.ISSN 1678-8419  

Revista Partes - Ano V - 25/10/2005 18:02:21 

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Utopia ou realidade?
Por Eleanderson C. Eugênio

Se for utopia imaginar que um dia os profissionais vão se entender, se respeitar e alegremente trabalhar juntos para o sucesso da empresa a que servem e, por extensão, para o bem estar de toda a comunidade – então vamos ser utópicos, amigos.

Depois de tanto tempo dando palestras e escrevendo artigos sobre o mundo corporativo, descobri finalmente que tenho falado e escrito sobre realidades mas também sobre utopias.

Bom, para que vocês entendam a minha “descoberta” vamos lembrar a definição de “utopia”. Tudo começou quando o filósofo inglês Thomas Morus resolveu, em 1516, descrever um Estado ideal, um “país ideal em que tudo estaria organizado da melhor forma para a felicidade completa da população”. Em palavras mais simples: uma quimera, uma fantasia, uma concepção irrealizável. Estava criada a Utopia, a Terra do Nunca, o país ou empresa-impossível.

Deixem-me explicar porque descobri que as vezes sou “utópico”. Sempre que um artigo meu é publicado, recebo dezenas de e-mails com manifestações elogiosas e gratificantes a respeito. Isso é muito bom, mas considero particularmente interessante quando esses e-mails relatam vivências dos remetentes que, de alguma forma, retratam situações abordadas pelos artigos e descrevem repercussões e reações geradas por eles.

Fico muito feliz cada vez que recebo essas narrativas porque elas demonstram que, de alguma maneira, meus artigos estão levando muitos profissionais (e não só aqueles da área de recursos humanos) a refletir ou até a se posicionar – ainda que contra – a respeito dos conceitos e idéias que emito, que, para alguns, não passam de utopias.

Alguns profissionais me contatam dizendo: “Mas Eleanderson, você utiliza tantas palavras e expressões em seus artigos, tais como alegria, felicidade, bom humor, afetividade no trabalho e espiritualidade mas para as empresas e algumas “pessoas” isto não passa de utopia. Para estas “pessoas” eu só quero dizer uma coisa: triste de quem não sonha, de quem não acredita no impossível, não busca o diferente, não conhece a felicidade, não sorri. Melancólico quem esqueceu em algum canto escuro dentro de si a criança alegre e pura que um dia já foi, cheia de entusiasmo, de esperança, sem maldade no coração. Pena que depois de alguns anos, para alguns, essa criança fantástica se transformou numa gente-grande fria, calculista, egoísta e sem amor no coração.

Se for utopia imaginar que um dia os profissionais vão se entender, se respeitar e alegremente trabalhar juntos para o sucesso da empresa a que servem e, por extensão, para o bem estar de toda a comunidade – vamos ser utópicos, amigos.

Se for utopia acreditar na capacidade de renovação, resistência e motivação do Ser Humano, independente da idade, da cor, do sexo, das posses e da aparência – e, sobretudo, respeitar e reconhecer o valor desse Ser Humano – então, vamos todos ser desbragadamente utópicos!

Só peço uma coisa aos queridos leitores: você até pode achar este artigo cheio de utopia, mas, por amor aos sonhos, não deixe que suas crianças usem essa palavra feia.

 

 

Eleanderson C. Eugênio  é Consultor Industrial e Articulista de Jornais e Periódicos de circulação nacional. E-mail: eleanderson2004@yahoo.com.br



 

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