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A partir da definição do padrão de televisão digital a ser
implantado no Brasil, entramos numa nova etapa. É chegada a
hora de discutir o que será feito para esta nova televisão.
Como as agências de publicidade farão para disputar a
atenção do telespectador em um novo cenário no qual a
interatividade é a palavra-chave?
A própria televisão, em uma espécie de revolução
auto-gestionária, está decretando o fim da passividade do
telespectador que agora poderá escolher a hora de ver seu
filme predileto, saber quem é o fabricante de um sofá que
aparece na novela, ou solicitar o replay de um gol de seu
time do coração.
A escolha de um padrão entre os já existentes (americano,
europeu e japonês), ao que tudo indica, deverá privilegiar
este quesito, mais preponderante nos padrões europeu e
japonês, enquanto o americano privilegia a alta-definição.
O governo brasileiro vem demonstrando preferência pelo
padrão japonês, que, além da interatividade, também
possibilita uma maior convergência tecnológica e uma
portabilidade inalcançável, ao menos por enquanto. A
televisão seria viável em diferentes aparelhos, além do
próprio televisor, como celulares e computadores, por
exemplo.
Diante deste cenário, a propaganda vai ter que se
reposicionar para permanecer atingindo o público de forma
eficiente, pois, com a televisão digital, o número de canais
existentes vai crescer amplamente e as opções de programas
vão proliferar de forma nunca antes imaginada. Assim sendo,
a atenção do espectador será ainda mais concorrida.
Para disputá-la, será necessário explorar novos formatos, em
meios que aproximem a empresa do público. A propaganda terá
de conhecer cada vez melhor o seu consumidor e seus anseios,
o que já é feito há muitos anos, com testes e pesquisas de
mercado. A diferença é que, agora, a adequação da
publicidade ao gosto do público-alvo específico de um
produto, será ainda mais relevante.
O comercial de televisão, da forma como o conhecemos,
fatalmente minguará. Seu formato vem perdendo apelo desde
que surgiu o controle remoto. As pessoas não têm que
assistir; elas simplesmente optam por fazê-lo. Imaginem como
será, agora, que o número de canais será muito mais elevado?
Tudo aponta para uma imersão cada vez maior da propaganda em
conteúdo, na programação propriamente dita. Os programas
institucionais ganham espaço nas programações, a cada dia, e
isto, ainda tendo uma concorrência muito menor.
Ainda que haja opiniões mais alarmadas, temerosas com os
resultados desta mudança na televisão, é bastante provável
que o mercado publicitário e de produtoras ganhe novo fôlego
para atender às novas demandas. Será fundamental a adequação
destas empresas à nova maneira de assistir TV para que
permaneçam na ativa. |