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ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 02 de dezembro de 2009 20:01:32                                               

 
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Férias e demissão: o que fazer?    

Reinaldo Gomes*

publicado em 02/12/2009

 

Pânico! Tirei férias e quando voltei minha cadeira pertencia a outra pessoa. Muitos psicólogos, especialistas em RH e gestores de pessoas insistem em dizer que não se deve temer as férias para garantir o emprego. Porém, a realidade é outra. O medo das férias ainda assusta muita gente, principalmente os que conseguiram subir alguns degraus da pirâmide corporativa.

Em conversa com alguns executivos de baixo, médio e alto escalão, pude observar que nenhum tira os 30 dias corridos de férias durante um período de 12 meses de trabalho, como prevê a legislação trabalhista brasileira. Todos, sem exceção, se desligam por uma semana ou, no máximo, 15 dias – esses são mais raros. Porém, nenhum admite que é por medo de perder o posto de trabalho. Por outro lado, estudos revelam que quanto mais alto o executivo está na pirâmide corporativa mais difícil é uma recolocação, caso haja o imprevisto de demissão. Essas pesquisas mostram também que um dos medos – aliás, para a maioria dos executivos – é que decisões importantes podem ser tomadas dentro das corporações durante sua ausência. Para eles, não participar dessas decisões seria uma grande perda.

Tirar uma semana de férias, esse é o tempo ideal, de acordo com a maioria dos executivos. O cansaço e a cobrança da família forçam um período curto de afastamento das atividades diárias. Mas, a competição do mercado, a concorrência interna, entre outras exigências, pesam na decisão do executivo sobre qual o melhor período para gozar alguns dias de descanso. Mesmo assim, quando vêm as férias, a chavinha não é desligada. O executivo leva a tiracolo o notebook, o celular e, às vezes, um pendrive com todos os arquivos do escritório para, nas horas de “folga” das férias, continuar trabalhando.

Isso faz bem para a saúde? É claro que não! Mas, eles não têm escolha. Um amigo executivo sempre me pergunta “qual é o seu plano B?” e afirma que todos temos de ter este plano. Executar um plano B para os profissionais com salários de alto escalão, mantendo o mesmo nível, é bem mais difícil do que para os que têm salários menores. Essa neurose é sentida em todos os ambientes corporativos de médio e alto escalão. Na parte inferior da pirâmide, lá na base, a situação já é diferente: as férias são de 30 dias e bem gozadas.

Na opinião de alguns profissionais de alto escalão, os funcionários de áreas operacionais são facilmente substituídos durante as férias, diferentemente do alto executivo. Ninguém faz o trabalho dele durante sua ausência. Quando volta das férias, há trabalho acumulado. É um dos motivos para não tirar um período longo de descanso. Até tem lógica!

É claro que todo esse pavor das férias não deveria existir. O profissional não precisaria temer se ausentar para o seu merecido descanso. Geralmente, as demissões não acontecem por causa das férias e sim por outros motivos como redução de custos, mudanças estratégicas, ou até mesmo por causa do desempenho e histórico do profissional. Se ele tiver de ser demitido, não serão suas férias que vão segurá-lo no cargo. Às vezes o profissional é tão competente que chega a ser uma ameaça ao seu chefe e isso poderá provocar o seu afastamento. É fato! Aconteceu com um executivo próximo a mim que, ao voltar das férias, encontrou sua sala já ocupada por outra pessoa. Sem justificativa, ele havia sido dispensado.

Mesmo assim, o acontecido é um fato isolado. Todos precisam tirar férias sim, independentemente das razões que levam a decisões contrárias. Os motivos para isso vão além do ambiente de trabalho. Nas grandes metrópoles é comprovado que os níveis de estresse aumentam por causa da violência, do trânsito e da velocidade das informações que chegam pelos veículos de comunicação e que influenciam diretamente no mercado corporativo. O profissional deve se valer do bom senso e entender que as férias renovarão suas energias, seu bom ânimo e sua capacidade de discernimento na tomada de decisões, melhorando sua produtividade e trazendo resultados para a sua corporação. É claro, além de proporcionar melhor qualidade de vida.

Da mesma forma isso vale para alertar o empregador. É fundamental cuidar do principal capital de sua empresa, o “capital humano”. Grandes corporações já reconheceram que o profissional, uma vez satisfeito, desempenha muito melhor suas atividades – o que equivale a resultados positivos. As férias são uma forma de cuidar do capital humano. Isso é gestão de pessoas.


 

Reinaldo Gomes é jornalista.

E-mail: reinaldogomes2005@hotmail.com

 

 

 
  

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