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Agradecimentos à
jornalista
Ana
Marina
Godoy.
A
comunidade
Orkut
Orkut Buyukkokten nasceu
em
06/02/1976, na Turquia.
Este
engenheiro
de
computação
trabalhava
para
a
empresa
Google (<www.google.com>),
que
permitia aos
seus
funcionários
livremente
dispender vinte
por
cento
do
tempo
em
projetos
pessoais,
sendo
isso
política
da
empresa
para
estimular
a
criatividade.
Foi
assim
que,
discreta
e
constantemente,
o
engenheiro
desenvolveu o
que
hoje
é considerado o
maior
banco
de
dados
do
mundo:
o “Orkut”.
No
início
de
tal
criação,
apenas
empregados
da Google – incluindo o
próprio
Orkut – participavam da
rede
que,
aos
poucos,
abriu-se ao
público.
Só
convidados
podem
participar,
porém
o website <www.orkut.com>
hoje
já
conta
com
mais
de
seis
milhões
membros.
Apesar
da
origem
norte-americana,
o
site
virou
mania
nacional
no
maior
país
da América do
Sul.
Orkut Buyukkokten
não
entende o
porquê
da
maioria
dos
membros
serem
brasileiros
(75%,
segundo
a
Revista
Exame):
“Talvez
seja cultural, tenha a
ver
com
a
personalidade
de
vocês,
que
são
conhecidos
como
um
povo
amigável.
Pode
ser
devido
à
própria
característica
do
mecanismo
de
entrada
no
site
(só
pode se
cadastrar
quem
receber
um
convite
de
um
dos cadastrados).
Eu
tenho
alguns
amigos
que
têm
alguns
amigos
brasileiros,
e
assim
foi se espalhando, o
que
era
mesmo
a
minha
idéia
desde
o
início.”
Afiliado ao Google, o
serviço
possibilita a
cada
usuário
ter
sua
própria
página
onde
estará descrito o
seu
perfil
contendo
dados
pessoais
como
nome
completo,
idade,
cidade
de
origem,
números
de
telefone,
endereço
eletrônico,
preferências
e
afins.
É
possível
adicionar
à
lista
de
amigos
todos
os
conhecidos
encontrados
através
de
amigos
de
amigos
ou
por
simples
sistema
de
busca.
Falar
em
privacidade
quando
se
trata
de Orkut é uma
aberração,
já
que
quem
aceita os
termos
de
inclusão
diz
estar
de
acordo
com
o
fato
de
que
a
empresa
passa
a
ser
proprietária
de
tudo
o
que
ali
for publicado. E os
membros,
em
geral,
não
querem
privacidade;
eles
querem
mesmo
é
aparecer,
ver
quem
tem
mais
amigos
na
lista,
quem
é
amigo
de
quem,
e
assim
por
diante.
O “barato”
é
navegar
nos
perfis de
outros.
O
site
ainda
oferece a
opção
de envio de
mensagens
de
texto
pessoais
chamadas
scraps,
além
dos testimonials
nos
quais
são
escritas
declarações
de
amizade,
ambos
“prato
cheio”
para
os
que
gostam de
bisbilhotar
a
vida
alheia.
Além
disso, existem as
comunidades,
nada
mais
que
grupos
formados
pelos
membros
do Orkut unidos
por
um
interesse
em
comum.
Com
tanta
informação
específica
sobre
cada
membro,
muitos
big brothers de
plantão
estão fazendo a
festa.
E haja
paciência
para
navegar!
Não
é à
toa
que
o
site
vive congestionado.
Não
precisamos
ir
muito
longe
para
racionalmente
chegarmos à
conclusão
de
que
a
facilidade
em
se
conseguir
informações
sobre
os
membros
é
tão
grande,
que
qualquer
seqüestrador
faria a
festa.
Saber
onde
mora
a
filha
de
um
empresário
rico,
telefone,
lugares
que
freqüenta e
escola
na
qual
estuda
é
questão
de
cinco
minutos
de
busca
e
leitura
no Orkut.
E
quando
menos
se
espera,
tudo
o
que
escreveu pode
ser
usado
contra
você.
Conforme
reportagem publicada na
Revista
Consultor
Jurídico,
o
perfil
de Felipe Siqueira
Cunha
de Souza, foi uma das
alegações
da
defesa
do
promotor
de
justiça
Thales Ferri Schoedl. O
promotor
foi acusado de
ferir
gravemente
a Felipe
depois
de uma
discussão
em
Bertioga,
litoral
de
São
Paulo. Os
advogados
alegaram
legítima
defesa
e
que,
no
perfil
do Orkut, havia más
referências
da
suposta
vítima,
mostrando
que
“ele
bebe
regularmente,
é participante de várias
comunidades
de
bebidas
alcoólicas e
proprietário
da
comunidade
‘Barca
do
Alemão’,
na
qual
se pode
ler
que
seus
integrantes,
além
do apologismo à ingestão
excessiva
de
bebidas
alcoólicas, trocam,
entre
si,
mensagens
sobre
aventuras
concretas envolvendo
excessos
com
bebidas
alcoólicas e
direção
de
automóveis.”
Sabe-se que examinadores de concursos públicos no
Brasil já utilizam o sistema para pesquisar a vida de
candidatos; namorados e namoradas ciumentos vivem em incessante
guerra com seus companheiros porque “fulano” ou “fulana” está na
lista de amigos, recebeu “mensagem suspeita” ou seu marital
status está como “solteiro”; celebridades são vítimas de
falsos perfis que levam seus nomes e denigrem a imagem; e por aí
vai o estrago na vida das pessoas.
Alguns consideram a nova moda “coisa de
adolescente”, afirmação absolutamente ingênua feita por pessoas
muito mal-informadas. A realidade é que não há limites de idade
para a “brincadeira” virtual. Os membros são adolescentes,
adultos, idosos e até crianças de pouquíssima idade. Pais
cadastram seus filhos de quatro ou cinco anos para exibir fotos
e distribuir informações na tentativa de não deixá-los fora
desse círculo da moda. O importante para os membros é ter amigos
na lista. Quanto mais amigos, mais famosa e sociável a pessoa é
considerada na comunidade.
Conspiração?
É extremamente comum o internauta adentrar o
site sem ao menos ler os “termos de serviço”, o qual dispõe
que todo o conteúdo, incluindo fotos, informações pessoais e
mensagens, são de propriedade do Orkut.
Neste sentido:
“Há uma cláusula nos termos
de adesão do Orkut que garante aos seus proprietários direitos a
tudo o que ele fizer no sistema. Alguns usuários já reclamaram
desta cláusula, indignados com a invasão de privacidade, tendo
que se policiarem com tudo o que dizem ou fazem no Orkut.
(…)
“O trecho mais preocupante, que está na seção
‘orkut.com's proprietary rights’, seria esse: ‘Ao submeter,
postar ou mostrar quaisquer materiais no ou através do serviço
orkut.com, você automaticamente nos dá direitos mundiais,
não-exclusivos, sublicenciáveis, transferíveis, sem royalties,
perpétuos e irrevogáveis, para copiar, distribuir, criar
trabalhos derivativos ou executar e exibir publicamente tais
materiais’.”
"Perco o
sono
só
de
pensar
na
mina
de
ouro
que
o Orkut pode
representar",
diz Alexandre Hohagen, diretor-geral do Google no Brasil.
E Alexandre Hohagen
não
sorri à
toa.
Além
do Orkut, a
empresa
ainda
oferece os
mais
variados
serviços,
corroborando
para
a
crença
de
que
o Google
quer
dominar
o
mundo.
Primeiramente,
há o
site
que
leva
o
próprio
nome
da
empresa
(<www.google.com>),
hoje
em
dia
o
mecanismo
de
busca
mais
usado na
Internet;
o
e-mail |