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Águia ou Burro: Questão de identidade... |
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Sérgio Dal Sasso |
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publicado em
14/04/2008 |
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Dizem que a águia tem a capacidade da renovação, que
quando atinge a idade de 40 anos passa por um processo de substituição da
penagem, do bico, das unhas e assim consegue manter-se eficiente por mais
longos anos.
Isso tudo, se fosse verdadeiro, seria fantástico como
exemplo a ser seguido, afinal quem não gostaria de estar no corpo de uma
águia, soberana, dominante no seu meio, auto-suficiente e ser referência
entre as aves de rapina.
Nos não queremos ser a águia, mas o que ela representa
através da sua forte identificação com o sucesso, nunca se esquecendo que
sua figura está intimamente ligada ao símbolo da nação dos “irmãos” do
norte. Sim, os do norte, que tanto conhecemos pelo nacionalismo e poder,
pois por décadas foram exímios administradores do destino e sustentabilidade
do mundo global. Cabe aqui apenas um breve comentário de que mudanças, como
a unificação e formação de blocos econômicos e releituras históricas, nos
mostram que nenhum sucesso se perpetua, pelo contrario, são tão mutantes
como a própria vida.
Entre tantos movimentos pela competitividade
verificamos, apenas com base nas primeiras paginas dos jornais, que o
esforço pelo vencer, esbarra nos aumentos dos riscos. O resultado disso é
que o mundo vem sendo movimentado muito mais pelo capital especulativo, do
que o ideal de um fluxo dirigido a produção e geração de oportunidades de
trabalho real.
Cabe aqui ressaltar uma exceção, a China (que não é
águia), vem estabelecendo uma liderança, não tanto pela tecnologia, mas pelo
uso pleno do principal valor de uma nação, o seu povo. Não sou comunista, e
nem estou em concordância com a forma ainda exploratória desse modelo
social. Mas é inegável que aqueles que antes não tinham nada, hoje se
orgulham pelo fato de produzirem e terem uma remuneração por isso (em média
30% dos valores do nosso mercado), e que mesmo distante das garantias e
direitos trabalhistas (CLT), não estão necessitando de bolsas auxilio
humilhação.
Está chegando a hora de sermos “burros”, sim “burros”!
Um cruzamento nacional da nossa égua com o jumento, que pode nós transformar
em um animal resistente, teimoso, com potencial para carregar pedras muito
superiores ao seu peso, e assim estabelecer a construção de uma nação “MADE
IN BRASIL”, que precisa acelerar pela busca de nichos próprios e em acordo
com que realmente identificamos como necessário para um crescimento
sustentável e distante de tanta demagogia.
É pelo fato de estarmos no mundo globalizado, que
devemos aprender a tirar resultados objetivos sobre as vantagens do que isso
representa. Não devemos aceitar medalhas de bronze quando já demonstramos
que podemos ser ouro, apenas precisamos criar estratégias para vencer o que
nos impede, sem tanta intermediação de “terceiros dominantes”, que não
produzem, mas agregam o grosso do lucro. Alguns dos respeitados grupos
nacionais, já despertaram que a formula não é vender para fora, mas estar lá
fora.
Nasci em 1960, na minha adolescência escutava quase que
diariamente a frase: “Este é um País que vai pra frente”. Por aqui perdemos
o trilho, às vezes voltamos, mas ainda hoje, muito mais pelas riquezas
abençoadas pela terra, como o extrativismo e grãos, e em meios aos ventos
favoráveis que chegam de fora para dentro.
O nosso problema não está na ausência da criatividade,
mas na distancia da unidade, do sentido de nacionalidade e no desrespeito a
nós mesmo por aceitarmos a venda em troca de promessas e quase nunca cobrar,
acompanhar e exigir pelas suas realizações
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