.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Editado pela última vez em 31-03-2007 

 
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Nossa classe - MKT?

Por Daniel Mendonça Frascino

 

Gostaria de compartilhar um pouco da minha angústia a respeito da nossa classe profissional, pois, quanto mais vou conhecendo o nosso mercado de trabalho, mais consciente fico de que não temos uma entidade que nos apoie. Nos clientes, fornecedores, nos papos entre amigos, artigos e reportagens, percebo que há muitas pessoas ocupando cargos de marketing, mas que não têm formação acadêmica na área.

Praticamente não temos barreiras de entrada para nossa profissão, pois não importam quatro anos de estudo, mais dois anos de especialização em marketing, porque quem irá nos contratar será um psicólogo, um economista, administrador, ou qualquer outro profissional, menos o de marketing, portanto, estamos à mercê de pessoas que irão nos avaliar com base na vivência delas em determinado mercado, financeiro, imobiliário, farmacêutico, de bebidas, alimentício, o que seja e, então, darão preferência para candidatos que "conhecem" daquele assunto, mesmo que não têm formação específica em marketing - ah! qualquer um que tem curso superior serve para ser "marketeiro", afinal é pedir para a agência fazer tudo mesmo, "vincular a propaganda", mas mande o arquivo em "MDF" hein! se não a cor dos "panetone" não sai direito entendeu?!. Se estiverem rindo, vocês não têm idéia das coisas que ouvi enquanto fui atendimento de uma agência de publicidade, aliás, de clientes bem expressivos e grandes multinacionais.   

Na verdade, a maioria dos executivos do nosso país ainda não percebeu que o profissional de marketing tem a capacidade e a obrigação de compreender qualquer mercado, basta dar-lhes oportunidade de iniciar em algum destes mercados

Existem técnicas, conceitos, filosofias, correntes de pensamentos e mais, existe um "ar" único (como também nas outras profissões), que o verdadeiro profissional de marketing pode respirar. Ora! Se não houver oportunidades para o acadêmico, como teremos a real "experiência de mercado"??? 

Quero chamar a atenção para isto, pois argumentos razoavelmente convincentes, que qualquer indivíduo não pode se meter a alugar um escritório e simplesmente pendurar uma plaquinha: "Psicólogo, consultas a partir de R$ 80,00". Da mesma forma, tenho certeza que é bem arriscado se fazer de doutor sem um CRM e advogar sem uma OAB. 

Tudo bem, vocês podem até achar que estou exagerando e que isso depende de uma grande evolução, devido ao ainda recente "boom" desta profissão, mas se não fizermos nada e amadurecermos rapidamente a idéia de associação da nossa classe, mais tempo iremos perder para engenheiros, médicos, biólogos, agrônomos, arquitetos, ou até para pessoas com apenas o 2º grau completo. Nós, profissionais de marketing, somos o "doutor" dos negócios, somos nós que cuidamos da saúde das empresas, ou até mesmo "arquiteto" de marcas, através das quais, milhões de pessoas se relacionam com as empresas, ou então, "cientista" de produtos e serviços, pesquisando e desenvolvendo mercados

Outro dia encontrei com um amigo do interior que, ao me ver, agitadamente veio me contar sua mais nova empreitada: tinha abandonado o Curso de Ciências Contábeis e comprara um Corel Draw, destes piratas mesmo, oferecendo agora serviços de marketing para lojas de varejo do mercado local - quando era garoto sempre gostei de rabiscar as portas do banheiro da escola, ele me disse. Tentei lhe explicar que isto não era marketing, falei de Kotler, Ansof, Mitzenberg, Rosenbloom, Barnes e Schultz, Ries e Trout, até Michel Porter eu tentei, mas, quem disse que me escutou, afinal a publicidade atrofiada que oferecia estava lhe rendendo.

 

Que fique claro que entendo a posição dos profissionais de outras áreas que estão buscando abranger seus conhecimentos e potencializarem suas carreiras, buscando a polivalência, que isso se faz através de estudos (graduação, pós-graduação, etc.), da mesma forma que, também, podemos partir para cursos de economia, direito, ciência política, entre outros. Uma questão de escolha profissional e aperfeiçoamento contínuo

Entretanto, ainda estamos engatinhando nesta carreira, e ainda órfãos, para ajudar! Estou falando da necessidade de uma atuação mais marcante e protetora por parte da Associação de Marketing Brasileira

Recentemente soube que todos os químicos que ocupam cargos gabaritados nas indústrias farmacêuticas terão que deixar suas funções, que a legislação vigente diz que apenas farmacêuticos com CRF podem ocupar tais responsabilidades. Minha esposa mesmo trabalha em uma grande indústria farmacêutica e, farmacêutica que é, fora convidada para o departamento de marketing - coisa que ela entende tanto quanto eu da área dela, ou seja, nada

Será que chegaremos ?! Espero ativar o senso crítico de indignação de cada um de vocês, profissionais de marketing, para debatermos e transformarmos esta realidade, porque...

SEM ASSOCIAÇÃO, NÃOCLASSE!!! 

 

 

 

 

Daniel Mendonça Frascino é graduado em Marketing pela Universidade Mackenzie. Pós-graduado MBA Executivo em Marketing pela ESPM.

daniel_frascino@terra.com.br

 

 

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