.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - 25/10/2005 18:02:31 

 PRINCIPAL

 Agenda

 Colunistas

 Cultura e Humor

 Editorial

 Educação

 Em Questão

 Em Rhede

 Entrevistas

 Notícias

 Poesias e Crônicas

 Política e Cidadania

 Reportagens

 Reflexão

 Sócio Ambiental

 Turismo e Lazer

 Terceira Idade

 Outras edições

 

   Participe

 Cartas

 Expediente

 Fale Conosco

  

   Especiais

 SP 450 anos

 Gilberto Freyre

 Igrejas

 Meio Ambiente

 Assédio Moral

 Em Rhede

Empreendorismo de guerrilha
Por Heleni Passos

Novos tempos, novos paradigmas, mas uma há uma coisa que não muda na cultura brasileira: a vontade de empreender. Além da criatividade nata de nossa raça tão miscegenada, sempre acreditamos que uma boa idéia vai dar certo, até porque Deus é brasileiro.

Junte, então, os ingredientes: criatividade + idéia + vontade de empreender + pensamento positivo. E o que teremos?
Uma nação campeã mundial em empreendorismo. Segundo uma pesquisa realizada em 21 países, um em cada oito brasileiros, abre seu próprio negócio. Nos Estados Unidos, encontramos a proporção de um para cada dez norte-americanos e na Inglaterra, de um para cada 33! Em países com fonte de renda mais estável como a Finlândia e Suécia temos a proporção de um empreendedor para 50 pessoas da população.

Uma explicação para este comportamento nacional, além da soma dos ingredientes acima citados, pode ser o alto índice de desemprego que obriga milhares de brasileiros à empreender por falta de uma fonte estável de renda. O fato é que somos campeões em empreender, como se pudêssemos dizer que o empreendorismo é viral, passando de um para outro com a força de uma gripe epidêmica.

O que “pega”, entretanto, é que ser campeão em abrir novos negócios não significa ser também campeão em manter as “empresas-bebês” funcionando. Segundo o Sebrae, através de uma pesquisa realizada em 11 estados brasileiros, a mortalidade das empresas brasileiras no primeiro ano de vida é muito alto, entre 30% e 60%. E nos dois anos seguintes entre 40% e 61%. No terceiro ano, o fechamento de empresas novas cresce para 73%. E quais as causas para tantas portas fechadas em um país tão cheio de iniciativas?! Bem, esta resposta exige uma reflexão além da crença na brasilidade divina:

Falta de bom conhecimento do ramo do negócio escolhido;
Gestão familiar e falta de um administrador à frente dos negócios ;
Inexistência de capital próprio suficiente ;
Inexistência de incentivos governamentais e impostos pesados ;
Alto custo de financiamentos bancários;
Alta concorrência, ou seja, grande facilidade de copiar as inovações.

E mesmo com números tão pouco favoráreis há quem diga que o empreendedorismo poder ser apontado como a grande indústria do século XXI. Uma comprovação disto é a multiplicação de escolas para empreendedores em todo o mundo. Os EUA ganham disparado do Brasil, pois encaram a indústria de maneira mais profissional. Possuem mais de 1.100 escolas especializadas para ensinar como ter sucesso na abertura de um negócio.

Assim, vivemos num momento de alta competição: muitos profissionais para o mesmo emprego, muitos produtos para o mesmo consumidor, muitas escolas para o mesmo empreendedor e muitas empresas para o mesmo mercado. É uma disputa constante pelo poder de compra da mesma carteira, uma verdadeira “briga de rua”, onde o empreendedor precisará mais do que resolver os 6 itens acima tratados como causas de falência. Precisará ter visão de guerrilha.

 

 

Heleni Passos é especialista em marketing e publicitária há mais 15 anos. Atualmente é diretora de planejamento da Salem Marketing Direto. Contato: heleni@salem.com.br

 



 

© copyright Revista P@rtes 2000-2005
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil