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Fábio Azevedo |
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publicado em
01/05/2008 |
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“Muitos aprendem a
descobrir as habilidades alheias,
mas somente os sábios
encontram
as próprias
imperfeições!”
Fábio
Azevedo |
Ontem quando participava
de uma palestra na Fundação Getúlio Vargas – FGV, ouvi um conto muito
interessante, que deixou claro para mim, qual a principal habilidade de um
líder para construir e administrar uma equipe eficiente, coesa e
comprometida.
Como sempre, estes contos são adaptados
aos costumes e a cultura de seus povos, e eu o ouvi pela primeira vez na
década de 90, com uma roupagem oriunda da milenar cultura chinesa.
A história se passa na tradicional
marcenaria de um hábil e renomado artesão chinês, e é lá que tudo começa.
Após a saída do marceneiro ao anoitecer,
uma estranha reunião tem início no galpão da marcenaria, e as ferramentas do
local se reúnem para realizar uma assembléia urgente, na qual acertariam
suas diferenças.
Quem presidia a assembléia era o Sr.
Martelo, mas todos os participantes presentes resolveram pedir que ele
renunciasse seu cargo e abandonasse a assembléia, pois ele fazia barulho
demais, além de não fazer outra coisa além de golpear e golpear.
O Sr. Martelo, mesmo chateado, aceitou
sua culpa, pois ele realmente fazia muito barulho, mas solicitou que o Sr.
Parafuso também fosse expulso da assembléia, pois o mesmo, dava voltas e
mais voltas para conseguir alguma coisa, e sempre demorava a alcançar seu
objetivo. O Sr. Parafuso concordou, mas não queria ir embora sozinho, e
pediu a expulsão da Sra. Lixa, pois ela era muito áspera, e gerava muitos
atritos. A Sra. Lixa, terminou aceitando o pedido do Sr. Parafuso, mas não
iria embora também, enquanto o Sr. Metro estivesse ali, pois ele sempre
estava medindo os outros segundo suas medidas, como se fosse o único
perfeito e milimetricamente certo na marcenaria.
A discussão se alongou por toda a
madrugada, e todos os presentes resolveram apontar os defeitos dos outros e
trocar acusações, expondo mágoas antigas.
De repente, a porta se abriu, e o
marceneiro chinês entrou rapidamente juntando todas as ferramentas,
preparando-se para o trabalho matinal.
Ele manuseava habilmente todas as
ferramentas, sua maestria em utilizá-las denunciava seu talento e também sua
experiência, conquistada durante muitos anos de prática, conseguindo tirar o
melhor que cada utensílio da marcenaria possuía para oferecer, e aos poucos,
do enorme tronco, surgia uma belíssima estante de mogno, com várias gavetas,
muito bem trabalhada e ornamentada, aquele era um móvel digno do imperador.
Ao término do dia, o Sr. Marceneiro
estava exausto e foi descansar, e novamente todas as ferramentas se reuniram
para reativar a discussão da assembléia.
Todos continuavam culpando uns aos
outros, e neste momento, o experiente Sr. Serrote, interrompe todos e diz:
-
Calma! Tenham calma,
senhores! Possuímos vários defeitos, e certamente não conseguiremos fazer
tudo perfeitamente, mas nosso bom e velho amigo Marceneiro, sabe
perfeitamente utilizar nossas habilidades e qualidades.
A Sra. Lixa interrompe irônica:
-
Claro! Ele já nos
conhece há tanto tempo que sabe como nos usar direitinho, ele sempre nos
convence a fazer o que ele precisa!
-
O Sr. Serrote continua:
-
Sim Dona lixa, mas é
necessário que esqueçamos nossos defeitos, precisamos nos concentrar em
nossas qualidades, só assim, nossos pontos fracos serão melhorados dia após
dia! E temos que aceitar que ele é nosso líder, e é o único capaz de nos
coordenar da maneira certa.
Todos ficaram em silêncio,
entreolharam-se e perceberam, que a força do Sr. Martelo era enorme, e suas
marteladas, mesmo que barulhentas, eram sempre precisas e certeiras. O Sr.
Parafuso, mesmo dando suas voltas, sempre conseguia atingir seus objetivos,
e sua presença sempre se fazia necessária para dar mais força e união nos
locais onde era aplicado. A Sra. Lixa, por sua vez, apesar de sua aspereza,
conseguia sempre aparar as arestas e farpas existentes em qualquer situação.
E o milimétrico Sr. Metro, constantemente media tudo segundo suas medidas,
mas era sempre exato e preciso em seu trabalho.
O silêncio tomou conta da marcenaria por
alguns instantes, e então todos entenderam que ali estava reunida uma equipe
fantástica, capaz de produzir móveis indiscutivelmente belos e perfeitos,
com uma qualidade sem igual. Todos então enxergaram o óbvio, entendendo que,
quando trabalhavam em perfeita harmonia, cada qual fazendo o que sabia
melhor, surgia uma sincronia imbatível, uma verdadeira equipe de sucesso.
A alegria contagiou a todos, e o Sr.
Serrote prosseguiu:
-
Vocês perceberam que
enquanto eu era direcionado pelo marceneiro, eu executava minha tarefa com
excelência. Como o que sei fazer de melhor na vida é serrar, deixo que meu
amigo marceneiro me diga o que fazer e qual objeto cortar, e tento dar o
melhor de mim nesta tarefa.
De longe o Sr. Metro que ouvia tudo
calado, resolve entrar na discussão para dar a medida final, dizendo:
-
Nosso amigo Serrote tem razão, devemos parar
de procurar defeitos uns nos outros, precisamos sim, encontrar e desenvolver
nossas qualidades, pois só assim seremos cada vez melhores no que fazemos, e
juntos, poderemos somar nossas habilidades e aperfeiçoar nossas
deficiências.
Todas as ferramentas concordaram, e o Sr. Metro
continuou:
-
O nosso velho amigo marceneiro, todos os dias
nos ensina uma lição silenciosa, e nos mostra como devemos utilizar o que
temos de melhor para desempenharmos nossas funções, ele consegue habilmente,
obter nosso empenho em todas as atividades da marcenaria, e quando ele está
no comando, cada um de nós realiza com maestria o que sabe fazer melhor, uns
demorando um pouco mais, outros um pouco barulhentos, e outros até
detalhistas em demasia, mas no fim, todos alcançam o objetivo principal, e o
resultado é sempre perfeito!
Neste momento, todos compreendem a
mensagem, a luz se apaga, e as ferramentas voltam para a caixa do
marceneiro, aguardando por mais um dia de trabalho.
Certamente, você já deve ter ouvido esta
metáfora, mas eu não podia deixar de contar mais uma vez esta magnífica
história sobre gestão e liderança.
Para que possamos cumprir as metas
estipuladas na vida profissional e pessoal, é de fundamental importância, o
reconhecimento de nossas principais habilidades, precisamos aprender a
reconhecer nossos defeitos, e buscar ajuda para melhorá-los.
O ser humano, tende a enfatizar os
defeitos alheios, talvez por medo, para assim, tentar esconder as próprias
imperfeições.
Este fato é muito comum no ambiente
empresarial, e quase todos já passaram por situações parecidas. Buscar o
aperfeiçoamento de nossas deficiências faz parte da natureza humana, o ser
humano foi criado para se superar limites e evoluir constantemente, não
podemos deixar que nossas imperfeições mudem o rumo de nossa constante
evolução.
O bom líder, assim como o marceneiro,
deve aprender a identificar habilidades e tirar o máximo de cada ferramenta
envolvida na fabricação diária da máquina empresarial.
Muitos aprendem a descobrir as
habilidades alheias, mas somente os sábios encontram as próprias
imperfeições!
Devemos preencher nossos defeitos com as
qualidades dos que nos cercam!
Fábio Azevedo
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