|
Novos tempos, novos paradigmas, mas
uma há uma coisa que não muda na cultura brasileira: a
vontade de empreender. Além da criatividade nata de nossa
raça tão miscegenada, sempre acreditamos que uma boa idéia
vai dar certo, até porque Deus é brasileiro.
Junte, então, os ingredientes: criatividade + idéia +
vontade de empreender + pensamento positivo. E o que
teremos?
Uma nação campeã mundial em empreendorismo. Segundo uma
pesquisa realizada em 21 países, um em cada oito
brasileiros, abre seu próprio negócio. Nos Estados Unidos,
encontramos a proporção de um para cada dez
norte-americanos e na Inglaterra, de um para cada 33! Em
países com fonte de renda mais estável como a Finlândia e
Suécia temos a proporção de um empreendedor para 50
pessoas da população.
Uma explicação para este comportamento nacional, além da
soma dos ingredientes acima citados, pode ser o alto
índice de desemprego que obriga milhares de brasileiros à
empreender por falta de uma fonte estável de renda. O fato
é que somos campeões em empreender, como se pudêssemos
dizer que o empreendorismo é viral, passando de um para
outro com a força de uma gripe epidêmica.
O que “pega”, entretanto, é que ser campeão em abrir novos
negócios não significa ser também campeão em manter as
“empresas-bebês” funcionando. Segundo o Sebrae, através de
uma pesquisa realizada em 11 estados brasileiros, a
mortalidade das empresas brasileiras no primeiro ano de
vida é muito alto, entre 30% e 60%. E nos dois anos
seguintes entre 40% e 61%. No terceiro ano, o fechamento
de empresas novas cresce para 73%. E quais as causas para
tantas portas fechadas em um país tão cheio de
iniciativas?! Bem, esta resposta exige uma reflexão além
da crença na brasilidade divina:
Falta de bom conhecimento do ramo do negócio escolhido;
Gestão familiar e falta de um administrador à frente dos
negócios ;
Inexistência de capital próprio suficiente ;
Inexistência de incentivos governamentais e impostos
pesados ;
Alto custo de financiamentos bancários;
Alta concorrência, ou seja, grande facilidade de copiar as
inovações.
E mesmo com números tão pouco favoráreis há quem diga que
o empreendedorismo poder ser apontado como a grande
indústria do século XXI. Uma comprovação disto é a
multiplicação de escolas para empreendedores em todo o
mundo. Os EUA ganham disparado do Brasil, pois encaram a
indústria de maneira mais profissional. Possuem mais de
1.100 escolas especializadas para ensinar como ter sucesso
na abertura de um negócio.
Assim, vivemos num momento de alta competição: muitos
profissionais para o mesmo emprego, muitos produtos para o
mesmo consumidor, muitas escolas para o mesmo empreendedor
e muitas empresas para o mesmo mercado. É uma disputa
constante pelo poder de compra da mesma carteira, uma
verdadeira “briga de rua”, onde o empreendedor precisará
mais do que resolver os 6 itens acima tratados como causas
de falência. Precisará ter visão de guerrilha. |