Tendência mundial, a limitação ou
proibição do ato de fumar em locais públicos é, antes de tudo, um
ato de proteção à vida.
Foi-se o tempo em que os
políticos e administradores públicos viam como importante a
arrecadação de impostos decorrentes da venda de cigarros, charutos e
sua matéria-prima, o fumo.
Hoje, estudos indicam que a
sociedade paga muito mais caro pelas conseqüências dos males do fumo
do que qualquer receita tributária gerada pelo setor.
Doenças respiratórias de baixa,
média e alta complexidade, como bronquites e pneumonia, câncer,
internações, despesas médicas, despesas hospitalares e os
desdobramentos sociais de todas as etapas da evolução clínica de
milhares de pacientes – e suas famílias – geram custos inimagináveis
tanto para o fumante, quanto para a família e para toda a sociedade.
O tabagista ativo, ou seja, o
indivíduo que fuma, é o grupo de maior risco de morte evitável.
O tabagista passivo - que é o
indivíduo não fumante que convive com fumantes em ambientes fechados
– integra o terceiro grupo de maior risco de morte evitável, logo
atrás do alcoolismo.
Assim, é importante salientar que
fumantes têm uma responsabilidade maior. Além dos riscos para si, a
atitude gera desdobramentos severos junto aos familiares, colegas de
trabalho e demais pessoas de sua convivência diária.
As ações que verificamos,
notadamente no Estado de São Paulo, com restrição ao ato de fumar em
ambientes fechados, além de reduzir a exposição de não fumantes,
incentiva o debate de um tema crucial para a saúde pública: o homem
público precisa tomar atitudes visando a segurança e a qualidade de
vida de toda a população.
Parte do processo de
conscientização pode ser creditado ao poder público e, nesta
situação, o governo do Estado de São Paulo, nos últimos anos, vem
tomando as medidas necessárias, elogiáveis.
Agora, muito precisa ser feito
pelo próprio fumante, como ato de desprendimento e inteligência:
reduzir ao mínimo o consumo de cigarros, quando não eliminar sua
prática. E nunca, jamais, fumar em ambientes fechados: o Instituto
Nacional do Câncer (INCA) estima em mais de 2.500 as mortes de
brasileiros causadas apenas pelo fumo passivo.
Dr.
Walter Cordoni Filho
É
médico pediatra, especialista em saúde púbica,
Gestão hospitalar, Medicina do Trabalho e Medicina Ambiental