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Se for utopia imaginar que
um dia os profissionais vão se entender, se respeitar e
alegremente trabalhar juntos para o sucesso da empresa a
que servem e, por extensão, para o bem estar de toda a
comunidade – então vamos ser utópicos, amigos.
Depois de tanto tempo dando palestras
e escrevendo artigos sobre o mundo corporativo, descobri
finalmente que tenho falado e escrito sobre realidades mas
também sobre utopias.
Bom, para que vocês entendam a minha
“descoberta” vamos lembrar a definição de “utopia”. Tudo
começou quando o filósofo inglês Thomas Morus resolveu, em
1516, descrever um Estado ideal, um “país ideal em que
tudo estaria organizado da melhor forma para a felicidade
completa da população”. Em palavras mais simples: uma
quimera, uma fantasia, uma concepção irrealizável. Estava
criada a Utopia, a Terra do Nunca, o país ou
empresa-impossível.
Deixem-me explicar porque descobri
que as vezes sou “utópico”. Sempre que um artigo meu é
publicado, recebo dezenas de e-mails com manifestações
elogiosas e gratificantes a respeito. Isso é muito bom,
mas considero particularmente interessante quando esses
e-mails relatam vivências dos remetentes que, de alguma
forma, retratam situações abordadas pelos artigos e
descrevem repercussões e reações geradas por eles.
Fico muito feliz cada vez que recebo
essas narrativas porque elas demonstram que, de alguma
maneira, meus artigos estão levando muitos profissionais
(e não só aqueles da área de recursos humanos) a refletir
ou até a se posicionar – ainda que contra – a respeito dos
conceitos e idéias que emito, que, para alguns, não passam
de utopias.
Alguns profissionais me contatam
dizendo: “Mas Eleanderson, você utiliza tantas palavras e
expressões em seus artigos, tais como alegria, felicidade,
bom humor, afetividade no trabalho e espiritualidade mas
para as empresas e algumas “pessoas” isto não passa de
utopia. Para estas “pessoas” eu só quero dizer uma coisa:
triste de quem não sonha, de quem não acredita no
impossível, não busca o diferente, não conhece a
felicidade, não sorri. Melancólico quem esqueceu em algum
canto escuro dentro de si a criança alegre e pura que um
dia já foi, cheia de entusiasmo, de esperança, sem maldade
no coração. Pena que depois de alguns anos, para alguns,
essa criança fantástica se transformou numa gente-grande
fria, calculista, egoísta e sem amor no coração.
Se for utopia imaginar que um dia os
profissionais vão se entender, se respeitar e alegremente
trabalhar juntos para o sucesso da empresa a que servem e,
por extensão, para o bem estar de toda a comunidade –
vamos ser utópicos, amigos.
Se for utopia acreditar na
capacidade de renovação, resistência e motivação do Ser
Humano, independente da idade, da cor, do sexo, das posses
e da aparência – e, sobretudo, respeitar e reconhecer o
valor desse Ser Humano – então, vamos todos ser
desbragadamente utópicos!
Só peço uma coisa aos
queridos leitores: você até pode achar este artigo cheio
de utopia, mas, por amor aos sonhos, não deixe que suas
crianças usem essa palavra feia. |