Triste
de se admitir, vergonhoso de se ouvir e humilhante de se ver, o
Partido dos Trabalhadores implodiu, e soltou uma poeira cósmica que
encobriu seus originais princípios dentro da penumbra de gases
tóxicos. Morreu, acidentou-se ou se transformou? Uma certeza é
consensual, a política neoliberal saiu ganhando, e a sociedade
brasileira perdeu historicamente mais uma vez, a possibilidade de
agilizar metas modernizantes de transformações conjunturais e
encaminhar sinalizações estruturais.
Dias felizes foram àqueles em que o PT detinha integralmente o
processo de formação política da sociedade brasileira, como a
agremiação partidária exemplar em seus princípios ideológicos.
Preferida da maioria das classes sociais, alimentadas pela a pujança
de uma juventude atuante, envolvida junto aos movimentos sociais e
sindicais, contando com a inteligência de uma intelectualidade
militante e simpática aos pressupostos socialistas do partido.
O
PT se transformou em uma “escola de formação política”, politizou
pedagogicamente a sociedade, demonstrou que política faz parte do
cotidiano da vida e que é algo bom para a formação da cidadania, ou
seja, do o homo politicus. Afastou a idéia da neutralidade
política e demonstrou que o voto é um instrumento de mudança.
Foi
só assumir o comando do Estado em 2003, tendo como propósito
desenvolver uma política de alianças com todos os partidos, para a
formação de uma grande frente para a base de sustentação política do
governo. Que a estratégia se mostrou nefasta e contaminou o PT
iniciando um processo de exclusão de seus militantes mais
históricos, e o desenvolvimento um processo galopante de
despolitização acompanhado de uma descrença generalizada nos
princípios doutrinários do partido.
Começamos com Luiza Erundina prefeita de São Paulo pelo PT no
mandato de 1989-1993, e nomeada em seguida pelo presidente Itamar
Franco para responder pela Secretária da Administração Federal. O
que lhe rendeu enorme pressão e críticas por parte do PT e petistas
que não aceitavam formar um governo de composição com o PRN.
Conseqüência desse fato leva Erundina a filiar-se ao PSB em 1999.
A
deputada Federal Luciana Genro, a senadora
Heloísa Helena e os deputados Babá e João Fontes, foram expulsos do
Partido dos Trabalhadores em dezembro de 2003 por desobedecerem à
orientação do partido. Recusaram a apoiar medidas que fortalecessem
a política neoliberal, pois isso desviava as diretrizes originais
socialistas do PT.
Relembramos o jornalista e bacharel em direito Plínio de Arruda
Sampaio e o jurista Hélio Bicudo que saíram do partido em 2005
acompanhados pelos deputados Ivan Valente e Orlando Fantazzini,
Maninha , Chico Alencar e João Alfredo.
Em
2009 saem do PT, a senadora Marina Silva e seu parceiro de partido o
senador Flávio Arns, afirmam que a legenda abandonou suas bandeiras
da ética na política e da transparência de seus atos em defesa do
povo brasileiro, ao se posicionar favoravelmente ao arquivamento das
denúncias, no Conselho de Ética, contra o presidente do Senado, José
Sarney.
Isso balançou o comando político da agremiação partidária petista,
desqualificou o líder do PT no senado o senador Aloizio Mercadante
que apesar de divulgar que estava deixando a liderança, recuou a
pedido do presidente Lula. Acredito que sua posição de “pedir
penico” esteja sinalizada por sua candidatura a caminho do governo
de São Paulo.
Diante disso, houve senadores do PT que ao votarem a favor pelo
arquivamento das denúncias contra Sarney, esconderam seus rostos
diante da TV senado e se fizeram presente só pelo som de sua fala.
Pois com medo do eleitorado petista que em rede nacional presenciou
a sessão do Conselho de Ética, foi constrangedor para todos os
senadores.
Envergonhados, muitos senadores se esconderam, outros
desavergonhados festejam nas pizzarias da Capital Federal e comandam
a farra do congresso na conhecida “casa da mãe Joana”. É uma lastima
saber que o Congresso Nacional desenvolveu um processo de
autocondenação quando aprovou o arquivamento dos processos contra
Sarney. Demonstrando que esta instituição como diria Max Weber é de
fato uma sólida estrutura burocrática de poder e completaria Karl
Marx de poder da classe dominante.
Na
verdade existe uma ditadura do Congresso Nacional para com os
interesses do povo brasileiro, que só pode ser destruída pelo voto e
pela militância do povo na rua manifestando seu descontentamento,
contra esses “capitães do mato”.