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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 04 de junho de 2010 21:37:08                                               

 
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Prática alimentar no manejo do estresse

   

Amanda de Paula Pereira

publicado em 11/10/2007


A história da humanidade relata que desde a era primitiva, o estresse já causava transtornos à humanidade. No mundo competitivo de hoje, o estresse está presente quase todo o tempo, embora sob controle ele possa ser até benéfico, tornando as pessoas mais ativas, em demasia pode causar diversos distúrbios físicos e emocionais, afetando diretamente o bem-estar e até mesmo o rendimento profissional.

A modernidade, a industrialização e a urbanização trouxeram, ainda, praticidade na alimentação, propiciados pela tecnologia: a oferta de alimentos atraentes, calóricos, escassos em nutrientes e com excessos de gordura saturada, colesterol, sódio, açúcares, álcool. Essa situação tem tornado os indivíduos cada vez mais inativos, obesos e cronicamente estressados, em razão inclusive do ritmo alucinante de trabalho.
Tendo em vista a existência do estresse na sociedade moderna e competitiva, e seu efeito sobre a nutrição, o estresse se apresenta como fator risco-doença, e se deve buscar uma postura onde se apresente como um acontecimento positivo e não um empecilho ao desempenho pessoal, a saúde e a felicidade.
È importante a compreensão em relação ao que o estresse causa ao organismo, e a maneira que o organismo a ele se adapta, de modo que o indivíduo possa aplicar tais princípios às necessidades de suporte nutricional.

ESTRESSE NO BRASIL
As mudanças ocorridas na sociedade moderna são marcantes, elas são excitantes, frenéticas e, muitas vezes, rápidas demais para permitir ao homem uma absorção do seu ritmo e do seu significado.
O fenômeno do consumismo afeta todas as classes com repercussões significativas em todas as áreas, a fim de poder manter esse poder aquisitivo, que tudo permite e nada nega. O ser humano muitas vezes se depara com competição contínua e na tentativa incessante de mais ganhar e mais possuir, muitas vezes, perdem a noção do ético e da moral em uma decadência de corrupção e criminalidade.
Curiosamente, as mudanças ocorridas no nível da organização da sociedade estão relacionadas à saúde. Por exemplo, no século passado à causa mais freqüente de morte era a infecção, atualmente são as doenças cardiovasculares.
O índice de estresse em São Paulo era em 1996 de 32%, conforme demonstrado em uma pesquisa com 1.818 pessoas que transitavam pelo aeroporto de Cumbica e pelo conjunto nacional, e que se prontificavam a responder ao Inventário de Sintomas Informatizado (Lipp et al., 1996). Da amostra de estresse encontrada (32% dos entrevistados), 13% eram homens e 19% mulheres. Esse índice foi encontrado também, no mesmo ano, no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraíba e em Campo Grande-MT.
Em 2001, pesquisas também não-clínicas com 619 pessoas, na cidade de São Paulo, demonstram um índice de 21% de estresse entre os homens e de 41% entre as mulheres, mais uma vez mostrando um maior índice para o sexo feminino.

Atualmente, esse índice está em alta, pesquisas realizadas pela UFRJ em dezembro de 2003 com 327 adultos (215 mulheres e 112 homens), que transitavam por uma praça no Rio de Janeiro mostrou que 242 (74%) estavam estressados, sendo que uma diferença foi observada entre homens e mulheres, cujos índices de estresse foram, respectivamente, 77,7% e 67%. Considerando a situação do momento naquela cidade, em que a criminalidade está muito alta e o perigo está sempre presente para o cidadão comum, não há que se admirar que o índice esteja tão alto.
Em São Paulo, o índice de estresse, embora esteja alto, está mais baixo do que o registrado no Rio de Janeiro, porém observa-se que sofreu um acréscimo comparado com os índices dos anos anteriores, conforme mostrou uma pesquisa realizada pelo Centro Psicológico de Controle de Estresse, em janeiro de 2004 com 915 adultos (601 homens e 314 mulheres), funcionários de escritórios de várias empresas da cidade de São Paulo, que não ocupavam cargos de chefia e que aceitaram passar por uma avaliação de estresse. Verificou-se que 40% do total dos entrevistados tinham sintomas de estresse, sendo 228 homens (38%) e 145 mulheres (46%).
Nenhum estudo, até o presente momento, tentou avaliar o estresse do povo brasileiro no geral, identificando fontes externas e internas com maior precisão.
 
NUTRICÃO NO MANEJO DOS EFEITOS DO ESTRESSE
Um corpo apto lida melhor com o estresse, uma nutrição adequada equipa o corpo com os recursos de que precisa para se defender das crescentes exigências que o estresse coloca sobre ele. Uma alimentação inadequada, por outro lado, esgotará suas reservas nutricionais, deixando-o vulnerável a doenças. Isso, por sua vez, provoca ainda mais estresse, uma vez que não possuem os recursos necessários para conseguir vencer o problema.
O estresse é freqüentemente o culpado de maus hábitos alimentares. Na tentativa de reservar esforço, tempo e energia, muita gente cinge-se ao que está disponível, como doces, frituras, bolos e biscoitos. Estes alimentos que são tipicamente ricos em sal e gordura, e quando consumidos em excesso, conduzem a obesidade. Infelizmente, o estresse também pode dificultar a continuação de uma dieta para perda de peso.
O estresse tem efeito também na alimentação, podendo modificar o metabolismo de vários nutrientes como vitaminas do complexo B, vitamina C, cálcio, magnésio, ferro e zinco (Combs, 1998; Lipp & Rocha, 1996).
Adicionalmente, quando estamos estressados, tendemos a negligenciar nossa dieta e, então, piorar essa condição patológica pela ingestão inadequada de minerais. De acordo com Mello Filho (2001, p. 115), as deficiências desses minerais estão ligadas a uma grande variedade de disfunções, que vão desde a infertilidade e redução do crescimento, à úlcera, hipertensão arterial e doença isquêmica do coração.

Quando se passa pelo problema de estresse, a melhor solução é escolher alimentos nutritivos. É importante destacar a extrema importância dos cereais, massas, arroz integral e batata - alimentos que possuem carboidratos complexos - bem como grande quantidade de frutas e legumes frescos ricos em fibras.
Uma alimentação muito rica em gorduras saturadas faz com que o colesterol excedente se deposite nas paredes das artérias, que ficam mais estreitas e impedem o sangue de chegar ao cérebro. Esse bloqueio causa uma doença chamado aterosclerose. A aterosclerose é a principal causa de morte por problemas cardíacos e circulatórios.
Outros estudos mostram que a deficiência de zinco desenvolve danos oxidativos associados com inflamação (Rossi et al.2000). A deficiência de zinco afeta o fator inibitório de crescimento. (Giralt et al., 2000), sendo que o estresse leva a uma depleção de zinco no fígado, no músculo e aumento da excreção urinária deste elemento (Gonzalez et al. 1998).
Pesquisas têm demonstrado que pessoas estressadas do tipo agressivas, ambiciosas, competitivas, que vivem sob tensão, têm constante déficit do magnésio muscular. Portanto, uma ingestão adequada de magnésio é essencial para manter as artérias relaxadas, à pressão arterial baixa e os batimentos cardíacos regulares. Este mineral reduz ainda os radicais livres, estabilizando a capacidade de aglutinação de plaquetas sangüíneas.

O estresse altera também o metabolismo do cálcio e sódio, interferindo na reatividade vascular. A regulação do metabolismo destes elementos é extremamente complexa, os quais interagem com hormônios, ingestão e excreção renal. A ausência de cálcio diminui a reatividade vascular, enquanto o excesso de sódio aumenta a reatividade muscular das artérias.
O ácido ascórbico pode contribuir para a proteção contra doenças coronarianas em pessoas que ingerem altas quantidades de vitamina C, através de frutas e vegetais (Gale et al., 1993), embora a mesma não tenha sido recomendada como um agente para baixar a concentração de lipoproteínas (Jenner et al., 2000, p. 65).

Na presença de estresse, há um aumento do hormônio cortisol que provoca a elevação da mobilização de carboidratos (glicose), gordura e proteína, por isso é importante a ingestão adequada desses nutrientes (Gleeson; Bishop, 2000; Boelens  et al., 2001).
Uma alimentação equilibrada fornece os nutrientes, necessários ao funcionamento adequado do organismo, como proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas, minerais, fibras alimentares e água.
Portanto, a alimentação é um dos fatores determinantes para o manejo do estresse, bem como o seu consumo inadequado poderá potencializar-lo, evoluindo este para a fase crônica. Daí a importância de seguir uma alimentação saudável, procurando evitar certos alimentos considerados precursores do estresse, principalmente aqueles ricos em cafeína (café, chocolate, coca-cola), pois estes estimulam o sistema nervoso simpático á liberar adrenalina (hormônio desencadeador do estresse).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COHN, Amélia. Saúde no Brasil: Políticas e Organizações de Serviços. 6 Ed., São Paulo. Cartez, 2005.
LINDERG, Fedon Alexander. A dieta dos deuses: como o índice glicêmico pode ajudar você a ter mais saúde e beleza. São Paulo: Editora Gente, 2005.
TELES, Maria Luiza Silveira. O que é stress. São Paulo, SP. Brasiliense, 1999.
MORAIS, Regis. Stress Existencial e Sentido da Vida. São Paulo, SP. Edição Royola, 1997.
LIPP, M. E. N. (Org.). Stress no Brasil: Pesquisas Avançadas. Campinas: Papirus, 2001.
LIPP, M. E. N. (Org). Mecanismos Neuropsicofisiológicos do stress: Teorias e Aplicações Clínicas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.
LIPP, M. E. N.(Org) O Stress . Campinas: Contexto 1998.
MCEWEN, Bruce S. O fim do estresse, como nós o conhecemos. Tradução Laura Coimbra. Rio de Janeiro: Nossa Fronteira, 2003.
WILLIANS, Sue Rodwell. Fundamentos de Nutrição e autoterapia. 6 ed. Porto alegre: Artemed Editora, 1997.

 

 

 
  

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::sobre o autor::

Amanda de Paula Pereira é nutricionista formada pelo Instituto Macapaense de Ensino Superior, pós graduanda em Nutrição Clínica pela UNIJUÍ e pós graduanda em Acupuntura pelo CBES.
 

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