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No Brasil, até pouco tempo
atrás, a comunicação organizacional em instituições
públicas ou governamentais não era tratada como parte
relevante das atividades desenvolvidas. Hoje, com a
horizontalização da comunicação dentro das empresas,
também nessas instituições se começa a valorizar mais as
estratégias relacionadas à área. As deficiências
encontradas na esfera governamental, porém, dificultam o
planejamento. Entre elas, a burocratização e a falta de
rigor na utilização do erário público e de informação por
parte dos governantes.
Os Poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário são alvos constantes de críticas.
Daí a necessidade de fortalecer a imagem e, especialmente,
a identidade dessas instituições. E a melhoria da imagem
dessas organizações depende principalmente do
aperfeiçoamento da comunicação.
Outro fator que deve ser
levado em conta quando se fala em comunicação
organizacional em instituições governamentais é a
responsabilidade social que os Poderes têm com relação ao
público externo prioritário, no caso, os contribuintes. A
comunicação institucional deve buscar uma sintonia de
interesses entre os diversos públicos e informar ao povo
sobre suas ações, como forma de prestar contas à
sociedade.
O Estado pode perder o
reconhecimento por parte da população por manter-se,
muitas vezes, alheio às mudanças ocorridas no pensamento
das instituições de uma maneira geral e da própria
sociedade. A Administração Pública, especialmente no que
tange os órgãos governamentais, não pode ignorar as
críticas que recebe e deixar de fazer algo para reverter a
imagem negativa que foi criada sobre ela.
A partir da visão das
instituições públicas como empresas, pode-se aplicar
estratégias de comunicação organizacional válidas para
ambas. Os órgãos públicos podem ser vistos como estruturas
passíveis de mudanças. Além da preocupação com as
estruturas governamentais em si, também vale lembrar a
necessidade de uma maior interação entre os funcionários e
as organizações. Existe uma série de fatores que fazem com
que os funcionários públicos muitas vezes não criem um
espírito corporativista e não pensem como parte de um
sistema, até mesmo por sentirem-se desmotivados diante das
falhas no sistema comunicacional ao qual são submetidos.
Dessa forma, é preciso pensar estrategicamente a fim de
incluir os servidores e funcionários no pensamento da
instituição, como forma de entender suas frustrações e
expectativas com relação ao ambiente em que trabalham.
A comunicação
institucional pública deve ser organizada por
profissionais das áreas de Relações Públicas, Publicidade
e Propaganda e Jornalismo, envolvendo os mais diversos
setores da comunicação social. E são esses profissionais
que vão planejar, administrar e pensar estrategicamente a
comunicação. Dessa forma, o estratégico deve tomar o lugar
do tático, o que resultará na previsão e gerenciamento de
crises, análise de resultados, satisfação das necessidades
dos públicos, entre outras ações estrategicamente
pensadas. Para que essas ações funcionem é importante,
ainda, a conscientização das lideranças da instituição.
Os programas desenvolvidos
pela Assessoria de Comunicação de uma instituição pública
devem ser baseados em ações planejadas. Os objetivos e
estratégias têm de ser estabelecidos antes da implantação
de um plano ou política de comunicação. O planejamento das
estratégias de comunicação organizacional deve atentar
para as oportunidades, riscos, ameaças e tendências do
ambiente. A transparência que precisa ser passada ao
público externo vale também para o interno. Os
funcionários devem conhecer a fundo a instituição onde
trabalham e não ficar alheios às funções dos diferentes
setores. A comunicação é essencial, seja por meio de
jornais murais, de informativos internos ou da palavra do
próprio superior (diretor do foro, presidente da Câmara,
prefeito, governador, etc.).
A burocracia e a imagem
negativa diante da sociedade dos órgãos governamentais no
Brasil só tomarão um caminho distinto do atual quando
houver uma comunicação eficiente que inclua a sociedade, o
funcionalismo público e os dirigentes num mesmo processo,
estrategicamente planejado para gerar maior inclusão de
todos os públicos e democratização das informações. |