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Gostaria de
compartilhar
um
pouco
da minha
angústia
a
respeito
da nossa
classe
profissional,
pois,
quanto
mais
vou conhecendo o
nosso
mercado
de trabalho,
mais
consciente
fico de
que
não
temos uma
entidade
que
nos
apoie.
Nos
clientes,
fornecedores,
nos
papos
entre
amigos,
artigos
e reportagens, percebo
que
há muitas
pessoas
ocupando
cargos
de
marketing,
mas
que
não
têm
formação
acadêmica
na área.
Praticamente
não
temos
barreiras
de
entrada
para
nossa
profissão,
pois
não
importam
quatro
anos
de
estudo,
mais
dois
anos
de especialização
em
marketing,
porque
quem
irá nos
contratar
será um
psicólogo,
um
economista,
administrador,
ou
qualquer
outro
profissional,
menos
o de
marketing,
portanto,
estamos à
mercê
de
pessoas
que
irão nos
avaliar
com
base
na
vivência
delas em
determinado
mercado,
financeiro,
imobiliário,
farmacêutico,
de
bebidas,
alimentício,
o que
seja e,
então,
darão
preferência
para
candidatos
que
já
"conhecem" daquele
assunto,
mesmo
que
não
têm
formação
específica
em
marketing
- ah!
qualquer
um
que
tem
curso
superior
já
serve para
ser
"marketeiro",
afinal
é só
pedir
para
a
agência
fazer
tudo
mesmo,
"vincular
a
propaganda",
mas
mande o
arquivo
em
"MDF"
hein!
se não
a cor
dos "panetone"
não
sai
direito
entendeu?!. Se estiverem rindo,
vocês
não
têm
idéia
das
coisas
que
já
ouvi
enquanto
fui atendimento de uma
agência
de
publicidade,
aliás,
de
clientes
bem
expressivos
e
grandes
multinacionais.
Na
verdade,
a
maioria
dos
executivos
do nosso
país
ainda
não
percebeu
que
o
profissional
de
marketing
tem a
capacidade
e a obrigação
de compreender
qualquer
mercado,
basta
dar-lhes
oportunidade
de iniciar
em
algum
destes
mercados.
Existem
técnicas,
conceitos,
filosofias,
correntes
de
pensamentos
e mais,
existe
um "ar"
único
(como
também
nas outras
profissões),
que
só
o
verdadeiro
profissional
de
marketing
pode respirar.
Ora!
Se não
houver
oportunidades
para
o
acadêmico,
como
teremos a
real
"experiência
de
mercado"???
Quero
chamar
a
atenção
para
isto,
pois
há
argumentos
razoavelmente
convincentes,
já
que
qualquer
indivíduo
não
pode se meter
a alugar
um
escritório
e
simplesmente
pendurar
uma plaquinha: "Psicólogo,
consultas a
partir de R$
80,00". Da
mesma
forma,
tenho
certeza
que
é bem
arriscado
se fazer
de
doutor
sem
um
CRM e advogar
sem
uma OAB.
Tudo
bem,
vocês
podem
até
achar
que
estou exagerando e
que
isso
depende de uma
grande
evolução,
devido
ao ainda
recente
"boom"
desta
profissão,
mas
se não
fizermos
nada
e amadurecermos rapidamente a
idéia
de
associação
da nossa
classe,
mais
tempo
iremos perder
para
engenheiros,
médicos,
biólogos,
agrônomos,
arquitetos,
ou
até
para
pessoas
com
apenas
o 2º
grau
completo.
Nós,
profissionais
de
marketing,
somos o "doutor"
dos
negócios,
somos
nós
que
cuidamos da
saúde
das
empresas,
ou
até
mesmo
"arquiteto"
de
marcas,
através
das
quais,
milhões
de
pessoas
se relacionam
com
as
empresas,
ou
então,
"cientista"
de
produtos
e
serviços,
pesquisando e desenvolvendo
mercados.
Outro
dia
encontrei
com
um
amigo
do
interior
que,
ao me
ver,
agitadamente
veio
me
contar
sua
mais
nova
empreitada:
tinha
abandonado o
Curso
de
Ciências
Contábeis e comprara
um
Corel Draw, destes
piratas
mesmo,
oferecendo
agora
serviços
de
marketing
para
lojas
de
varejo
do
mercado
local
- quando
era
garoto
sempre
gostei de
rabiscar as
portas
do
banheiro
da
escola,
ele
me
disse. Tentei
lhe
explicar
que
isto
não
era
marketing,
falei de Kotler, Ansof, Mitzenberg, Rosenbloom, Barnes e
Schultz, Ries e Trout,
até
Michel Porter
eu
tentei,
mas,
quem
disse
que
me
escutou,
afinal
a
publicidade
atrofiada
que
oferecia estava
lhe
rendendo.
Que
fique
claro
que
entendo a
posição
dos
profissionais
de outras
áreas
que
estão buscando
abranger
seus
conhecimentos
e potencializarem
suas
carreiras,
buscando a
polivalência,
só
que
isso
se faz
através
de
estudos
(graduação,
pós-graduação,
etc.), da
mesma
forma
que,
também,
podemos partir
para
cursos
de
economia,
direito,
ciência
política,
entre
outros.
Uma questão
de
escolha
profissional
e aperfeiçoamento
contínuo.
Entretanto,
ainda
estamos engatinhando nesta
carreira,
e ainda
órfãos,
para
ajudar!
Estou falando da
necessidade
de uma
atuação
mais
marcante
e protetora
por
parte
da
Associação
de
Marketing
Brasileira.
Recentemente
soube
que
todos
os
químicos
que
ocupam
cargos
gabaritados nas
indústrias
farmacêuticas terão
que
deixar
suas
funções,
já
que
a
legislação
vigente diz
que
apenas
farmacêuticos
com
CRF podem
ocupar
tais
responsabilidades.
Minha
esposa
mesmo
trabalha
em
uma
grande
indústria
farmacêutica
e,
farmacêutica
que
é, fora
convidada
para
o departamento
de
marketing
- coisa
que
ela
entende
tanto
quanto
eu
da área
dela, ou
seja,
nada!
Será
que
chegaremos
lá?!
Espero ativar
o senso
crítico
de
indignação
de cada
um
de vocês,
profissionais
de
marketing,
para
debatermos e transformarmos esta
realidade,
porque...
SEM
ASSOCIAÇÃO,
NÃO
HÁ CLASSE!!!
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