.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - 25/10/2005 17:04:11 

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Planejamento estratégico da comunicação em instituições públicas
Por Cristiane Soethe

No Brasil, até pouco tempo atrás, a comunicação organizacional em instituições públicas ou governamentais não era tratada como parte relevante das atividades desenvolvidas. Hoje, com a horizontalização da comunicação dentro das empresas, também nessas instituições se começa a valorizar mais as estratégias relacionadas à área. As deficiências encontradas na esfera governamental, porém, dificultam o planejamento. Entre elas, a burocratização e a falta de rigor na utilização do erário público e de informação por parte dos governantes.

Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são alvos constantes de críticas. Daí a necessidade de fortalecer a imagem e, especialmente, a identidade dessas instituições. E a melhoria da imagem dessas organizações depende principalmente do aperfeiçoamento da comunicação.

Outro fator que deve ser levado em conta quando se fala em comunicação organizacional em instituições governamentais é a responsabilidade social que os Poderes têm com relação ao público externo prioritário, no caso, os contribuintes. A comunicação institucional deve buscar uma sintonia de interesses entre os diversos públicos e informar ao povo sobre suas ações, como forma de prestar contas à sociedade.  

O Estado pode perder o reconhecimento por parte da população por manter-se, muitas vezes, alheio às mudanças ocorridas no pensamento das instituições de uma maneira geral e da própria sociedade. A Administração Pública, especialmente no que tange os órgãos governamentais, não pode ignorar as críticas que recebe e deixar de fazer algo para reverter a imagem negativa que foi criada sobre ela.

A partir da visão das instituições públicas como empresas, pode-se aplicar estratégias de comunicação organizacional válidas para ambas. Os órgãos públicos podem ser vistos como estruturas passíveis de mudanças. Além da preocupação com as estruturas governamentais em si, também vale lembrar a necessidade de uma maior interação entre os funcionários e as organizações. Existe uma série de fatores que fazem com que os funcionários públicos muitas vezes não criem um espírito corporativista e não pensem como parte de um sistema, até mesmo por sentirem-se desmotivados diante das falhas no sistema comunicacional ao qual são submetidos. Dessa forma, é preciso pensar estrategicamente a fim de incluir os servidores e funcionários no pensamento da instituição, como forma de entender suas frustrações e expectativas com relação ao ambiente em que trabalham.

A comunicação institucional pública deve ser organizada por profissionais das áreas de Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e Jornalismo, envolvendo os mais diversos setores da comunicação social. E são esses profissionais que vão planejar, administrar e pensar estrategicamente a comunicação. Dessa forma, o estratégico deve tomar o lugar do tático, o que resultará na previsão e gerenciamento de crises, análise de resultados, satisfação das necessidades dos públicos, entre outras ações estrategicamente pensadas. Para que essas ações funcionem é importante, ainda, a conscientização das lideranças da instituição.

Os programas desenvolvidos pela Assessoria de Comunicação de uma instituição pública devem ser baseados em ações planejadas. Os objetivos e estratégias têm de ser estabelecidos antes da implantação de um plano ou política de comunicação. O planejamento das estratégias de comunicação organizacional deve atentar para as oportunidades, riscos, ameaças e tendências do ambiente. A transparência que precisa ser passada ao público externo vale também para o interno. Os funcionários devem conhecer a fundo a instituição onde trabalham e não ficar alheios às funções dos diferentes setores. A comunicação é essencial, seja por meio de jornais murais, de informativos internos ou da palavra do próprio superior (diretor do foro, presidente da Câmara, prefeito, governador, etc.).

A burocracia e a imagem negativa diante da sociedade dos órgãos governamentais no Brasil só tomarão um caminho distinto do atual quando houver uma comunicação eficiente que inclua a sociedade, o funcionalismo público e os dirigentes num mesmo processo, estrategicamente planejado para gerar maior inclusão de todos os públicos e democratização das informações.

 

 

Cristiane Soethe  é jornalista e especialista em Gestão em Comunicação Empresarial

Comunicação Empresarial: como e com quem falar
Por Cristiane Soethe



 

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