.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - 09/07/2009 13:44:27 

 
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O Fim do Emprego
Por Eleanderson C. Eugênio


“Hoje, um terço da força de trabalho mundial - algo em torno de um bilhão de pessoas - está sem emprego, mas não vive em ‘cabanas eletrônicas’, não está no ‘setor de serviços’ nem se dedica, aparentemente, ao ócio criativo. Pelo contrário, o que as estatísticas mostram é que esses milhares de desempregados seguem ligados ao mesmo ‘paradigma do trabalho’, só que agora como trabalhadores terceirizados ou subcontratados, com direitos cada vez mais limitados”.

 

Não quero ser negativo, mas o quadro acima diz aquilo que todos sabem, mas poucos têm coragem de aceitar: o emprego e as relações de trabalho mudaram.

O economista Jeremy Rifkin escreveu o livro "O fim dos empregos" há oito anos e causou uma enorme polêmica ao descrever um cenário tão sombrio para o futuro do trabalho. Dizia ele que a busca cega da redução dos custos de produção promoveria uma eliminação drástica de postos de trabalho nas empresas tradicionais. Isto tornaria os bens e serviços dessas organizações cada vez mais competitivos e lucrativos.

Infelizmente, Rifkin acertou. Atualmente o desemprego é uma ameaça real em grande parte do continente europeu e nos países subdesenvolvidos do resto do mundo.

Além disso, as rígidas leis trabalhistas são um convite tentador para fortalecer a informalidade, pois o empregador precisa pagar muito caro para contratar alguém. Por exemplo: ao contratar um funcionário que ganhe R$ 1.000,00 mensais, o empregador tem o custo total de R$ 2.000,00, o dobro do salário.

Conseqüentemente...

O fim da carteira assinada: Carteira assinada é um artigo raro hoje em dia - os novos empregos, quando surgem, já nascem na informalidade. Com isto, mais da metade dos trabalhadores brasileiros estão à margem dos direitos trabalhistas.

 

A reinvenção das profissões: Todas as profissões estão passando por um processo de reinvenção, inclusive a sua. Por conseguinte, algumas praticamente desapareceram (alfaiate, por exemplo), outras estão em processo de desaparecimento (bancário), há uma relação daquelas que morreram e ressuscitaram (torneiro mecânico), enquanto muitas foram reinventadas (datilógrafo, que atualmente é o digitador).

 

Alguns empregos permanecerão: Emprego sempre vai existir, o problema é que a qualificação necessária para se conquistar uma boa colocação já impede e vai continuar a impossibilitar a contratação da maior parte dos trabalhadores brasileiros.

 

As empresas desejam colaboradores: Quando os profissionais são vistos como colaboradores e estes também entendem seu novo papel, todos ganham. As empresas já compreenderam que precisam de gente criativa, entusiasmada e comprometida com suas atribuições.

Por último...

Empregador paternal não existe mais. Pare de sonhar com isto! Você é o dono da sua carreira e o responsável por criar as oportunidades. É hora de escolher as empresas onde você irá passar os melhores dias de sua vida, ao invés de apenas aceitar qualquer condição por uma carteira assinada.
O mundo está vivendo apenas a era do fim do emprego e não do fim do trabalho.

 

 

Eleanderson C. Eugênio  é Consultor Industrial e Articulista de Jornais e Periódicos de circulação nacional. E-mail:
ec.eugenio@uol.com.br eleanderson2004@yahoo.com.br
 



 

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