|
A história da humanidade relata que desde
a era primitiva, o estresse já causava transtornos à humanidade. No
mundo competitivo de hoje, o estresse está presente quase todo o tempo,
embora sob controle ele possa ser até benéfico, tornando as pessoas mais
ativas, em demasia pode causar diversos distúrbios físicos e emocionais,
afetando diretamente o bem-estar e até mesmo o rendimento profissional.
A modernidade, a industrialização e a urbanização trouxeram, ainda,
praticidade na alimentação, propiciados pela tecnologia: a oferta de
alimentos atraentes, calóricos, escassos em nutrientes e com excessos de
gordura saturada, colesterol, sódio, açúcares, álcool. Essa situação tem
tornado os indivíduos cada vez mais inativos, obesos e cronicamente
estressados, em razão inclusive do ritmo alucinante de trabalho.
Tendo em vista a existência do estresse na sociedade moderna e
competitiva, e seu efeito sobre a nutrição, o estresse se apresenta como
fator risco-doença, e se deve buscar uma postura onde se apresente como
um acontecimento positivo e não um empecilho ao desempenho pessoal, a
saúde e a felicidade.
È importante a compreensão em relação ao que o estresse causa ao
organismo, e a maneira que o organismo a ele se adapta, de modo que o
indivíduo possa aplicar tais princípios às necessidades de suporte
nutricional.
ESTRESSE NO BRASIL
As mudanças ocorridas na sociedade moderna são marcantes, elas são
excitantes, frenéticas e, muitas vezes, rápidas demais para permitir ao
homem uma absorção do seu ritmo e do seu significado.
O fenômeno do consumismo afeta todas as classes com repercussões
significativas em todas as áreas, a fim de poder manter esse poder
aquisitivo, que tudo permite e nada nega. O ser humano muitas vezes se
depara com competição contínua e na tentativa incessante de mais ganhar
e mais possuir, muitas vezes, perdem a noção do ético e da moral em uma
decadência de corrupção e criminalidade.
Curiosamente, as mudanças ocorridas no nível da organização da sociedade
estão relacionadas à saúde. Por exemplo, no século passado à causa mais
freqüente de morte era a infecção, atualmente são as doenças
cardiovasculares.
O índice de estresse em São Paulo era em 1996 de 32%, conforme
demonstrado em uma pesquisa com 1.818 pessoas que transitavam pelo
aeroporto de Cumbica e pelo conjunto nacional, e que se prontificavam a
responder ao Inventário de Sintomas Informatizado (Lipp et al., 1996).
Da amostra de estresse encontrada (32% dos entrevistados), 13% eram
homens e 19% mulheres. Esse índice foi encontrado também, no mesmo ano,
no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraíba e em Campo Grande-MT.
Em 2001, pesquisas também não-clínicas com 619 pessoas, na cidade de São
Paulo, demonstram um índice de 21% de estresse entre os homens e de 41%
entre as mulheres, mais uma vez mostrando um maior índice para o sexo
feminino.
Atualmente, esse índice está em alta, pesquisas realizadas pela UFRJ em
dezembro de 2003 com 327 adultos (215 mulheres e 112 homens), que
transitavam por uma praça no Rio de Janeiro mostrou que 242 (74%)
estavam estressados, sendo que uma diferença foi observada entre homens
e mulheres, cujos índices de estresse foram, respectivamente, 77,7% e
67%. Considerando a situação do momento naquela cidade, em que a
criminalidade está muito alta e o perigo está sempre presente para o
cidadão comum, não há que se admirar que o índice esteja tão alto.
Em São Paulo, o índice de estresse, embora esteja alto, está mais baixo
do que o registrado no Rio de Janeiro, porém observa-se que sofreu um
acréscimo comparado com os índices dos anos anteriores, conforme mostrou
uma pesquisa realizada pelo Centro Psicológico de Controle de Estresse,
em janeiro de 2004 com 915 adultos (601 homens e 314 mulheres),
funcionários de escritórios de várias empresas da cidade de São Paulo,
que não ocupavam cargos de chefia e que aceitaram passar por uma
avaliação de estresse. Verificou-se que 40% do total dos entrevistados
tinham sintomas de estresse, sendo 228 homens (38%) e 145 mulheres
(46%).
Nenhum estudo, até o presente momento, tentou avaliar o estresse do povo
brasileiro no geral, identificando fontes externas e internas com maior
precisão.
NUTRICÃO NO MANEJO DOS EFEITOS DO ESTRESSE
Um corpo apto lida melhor com o estresse, uma nutrição adequada equipa o
corpo com os recursos de que precisa para se defender das crescentes
exigências que o estresse coloca sobre ele. Uma alimentação inadequada,
por outro lado, esgotará suas reservas nutricionais, deixando-o
vulnerável a doenças. Isso, por sua vez, provoca ainda mais estresse,
uma vez que não possuem os recursos necessários para conseguir vencer o
problema.
O estresse é freqüentemente o culpado de maus hábitos alimentares. Na
tentativa de reservar esforço, tempo e energia, muita gente cinge-se ao
que está disponível, como doces, frituras, bolos e biscoitos. Estes
alimentos que são tipicamente ricos em sal e gordura, e quando
consumidos em excesso, conduzem a obesidade. Infelizmente, o estresse
também pode dificultar a continuação de uma dieta para perda de peso.
O estresse tem efeito também na alimentação, podendo modificar o
metabolismo de vários nutrientes como vitaminas do complexo B, vitamina
C, cálcio, magnésio, ferro e zinco (Combs, 1998; Lipp & Rocha, 1996).
Adicionalmente, quando estamos estressados, tendemos a negligenciar
nossa dieta e, então, piorar essa condição patológica pela ingestão
inadequada de minerais. De acordo com Mello Filho (2001, p. 115), as
deficiências desses minerais estão ligadas a uma grande variedade de
disfunções, que vão desde a infertilidade e redução do crescimento, à
úlcera, hipertensão arterial e doença isquêmica do coração.
Quando se passa pelo problema de estresse, a melhor solução é escolher
alimentos nutritivos. É importante destacar a extrema importância dos
cereais, massas, arroz integral e batata - alimentos que possuem
carboidratos complexos - bem como grande quantidade de frutas e legumes
frescos ricos em fibras.
Uma alimentação muito rica em gorduras saturadas faz com que o
colesterol excedente se deposite nas paredes das artérias, que ficam
mais estreitas e impedem o sangue de chegar ao cérebro. Esse bloqueio
causa uma doença chamado aterosclerose. A aterosclerose é a principal
causa de morte por problemas cardíacos e circulatórios.
Outros estudos mostram que a deficiência de zinco desenvolve danos
oxidativos associados com inflamação (Rossi et al.2000). A deficiência
de zinco afeta o fator inibitório de crescimento. (Giralt et al., 2000),
sendo que o estresse leva a uma depleção de zinco no fígado, no músculo
e aumento da excreção urinária deste elemento (Gonzalez et al. 1998).
Pesquisas têm demonstrado que pessoas estressadas do tipo agressivas,
ambiciosas, competitivas, que vivem sob tensão, têm constante déficit do
magnésio muscular. Portanto, uma ingestão adequada de magnésio é
essencial para manter as artérias relaxadas, à pressão arterial baixa e
os batimentos cardíacos regulares. Este mineral reduz ainda os radicais
livres, estabilizando a capacidade de aglutinação de plaquetas
sangüíneas.
O estresse altera também o metabolismo do cálcio e sódio, interferindo
na reatividade vascular. A regulação do metabolismo destes elementos é
extremamente complexa, os quais interagem com hormônios, ingestão e
excreção renal. A ausência de cálcio diminui a reatividade vascular,
enquanto o excesso de sódio aumenta a reatividade muscular das artérias.
O ácido ascórbico pode contribuir para a proteção contra doenças
coronarianas em pessoas que ingerem altas quantidades de vitamina C,
através de frutas e vegetais (Gale et al., 1993), embora a mesma não
tenha sido recomendada como um agente para baixar a concentração de
lipoproteínas (Jenner et al., 2000, p. 65).
Na presença de estresse, há um aumento do hormônio cortisol que provoca
a elevação da mobilização de carboidratos (glicose), gordura e proteína,
por isso é importante a ingestão adequada desses nutrientes (Gleeson;
Bishop, 2000; Boelens et al., 2001).
Uma alimentação equilibrada fornece os nutrientes, necessários ao
funcionamento adequado do organismo, como proteínas, carboidratos,
gorduras, vitaminas, minerais, fibras alimentares e água.
Portanto, a alimentação é um dos fatores determinantes para o manejo do
estresse, bem como o seu consumo inadequado poderá potencializar-lo,
evoluindo este para a fase crônica. Daí a importância de seguir uma
alimentação saudável, procurando evitar certos alimentos considerados
precursores do estresse, principalmente aqueles ricos em cafeína (café,
chocolate, coca-cola), pois estes estimulam o sistema nervoso simpático
á liberar adrenalina (hormônio desencadeador do estresse).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COHN, Amélia. Saúde no Brasil: Políticas e Organizações de Serviços. 6
Ed., São Paulo. Cartez, 2005.
LINDERG, Fedon Alexander. A dieta dos deuses: como o índice glicêmico
pode ajudar você a ter mais saúde e beleza. São Paulo: Editora Gente,
2005.
TELES, Maria Luiza Silveira. O que é stress. São Paulo, SP. Brasiliense,
1999.
MORAIS, Regis. Stress Existencial e Sentido da Vida. São Paulo, SP.
Edição Royola, 1997.
LIPP, M. E. N. (Org.). Stress no Brasil: Pesquisas Avançadas. Campinas:
Papirus, 2001.
LIPP, M. E. N. (Org). Mecanismos Neuropsicofisiológicos do stress:
Teorias e Aplicações Clínicas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.
LIPP, M. E. N.(Org) O Stress . Campinas: Contexto 1998.
MCEWEN, Bruce S. O fim do estresse, como nós o conhecemos. Tradução
Laura Coimbra. Rio de Janeiro: Nossa Fronteira, 2003.
WILLIANS, Sue Rodwell. Fundamentos de Nutrição e autoterapia. 6 ed.
Porto alegre: Artemed Editora, 1997.
|