Muito já foi escrito e, naturalmente, muito ainda será debatido sobre a
importância da mulher. Aliás, como não falar sobre quem nos deu a vida,
nos ensinou as primeiras letras, as primeiras canções, curou nossas
febres, velou sobre as assustadoras noites e nos revelou que podemos
vencer a doença, o descaso e a tristeza. Como esquecer o apoio
irrestrito e o incentivo que nos acompanharam durante uma vida inteira,
e a força de palavras, gestos e presenças, que em seu conjunto sempre
significou que podemos superar o mundo e conquistar nosso lugar. Nos
momentos de incerteza havia alguém ali que apontava possibilidades e, se
temos sucesso hoje, foi porque acreditamos nelas. Com certeza podemos
dizer que, diante destas e de outras situações, todos os dias são das
mulheres. Ou, pelo menos deveriam ser dedicados a elas.
Mas, isto não é apenas mais uma discurso vazio, protocolar. O assunto é
sério, quero dizer, já notaram que, além do elogio de gênero, e das
palavras superficiais que se costumam dizer nestas datas, existe uma
realidade desconhecida por muitos? Quem pode avaliar corretamente a
importância da diversidade de gêneros numa organização, numa sociedade,
numa economia? Sim, as mulheres ocupam imenso espaço social, em todos os
níveis, inclusive, determinando rumos, vidas, governos e organizações. O
que poucos sabem é que isto era coisa impensável a apenas uma geração
atrás! A despeito de nossa desinformação as mulheres estão conseguindo
ampliar seus horizontes e buscam, cada vez mais, novas fronteiras de
atuação.
Além das mulheres que atingiram merecidamente, postos de comando, e que
têm sob sua responsabilidade a governança de pequenas, médias e grandes
corporações, vemos a imensa influência feminina em praticamente todo
lugar. Por exemplo: como não lembrar das que ouvem nossas queixas nos
call centers, as que aumentam nosso limite de crédito nos bancos, as que
cuidam de nossos filhos, limpam nossas casas, lavam nossa roupa, dirigem
motos e entregam nossa correspondência, suportam nosso mau humor,
recolhem o lixo, entregam soluções empresariais e atendem nossos pedidos
de remédios ou comida?
A lista não para por aí, temos as que vendem, as que compram, que
selecionam, que contratam, que seguram nosso patrimônio, conferem
balanços, dão aulas, fotografam, pesquisam, filosofam, filmam, abastecem
nossos carros. Temos, também, as de tripla jornada, que fazem tudo isso
e ainda tem que arrumar tempo para cuidar da família, muitas vezes
esquecendo até de si próprias. Enfim, segundo o IBGE, hoje temos, no
Brasil, mais de 86,3 milhões de trabalhadoras, grande parte acumulando a
função de chefe de família, ou seja, a responsável por sustentar a casa.
É pouco ou querem mais dados sobre esta importância?
Eu apenas lamento que a recíproca não seja verdadeira e o preconceito
ronde a nossa cultura. Isto, porque, a despeito de tamanhos valores,
conhecimento e energia, elas ainda continuam sendo cidadãs de segunda
classe. Recebem proporcionalmente menos que o seu par biológico, quando
atuam profissionalmente na mesma função. É o que mostra a Pesquisa
Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), onde vemos que, em 2007, o
rendimento médio real das mulheres correspondia a 66,1% da remuneração
média masculina. Digam o que disserem, não há justificativas para o fato
da discriminação por gênero. Isto é uma vergonha!
Assim, como homenagear efetivamente quem está presente em nossa vida,
desde sempre? Talvez, possamos começar por reconhecer sua inteligência,
seu lugar e papel na sociedade; remunerá-la adequadamente, abolir as
barreiras e, quem sabe, aprender mais algumas lições e perspectivas que
irão facilitar nossa vida. Enquanto isso, nós, os representantes do sexo
masculino, temos um outro desafio que é apressar o curso da evolução
para que possamos, um dia, compreender o universo da mulher. Não é
tarefa fácil, mas nós ainda chegaremos lá!