. FEIRANTES DE ITABUNA, QUEM SÃO?
A decadência da economia rural, provocada pelo declínio do cacau na região
Sul da Bahia gerou um aumento na população urbana. Para viver, o "ex" homem
do campo, agora morador da cidade, busca no contato com o urbano encontrar
uma forma de trabalho. E nesse momento a feira constitui-se o elo que liga o
homem do campo à cidade.
A má fase do cultivo do cacau, sustentáculo da agricultura regional,
estabeleceu um caráter específico para os migrantes, os novos moradores da
área urbana de Itabuna. As feiras livres se tornam por força das
circunstâncias, um espaço acolhedor para viver um trabalho autônomo que não
exige muitos pré-requisitos.
Segundo Souza (1930), " os primeiros contatos com a cidade, com a vida
urbana, realizada pelo homem do campo, se dá por intermédio das feiras
livres onde estabelece a principio uma relação comercial." Portanto, a feira
livre de Itabuna constitui-se como a primeira referência da cultura e
cotidiano urbano par ao homem do campo de costumes rurais, que migra para
esta cidade. Isso significa que feira foi o palco de comunhão cultural entre
o viver urbano e
viver rural. O campo apego a cultura rural foi fator
determinante para integração cultural gerada no ambiente das feiras, pois o
trabalhador do campo passou não só a relembrar seus costumes mais também a
praticá-los, expressá-los.
A feira propiciou par o cotidiano de seus trabalhadores um contato com o
novo, o homem do campo cujo via suas ações limitadas ao que necessitava da
produção do cacau tinha agora um dia-a-dia intrínseco na feira.
4- AS FEIRAS LIVRES TÊM FUTURO?
A feira dá um suporte ao camponês até mesmo porque nela ele tem, quase
sempre, toda sua família empregada, ela é uma empresa de caráter familiar e
é considerada pela população como o lugar mais acessível e barato para
adquirir gêneros alimentícios.
Alguns produtos que são comercializados na feira são oriundos do mesmo
município, outros precisam de uma relação que inclua as cidades adjacentes.
O que estabelece o laço de interdependência entre cidades de uma mesma
região.
Além da feira se caracterizar também por uma forma de subemprego, onde até
crianças trabalham no "carrego" de produtos adquiridos até o carro, ou até
mesmo, à casa de quem realiza as compras. Para satisfazer a todos, a feira
deve se instalar em locais isolados para este fim, ao reduzir o seu espaço
de instalação, o feirante deve estar atento em não minimizar o seu raio de
atuação, a fim de não contribuir para o fim das feiras livres.
As feiras livres só terão fim se permitir que outros estabelecimentos
influenciem os habitantes de sua área de abrangência. E hoje em dia, o
comércio está bem diversificado nesse sentido. Visando sempre fornecer o que
é típico das feiras, então cresce a concorrência nesse tipo de mercado. A
maioria dos moradores que, nos dias específicos, convivem com as feiras nas
proximidades de suas casas, não tem uma queixa comprometedora contra as
feiras livres e sim as elogiam e estabelecem um laço afetivo com os
feirantes, e com aqueles fregueses assíduos que nunca deixam de usufruir de
uma feira.
5- CONSIDERAÇÕES FINAIS
A feira livre é um ambiente onde o camponês se realiza na cidade. Amadas ou
odiadas, podem até acabar, mais vai levar algum tempo. Apesar das queixas,
mínimas diga-se, de quem tem uma na porta de casa e despertado, ainda de
madrugada, pelo barulho dos caixotes sendo descarregados, de quem se
incomoda com o cheiro de peixe, com lixo espalhado pela rua, e com os
transtornos do trânsito e de quem odeia as gritarias dos vendedores, não há
sinais de fim da feira, mesmo porque nela o cidadão pode apreciar o frescor
daqueles alimentos com direito a escolha diante de um vendedor que tem uma
história de vida, pois geralmente quem planta é quem vende.
6- BIBLIOGRAFIA
CARLOS, Ana Fani A . O lugar no/do mundo. São Paulo:
Hucitec, 1996.
SINGER, Paul. O capitalismo: sua evolução sua lógica e
sua dinâmica. São Paulo: Moderna, 1987.
SOUZA, Edinélia Maria O. Memórias e tradições: viveres de trabalhadores
rurais do município de Dom Macedo Costa - Ba (1930-1960).
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