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ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 30 de abril de 2008 00:06:04                                               

 
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Em Questão

A força da cachaça de Salinas

   

Por Roberto Carlos Morais Santiago

publicado em 08/07/2007

 

 

 

O município norte-mineiro de Salinas promove nos dias 13 a 15 de julho de 2007, o VI Festival Mundial da Cachaça de Salinas . O evento é um dos principais do gênero do país e divulga e fortalece o agronegócio da cachaça do município que se tornou no principal pólo nacional de produção artesanal de cachaça de qualidade nas últimas décadas.

 

Atualmente, a produção gira em torno de cinco milhões de litros e é comercializada sob mais de 50 marcas, algumas de renome nacional e internacional.  A marca ícone do município e região é a Anísio Santiago-Havana, reconhecida Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas por meio do Decreto Municipal nº. 3.728/2006 e uma das mais tradicionais do país.

 

As evidências do sucesso da cachaça de Salinas são muitas. Recentemente, a revista PLAYBOY, edição de abril de 2007, elegeu sete marcas de Salinas entre as vinte melhores do país: Anísio Santiago-Havana (2º. Lugar), Canarinha (3º. Lugar), Boazinha (6º. Lugar), Piragibana (10º. Lugar), Indaiazinha (12º. Lugar), Lua Cheia (16º. Lugar) e Seleta (18º. Lugar), representando 35% das marcas eleitas pela conceituada revista.

 

Outra evidência da força da cachaça de Salinas está na arrecadação de ICMS, imposto sobre circulação de mercadorias e serviços, de competência estadual. O ICMS é um excelente indicador para mensuração da atividade econômica, pois permite fazer correlação com outros setores da economia. Permite, ainda, fazer análise sobre aspectos da formalidade e informalidade do setor.

 

Em 2006, a arrecadação de ICMS do setor de cachaça, em Minas Gerais, foi de 1,494 milhões de reais. Desse montante, Salinas arrecadou 693,6 mil reais (46,4%); Novorizonte, 47,6 mil reais (3,2%); Betim, 33,6 mil reais (2,2%); Belo Horizonte, 28,1 mil reais (1,8%); Januária, 17,3 mil reais (1,1%) e Taiobeiras, 15,1 mil reais (1,01%). Salinas foi responsável por quase metade do ICMS arrecadado do setor no território mineiro.

 

Os dados da arrecadação de ICMS evidenciam, de forma inequívoca, que Salinas é o único município mineiro que possui cadeia produtiva de cachaça consolidada. Novamente, o ICMS indica tal evidência. No mesmo período, o setor teve participação de 31,58% na arrecadação total do município, o que não acontece nos municípios acima citados.

 

Poucas cidades brasileiras possuem símbolo que reflete a economia e cultura local. Salinas possui a cachaça como símbolo de sua vocação econômica e cultural. A genuína bebida brasileira ali produzida está cada vez mais cobiçada pela sua qualidade, tradição e variedade de marcas. Maria das Vitórias Cavalcanti, presidente do Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Cachaça (PBDC), afirma que " É indiscutível a importância da região de Salinas para o desenvolvimento do mercado da cachaça no Brasil e no exterior.  A busca dos produtores da região em desenvolver marcas e produto de qualidade diferenciada colocou Minas Gerais na liderança da produção de cachaça artesanal no Brasil ".

 

O processo de expansão e diversificação da economia brasileira ao longo das últimas décadas vem forjando e incrementando atividades econômicas de produtos típicos da cultura do Brasil no mercado com forte impacto nas economias locais. Neste aspecto, através de diversos fatores como clima, solo, conhecimento e tradição, Salinas vem promovendo o seu desenvolvimento sócio-econômico e ocupando espaço no mercado interno e externo através de bebida que expressa parte da cultura e identidade brasileira: a cachaça.

 

 

 
  

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::sobre o autor::

 Roberto Carlos Morais Santiago é economista, escritor, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros. É Autor do livro O Mito da Cachaça Havana-Anísio Santiago.

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